— Sério, é? Pois inté bom… mas vou ter que me mandar logo, tenho umas coisas pra resolver. — Disse Sebastião, de olhos fechados.

    O homem costurado desferiu um soco devastador, tão rápido que parecia rasgar o ar.

    Sebastião, porém, desviou com um passo calmo para o lado, como se antecipasse cada movimento.

    Seus olhos, tranquilos, acompanharam o braço do inimigo passando por ele.

    Num instante, cravou o pé no chão, tomou impulso e encaixou uma joelhada certeira no abdômen do zumbi humano.

    O costurado segurou o joelho dele com a mão, sorrindo com uma fome animalesca. 

    Seus olhos vazios brilharam quando ergueu o braço esquerdo, pronto para esmagá-lo como um inseto. 

    O golpe desceu como um trovão, rachando o piso em um círculo amplo e soltando uma nuvem de poeira.

    Quando o som cessou, Sebastião já não estava lá.

    O costurado arqueou o pescoço e viu o homem equilibrado sobre suas costas, imóvel, como se aquele fosse o lugar mais natural do mundo.

    Com um suspiro contido, Sebastião inclinou a cabeça para o lado, a voz baixa e serena:

    — Oxente, sei que tu carrega tua ruma de dor… mas aqui tu num vai fazer esse moído, não.

    Num movimento fluido, tomou impulso e girou no ar, descendo um chute firme sobre a cabeça do adversário. 

    O crânio se projetou para frente, o corpo todo balançou. Antes que ele caísse, Sebastião completou o giro, pousando de pé com as mãos ainda nas costas.

    — Eu respeito tua valentia… mas hoje tu vai dar um basta nessa arrumação. — Disse Sebastião, a voz dele, firme que nem pedra de açude.

    O costurado ergueu o queixo, seus olhos verdes e doentios faiscando. Um sorriso largo rasgou seu rosto pálido, os pontos de costura em sua pele se repuxando de maneira grotesca.

    — Quero apreciar você… antes de arruiná-lo. — Murmurou em tom baixo e rouco, como se saboreasse cada palavra, o brilho fanático faiscando em seu olhar vazio.

    O zumbi avançou mais uma vez, o punho vindo rápido, rente ao rosto do rei. Mas Sebastião respondeu num instante: encaixou um chute de baixo para cima no queixo do costurado, lançando a cabeça dele para trás, num estalo seco. 

    O monstro cuspiu um filete de sangue… mas seu punho não parou, seguindo seu curso até acertar o jovem no peito com força brutal.

    A cabeça do zumbi voltou à posição, devagar, enquanto ele abria aquele sorriso largo e insano. Sentiu uma brisa tocar seu rosto — e notou a fumaça suave que se erguia do chão.

    Sebastião permanecia de pé, inabalável, os pés firmes sobre o concreto que agora exibia uma cratera fumegante, como se a própria terra tivesse absorvido o impacto por ele.

    Seu olhar era sereno, quase calmo. Ele respirou fundo, ajeitando o cabelo que caía sobre o olho, e caminhou devagar na direção do costurado.

    — Agora, eu notei, visse? — Falou, com a voz calma, mas firme. — Desculpa a falta de modos, cabra. Eu não tinha me ligado quem tu era… Senhor Frank. O flagelo nu. — Ele abriu um sorriso cheio de confiança. — Pois se ajeite aí que hoje, tu vai se lascar todinho.

    O zumbi avançou com velocidade e precisão, desferindo um soco tão poderoso que parecia rasgar o ar. 

    O rei saltou para trás, esquivando-se no último instante, mas, para sua surpresa, o punho de Frank nem chegou a tocar o chão. 

    Antes disso, ele se moveu com uma rapidez absurda: abriu a mão e apoiou as pontas dos dedos na superfície, tomando impulso e se aproximando como um predador.

    Num movimento seco, ele agarrou o rosto do rei, pressionando com um aperto esmagador.

    Mas Sebastião não se desesperou. Com os músculos tensionados e o olhar firme, ele apoiou o pé no peito do monstro costurado e o chutou com força, empurrando-o alguns metros para trás. Contudo, Frank não soltou — e, ao liberar finalmente a pressão, arremessou o rei contra uma viatura próxima.

    O impacto rachou o para-brisa, e Sebastião cuspiu sangue ao cair de costas sobre o capô. 

    A viatura foi arrastada alguns centímetros para trás pelo peso do impacto.

    Seus olhos se arregalaram por um instante ao perceber a sombra de Frank surgindo no ar, descendo com o pé erguido como uma sentença de morte.

    Num reflexo, Sebastião rolou para o lado e caiu de joelhos no asfalto. 

    Frank aterrissou com violência no carro, causando uma explosão brutal que lançou fragmentos de concreto e metal em todas as direções. 

    Uma densa nuvem de fumaça tomou a rua, obscurecendo a visão dos policiais, que só conseguiam distinguir a silhueta monstruosa emergindo dos destroços.

    O rei se levantou devagar, apoiando-se em uma perna, sentindo o gosto de ferro na boca. Seus olhos analisavam a fumaça, quando uma brisa gelada roçou seu rosto — o prenúncio de algo pior. Num estalo, um chute devastador veio em sua direção.

    Sebastião se abaixou com a mesma tranquilidade que um homem respira, desviando do golpe. 

    Com uma precisão cirúrgica, apoiou uma das mãos no chão, e num único movimento ascendente, desferiu um chute no queixo de Frank, projetando a cabeça do lunático para trás. 

    O sorriso retorcido de Frank se alargou, como se estivesse em êxtase pelo impacto.

    Sem perder tempo, o rei saltou para trás, executando uma cambalhota antes de pousar.

    Seus pés cravaram no chão e ele disparou de novo, encaixando uma joelhada poderosa no peito costurado. 

    Quando aterrissou, iniciou uma sequência relâmpago de chutes em todas as direções, cada golpe ecoando como trovões pela rua silenciosa.

    Frank não bloqueava. Recebia os ataques rápidos, sentindo cada impacto como pequenos estalos em seus ossos costurados, até que, num gesto brusco, segurou a perna do jovem e o puxou para cima, pronto para esmagá-lo contra o concreto.

    Mas, de repente, Sebastião girou o tronco em um movimento de 360 graus. 

    O calcanhar da outra perna desceu como uma lâmina contra a cabeça do zumbi. Só que Frank não o soltou. 

    Sua cabeça nem se moveu.

    Ele apenas inclinou levemente o rosto, como quem saboreia uma brisa, e, num único gesto, arremessou Sebastião com uma força esmagadora.

    O corpo do rei bateu no chão com um impacto seco que ecoou pela rua silenciosa.

    Um jato de sangue escapou por seus lábios enquanto ele gritava de dor. 

    Sentiu os ossos das costas fraturarem, um calor sufocante queimando suas entranhas.

    Sebastião lutava para respirar. O peito subia e descia em espasmos desordenados. Cada inspiração era uma facada.

    Frank o observava, seus olhos vazios como poços sem fundo. Inspirou longamente, como se pudesse farejar o medo do outro.

    — Ainda que você lute diferente… — Murmurou ele, a voz rouca, lenta, quase nostálgica — você me lembra… aquele deus.

    Por um instante, a noite sumiu.

    A rua, o sangue, o frio… tudo desapareceu.

    Frank se viu arrastando o próprio corpo pelos dentes, as mãos decepadas, as pernas cortadas até o joelho. As vísceras escorriam pelas costuras rompidas, molhando o chão com fios quentes e vermelhos.

    E ali estava ele.

    Diante dele, erguia-se a silhueta esguia de um homem magro, de postura tão natural que parecia alheio ao horror ao redor. Seus cabelos caíam sobre parte do rosto. As mãos, escondidas atrás das costas.

    O homem se inclinou, retirando do bolso interno do paletó uma barra de chocolate. Mordeu um pedaço com absoluta tranquilidade, ignorando os respingos de sangue que respingavam em sua roupa clara.

    — Você devia aprender uma coisa, Frank… — Disse ele, com uma voz serena, quase entediada, e ainda assim carregada de deboche. — Sua imortalidade não é uma bênção. É uma maldição.

    Frank tentou avançar, arrastar o tronco inútil para alcançá-lo. Mas seu corpo não respondeu. Os músculos não obedeceram.

    — Você foi um bom brinquedo… — Continuou o homem, limpando um filete de chocolate nos dedos — mas agora está quebrado.

    O último som que Frank ouviu foi aquela risada calma e venenosa, ecoando na escuridão que tomava seus olhos, antes de tudo ficar preto.

    A silhueta gigantesca de Frank estremeceu por um breve instante, como se um arrepio percorresse cada costura de seu corpo. Seu sorriso rasgou ainda mais o rosto pálido, revelando os dentes afiados.

    — Talvez… você me faça sentir de novo… — Murmurou com a voz rouca, tão baixa que parecia um pensamento cuspido no ar. Seus olhos brilharam com uma expectativa doentia enquanto ele recuava o pé, pronto para desferir um chute devastador.

    Mas o estrondo seco de vários disparos quebrou o momento. Balas zuniram ao redor, ricocheteando no asfalto. Frank girou o rosto com lentidão cadavérica para encarar os policiais, a expressão morta e ao mesmo tempo entusiasmada.

    Num movimento tão rápido que virou um borrão, ele avançou sobre o mais próximo. O pé colossal descreveu um arco e esmagou a cabeça do homem contra o chão, afundando o crânio como um fruto podre. O tiro que o policial tentava disparar se perdeu no céu noturno.

    Sem perder o ritmo, Frank ergueu o rosto, os olhos famintos, e correu em direção aos outros — pronto para saciar sua compulsão de matar.

    Frank avançou como uma besta ancestral liberta de uma caverna. Os fuzis cuspiam fogo contra ele, mas nenhuma bala o deteve.

    Seu corpo costurado atravessou o cerco, e seus braços longos agarraram o pescoço de outro policial. O estalo seco ecoou como um trovão — a cabeça virou num ângulo grotesco antes de o corpo despencar inerte.

    — Aaaah! — O grito rouco de pavor se ergueu quando outro oficial largou a arma e saiu correndo em direção à rua lateral.

    O homem tropeçou, caiu de joelhos e começou a rastejar, arranhando o asfalto. Seus dedos tremiam enquanto tentava se erguer, quando uma porta de casa se abriu — uma mulher surgiu com uma criança nos braços, os olhos arregalados pelo desespero.

    — Papai…? — Sussurrou a criança.

    O policial virou-se para trás, respirando em soluços. E então viu Frank, de pé atrás dele, a sombra colossal ocupando todo o vão da rua.

    O costurado inclinou a cabeça, estudando a cena como um predador curioso.

    Num gesto quase casual, ele segurou o homem pelos cabelos e ergueu seu corpo tremulante. 

    A mulher gritou, recuando, mas foi inútil — Frank trouxe a perna em um arco lateral. O chute atravessou o policial como um projétil de aríete e esmagou a mulher contra a parede, rachando os tijolos. 

    O impacto foi tão brutal que o silêncio caiu por um instante. A criança soltou um grito lancinante antes de desabar sobre o corpo mutilado da mãe.

    Frank soltou um sopro satisfeito, como quem aprecia um perfume. Seu olhar vazio percorreu a rua, buscando o próximo alvo.

    Ao fundo, Sebastião apoiava as mãos no asfalto rachado, o peito subindo e descendo com dificuldade. 

    Ele engoliu o gosto amargo de ferro na boca e ergueu o rosto. Os gritos se misturavam ao cheiro de pólvora e carne queimada.

    E naquele momento, enquanto o zumbido agudo latejava em seus ouvidos, ele se perguntou se conseguiria ficar de pé outra vez.

    Os olhos de Sebastião se turvaram por um instante.

    — Merda… por que foi que eu fui me meter com esse demônio…? Eu já sabia das minhas chances… Então por que diabos eu me intrometi nos assuntos de outro rei…? Esse território nem é meu… — Pensou ele, sentindo o coração desacelerar.

    O mundo se afastou, enevoado, até sumir.

    Quando voltou a enxergar, estava em outro tempo, outro lugar.

    Dentro de um galpão antigo, com o teto de telha quebrada que deixava o sol escorrer em feixes de luz dourada, Sebastião treinava, desferindo chutes contra um boneco de madeira. O ar tinha cheiro de poeira e suor. Ao redor, sacos de areia rasgados, cabos de vassoura quebrados, marcas de pegadas no cimento rachado — como se fosse um santuário silencioso dedicado apenas ao esforço e à dor.

    Sentado num canto, sobre um saco de ração virado ao avesso, estava um homem magro. Tinha os cabelos presos num coque frouxo, algumas mechas caindo pelo rosto. Enquanto observava, mordia uma barra de chocolate, os olhos felinos cheios daquele brilho calmo e insondável.

    — Tu tá crescendo depressa… e ainda é só um pivete. Se continuar nesse ritmo, num vai precisar de bênção nenhuma. — Disse o homem, sem erguer muito a voz.

    — Bênção…? O que é isso, mestre? — Perguntou Sebastião, parando de golpear o ar com as pernas, respirando ofegante.”

    — São contratos… divinos. Setenta e cinco por cento da população tem algum pacto com uma divindade. Quinze por cento faz acordo com coisa do submundo. E dez por cento ou não tem contrato nenhum por ser ateu… ou desenvolve uma habilidade própria, que vem da linhagem da família.

    — Ôxe… caramba… Então quer dizer que tô ficando tão forte que num vou nem precisar disso, é?

    — Sim. — Respondeu o homem, antes de morder outro pedaço do chocolate, indiferente à poeira que caía do teto.

    — Que massa… Mas me diga… o que essas habilidades fazem?

    — Algumas copiam movimentos. Outras aumentam tua velocidade. Cada habilidade vem com um aprimoramento de atributos. São ferramentas. Mas só prestam se tu tiver cabeça pra usar.

    Sebastião abaixou o olhar, passando o braço suado pela testa. O coração batia acelerado de medo e esperança.

    — Mestre… saindo desse assunto… Eu tenho medo… Medo de um dia trombar alguém forte igual o Ati… e não conseguir vencer, sabe? O senhor disse que num vai ficar muito tempo… Eu… eu tenho medo de ficar sozinho…

    O mestre largou o chocolate em cima do saco de ração e se levantou devagar, estalando os ombros.

    A luz que caía pelas frestas iluminava só metade do rosto dele, deixando o outro lado na sombra, como se carregasse o peso de histórias que nunca contava.

    Ele caminhou até Sebastião e parou bem na frente dele. Apesar da postura relaxada, havia uma firmeza inabalável naquela presença.

    — Eu sei que tu tem medo. — Disse, com a voz calma, porém cheia de certeza. — E vou te dizer uma coisa que ninguém fala: todo homem que presta tem medo. O covarde não é o que sente… é o que foge do que sente.

    O mestre levantou a mão devagar e encostou o indicador no centro da testa de Sebastião.

    — Tu tá sempre preocupado se vai ser forte o bastante… se vai decepcionar… se vai fracassar. Mas sabe de uma coisa? — Ele inclinou o rosto, os olhos felinos queimando como brasas. — Tu já é forte. Forte não é quem nunca cai… é quem levanta sabendo que vai cair de novo e mesmo assim bota o peito na frente.

    Sebastião respirou fundo, sentindo o coração disparar.

    — Eu…

    — Escuta bem, cabra. Quando tu tiver diante de algo que parece maior do que tu… quando o medo quiser te botar de joelhos… tu lembra disso aqui. — O mestre voltou a encostar o dedo na testa dele. — Enquanto teu coração bater, tu ainda podes tenta. E se tu pode tentar… tu ainda pode vencer.

    O silêncio tomou o galpão. O mestre soltou um suspiro baixo e abriu um pequeno sorriso cansado, como se por um segundo a máscara de frieza tivesse caído.

    — Eu não vou ficar pra sempre, não… Mas tu vai. E eu quero que tu seja o homem que não corre. O homem que levanta, mesmo quebrado.

    Ele deu um tapinha de leve no ombro de Sebastião.

    — Porque no fim… quem luta pelo que acredita… nunca tá sozinho.

    O corpo de Sebastião doía como se cada osso estivesse virando pó. O gosto de sangue era espesso e metálico em sua boca. A visão dançava num borrão rubro e cinza.

    Ao redor, o cheiro de pólvora, carne queimada e pavor.

    O Flagelo Nu avançava, cada passo ecoando como um sino fúnebre. Frank estendeu o braço costurado em direção à criança que tremia, abraçada a um ursinho puído, soluçando tão alto que parecia que o coração ia saltar pela garganta.

    Sebastião tentou se mover. O corpo não respondeu. Um peso frio de derrota comprimia seu peito.

    Por que…?

    Por que eu tô aqui…?

    Então, no breu da sua mente, uma fagulha acendeu.

    — “Enquanto teu coração bater…” — A voz do mestre soou como a brisa salgada naquela tarde distante.

    O peito dele tremeu, arfando.

    Eu ainda posso… tentar…

    — “Tu ainda pode tentar…”

    Os dedos dele se moveram. O peso nos ombros se tornou só lembrança.

    — “E se tu pode tentar…”

    O ar queimava nos pulmões quando ele inspirou fundo. O coração disparou, martelando tão alto que abafou o resto.

    Eu ainda posso vencer…

    Na memória, ele viu o mestre sentado no saco de ração, o rosto calmo e o olhar felino brilhando.

    — “Então, meu menino… levanta. E não deixa que ninguém diga que tu não teve coragem.”

    A brisa morna do passado se dissolveu.

    O mundo voltou com o cheiro ácido da fumaça e os gritos.

    Os olhos de Sebastião se abriram, fixando Frank.

    O Flagelo Nu ergueu o pé pronto para esmagar a criança.

    Mas antes que o golpe descesse, o rei plantou as mãos no chão rachado. A dor explodiu como uma fogueira nos nervos — e mesmo assim, ele se ergueu.

    Os olhos, marejados, fitaram o monstro. A postura ainda firme, ainda dele.

    — Eu… — Disse ele, com a voz rouca, — Eu não vou cair… enquanto eu puder levantar…

    Frank virou o rosto em direção a ele, o sorriso cada vez mais largo, faminto.

    E naquela rua iluminada só pelo fogo, Sebastião deu um passo à frente.

    O rei cerrou os dentes. Aos poucos, suas pupilas começaram a sumir, engolidas por um brilho branco e intenso. 

    Por um instante, parecia que a consciência ia abandoná-lo — mas ela voltou, firme, queimando com um fervor novo.

    Ele assumiu uma postura diferente: o pé direito avançado, o esquerdo afastado atrás, a mão direita recolhida às costas. A mão esquerda, porém, ergueu-se num gesto provocativo, chamando Frank com um convite silencioso.

    Atrás dele, uma aura densa e pesada tomou forma, se condensando num vulto espectral. Era a silhueta calma e longilínea de um homem de paletó, mastigando uma barra de chocolate enquanto imitava sua postura com perfeição.

    Frank inclinou a cabeça, o sorriso se alargando até quase rasgar as bochechas.

    — Você conseguiu manter a consciência nesse modo? Que incrível… Vai ser ainda mais divertido arrancar um pedacinho seu pra minha coleção. — Disse, a voz rouca como um trovão abafado.

    Num estalo, ele avançou como um raio, o punho cerrado vindo com força bruta suficiente para partir concreto.

    Mas Sebastião girou o tronco com precisão cirúrgica, esquivando-se de lado. Num movimento seco, cravou o calcanhar esquerdo no tornozelo do gigante costurado, desequilibrando-o e girando seu corpo no ar como um boneco.

    Antes que Frank pudesse se recuperar, o rei desceu o pé direito como uma marreta contra ele. O impacto explodiu num estrondo, abrindo um buraco profundo no asfalto rachado.

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