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    Enquanto caminhávamos até o mercado central, Itsuki segurava minha mão e cantarolava, como se não tivesse vários problemas para resolver.

    Eu, por outro lado, tentava pensar no que dar de presente para meus amigos. Sei do que eles gostam, mas certamente tudo deve ser caro, e não vou ter pontos de compra suficientes.

    Mas e o que dar para Itsuki? O certo seria perguntar diretamente… Mas e se ela ficar brava? As garotas são estranhas.

    — Itsuki?

    — Hum? O que foi, Yuki?

    — Bom, queria saber… mais sobre você… coisas que ainda não me contou, sabe?

    Fiquei envergonhado com isso.

    Ela me encarou por alguns segundos, até que cutucou minha bochecha direita.

    — Você ficou vermelho, que fofo! — disse ela, sorrindo.

    — É que… é difícil…

    — Relaxa, Yuki, não tem problema! Eu falo tudo que você quiser saber.

    — Desculpa ser intrometido, Itsuki! Mas quero saber mesmo de tudo…

    — Certo! Vou contar tudo, começando pelos meus gostos! Gosto bastante de ler livros, mas o que me conquista mesmo é pintar. Você gosta de pintar?

    Pelo tom de voz e pelos movimentos corporais, a vibração no ar deixava clara a animação e felicidade dela ao dizer isso. Pintar é o que ela mais gosta, então?

    — Eu desenhava algumas vezes quando estava em casa, mas pintar não. Até porque tem que ter muitas cores, né? E não tínhamos dinheiro para isso.

    — Eu entendo. Também não tinha pincel e tinta antigamente, então coloria apenas com lápis preto e pensava que era cor, hihi.

    — Bem legal então, haha! Se não tem, é só imaginar, é de graça.

    — Será mesmo? Hmm, acho que vou cobrar se você imaginar as minhas pinturas, hein?

    — O quê??? Como assim?? Vai me cobrar? Seu amigo??

    — Uhum! Hehe… falando nisso, minha última arte foi uma mão tocando o céu aberto.

    — Tocando o céu aberto?

    — Ahá! Você imaginou, agora me deve um beijo na bochecha, haha. — disse ela, apertando minha mão e apontando para sua bochecha com a mão direita.

    — Mas que tipo de pagamento é esse? Achei que era pontos de compra.

    — Ham? Pontos de compra? Não, nada disso! Não vou cobrar isso do meu melhor amigo jamais, mas o beijo na bochecha você está me devendo, hein?

    — Certo, certo, vou pagar aqui então!

    Me aproximei para dar um beijo em sua bochecha e pagar minha dívida. Um beijo na bochecha não é nada, por que ela queria isso?

    Mas, quando me aproximava, ela ficava com as bochechas coradas e se afastava de mim conforme eu me aproximava.

    — Uai, o que foi? Não quer mais o beijo? Agora eu vou te dar, hahaha.

    — N-não… estou com vergonha…

    Ela correu de mim, puxando minha mão junto.

    — Vamos logo para o mercado! — gritou ela.

    Seguimos então para dentro do mercado central.

    Eu tinha uma clara certeza do que ia comprar para Itsuki, mas para meus outros três amigos ainda não sabia.

    Lembrando bem, Fuutaro gosta de artes também; no quarto dele está cheio de papéis com desenhos espalhados.

    Já o Sasori é meio sombrio, mas gosta de tecnologia, então talvez eu possa comprar um livro que envolva tecnologia para ele.

    Meu herói Arushi gosta de falar de meninas, aí nesse caso é impossível comprar uma garota para ele. O que devo dar?

    Estávamos no primeiro andar do mercado, um lugar repleto de crianças em todos os cantos, o único lugar que todo dia fica lotado.

    Itsuki segurava minha mão enquanto andávamos no mercado; algumas crianças olhavam para a gente com uma cara estranha.

    Dava para ver no rosto de Itsuki que ela não estava ligando para isso, parecia até outra personalidade, totalmente diferente, já que ela é tímida.

    Talvez a alegria de poder sair estivesse fazendo ela esquecer a timidez e o medo.

    — Eh… Itsuki? Pode me ajudar numa coisa?

    — Claro, o que foi, dengo?

    Dengo? Que apelido é esse…

    — Bem… se você tivesse um amigo… por exemplo, eu! Se eu falasse toda hora de garotas, você daria o que de presente para mim? Sabendo que eu gosto de falar de garotas…

    O rosto dela ficou corado, porém seus olhos ficaram tristes; ela abaixou a cabeça e o som da voz ficou fraco.

    — Olha… não sei exatamente, mas talvez eu iria conversar com alguma garota para ver se ela tem interesse em você, mas como não tenho amigas, então não iria dar certo, a não ser que pergunte à Ayumi.

    — Ayumi é adulta! Mas entendi, uma amiga é…

    De amiga, só tenho Itsuki e Emiko, e de conhecida, tem a Rita Perona. Emiko está longe e Itsuki não me parece seguir essa onda de namorar; Rita, bem… não converso com ela direito.

    — Bom, acho que vou comprar um doce que ele gosta muito. — disse, rindo para Itsuki.

    Seguimos loja por loja, vimos vários produtos diferentes, um mais interessante que o outro.

    Até passei perto da loja da Emi, mas não pude entrar nela.

    De longe, pude ver o rosto dela; trocamos olhares, mas ela me ignorou completamente de forma natural.

    Até porque, depois daquele acontecimento, não posso mais ficar perto dela.

    Ignorando o fato de que já encontrei duas vezes com ela escondido.

    Subimos para o segundo andar do mercado central, onde ficavam as lojas que continham materiais mais caros.

    Meus pontos de compra estavam salientes para serem usados, porém meu bolso chorava ao ver o preço das coisas.

    — Uma mera garrafa de suco custa 2 mil pontos!! Meu Deus! — disse, com os olhos arregalados, encarando a garrafa de suco.

    Itsuki começou a rir de mim.

    — Bobinho! A gente ganha muitos pontos também, então faz sentido ser esse valor.

    — Ah, faz sentido, mas mesmo assim, é bem caro.

    Acabei não comprando o suco, mas o importante é que havia uma loja de artes ao lado dessa.

    Eu desejava comprar um presente para Itsuki, mas escondido; como ela estava comigo, isso tirava essa chance. O que devo fazer para ela se separar de mim? Ou será que compro depois, sem ela…

    — A loja de artes! Vamos entrar. — disse, apontando para a loja.

    Havia uma placa enorme escrita em vermelho: “Artes etc”, com janelas de vidro em ambos os lados, mostrando nas vitrines vários itens disponíveis para compra.

    — O que você vai comprar aqui, Yuki? — indagou Itsuki, entrando na loja enquanto segurava minha mão.

    Assim que entrou, olhou para todos os lados como se procurasse alguém.

    — Ei, tudo bem. Elas não vão estar aqui! Só relaxa e se divirta! — comentei, tentando passar segurança ao apertar sua mão.

    — Eh… que… tá bom! — disse ela, acenando com a cabeça.

    A cada canto da loja havia prateleiras com tintas, canetas, cadernos, quadros em branco, uma variedade de itens que envolvem artes.

    Pelo que sei da Itsuki, ela gosta de pintar, então o que posso comprar para ela? Talvez vários quadros brancos? Ou tintas novas?

    — Itsuki, o que você precisa aqui para continuar pintando? Tintas? Pincel? Pode falar que eu compro para você.

    — O que eu preciso? Bom, não precisa se preocupar com isso, Yuki… gasta seus pontos com você. — disse ela, com as bochechas coradas.

    — Oras, claro que não! Eu disse que iria comprar um presente para você, até ficou feliz, não ficou? Por que está negando agora?

    — Eu fiquei! Mas era o calor do momento, agora estou… com vergonha!

    — Não precisa, coração! Vamos, tente ficar confortável comigo, escolha o que quiser.

    — Eu me sinto confortável com você, só não quero que você gaste seus pontos comigo. — disse ela, soltando minha mão.

    Com o tempo que ficamos de mãos dadas, minha mão estava vermelha e quente; o ar vindo para a palma da minha mão foi bem refrescante, como um preso vendo a liberdade depois de anos.

    — Hmm… você é teimosa, hein! Mas tá bem… já que você não quer, eu vou escolher para você. E já vou avisando que sou péssimo em escolher presentes, não fique com raiva se eu escolher algo que você já tem em casa. — comentei enquanto me afastava dela, tentando provocá-la.

    Me afastei dela e peguei a primeira coisa aleatória que estava na minha frente, não estava prestando atenção no que fazia, apenas olhando de canto para ver se ela ia se aproximar de mim fazendo biquinho, dizendo “aff, tá bom”.

    — Isso que você está segurando é uma caneta digital, eu já tenho… — disse ela, ao meu lado esquerdo.

    — Que susto! Não esperava você brotar do meu lado tão rápido… Mas eu avisei que poderia acontecer isso, haha.

    — Bobinho! — disse ela, segurando minha mão novamente. — Eu posso escolher mesmo então?

    — Sim, claro! Pode escolher.

    — Certo!

    Ela deu um sorriso enorme e saiu me puxando pela loja.

    Pelo que parece, ela já sabe o que escolher; fomos direto para um certo local da loja, onde ela ficou encarando um item específico por alguns segundos.

    — Certo! Isso aqui. — murmurou ela.

    — O que é? — indaguei, tentando olhar o que a interessava.

    — Isso é um caderno que tem folhas Canson XL, ótimas para pinturas aquarelas. Eu sempre quis ele, mas a Ayumi nunca me trazia aqui…

    — Uau, que legal, você conhece bem dessas coisas! E o caderno é bem grande também. — disse, segurando o caderno na mão.

    — Uhum, ideal para as minhas pinturas, hihi.

    — Entendi! Certo, vai ser esse aqui então!

    — Muito obrigado, dengo! — disse ela, me abraçando bem forte.

    Como imaginei, o abraço dela é ótimo; meu corpo todo sentiu a mesma energia daquela vez no quarto da Ayumi, uma energia quente e confortável que transbordava pelo meu corpo.

    — Itsuki…

    — Oi? — disse ela, olhando para baixo enquanto estava abraçada em mim.

    Fiquei olhando nos seus olhos por alguns segundos, tentando pensar em alguma palavra certa para esse momento. Quando alguém te agradece te abraçando, o certo a se fazer é o quê? Várias palavras vinham à mente, mas a certa não era decidida.

    Enquanto a encarava, observei que seu rosto ficou mais vermelho do que o normal, seus olhos ficaram até estranhos; ela rapidamente me largou, mexendo os braços para toda direção.

    — Desculpa, desculpa, desculpa. — disse ela, envergonhada.

    — Agora pouco estava me agradecendo e agora está se desculpando? Você é mesmo doidinha, hehe.

    — Não tem graça, bobinho, você ficou me encarando aí também, parecia um psicopata.

    — Ham. Perdão então, madame, na próxima eu olho para cima e não para você, tá vendo? Como estou fazendo agora. — disse, olhando para o teto.

    Ela me deu um soquinho no ombro.

    — Bobinho.

    Ela pegou uma parte de sua franja vermelha e começou a girá-la como se estivesse fazendo cachos.

    Seu cabelo enorme e vermelho, com essa franja até as sobrancelhas, deixa seu rosto bem bonito; juntando com seus olhos azuis, fica uma obra de arte.

    Talvez um motivo da Abe mexer com ela seja a inveja da beleza da Itsuki.

    — Bom, agora vou escolher algo para o meu amigo Fuutaro, ele gosta de desenhar, mas o que devo comprar para ele? Sugestão?

    — Hmm, compra um kit de lápis para sombreamento. Que tal?

    — Ótimo! Você sabe muito mesmo, coração. — disse, acariciando sua cabeça.

    Ela ficou vermelha igual a um tomate. Acho engraçado isso.

    — Seu bobo, para com isso!

    — Hehe. Não!

    Fui para a prateleira dos lápis e peguei um kit para o Fuutaro.

    Depois fomos para o caixa e paguei pelos itens.

    Assim que estava quase saindo da loja, Itsuki rapidamente veio até mim e segurou minha mão novamente.

    Não sei se isso é por medo ou carência, mas não vou negar a ela.

    Já fora da loja, meu destino agora era comprar algo para Arushi e Sasori, mas no meio do caminho passaram duas meninas correndo na minha frente.

    — Rápido, ela está falando! — disse uma delas.

    — Ham, o que foi isso? — comentei.

    — Não sei. Está acontecendo algo naquela direção?

    Vimos mais crianças correndo na mesma direção que aquelas duas.

    — Estou curioso, vamos lá ver o que é?

    Itsuki acenou com a cabeça, segurando minha mão mais forte.

    Indo na direção, a cada passo dado, conseguia ver crianças se aglomerando ao redor de alguém.

    — Licença…

    — Desculpa aí…

    Tentei passar entre elas, levando Itsuki comigo.

    Quando me aproximei melhor, pude ver uma garota parada no meio da aglomeração, um círculo enorme de crianças ao redor da menina.

    — Rita? — murmurei.

    Era Rita Perona, que estava parada no meio, segurando um papel nas mãos.

    E entre a aglomeração, estava o trio de meninas malvadas que mexem com a Itsuki; espero que ela não veja as três.

    — Então, espero que vocês tenham entendido o que eu tinha a dizer, e espero que me apoiem nisso também. Posso fazer melhor à frente do cargo e escutar as melhorias de vocês! — disse Rita, com um tom de voz grosso e alto.

    Não sei o motivo dela nem o que estava dizendo, mas todo mundo ali estava batendo palmas para ela.

    — Eu, Rita Perona, me candidato a ser a próxima presidente do conselho estudantil da ESA!

    Ela o quê? Mas isso… será que é coincidência? Ou Sasori mudou o plano?

    Talvez ela tenha querido isso mesmo, mas ela já não pertence ao conselho?

    Essa decisão dela pode atrapalhar nosso plano, já que a cereja do bolo era o Sasori se candidatar a presidente também.

    Temos um problema aqui

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