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    Vendo o que Rita estava fazendo, fiquei um pouco curioso. Será que Sasori mudou de ideia e pediu para Rita fazer em seu lugar?

    Se não for isso, e Sasori não estiver sabendo do que Rita está fazendo aqui, então teremos duas pessoas querendo a vaga de presidente.

    Mas, na minha visão, o objetivo primário desse nosso plano era tirar a Abe do conselho. Dessa forma, ela não terá privilégios e Itsuki poderá ficar em paz com isso.

    Além disso, seria muito bom ter Sasori como presidente, mas como Rita conhece bem o Sasori, talvez venha a calhar se ela conseguir ganhar.

    — A Abe vai ficar uma fera… — disse Itsuki.

    Ela está do meu lado, com as mãos para trás, usando um vestido vermelho florido, mas uma coisa interessante no cabelo que nunca reparei antes: um broche de duas listras com formato de ondas d’água, bem diferente do comum, já que seu cabelo todo é vermelho e o broche é azul.

    — Itsuki, por que você está rindo?

    Ela parou de olhar para Rita e olhou para mim, com um sorriso no rosto.

    — É porque, se ela ganhar, a Abe não será mais a presidente, e isso é muito bom, sabe?

    Foi o que eu pensei, sabia que seria ótimo esse plano, só falta funcionar.

    — Sei, vamos torcer para dar certo, né? — disse, erguendo a mão para ela.

    Seus olhos viraram para minha mão, logo em seguida ela segurou e apertou firme com sua mão direita.

    — Vamos agora? Tenho que comprar mais dois presentes ainda.

    — Vamos! Aliás, esses são presentes adiantados de Natal? Pois o Natal é daqui a dez dias.

    — Nossa, esqueci do Natal… Meu Deus, é verdade haha. Eu só estava dando de presente por dar mesmo, não foi por causa do Natal. Então finge que sim, é de Natal.

    — Seu bobinho hihi. Só você mesmo, dengo.

    Saímos do meio da multidão e fomos para uma loja de tecnologia que estava perto.

    Essa loja tem bastante coisas interessantes envolvendo tecnologia, agora preciso achar algo legal para o Sasori, já que ele gosta disso.

    Tem uma prateleira que contém uns dispositivos bem legais, parece que tem como jogar joguinhos nele. Talvez Sasori curta isso.

    Peguei e fui para o caixa.

    Enquanto aguardávamos a fila, duas meninas estavam conversando entre si. Não queria prestar atenção, mas infelizmente não tem como não ouvir.

    A menina da esquerda tinha um cabelo curto até a nuca, cor marrom, e estava vestindo a roupa padrão da escola, preta com listras vermelhas.

    Já a menina da direita tinha um cabelo preto cacheado e olhos azuis, era uma despertada rank azul, vestindo também a roupa padrão da escola.

    — Mas como ela conseguiu entrar no sótão e sair sem ser advertida? — disse a menina da direita.

    — Deve ser porque ela é presidente do conselho, não? Parece que ela é intocável com esse status.

    — Mas mesmo assim, a regra deve ser aplicada a todos, isso é muito errado!

    — Eu sei, mas o estranho disso é ela pegar um livro, ela nem é do tipo que lê, estranho, não?

    Do que elas estão falando? Como assim presidente do conselho? É a Abe que estão falando? Mas ela também foi no sótão pegar um livro? Não estou entendendo nada.

    — Estranho mesmo, do que se trata esse livro eu não sei, mas ele é proibido e estava em um lugar proibido, ela deveria ser punida, nada mais!

    — Enfim, depois disso, acho que faz sentido aquele menino se candidatar a presidente, sendo que nem é época para isso.

    — Pois é, acho que muita gente vai votar nele, né?

    Enquanto elas conversavam, eu e Itsuki escutávamos a fofoca. A menina que estava à frente delas virou para trás e disse:

    — E não é só esse menino, mas a Rita também está se candidatando a presidente.

    Ambas as meninas arregalaram os olhos.

    — O QUE?

    — Uhum, uhum, isso mesmo, vão querer votar nesse menino agora ou na Rita? — disse a menina de chapéu pontudo que estava na frente.

    — Com certeza é na Rita, ela é sensacional e melhor da nossa turma.

    Está muito confuso tudo isso, será que esse menino que estão falando é o Sasori?

    Tem muita informação rolando de uma vez só: a Rita se candidatando, esse menino também, e agora essa conversa da Abe ter pegado um livro proibido.

    Eu preciso saber se isso é verdade, perguntando ao Okawara.

    Após esse tempo, chegou nossa vez no caixa, pagamos e fomos embora.

    Agora só falta o presente do Arushi, mas o dele vai ser bem importante e vou comprar com a Emi Satoru.

    — Ei, Itsuki, você escutou o que aquelas meninas estavam conversando, né?

    — Uhum…

    — Você sabe o que são esses livros proibidos?

    Ela olhou para cima enquanto tentava encontrar alguma lembrança sobre.

    — Uma vez a Ayumi me disse sobre uns livros que eram os únicos que não podiam ser lidos aqui na ESA, apenas pelo diretor, e eles eram mantidos no sótão, o antigo escritório do diretor, então deve ser isso.

    Espera, se isso for verdade, então não foi só eu que peguei livro do sótão, ela também. Mas por que ela pegaria um livro desse nível? Isso não faz sentido.

    Eu definitivamente preciso conversar com o Okawara para entender tudo isso.

    Porém, no caminho para saída, encontramos logo elas, o trio.

    — V-você… você me paga!! — disse Abe com tom de raiva, indo na minha direção.

    — Ham? — murmurei, colocando a Itsuki atrás de mim.

    Abe me pegou pela gola da minha blusa e ficou bem perto do meu rosto.

    — Quem você acha que é, garoto? Por que inventou aquela mentira para a escola toda? Hm? A escola toda agora está me olhando de olho torto, culpa sua!

    Meu corpo ficou elétrico, aquela sensação que sempre sinto quando estou pressionado estava voltando, cada pedacinho do meu corpo parecia estar sendo aquecido por um calor desconhecido.

    Minha cabeça estava a mil agora, não conseguia controlar meus pensamentos e tudo em minha volta estava ficando lento. O que estava acontecendo?

    — Minha vez…

    Uma voz sussurrou em minha cabeça de repente, o que foi isso? Estou ficando louco?

    Larguei a mão da Itsuki e afastei ela para longe de mim.

    — Yuki? — disse ela.

    — Eu não faço ideia do que você está falando, Abe Hideki! Mas de uma coisa eu sei: se você está tão preocupada assim com sua imagem, está piorando ela com essa sua atuação patética, não acha? — disse, com um sorriso irônico.

    A expressão da Abe ficou imediatamente mais raivosa, seus olhos, se pudessem, pegariam fogo agora.

    — Eu odeio… essa sua cara, essa sua voz, você se acha superior a mim, né? Com esse seu sorriso irônico me colocando como inferior, mas não é bem assim, — disse ela, segurando mais firme a gola da minha blusa a ponto de rasgá-la. — Eu sou a presidente do conselho, então se eu quiser eu posso até te bater aqui e, se você revidar, pode até ser expulso, então vamos, me bate, vai!

    — Levar esse assunto para o lado da violência só mostra o quão inferior você é. Se soubesse argumentar contra seu oponente, poderia conseguir coisas impressionantes! — disse, fechando os olhos ainda com um sorriso no rosto. — Mas essa habilidade é apenas para pessoas inteligentes e não boçais como você, então faz sentido usar violência, né?

    — Você pode falar o que quiser, pirralho, mas você não passa de um revoltante pobre e acabado sem pais, que agora tenta ser um protetor de uma pirralha que é favorecida por um pilar do governo, mas escuta aqui, essa pirralha não é quem você pensa que é.

    — Apelou para ofensas?

    — Itsuki é uma garota podre e demoníaca, o sangue que corre em suas veias é puro veneno que vai acabar com sua vida algum dia, então continua sendo o cachorrinho dela, vai, você vai pagar caro com isso, além de pagar o dobro pelo que fez comigo.

    Por algum motivo, essa frase dela causou uma explosão dentro de mim, uma raiva crescente expandindo para cada célula do meu corpo.

    A única coisa que veio à minha mente era calar a boca da Abe.

    Olhando para o rosto dela, que estava dando gargalhada sem fim enquanto agarrava minha gola.

    Uma voz sussurrou na minha cabeça novamente:

    — Cale-se.

    Após essa frase, rapidamente senti uma energia correndo dos meus braços até meu pescoço, onde a Abe estava segurando minha gola. Senti um calor e eletricidade ao mesmo tempo, um pouco desconfortável.

    Mas o estranho é que senti mais eletricidade vindo da mão da Abe, como se essa energia dentro de mim estivesse conectando a Abe.

    Vi com meus olhos essa energia preta viajando do braço dela até sua mente.

    — Então, moleque? Ficou sem argumentos agora? Não era você que era o bonzão? Só porque falei da Itsuki você ficou aí calado haha.

    — Bem, na verdade estou olhando para sua patética e pavorosa vil expressão de seu rosto, enquanto sua boca suja se movia a cada gargalhada sua, e pensei: como pode uma boca suja falar da Itsuki? Então, por favor, não fale da Itsuki dessa forma, melhor: cala sua boca e some da minha frente!

    — Ham? Você acha que é quem para falar dessa forma com nossa amiga em pirralha? — disse Kinoshita.

    — E ainda acha que pode mandar nela, ainda pedindo para se calar, haha que bobo! — disse Emi enquanto olhava para sua unha.

    Abe, que estava falando baboseiras e se comportando como animal selvagem na minha frente, agora mudou completamente de expressão, seu rosto começou a suar e seus olhos arregalaram.

    Ela soltou minha gola de uma forma lenta sem falar sequer uma palavra, e saiu andando como se nada tivesse acontecido.

    — O que? Amiga? O que você está fazendo? Vai fazer o que ele mandou mesmo? Endoidou? — disse Kinoshita indo atrás dela.

    As três saíram da nossa frente, enquanto todas as crianças que estavam ao nosso redor assistindo tudo isso começaram a olhar para mim com os olhos arregalados, sem acreditar no que havia acontecido.

    — Yuki… você está bem?

    Meu corpo, que estava quente e elétrico, minha mente que estava a milhão, agora está calma e meu corpo voltando ao normal. Isso foi bem estranho e diferente de sempre.

    Eu não sei que loucura foi essa, mas estou com medo.

    Meu corpo agora está tremendo e minha visão turva, meu coração está batendo devagar…eu acho que vou desmaiar.

    — Yuki? O que foi? Você está…

    Yuki desmaiou bem em frente a Itsuki, seu corpo estava frio e seu pulso fraco.

    Enquanto isso, no prédio dos professores…

    — Droga, o que foi isso? — disse Okawara saindo correndo do seu quarto.

    A pressa era tanta que ele nem se lembrou da água que estava aquecendo no fogo para seu chá. O que ele havia visto no monitor foi algo terrível: os sensores corporais do Yuki dispararam por alguns momentos e depois despencaram no ponto zero.

    Saiu correndo pegando apenas seus sapatos e saiu do seu quarto às pressas.

    No caminho encontrou a Ayumi, com quem se esbarrou brutalmente.

    — Okawara? O que é isso? — disse Ayumi.

    Okawara, na pressa, acabou segurando a Ayumi pelos braços para ela não cair.

    O rosto dela ficou vermelho, parecendo um tomate maduro.

    — Desculpa, mas estou com pressa, o pirralho do Yuki está em perigo.

    — Ham? Como assim? Ei, Okawara, me espera, droga! A Itsuki está com ele, não está?

    Ayumi, sabendo disso, correu atrás do Okawara também.

    A vida do Yuki está correndo perigo?

    Okawara e Ayumi correram às pressas até o shopping, enquanto isso Itsuki estava chorando tentando acordar Yuki, jogado no chão completamente gelado.

    Vendo dois professores correndo em sua direção, a doutora Purplerine, que estava indo para o prédio dos professores, ficou curiosa e acenou para ambos.

    — O que está acontecendo, pessoal? — disse Purplerine.

    — Tem um garoto que está precisando de cuidados médicos, vem com a gente, por favor!

    — O que?? Onde ele está? No prédio dos professores?

    — Não, não, ele está no shopping, vamos logo!! — gritou Okawara.

    — C-certo, mas a gente precisa chamar os enfermeiros para levá-lo até o prédio escolar, já que ele está no shopping.

    — Não, eu carrego ele, só vamos logo.

    Purplerine ficou perplexa vendo a reação do Okawara, um cara desse tamanho que nunca se importou com nenhuma criança e que agora está quase tendo um ataque cardíaco por causa de uma criança, uma novidade para não ser esquecida.

    — Entendo, vamos logo então! — disse Purplerine.

    Sendo assim, dois professores e uma médica foram correndo até o shopping para socorrer o Yuki, mas será que vai dar tempo?? 

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