Olá, segue a Central de Ajuda ao Leitor Lendário, também conhecida como C.A.L.L! Aqui, deixarei registradas dicas para melhor entendimento da leitura:
Travessão ( — ), é a indicação de diálogos entre os personagens ou eles mesmos;
Aspas com itálico ( “” ), indicam pensamentos do personagem central em seu POV;
Aspas finas ( ‘’ ), servem para o entendimento de falas internas dentro da mente do personagem central do POV, mas não significa que é um pensamento dele mesmo;
Itálico no texto, indica onomatopeias, palavras-chave para subverter um conceito, dentre outras possíveis utilidades;
Colchetes ( [] ), serão utilizados para as mais diversas finalidades, seja no telefone, televisão, etc;
Por fim, não esqueça, se divirta, seja feliz e que os mistérios lhe acompanhem!
Capítulo 80 — A Dança dos Sonhos Estilhaçados
A madrugada era densa, o vento uivava com uma força incomum, batendo contra a janela como se quisesse entrar. Leonard acordou abruptamente, não pelo barulho, mas por uma urgência que brotou em seu peito, um sentimento premonitório que o arrancou do sono. Algo estava errado. Ele sabia.
Os fios.
Aqueles mesmos fios que ele via constantemente, que pareciam tecer a realidade ao seu redor, agora estavam desalinhados, caóticos. Eles se contorciam no ar, apontando para direções desconhecidas, como se revelassem segredos que ele não estava preparado para entender. Eles brilhavam com uma luz prateada, conectando coisas, lugares, talvez até tempos. Leonard sentiu um frio na espinha.
“O que está acontecendo?”
Ele se levantou, os pés descalços tocando o chão frio. O corredor estava silencioso, as outras quatro portas ainda fechadas. O silêncio era espesso, quase palpável, como se a casa estivesse segurando a respiração. Leonard seguiu os fios, que agora pareciam convergir para um único ponto.
Eles o guiavam, mas também o confundiam. Sensações vívidas do presente e do futuro se misturavam em sua mente, criando uma névoa de possibilidades. Algo o avisava, de forma cruel e implacável, que ele não deveria ignorar aquilo.
No final do corredor, a porta da sala chamou sua atenção. Era a porta que levava para fora de casa. Os fios, todos eles, convergiam ali, entrelaçando-se em um único ponto, como se todos os destinos estivessem amarrados por algo invisível, algo que ele não podia ver, mas que sentia.
“Isso parece um emaranhado de fios que gatos brincam…”
A analogia surgiu em sua mente, mas não trouxe conforto. O que quer que estivesse lá fora, era grande demais, antigo demais. Leonard sentiu seus poros estremecerem, seu corpo todo em alerta. Ele sabia que não podia ignorar.
“Eu… Irei atrás do que estiver acontecendo lá fora.”
Esta madrugada, a do décimo dia, era diferente. O ar estava carregado de uma energia estranha, como se o tempo estivesse se dobrando, se contorcendo. Leonard sentiu que algo estava prestes a acontecer, algo que mudaria tudo. Mas o destino, como sempre, brincava com esses momentos.
Atrás da porta, o vento soprava com mais força, mas havia algo mais. Um murmúrio, quase imperceptível, ecoava no ar. Era uma voz, ou talvez várias, sussurrando palavras que ele não conseguia entender completamente. Mas uma frase se destacou, clara e nítida:
Venha até mim.
A maçaneta estava gelada sob sua mão. Leonard sentiu sua respiração falhar, o ritmo cardíaco acelerar. A marca do juramento quebrado em seu pulso latejava, como se lamentasse algo que ele não conseguia lembrar. Ele sabia que não havia volta. O que quer que estivesse lá fora, precisava ser confrontado.
Com um movimento firme, ele abriu a porta.
A visão que o recebeu era familiar, mas, ao mesmo tempo, profundamente perturbadora. A neve caía silenciosamente, flocos brancos dançavam no vento gélido. As plantas que antes estavam mortas agora ganhavam vida, brotando lentamente, como se o inverno estivesse recuando. O mundo parecia estar se reconstruindo, mas algo estava errado. Muito errado.
“Que porra que está acontecendo?”
Leonard deu um passo para fora, depois outro. Os fios prateados se divergiam em todas as direções, mas ele não teve tempo de segui-los. A porta atrás dele se fechou com um baque seco, o isolando do conforto da casa. O vento gelado o envolveu, e ele sentiu uma vontade súbita de tossir, mas não conseguiu. Seu corpo parecia não lhe pertencer, como se ele fosse um impostor em sua própria pele.
— Até… que… enfim… nos… encontramos…
A voz surgiu do nada, rouca e antiquada, mais um zumbido do que palavras. Leonard sentiu o coração parar. Em um piscar de olhos, o mundo ao seu redor mudou. A noite escura foi substituída por um céu vermelho, como se o horizonte estivesse em chamas. E diante dele, se erguendo como uma sombra viva, estava a criatura.
Ela era imponente, sua presença era como um peso sobre o peito de Leonard. Sua forma era humanoide, mas distorcida, como se tivesse sido moldada por mãos cruéis e apressadas. O manto que vestia era vermelho, mas não refletia a luz — ao contrário, parecia absorvê-la, como um buraco negro feito de tecido. A criatura estava agachada, como um predador prestes a atacar, e Leonard sentiu o instinto primitivo de correr, mas seus pés estavam enraizados no chão.
A cabeça da criatura era coberta por uma máscara ou talvez um crânio retorcido, negro como a noite. Os chifres que se projetavam de sua testa eram como galhos de uma árvore morta, curvando-se para cima em um arco grotesco.
Seus olhos brilhavam com um fulgor dourado, intenso e hipnotizante, como brasas vivas cravadas na escuridão. Eles transmitiam inteligência, mas também uma malevolência insondável, como se a criatura conhecesse cada medo, cada dúvida que Leonard já teve.
Os braços longos e esqueléticos terminavam em garras afiadas, as mãos ossudas e cadavéricas, como se estivessem sendo consumidas pela própria essência do ser. Um dos pulsos era adornado com pequenas contas e um fragmento de osso, um detalhe que parecia quase humano, mas que só aumentava o horror daquela figura.
O céu vermelho acima deles parecia pulsar, como se o mundo estivesse à beira do colapso. Leonard sentiu que aquela criatura não pertencia ao reino dos vivos. Ela era algo que só deveria existir em pesadelos.
“Ele é real, ele está aqui… Eu não sei… O que eu faço? O que eu faço?”
As dúvidas surgiram em sua mente, mas não houve tempo para respostas. A criatura se moveu, rápida demais para seus olhos acompanharem. Ele sentiu uma dor aguda na bochecha, e quando levou a mão ao rosto, sentiu o sangue escorrer. A criatura estava agora a centímetros dele, e a voz sussurrou, rouca e implacável:
— Me… deixe… entrar…
Sem mais tempo para pensar, a marca em seu pulso pulsou violentamente, e dela se materializou o punhal fraturado. A lâmina, que parecia ter sido quebrada em algum momento distante, ainda mantinha um brilho fantasmagórico, como se carregasse consigo memórias de batalhas antigas.
Leonard a segurou com firmeza, sentindo o peso familiar em sua mão, mas também uma estranha fragilidade, como se o próprio punhal estivesse à beira de desmoronar.
Ele cortou o ar com um movimento rápido, mas a criatura se distanciou com uma agilidade sobrenatural, como se o espaço ao seu redor se dobrasse para atendê-la. O mundo ao redor de Leonard parecia se dissolver em uma loucura ainda maior. Os fios que antes brilhavam em um prateado etéreo agora se tornaram vermelhos, como veias pulsantes que conectavam todas as coisas.
Eles tremeluziam com uma luz sinistra, como se o próprio tecido da realidade estivesse sendo corrompido.
— Eu preciso agir… Eu estou sozinho…

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