Índice de Capítulo

    Seguindo a mesma direção que Itsuki, entrei no meio das árvores e, com bastante silêncio, tentei encontrá-la.

    Mas, como demorei, talvez ela já estivesse longe.

    Mesmo estando dentro das árvores, havia um caminho feito que provavelmente levava às piscinas profundas.

    Seguindo esse caminho, não a encontrei, mas encontrei as piscinas e não havia ninguém por perto.

    Se estivesse fechado como Fuutaro disse, teria que haver seguranças aqui. Cadê eles?

    Andando e averiguando o lugar, até para ter certeza se ela não havia afundado em alguma dessas enormes piscinas.

    Não sei se fico aliviado, mesmo ela não estando aqui. Qual o motivo dela ter entrado no meio das árvores?

    Na verdade, por que estou tão preocupado com isso? Ela tem a vida dela, pode explorar o que quiser aqui.

    — Sou um bobo mesmo. — murmurei.

    — Atrás!

    — Ham? Quem disse isso?

    Olhei ao redor e não vi ninguém, mas jurei escutar alguém falando.

    Será que foi a voz da minha cabeça?

    Enfim, vou fingir que não escutei essa voz.

    Como eu andei até o lado da piscina grande, estava de frente para ela e, atrás de mim, havia árvores com galhos velhos sendo arrastados por conta do vento forte que surgiu do nada. Mesmo com o sol e o céu aberto, começou a ventar forte aqui do nada.

    Mas o estranho é o fundo dessa piscina, parece que havia algo brilhando no fundo dela, uma luz branca.

    Como não sei nadar, não posso simplesmente entrar nela.

    — Atrás!

    A voz da minha cabeça gritou com um tom desesperado, minha cabeça doeu com isso. Eu estou ficando realmente maluco?

    Fechei os olhos por conta da dor e segurei minha testa com minha mão esquerda, mas não foi só isso que senti, um empurrão inesperado nas minhas costas com uma força absurda me fez sair de onde eu estava.

    — QUE??

    Só tive tempo de gritar qualquer coisa antes de ver meu reflexo se aproximando da água.

    Não tive tempo de fazer nem processar nada, apenas aconteceu tudo rápido. Estou afundando na água da piscina, um déjà-vu do que aconteceu naquele dia da cachoeira?

    Será que dessa vez não tenho salvação?

    Mas quem me empurrou, e por que a luz branca no fundo da piscina sumiu?

    Meu coração está acelerado e meu corpo frio.

    — Eu avisei.

    Novamente essa voz na cabeça.

    Mas, ela avisou? Como ela sabia que tinha algo atrás de mim? Por que fingi que não estava escutando ela?

    — Agora você vai pagar por ignorar minha existência.

    Mas eu não quero pagar com a morte, eu preciso encontrar meus pais novamente, preciso ver se minha mãe está bem mesmo. Tenho tantas coisas para fazer e para ver, por que isso sempre acontece comigo?

    Mas agora não sei o que fazer, meu corpo está paralisado e não consigo me mexer.

    Meu corpo aceitou a morte?

    A escuridão, minha velha amiga, está vindo até mim, o brilho do sol está sumindo aos poucos e a dor surgindo aos montes.

    Se vai ser assim, queria pelo menos ter me despedido antes dos meus amigos e da Itsuki.

    Espero que não fiquem tristes com isso.

    Estou sentindo que vou desmaiar, meus olhos não conseguem mais ficar abertos, e estou ficando sem ar.

    E é agora que devo sonhar com algo, com aquela mulher que sempre sonhei.

    Nunca vou descobrir quem é ela e o motivo dela estar nos meus sonhos, queria muito achar a resposta para isso.

    — Está vindo.

    O quê? O que está vindo? O demônio ou o anjo? Para onde eu vou? Céu ou inferno?

    — Quieto!

    No pequeno fragmento de luz do sol que estava vindo até mim, vi a silhueta de alguém vindo na minha direção, mas acho que não vou aguentar por mais…tempo.


    Morri? Está tudo escuro.

    — Abre os olhos agora!

    Ham? Essa voz, eu conheço, é da mulher que sempre sonho.

    Ao abrir os olhos, vejo a mulher dos meus sonhos do lado de uma mesa com uma caixa.

    — Posso abrir a caixa?

    — Pode! — disse ela.

    Como sempre, não consigo ver o rosto dela, apenas a voz e a cor do cabelo rosa.

    Não consigo controlar meu corpo nem o que falo, se pudesse eu iria perguntar quem é ela, mas não consigo.

    Ao abrir a caixa, vejo um filhote felino de cor preta e olhos azuis.

    — Meu Deus!! Que fofo!

    Fofo? Realmente é fofo, mas eu não gosto de gatos, por que ela me deu isso?

    — Fofa, não é? Você me disse que queria um gato, então fiz de tudo para achar um. E ela é fêmea.

    — Você é incrível! Muito obrigado mesmo por isso.

    — E qual vai ser o nome dela? — indagou a mulher.

    — Nome dela… hmmm… deixa eu pensar! Ela vai se chamar, Itsuki!

    O quê? Itsuki? Por que escolheu esse nome?

    — Esse nome? Tem certeza?

    — Sim, esse nome foi especial para mim no passado, e mesmo que tenha partido ainda gosto dele.

    — Entendi, então tá bom, Itsuki o nome dela.

    Esse sonho está estranho, não era o que eu esperava após ter morrido.

    Agora tudo está ficando preto novamente, estou indo para a decisão final do meu destino?


    Ao abrir meus olhos, a mesma cena de antes, olhando para o teto familiar, não acredito que vou ser julgado no quarto da doutora Purplerine.

    — Você acordou! Doutora, o Yuki acordou, vem rápido!

    — Ham? — murmurei.

    Olhei para o lado da voz, pensando que era Deus, mas na verdade era o Arushi.

    — Meu Deus, você dá muito trabalho, garoto! — disse Purplerine vindo até mim.

    — Uai, vocês são Deus que vão me julgar? Por favor, me leve para o céu!

    — Que céu, o quê, menino, você está vivo! Graças ao Arushi.

    — Ham? Estou vivo? Sério??

    Coloquei minha mão no meu rosto e mordi meu dedo para ter certeza.

    — Para com isso, idiota, é claro que você está vivo. — disse Arushi.

    Novamente, Arushi me salvou. Meu herói salvou duas vezes da morte.

    — Arushi… você é incrível mesmo, cara. É realmente um grande herói.

    — Ei, nada de agradecimentos, o que eu quero saber é o motivo de você ter ido até aquele lugar! Você tem uma tara para morrer afogado?

    — Hehe, foi mal, mas dessa vez o motivo foi diferente. Juro.

    — Imagino, bem, então me conte…

    Antes que o Arushi terminasse de falar, alguém apareceu do nada.

    — Se me derem licença, eu preciso bater um papo com o Yuki.

    Ao ver quem era, o diretor com o Okawara, ambos de terno vermelho.

    — Ah, diretor, certo! Vamos, Arushi. — disse a doutora.

    — Depois nós conversamos então, certo? — disse Arushi saindo com a doutora.

    Depois que eles saíram, fiquei dentro do quarto com a porta fechada, eu e os dois.

    — Enfim, Yuki! O que aconteceu com você não poderia jamais ocorrer por aqui, foi algo sem precedentes e que, na minha opinião, é algo que precisa ser tratado com urgência, mas em segredo, ninguém pode saber o que aconteceu. — disse o diretor.

    — Mas eu nem sei o que aconteceu, na verdade.

    — Não queria ouvir isso, queria ouvir de você o que exatamente aconteceu, por que estava em um local fechado? E por que estava tentando nadar na piscina profunda se você não sabe nadar?

    — Fala a verdade, moleque! — disse Okawara.

    — Bem, eu estava procurando uma amiga minha e acabei estando naquele lugar, mas eu só estava na piscina porque alguém me empurrou! Só isso.

    — Entendi, alguém empurrou você? Está me dizendo que foi uma tentativa de homicídio? Isso mesmo?

    — Estou dizendo o que senti, não vi alguém me empurrando, mas senti uma força me empurrando, senti as mãos e tudo!

    — Isso torna o fato mais perigoso ainda, isso não pode fugir dessa sala em nenhuma hipótese!

    — O que vamos fazer, diretor? — disse Okawara.

    — Isso era o que eu temia, sabia que você não seria doido para nadar naquela piscina, então fiquei com medo de ouvir isso. Droga, na minha escola tem um assassino, é isso?

    O diretor sentou na cadeira tentando tomar um ar, até tirou sua gravata.

    — Será que foi aquele cara de capuz? — disse o diretor.

    Capuz? Ele está falando do homem de capuz azul?

    — Não sei, vamos precisar investigar agora. É necessário isso! — disse Okawara.

    — Mas não podemos fazer isso, não sabemos se é alguém da nossa equipe.

    — Então vamos colocar a Aikyo para fazer a investigação.

    — Aikyo? A segunda no ranking de dedução?

    — Sim! Ela pode ser útil.

    Eu não sei se deveria estar escutando essa conversa, eles esqueceram que eu estou aqui?

    — Mas ela sabe os métodos de investigações?

    — Claro, Aikyo juntamente com sua irmã tem os requisitos suficiente para fazer o papel de detetive

    — Então tudo bem, mas se ela falhar será responsabilidade sua!

    — Certo!

    — Contate ela logo, as aulas vão começar semana que vem e precisamos resolver essa questão antes do final do semestre.

    — Entendido!

    — Deixa eu ajudar na investigação também! — gritei.

    Ambos olharam para mim, com uma cara de tacho.

    — O que disse? — perguntou o diretor.

    — Eu também quero ajudar a Aikyo na investigação, até porque eu sou a vítima e quero respostas!

    — Mas você é um abusado mesmo, né, moleque. — disse Okawara cruzando os braços.

    — E você tem habilidade para isso?

    — Tenho, senhor!

    — Certo! Pode ajudar ela então, mas não conte para ninguém sobre a investigação e o que aconteceu com você, certo?

    — Diretor?? Tem certeza disso? — indagou Okawara.

    — Tenho, não sabemos muita coisa do Yuki, mas você vai ajudar ele nisso, Okawara, já que esteve esse tempo com ele, o que ele precisar você ajuda, fora a segurança dele ainda vai ser sua responsabilidade!

    — QUE???

    Okawara por um momento parecia que iria explodir, o que antes estava bem sem mim agora ficou um dragão vermelho de raiva por saber que vai continuar comigo.

    — Eu sei que você não gosta, mas isso é uma ordem!

    — Droga!

    — Enfim, tenho coisas para fazer, contate a Aikyo logo, Okawara. — disse o diretor se levantando da cadeira e indo até a saída.

    — Você é uma peste mesmo, garoto, que droga!

    — Desculpa, hehe…

    Diretor se retirou do quarto ficando apenas o Okawara, vermelho de raiva.

    Com os braços cruzados ele caminhou até a cadeira e sentou nela.

    — Enfim, você está bem? Ficou aí nessa cama um mês inteiro.

    — QUE?? UM MÊS?

    — Sim, já é dia 26 de janeiro, daqui a uma semana já começam as aulas.

    Meu Deus, não acredito que fiquei um mês de cama, fora os 7 dias que fiquei dormindo antes do acidente.

    — Droga, perdi um tempo de descanso.

    — Tempo de descanso? Você literalmente descansou um mês inteiro, moleque.

    — Não é esse tipo de descanso. Queria ter passado esse tempo com meus amigos e a Itsuki.

    Okawara fez uma cara de desaprovação e levantou da cadeira rapidamente.

    — Vê se cresce, moleque, você agora vai virar um tipo de detetive ou coisa do tipo, vai entrar numa situação perigosa, então vê se cresce mentalmente aí.

    — Detetive…?

    Parece até uma cena dramática de manga, onde o personagem sai de forma silenciosa com as mãos no bolso, foi o mesmo que o Okawara acabou de fazer, e por um momento ele parou em frente a porta.

    — Sim, você vai entrar numa… investigação! — disse Okawara, olhando de relance para mim, antes de sair pela porta.

    — Eita…

    Mas o que ele disse me deixou animado e ansioso, vou ajudar a segunda melhor no ranking de dedução da escola a investigar o que aconteceu comigo, eu vou virar um detetive nesse semestre e vou poder fazer o que Connor, o detetive, fazia. Estou muito animado com isso.

    Até breve, investigação!

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