Capítulo 38 - Executor Real
Primal se ajoelhou diante de Glartak, inclinando a cabeça em reverência.
— Bem-vindo de volta, meu rei.
Com um simples gesto, Glartak ordenou que ele se levantasse.
Primal obedeceu prontamente, erguendo-se de forma firme antes de sustentar o olhar de seu rei. Não havia arrogância nem medo em seus olhos — apenas respeito. Ele conhecia seu lugar. Sabia que Glartak havia se tornado ainda mais forte e tinha plena consciência de que, sem ele, ainda seria apenas um goblin comum… ou talvez já estivesse morto há muito tempo.
Glartak falou, sua voz carregada de autoridade:
— Explique o que aconteceu.
Primal respirou fundo antes de começar seu relato.
— Fomos cercados.
Sua voz se manteve firme enquanto continuava:
— Eu enfrentei o líder deles… um humano extremamente forte. Ele conseguia usar um tipo de aprimoramento corporal que eu nunca tinha visto antes.
Ele fez uma breve pausa, como se revivesse o momento.
— Foi a luta mais difícil que já enfrentei. Eu só venci porque arrisquei tudo.
Seus punhos se fecharam levemente ao lembrar da batalha contra Alaric, os músculos do braço tensionando por instinto. A memória ainda estava viva em seu corpo, como se a luta não tivesse realmente terminado.
Seus olhos se estreitaram levemente.
— Por um momento, eu tive certeza de que iria morrer. Mas não podia deixar aquele humano viver. Ele era uma ameaça para Shivanna.
Primal continuou, sem desviar o olhar.
— Então eu apostei tudo numa tentativa desesperada… e consegui matá-lo.
Houve um breve silêncio antes de ele prosseguir.
— E foi nesse momento… quando eu achei que ia morrer… que eu evoluí.
Uma leve mudança ocorreu na expressão de Glartak ao ouvir aquilo, ainda que sutil. “Primal teve muita sorte. Seus pontos de experiência devem ter atingido os requisitos de evolução no instante em que o oponente morreu… então era alguém realmente forte. Ainda bem que ele sobreviveu.”
Seus pensamentos se tornaram mais pesados por um instante. “Droga… preciso pensar mais como humano e menos como uma besta. Preciso ter mais empatia. Não posso perder mais ninguém… agora só restam Primal e Shivanna. Pelo menos… ele ficou mais forte.” Pensou.
Primal continuou o relato, agora mais direto.
— Shivanna eliminou os outros com bastante dificuldade. Mas… um deles fugiu. De novo.
Glartak permaneceu em silêncio durante todo o tempo, ouvindo cada palavra com atenção.
Primal então concluiu:
— Meu rei… talvez seja necessário mudarmos de local novamente. Aquele que fugiu pode voltar… e, da próxima vez, pode ser em grande número ou com humanos mais fortes.
Glartak permaneceu imóvel, absorvendo cada detalhe, avaliando as possibilidades e refletindo sobre qual decisão deveria tomar a partir daquele momento.
Seus olhos se estreitaram. Recuar novamente daria trabalho, visto que já foi difícil encontrar o local atual… mas permanecer poderia significar risco desnecessário.
Após esse breve momento, voltou seu olhar para Primal e perguntou:
— E como Shivanna está?
Por um breve lapso, os olhos de Primal brilharam — um reflexo sutil, imperceptível para Glartak.
Um pensamento cruzou sua mente.
“É a primeira vez que ele demonstra preocupação com algum de nós…”
Aquela percepção o fez questionar, ainda que por um instante:
“Será que ele mudou de alguma forma?”
Primal afastou rapidamente esses pensamentos e respondeu:
— Shivanna sofreu muitos ferimentos, meu rei. Mas já foram regenerados. E ela… deu à luz.
Uma breve pausa se instalou após aquelas palavras, como se um peso tivesse sido retirado da mente de Glartak. Por um instante, ele temeu que aquele ataque pudesse ter afetado a gravidez de Shivanna de alguma forma.
Um novo goblin significava continuidade… o início de algo novo. O primeiro passo para a construção de um reino.
Glartak assentiu levemente, demonstrando que havia entendido. Em seguida, voltou a encarar Primal.
— E quanto à sua evolução? Você pode usar magia agora? Quais habilidades adquiriu?
Primal manteve-se firme ao responder:
— Não, meu rei. Ainda não posso usar magia. E não sei se poderei no futuro. Eu só tomo conhecimento das habilidades após evoluir.
Ele fez uma breve pausa antes de continuar:
— Mas desta vez… fui abençoado. Ganhei um aprimoramento corporal. Agora posso fortalecer meu corpo, semelhante ao humano contra quem lutei.
Sem hesitar, Primal decidiu demonstrar.
Diante dos olhos de Glartak, sua pele, antes verde-clara, começou a se transformar. A coloração mudou gradualmente, assumindo um tom metálico, como ferro. Seu corpo parecia se solidificar, adquirindo um aspecto mais rígido e resistente, com um leve brilho prateado.
O som sutil de tensão percorreu seu corpo, como se suas fibras se comprimisse e se reforçassem ao mesmo tempo. A mudança não era apenas visual — era estrutural.
— Pode testar, meu rei.
Glartak não hesitou.
Avançou e desferiu um soco utilizando cerca de metade de sua força.
O impacto fez Primal ser arrastado alguns passos para trás, seus pés marcando o chão com o atrito. Ainda assim, sua pele permaneceu intacta, sem qualquer dano.
O chão sob seus pés se quebrou levemente com a força do impacto, pequenas rachaduras se espalhando ao redor do ponto onde ele havia sido atingido. Ainda assim, seu corpo permaneceu firme.
Glartak observou aquilo com uma expressão de satisfação.
— Impressionante. Uma boa evolução.
Em seguida, voltou a questionar:
— Ganhou mais alguma habilidade?
Primal assentiu.
— Sim, meu rei. Além do aprimoramento corporal e das mudanças físicas, também adquiri regeneração e meus pensamentos estão mais claros. Meus ferimentos agora se curam mais rapidamente… e minha força em combate aumentou.
Ao dizer isso, ele passou a mão pelo próprio braço, como se ainda estivesse se acostumando com a nova sensação de poder percorrendo seu corpo. Era diferente… mais estável, mais confiável.
Glartak permaneceu em silêncio por um instante, mergulhando em seus próprios pensamentos.
“Maldito sistema, não possui um padrão.”
A dúvida surgiu de forma clara em sua mente.
“Sera que essa evolução foi influenciada pela luta contra o humano? Ele adquiriu essa habilidade por ter sido exposto a ela… ou foi apenas algo aleatório?”
Sua expressão permaneceu séria.
“Eu posso escolher minhas evoluções… mas eles não. Por quê?”
A pergunta permaneceu sem resposta.
Seus pensamentos se aprofundaram por um breve momento, analisando possibilidades, padrões, qualquer coisa que pudesse indicar uma lógica por trás daquilo. Mas, por ora, tudo ainda parecia incerto.
Por fim, Glartak decidiu deixar aquilo de lado por enquanto.
Seu olhar se desviou, fixando-se em Primal.
— Leve-me até Shivanna.
Sem questionar, Primal virou-se e começou a caminhar na direção de onde Shivanna estava. Glartak seguiu logo atrás, seus olhos fixos nas costas do goblin enquanto uma tela translúcida surgia diante de sua visão:
Goblin Executor Real
Descrição: Um goblin que transcendeu o nível de executor comum, tornando-se um agente direto da vontade do monarca. Rápido, letal e implacável, sua existência é voltada exclusivamente para eliminar qualquer alvo designado pelo rei.

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