A simplicidade dos campos verdes e a paisagem ao fundo, trazem consigo o ar magnífico do lar do rapaz. Um lugar que ainda não foi maculado pelo homem.

    No topo do morro mais afastado das outras casas do vilarejo, uma janela de madeira se abre.
    Um garoto respira fundo o ar refrescante daquela manhã.

    O cabelo castanho curto balança com a brisa.

    一 BOOOOOOOOOM DIA! 一 exclama Raisel em um grito logo no início do dia.


    Os pássaros próximos voam de susto e a voz ecoa morro abaixo.

    一 Acordou cheio de energia hoje em, Ray… 一 a voz do velho é calma e tranquila, mas também carrega um riso breve pela cena que sempre se repetia quando o garoto estava de bom humor.


    Passando pelo corredor, um homem transporta um barril.
    Com braços largos e um físico excelente, trata-se de um senhor entrando na terceira idade, no auge dos cinquenta anos. Esse é Yurga.

    一 Claro! Hoje eu definitivamente recebo o meu Glanz e aí vou poder ficar mais forte que você, vovô!


    Estendendo aquele sorriso de bochecha a bochecha, o garoto desceu da cama e foi até o homem alto que seguia para o lado de fora da casa.

    一 Seria bom caso você ficasse mais forte mesmo. 一 deixou o barril sobre o gramado ao se abaixar.


    一 Mas não precisa apressar as coisas. Não é por só receber um Glanz que você vai me superar…


    A mão de Yurga pousa sobre a cabeça do menino, chacoalhando-o de um lado para o outro.

    一 Uh… uh… uh… Para com isso! Quando você vai parar de me tratar igual criança? Eu já tenho quinze anos! 一 reclama Raisel enquanto se solta do palmo enorme do mestre.

    一 Hm… É mesmo? Então vai levar esse barril pro Tejin, seu adulto de meia-tigela! 一 Yurga dá alguns passos para trás e age como um velho rabugento conforme ria.

    Com um chutezinho na bunda, o provoca uma última vez enquanto volta para dentro da casa novamente.

    一 Hmpf… Tu vai ver só, velho folgado! 一 Retruca o menino com um semblante nada contente ao ser tratado daquela forma.

    Ao aproximar-se do barril, ergue o mesmo com ambas as mãos até o peitoral.

    “Que pesado! O que caralhos tem aqui dentro?! O vovô tava carregando sem nem suar!”

    Os joelhos de Raisel se flexionam brevemente por conta do peso, mas isso não o impede de caminhar, ou muito menos de tentar carregar o barril da mesma maneira que o mestre para tentar competir com ele.

    De passo em passo, o garoto desce a trilha até o vilarejo. Mas os braços pesam cada vez mais…

    Após alguns minutos, o menino resolve fazer uma pausa já no começo da vila.

    O barril é solto no chão com cuidado.
    O antebraço é usado contra a testa para tirar um pouco do suor.

    Ao parar ali, Raisel observa os arredores com as bandeirinhas espetadas de uma casa à outra, as lanternas penduradas e as barracas de madeira construídas dividindo a rua.

    一 Bom dia, irmãozão Ray!

    一 Oi, irmãozão Ray!

    一 Já tá trabalhando logo cedo, irmãozão Ray!?

    Os trigêmeos de cabelos claros como a neve, Kali, Lila e Lavi cercam o garoto.

    一 Eaí, Kali! Essa espada de madeira foi você que fez? Tá bem daora!

    A criança de cabelo curto ondulado sorri alegremente.

    一 Oi, Lila! Essa presilha nova é bem bonita!

    A criança de maria-chiquinha fica envergonhada e recolhe os ombros com a cabeça baixa.

    一 Pois é, Lavi… O velhote já me mandou entregar esse barril pro Tejin. 一 direcionou para a criança mais alta e com a franja sobre o olho esquerdo.

    一 Você vai poder brincar com a gente mais tarde, irmãozão Ray? A gente criou uma estratégia pra derrotar o Vilão dessa vez! 一 pergunta Kali enquanto escora a espada de madeira no ombro.


    Confiantes, os trigêmeos sorriem orgulhosamente.

    一 Vou sim. Depois do almoço eu venho aqui pra gente brincar, tá bom?

    Junto da resposta, Raisel coloca o palmo sobre a cabeça dos três gentilmente em um cafuné.

    一 Eba! Eba! Eba! Até depois, irmãozão Ray!

    Os três pulam de alegria e voltam a correr pelo vilarejo enquanto se despedem em conjunto.

    “Francamente… Esses três cresceram muito…”

    O rapaz sorri e volta a carregar o barril até o destino.

    Sem mais pausas e após um curto tempo, Raisel finalmente chega em frente a casa do comerciante do vilarejo.

    一 Tejin! Tá aí?! 一 Gritou ainda do lado de fora.

    一 É você, Ray? Tô aqui nos fundos! 一 Imediatamente, uma voz masculina mais afinada respondeu em mesmo tom.

    Arqueando uma das sobrancelhas, Raisel fica curioso sobre o que ele está fazendo no pomar tão cedo.

    Circulando a casa, ele vai até lá para encontrá-lo.

    Vestindo o seu sobretudo branco, o monóculo no olho direito, as orelhas pontudas e o cabelo negro como a noite, era o Tejin agachado em frente à algumas mudas.

    一 Já tô terminando aqui… São os materiais que eu pedi pro Yurga?

    一 Não sei, ele não me disse o que é… Mas deve ser, tá bem pesado.

    一 Pode deixar aí… Já tomou café da manhã? 一 o meio-elfo se levanta enquanto limpa as mãos de terra em um pano sobre as coxas.

    一 Pior que ainda não… 一 com alguma fome, Raisel coloca a mão na barriga.

    一 Pode pegar uma fruta ali como agradecimento. Fala pro Yurga que eu sou grato pela ajuda. 一 ele retira uma varinha da cintura e aponta para o barril.


    A energia do comerciante envolve o objeto que começa a flutuar seguindo os movimentos da mão do mesmo.

    “Ele faz isso com tanta naturalidade… Ser um feiticeiro deve ser bem legal.”


    Com alguns passos, o garoto se aproxima de uma árvore com frutos azulados e retira um para comer, apesar de não saber qual fruta era aquela.

    Em uma mordida, o sabor adocicado surpreende o menino que arregala os olhos.

    一 Caramba, isso é gostoso! Qual é o nome dessa fruta?

    一 Tifra, é típica do Reino de Klagum. Ela é amarga, mas o Kimich me ajudou a deixar ela doce. 一 ao dizer, Tejin contorna a casa em busca de adentrar com o barril e guardá-lo.

    一 Klagum? Não é o nome do lugar que a Calamidade da Doença destruiu? 一 Raisel acompanha o comerciante estando logo atrás dele.

    一 É sim, mas pelo o que eu soube, ainda tem algumas coisas lá… Então não foi tudo destruído.

    一 Entendi… E por que o Kimich deixou essa fruta doce? Ela é tão ruim assim normal? 一 o mastigar crocante expressa a textura do fruto.

    一 Essa Tifra tem outro nome que você com certeza já ouviu. Sabe a “Fruta dos Pesadelos”? Então, é essa fruta aí.


    Ao ouvir isso, os olhos de Raisel se arregalaram e ele engole no reflexo.


    O barril é deixado na sala usada como armazém com diversos outros caixotes.

    一 QUE? AQUELA FRUTA QUE FAZ VOCÊ MORRER NA PRIMEIRA MORDIDA!? 一 exaltado, está prestes a arremessar longe aquele fruto.

    一 Não precisa se desesperar… Por isso eu pedi ajuda pro Kimich e ele conseguiu encantar ela usando a Alquimia. Aí a “maldição” dessa fruta se desfez.

    Em um suspiro aliviado, o garoto volta a comer novamente com um olhar estreito.

    一 Orelhudo maldito… Isso foi de propósito, né?

    Tejin ri, mas sempre trabalhando. Desta vez, está a contar algumas moedas.

    一 Talvez, talvez…~ Toma, me faz um favor. Leva esse dinheiro pra senhorita Carmen.

    一 Beleza, mas em troca separa mais algumas dessas Tifra pra mim.

    一 Combinado.

    O meio-elfo sorri e entrega o saquinho com moedas para Raisel, que agarra com a mão esquerda e sai.

    一 Falou, Tejin. Se cuida.

    一 Até. Você também…

    O comerciante então fecha a porta da casa após se despedir.

    “Senhorita Carmen, né…”

    Ao pensar na mulher, a única imagem que lhe veio à mente do rapaz são os seios dela.

    “Que merda!”

    Ao chacoalhar a cabeça para os lados, Raisel dissipa essa imagem impura e se apressa por estar envergonhado.

    Até chegar lá, a fruta já está completamente triturada no estômago.

    Aproximando-se do seu destino, do lado de fora, a mulher ruiva trabalha cortando alguns Coelhos Pintados.
    Os mesmos que haviam sido pegos por Raisel e Yurga anteontem.

    一 Bom dia, senhorita Carmen…

    A açougueira bastante concentrada ouve a voz de Raisel e sorri gentilmente.

    一 Rayzinho, bom dia!~ Como você tá?



    Era difícil para o garoto se comunicar com ela encarando-a nos olhos.

    一 Urgh… Bem, bem… E você? 一 com certa agilidade, ele desvia o olhar e se vira de lado para ela.

    一 Poxa…~ 一 com uma voz manhosa, finca o cutelo sobre a mesa com agressividade.

    Nisso, vem a dizer em um tom ameaçador:

    一 Eu vou ter que te picotar inteirinho igual eu fiz com o Yurga pra você aprender a conversar com as mulheres, R-a-y-z-i-n-h-o?

    O garoto se arrepia inteiro e rapidamente se vira para ela em choque.

    一 M-M-Me desculpa, senhorita Carmen!


    Ao fundo, é possível ver Yurga “congelando” ao sentir algo ruim.

    一 Mãe, já disse pra você parar de assustar as pessoas desse jeito! 一 com um tapa na nuca da baixinha, a filha de Carmen, Raquel aparece para salvar o dia.

    一 Ai…~ Eu só tava brincando com ele, tá bom? Era brincadeira…~ 一 a mulher de meia idade ponha uma das mãos sobre a ardência, mas de modo dramático, está quase chorando.

    Raquel coloca uma tigela de vidro sobre uma mesa ao lado.
    Essa tigela, cheia de grãos, ervas e temperos, provavelmente seria para passar na carne dos coelhos.

    一 Desculpa por isso, Ray… Você sabe que é o jeito dela de demonstrar carinho fazendo essas coisas, né?

    Diferente da mãe, Raquel é uma menina mais esguia e de cabelo longo ruivo, mesmo que seja bastante bonita com os olhos azulados e alta.

    一 Tá de boa… Obrigado por ajudar. 一 Raisel respira fundo e sorri ao vê-la. Sempre se sente mais confortável ao tê-la por perto.

    一 Eu trouxe esse dinheiro que o Tejin mandou. Quer que eu coloque lá dentro?

    一 Não precisa. Pode entregar pra mim. 一 com um semblante gentil e as bochechas levemente rubras ao ver Raisel, a menina estende uma das mãos para pegar o amontoado.

    一 Aliás, Ray, tem alguma coisa pra fazer agora?

    一 Não, por quê?

    一 Tá faltando um pouco de lenha… Eu e a mãe estamos ocupadas… Você pode pegar um pouco pra gente? Aí você leva comida pra almoçar com o senhor Yurga.



    Após ouvir, o rapaz desvia os olhos para o céu.

    “Com a Raquel aqui, é mais tranquilo lidar com a Carmen… O velho também gosta da comida delas. Parece bom…”

    一 Beleza. Precisa de quanto?

    一 Corta o suficiente pra três dias. É só pra não ficar faltando na hora do festival mais tarde.

    一 Certo.

    Os dois jovens estão hipnotizados um no outro.


    Vendo de fora, Carmen curva o canto da boca ao notar “climinha” entre eles.

    一 Rayzinho… quando você vai me dar netinhos?~ 一 com uma das mãos na bochecha, gargalha de forma engasgada.


    Todavia, ao ouvir aquilo, tanto Raquel quanto Raisel travam.

    一 M-MÃE!

    Raquel é a primeira a sair da paralisação e a balançar a senhora pelos ombros de um lado para o outro.


    Totalmente avermelhada como os cabelos, a jovem deseja enfiar a cara em um buraco enquanto a cruel Carmen apenas ri.


    Raisel, por outro lado, apenas segue sem graça com um riso.


    Então, pouco a pouco, se afasta para os fundos da casa em busca de cortar a lenha para as garotas.

    “Eu me casar com a Raquel? Já pensei nisso algumas vezes… Mas ter filhos? Nem pensar, ainda é muito cedo…”

    Colocando um tronco após o outro, Raisel divaga em pensamentos enquanto o corpo age sozinho.

    “Eu quero ser um Nômade. Viajar por todo o continente, indo do sul à norte de Wynward como os heróis dos livros… Só que pra fazer isso com menos riscos, preciso de um Glanz.”

    O machado divide a madeira em tabletes repetidas vezes.

    “Uma benção de uma Constelação faz total diferença. Por mais que as pessoas possam ter seus poderes usando Gewissen, a manifestação da consciência de cada um… A interferência de um Glanz pra amplificar essa capacidade individual é essencial…”

    “Espero que hoje no Festival da Adoração eu seja abençoado… Não quero ter que esperar até depois dos vinte anos pra ir explorar Wynward.”

    Conforme pensava, o tempo passou muito rápido.
    Já fazia quase uma hora que Raisel cortava lenha.

    O transe do rapaz é interrompido pela voz de Raquel gritando com a senhorita Carmen.

    Com um sorriso no rosto, o menino abraça os tabletes de madeira e se encaminha para dentro da casa tendo dificuldade para ver com a pilha na frente.

    一 Raquel, terminei… Coloco no armazém?

    一 Sim, por favor. Obrigada, Ray…

    De forma meiga, a ruiva se aproxima.

    Os dedos delicados pousam sobre o ombro dele, quase o puxando.
    O calor de seu rosto repleto de sardinhas, chega a estar próximo o suficiente para que ele sentisse o cheiro de seu perfume de lavanda.

    De repente, os lábios úmidos tocam a bochecha dele. Mas tão rápido quanto, a menina já deixa o cômodo.

    Sem entender direito o que acabou de acontecer e com certa vergonha, Raisel desvia o olhar com uma feição “carrancuda” e parte pro armazém com cuidado.


    “Toda vez que ela faz isso, meu coração quase para…”


    Saindo pelos fundos após deixar a lenha, ele se senta para meditar do lado de fora até o almoço ficar pronto.

    “Vou me concentrar em reduzir a fadiga muscular… Já que tô desde cedo carregando coisa pesada, não vou ter energia pra brincar com os trigêmeos depois, ou muito menos aproveitar o Festival mais tarde…”

    Na meditação, mais algum tempo se passa até o almoço ficar pronto.

    一 Rayzinho?~ Tome a sua comida, o Yurga deve estar com fome~


    Abrindo os olhos, o garoto se levanta e bate contra as vestes para retirar alguma poeira.

    Em poucos passos, ele chega até as mulheres que lhe entregam as marmitas.

    Carregando dois recipientes enrolados em um pano de alta qualidade e florido, Raisel se prepara para voltar para casa.

    一 Até o Festival, senhorita Carmen e Raquel. Se cuidem!

    Abaixando a cabeça brevemente em despedida, o rapaz dá meia volta e parte.

    一 Fala pro Yurga ir bem arrumado, hein! Se aquele velho estiver desleixado na hora do Festival, eu vou castrar ele! 一 disse Carmen com um sorriso leve no rosto


    Ao lado dela, Raquel olha para a própria mãe aterrorizada.

    “Que medo…”

    Com esse pensamento, Raisel apenas acena com a cabeça e se retira o mais rápido possível.

    Ao contrário da ida, a volta para casa é bem rápida.

    一 Voltei, vovô. 一 retira os sapatos na entrada.

    一 Você demorou… Tá tudo bem? 一 o velho afia algumas flechas e sequer olha para o garoto.

    一 Aham. Trouxe marmita das ruivas, vou deixar a sua em cima da mesa.

    一 Certo.

    一 O Tejin agradeceu o barril com os materiais e a senhorita Carmen me disse pra você ir arrumado pro Festival. 一 antes de começar a comer, Raisel se acomoda na cadeira ao redor da mesa para passar os recados.

    一 Aquela mulher sempre me enche o saco quando é pra visitar algum lugar…

    一 Por que ela se importa tanto em como você vai? 一 questiona o garoto após desenrolar o seu almoço.

    一 Ela diz que eu preciso me manter bonito… É pura implicância… 一 suspira o velho, já sentindo cansaço ao pensar que terá que se arrumar bem.

    “A senhorita Carmen e o vovô se conhecem há muito tempo… Ele me disse que a Carmen era uma amiga da sua falecida esposa… Deve ser por isso que ela se vê na obrigação de cuidar dele…”

    一 Hm… Será que o Olga vai vir pro Festival? 一 o som do talher de madeira bate diversas vezes contra o recipiente conforme o garoto conversava.



    O atrito da pedra de amolar mascarou o silêncio.

    一 Acho que não. A Katarina tá grávida, então ele deve preferir passar o tempo com a esposa dele.

    Que droga… Por isso que eu não quero me casar cedo. Pelo menos você vai ser vovô de verdade… 一 começando a falar de boca cheia, para para engolir, mas rapidamente volta a tagarelar.

    一 Casar? Você? Só se for com a Raquel… 一 fala o velho com uma risada e um largar de ombros.

    Óbvio. Com quem mais seria?

    一 Você devia aproveitar… Não precisa casar com a pessoa pra beijar. Vocês já namoram…

    Falar é fácil… Você não sentia vergonha de beijar, vovô?

    一 Claro que não. Beijar a pessoa que eu amava era uma das coisas mais prazerosas do mundo, seu porrinha… Por mais que você queira ser um Nômade, isso não quer dizer que você precise focar só em treinamento… Precisa conhecer pessoas, estabelecer relações, alianças… Nada se conquista sozinho.


    Após a fala, Yurga se levanta ao terminar o trabalho com as flechas.

    一 Hm…

    Com as palavras do seu mestre, Raisel planeja algo para fazer durante o festival.

    Aliás, você foi no que sobrou de Klagum, né? Como que é lá? 一 Raisel pausa a sua refeição temporariamente.


    Com um copo de água na mão, ele bebe calmamente enquanto ouve.

    一 Klagum? Eu fui antes de te achar.

    一 E como tava lá depois da Calamidade da Doença dominar?

    一 É difícil explicar. Eu não cheguei a entrar lá dentro, mas posso resumir falando que é parecido com uma pintura.

    一 Pintura? Como assim?

    O velho bebe um pouco d’água antes de voltar a falar.

    一 Ray, já te falei várias vezes que o poder das Calamidades não é algo desse mundo. O Reino de Klagum era considerado como uma “segunda capital” de Wynward e o que a Calamidade da Doença fez lá foi uma aniquilação…

    一 No passado, a Calamidade da Doença não tinha um território diferente das outras quatro Calamidades. Pra parar de ser subestimada, ela transformou Klagum no seu próprio paraíso… um Reino dos Sonhos.

    一 Hoje em dia só a Calamidade da Moral não tem território, né? 一 o garoto naturalmente tinha interesse na história das criaturas mais poderosas do continente.

    一 Sim, a Moral é conhecido como Mensageiro das Estrelas… 

    Ao fim, Yurga volta a comer.

    Quero visitar Klagum algum dia… 一 pensa em voz alta.



    O homem experiente performa uma expressão carrancuda.

    一 Não trate Wynward como um lugar tão amistoso, Raisel… Você não faz ideia dos perigos que existem.



    A pressão daqueles olhos prateados deixam até difícil respirar. Mas o menino infla os pulmões com coragem.

    一 Eu sei! Por isso o primeiro passo é ficar mais forte que o senhor.

    O garoto sorri animado.


    Após o almoço, é a hora de ir encontrar os trigêmeos e aproveitar a tarde.

    Todavia, o que tanto o mestre quanto o discípulo não contavam, é que o tempo não seria tão longo para eles.

    Durante o Festival de Adoração, Raisel tomaria para si a perspectiva de desafiar o seu próprio destino…

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