Capítulo 36 - Poder inesperado
Quando a criatura se curvou depois de receber os dois chutes eu projetei meu punho à frente no rosto da criatura em um soco poderoso que fez a cabeça da figura virar para trás.
— Vai se foder!!! — exclamei enquanto golpeava o rosto da criatura diversas vezes.
Distraído quando golpeava a criatura e socava seu rosto diversas vezes fui surpreendido com as garras frias que conheceram o interior do meu corpo ao perfurar as minhas costelas que sangraram com tanto dano e dor.
— Merda!!!
Continuei a espancar a criatura com diversos socos e golpes violentos em sua face enquanto a dor me consumia e eu tentava me libertar desesperadamente das garras mortais da figura.
— Desgraçado!!! Me larga!!! — gritei furioso com a criatura que berrava e grunhia enquanto fincava suas garras cada vez mais fundo nas minhas costelas.
— Devolva!!!
Esse maldito desgraçado não vai me soltar! Eu não tenho mais força nem energia, eu não consigo me concentrar…
— Kenji você precisa se acalmar agora! A sua perturbação atrapalha a conexão, assim eu não consigo transmitir — Satoshi falou com voz ofegante.
— Eu preciso de um pouco de silêncio, mas esse merda não cala a boca! Eu preciso de calma, entendeu?! Eu preciso que todos fiquem quietos, agora!!!
Golpeei incessantemente a face da criatura que pareceu inabalável e aprofundou suas garras cada vez mais fundo na minha carne.
— Você roubou algo dele, Kenji. — a voz de Koda soou calma ao longe.
— Como assim roubei, roubei o quê? — perguntei ainda confuso e desesperado com a situação.
— E outra, vem me ajudar e para de ser inútil, porra!!! Eu preciso de ajuda aqui agora!
Puxei meu braço para trás e concentrei a energia instável em meu punho até que projetei um golpe violento e poderoso à frente. Por um instante o rosto da criatura virou para o lado significativamente e a mesma parou de gritar.
— E cala a boca, merda!
— Já chega. — a voz de Koda soou calma quando vi sua mão tocar o topo da cabeça da criatura de forma suave.
A presença sombria de Ishikawa causou calafrios em mim assim que vi seus olhos frios que me encaravam enquanto a figura subitamente caía para trás e se desvencilhava de mim.
— Como ele fez isso? — Satoshi falou ao mesmo tempo que eu, também impressionado com a situação repentina e surpreendente.
Cambaleei para trás e me afastei da criatura que permaneceu desconexa por alguns instantes antes de retomar a consciência e se voltar para Koda. A figura furiosa se lançou na direção do loiro e golpeou com suas garras afiadas em um corte transversal.
Ishikawa ligeiramente inclinou seu corpo e o golpe rasgou o ar. Era impressionante como seus movimentos eram fluídos e sua feição permanecia neutra diante da situação…
— Ele é bem mais do que pensávamos… — afirmei para Satoshi mentalmente enquanto observava atentamente os movimentos do combate e repousava a mão sobre minha ferida.
— Muito mais. — Satoshi afirmou impressionado.
Observei Koda se esquivar de alguns golpes do monstro enquanto sua feição se manteve imóvel e inexpressiva. Até chegava a ser assustador.
— Não vai me ajudar? — Koda perguntou enquanto se agachava rapidamente para escapar de um ataque da criatura.
Realmente… Preciso aproveitar da distração. Um golpe só. É isso que preciso.
Subitamente, antes mesmo que eu pudesse me preparar, a criatura girou seu corpo e virou até mim furiosa. Senti algo próximo de mim ressoar e quando notei era o cristal em meu bolso que brilhava cada vez mais ao mesmo tempo que a figura também sofria mudanças.
— Eu entendi tudo! Era isso que ele queria o tempo todo.
— Você não devia ter pego essa coisa Kenji. Larga isso, rápido! — Satoshi exclamou mentalmente.
A figura saltou na minha direção rapidamente e balançou suas garras violentamente. Me lancei para trás enquanto levei minha mão ao bolso e peguei o cristal.
— Então pega essa merda! — exclamei e joguei o cristal ao longe no gramado.
A visão da pedra azulada atraiu a atenção da criatura em um instante e a fez se lançar sobre o cristal de forma desesperada.
Voltei a atenção para Koda que encarava a criatura no gramado com sua expressão apática e sombria de sempre. Sua presença fria parecia expandir e eu pude sentir uma energia discreta emanar dele.
— Esse cara com certeza esconde muita coisa. — Satoshi falou mentalmente.
Koda voltou seu olhar a mim enquanto a criatura permanecia ajoelhada no gramado e segurava o cristal em suas mãos.
— Então era isso… Não é bom ficar bisbilhotando em coisas de origem desconhecida. Isso foi muito imprudente. — Koda disse.
— É. Eu aprendi a lição… — respondi com uma expressão de dor em meu rosto.
Koda caminhou até a criatura ajoelhada no gramado, parou em sua frente a encarou por alguns segundos até dizer:
— Precisamos acabar com isso. Os reforços estão lidando com a multidão e logo virão pra auxiliar na investigação. A vitória é nossa.
— Você acaba com isso. Estou mal demais pra fazer qualquer outra coisa… — respondi enquanto me deitava no gramado com a mão sobre minha grande ferida que sangrava.
A energia que fluiu pelo meu corpo através de Satoshi ajudou a amenizar a ferida e o sangramento e me daria tempo o suficiente até a chegada dos reforços.
— Desse jeito, essa criança não é mais nada. — Koda falou enquanto estendeu sua mão na direção da cabeça da criatura ajoelhada.
O homem segurou o crânio da figura e a energia fluiu sobre seu braço e ele apertou com força a cabeça do monstro. Um barulho de estalar foi ouvido e pude ver a criatura desfalecer no gramado.
Koda se virou e caminhou até mim lentamente. Sua expressão indiferente e presença incomum faziam meu interior estremecer como se algo fora do normal habitasse aquele homem. Seu olhar me alcançou quando disse:
— Acho melhor você ter aprendido a lição, Yoshida.
O homem estendeu a mão para mim e me ergueu do gramado. Meus olhos passearam pelo grande corpo da criatura que estava deitado e imóvel com seu crânio amassado.
— Logo eles chegam. Só me ajuda a estabilizar… — falei e tirei a mão de cima da ferida que ainda escorria sangue.
— Vai passar rápido, garoto. — Koda respondeu e passou meu braço por cima do seu ombro e deixou com que eu me apoiasse sobre ele.
…
No prédio sede dos Inquisidores. Dia seguinte.
— Vocês fizeram o quê?! — Yüjin exclamou.

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