Olá, segue a Central de Ajuda ao Leitor Lendário, também conhecida como C.A.L.L! Aqui, deixarei registradas dicas para melhor entendimento da leitura:
Travessão ( — ), é a indicação de diálogos entre os personagens ou eles mesmos;
Aspas com itálico ( “” ), indicam pensamentos do personagem central em seu POV;
Aspas finas ( ‘’ ), servem para o entendimento de falas internas dentro da mente do personagem central do POV, mas não significa que é um pensamento dele mesmo;
Itálico no texto, indica onomatopeias, palavras-chave para subverter um conceito, dentre outras possíveis utilidades;
Colchetes ( [] ), serão utilizados para as mais diversas finalidades, seja no telefone, televisão, etc;
Por fim, não esqueça, se divirta, seja feliz e que os mistérios lhe acompanhem!
Capítulo 73 — Dançando Com O Diabo (3)
Eles continuaram andando em meio aos becos, passando por corredores estreitos e sombrios que pareciam se estender indefinidamente. Calli não conseguia deixar de notar o quão estranho era aquilo: becos não deveriam ser tão longos, tão labirínticos. Era como se o espaço ao seu redor estivesse se distorcendo, se expandindo além do que era possível.
Mas não era só isso. Nos confins de sua consciência, ele sentia algo a mais — algo perturbador. Murmúrios. Ecos distantes e irregulares que não formavam palavras claras, mas carregavam uma intenção, uma emoção. Eram súplicas? Lamentos? Ele não conseguia dizer ao certo, mas cada sussurro parecia arranhar sua mente, o deixando inquieto.
— Ei, hum… Thal, Lya? — chamou, hesitante, tentando quebrar o silêncio que o incomodava mais do que os próprios murmúrios.
— Thalya. — A voz dela cortou o ar como uma lâmina, seca e impaciente, como se ela já estivesse cansada de suas dúvidas.
— Isso… Aonde estamos indo? — perguntou Calli, confuso e com um leve receio que não conseguia disfarçar.
— Ora, estamos indo encontrar com outros desafortunados — respondeu ela, com um tom casual, como se estivesse falando de algo trivial.
“Desafortunados… Mais uma vez ela diz algo sem explicar,” pensou Calli, frustrado.
Ele queria respostas, mas algo na postura de Thalya — a maneira como ela caminhava, o jeito como girava o guarda-chuva — sugeria que ela não estava disposta a dar muitas explicações ou que simplesmente não se ligava para os arredores.
Aos poucos, o ritmo da caminhada começou a diminuir, como se Thalya estivesse esperando algo. Calli olhou ao redor, tentando identificar o motivo da desaceleração, mas não havia nada que se destacasse.
As paredes continuavam altas e sombrias, o chão úmido e irregular, e o ar pesado com um silêncio que só era quebrado pelos murmúrios distantes.
E então, quase imperceptivelmente, ele notou algo. Não era algo visual, mas uma sensação — como se o próprio ar estivesse mudando, ficando mais denso, mais carregado. Ele olhou para Thalya, esperando uma reação, mas ela continuava andando como se nada estivesse errado.
Foram mais alguns minutos de caminhada até que, finalmente, chegaram a um beco sem saída. As paredes altas e sombrias se fechavam à frente, bloqueando qualquer possibilidade de continuar. Calli parou, confuso, olhando para Thalya como se esperasse uma explicação.
Mas ela não parecia nem um pouco perturbada. Caminhando casualmente, como se estivesse dando um passeio no parque, ela se aproximou da parede e, sem hesitar, a atravessou.
“Mas que merda?”
Calli ficou paralisado, os olhos fixos no ponto onde Thalya havia desaparecido. A imagem da parede ainda tremulava, como a superfície de um lago após alguém mergulhar. Ondulações suaves se espalhavam pelo tijolo, e, aos poucos, a parede voltava ao normal, como se nada tivesse acontecido.
Ele não teve tempo de processar o que acabara de ver. Antes que pudesse decidir se deveria tentar atravessar também ou simplesmente correr na direção oposta, uma mão surgiu de repente da parede, agarrando seu pulso com firmeza.
— Vem logo, zé — disse Thalya, sua voz ecoando de um lugar que Calli não podia ver.
A mão o puxou com uma força surpreendente, e ele não teve escolha a não ser se deixar levar. O mundo ao seu redor se distorceu por um instante, como se ele estivesse sendo sugado por um túnel de luz e sombras. A sensação era estranha, quase como cair, mas sem a gravidade.
E então, de repente, ele estava do outro lado.
Do outro lado, o ambiente lembrava muito um bar. Mesas de madeira desgastada, cadeiras espalhadas de forma desorganizada, e um balcão ao fundo com prateleiras cheias de garrafas e copos. A iluminação era baixa, com luzes amareladas que criavam sombras dançantes nas paredes. Era um lugar que parecia saído de um filme antigo, mas algo nele era… estranho.
“Eu esperava tudo… Menos isso…” pensou Calli, olhando ao redor com uma mistura de curiosidade e desconfiança.
Os sussurros que o acompanhavam desde o beco continuavam crescendo, como se estivessem se alimentando da atmosfera do lugar. Eram vozes distantes, disformes, quase como se estivessem tentando dizer algo, mas sem conseguir formar palavras claras. No entanto, em meio àquele caos de sons, uma voz se destacou. Era profunda, rouca e carregada de uma autoridade que ele reconheceu imediatamente.
‘Quanto tempo…’ — a voz de Asharoth irrompeu em sua mente, como um trovão em um dia claro.
Calli quase perdeu o fôlego.
“Asharoth? Essa voz é definitivamente a dele… Mas seria estranho eu falar com ele no meio dessas pessoas,” pensou ele, tentando manter a compostura enquanto olhava ao redor, como se alguém pudesse ouvir seus pensamentos.
Demorou alguns instantes, mas então ele sentiu. Um frio cortante percorreu sua espinha, como se algo gelado tivesse tocado sua nuca. Cada pelo de seu corpo parecia se arrepiar, alertando-o de uma presença que não podia ser ignorada. Era uma sensação de urgência, de medo, mas também de inevitabilidade.
‘Estou escutando tudo.’
A voz de Asharoth ecoou novamente, mais clara desta vez, como se estivesse sussurrando diretamente em seu ouvido. Calli sentiu um peso no peito, como se o ar ao seu redor tivesse se tornado mais denso. Ele sabia que não havia como escapar — Asharoth estava ali, dentro dele, observando, ouvindo, esperando.
Quando Calli se deu conta, três pessoas, além de Thalya, estavam o encarando fixamente. O primeiro era um homem de aparência descontraída, segurando um copo com uma bebida de cor marrom escura — uísque, talvez, ou algo parecido. Ele balançava o líquido levemente, como se estivesse mais interessado no movimento do que na bebida em si.
Ao lado dele, outro rapaz, mais jovem, usava um colar prateado que brilhava sob a luz fraca do ambiente. Ele estava inclinado sobre o balcão, segurando uma garrafa e servindo o homem do copo com um ar de familiaridade, como se fossem velhos conhecidos.
No fundo da sala, uma jovem de cabelos prateados se sentava em um sofá desgastado, imersa em um livro sem capa. Seus olhos percorriam as páginas com uma intensidade quase obsessiva, como se o mundo ao seu redor simplesmente não existisse.
Calli mal teve tempo de processar a cena quando, de repente, escutou o som de algo batendo com força. Antes que pudesse reagir, seu corpo colidiu com o de outra pessoa, que havia sido literalmente arremessada em sua direção por um homem extremamente alto e forte. O gigante tinha um sorriso largo no rosto, como se estivesse se divertindo com a situação.
A pessoa que colidiu com Calli se levantou rapidamente, o ignorando completamente, e voltou à pequena luta que travava com o homem forte, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
“Que tipo de manicômio é esse?” pensou Calli, ainda atordoado pela colisão.
Foi então que ele olhou para baixo e percebeu gotas de sangue caindo em seu joelho. Quando levou a mão ao rosto, sentiu o líquido quente escorrendo do nariz e da boca, vazando entre seus dedos. O gosto metálico do sangue invadiu sua boca, e uma dor latejante começou a se espalhar pelo rosto.
“Dói.”

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.