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    Me pergunto, às vezes, o motivo pelo qual minha mãe me disse o nome completo da escola ESA da forma incorreta. Aqui, é chamada de Escola Sistemática Avançada, mas, segundo minha mãe, era Escola Sistemática Avançada do Japão, ESAP.

    A pergunta é: por que do Japão?

    Meu primeiro dia na escola foi exótico; não estudei e mal conversei com ninguém. Na verdade, não fizemos nada além de esperar o professor e escutá-lo falar.

    Mas, no final das aulas, Aikyo me chamou para conversar. Foi inusitado, mas eu já esperava que ela aparecesse na minha frente, já que passou quase metade do dia me olhando.

    — Aqui estou, o que quer falar? — indaguei Aikyo, com os braços cruzados.

    O jeito que ela me olhava deixava claro que não gostava de mim.

    — Vou ser rápida e efetiva. Okawara me contou toda a situação e me pediu para resolver esse caso. Eu, sinceramente, gostei e aceitei a proposta, mas odiei a segunda parte do assunto! Odiei! — disse ela, com uma expressão de raiva no rosto.

    — Segunda parte? Que parte seria essa?

    — Que você iria me ajudar! Eu não preciso de ajuda, sou a segunda melhor nesse quesito e ainda tenho minha irmã para dar apoio. Por que iria precisar da ajuda de um revoltante???

    — Então é disso que se trata? Porque sou um revoltante, você me odeia? Não esperava que a segunda do ranking de dedução fosse do mesmo pote que Gyutaro.

    — Que? Você está me equiparando ao Gyutaro? Como ousa? Não te odeio porque você é revoltante, trato todos iguais quando tentam entrar no meu caminho. — disse ela, com expressão mais calma agora.

    Sua face é fria, sua voz também; estava com uma expressão de raiva, mas agora está mais histérica.

    — Mas eu não quero entrar no seu caminho, vou estar do seu lado, te dando apoio. — disse, gesticulando com os braços.

    Ela deu um leve riso após essa minha frase.

    — Do meu lado? Eu já tenho minha irmã, e só ela pode estar do meu lado. Não me venha com esse papo romântico, revoltante! — disse ela, com um sorriso cínico.

    — Não é papo romântico, é assunto sério! Se não posso ficar do seu lado como companheiro de investigação, deixe que eu fico atrás, posso dar apoio do mesmo jeito! — disse, batendo os pés.

    Ela me encarou com seu olhar assustador. Mesmo seus olhos sendo da mesma cor de quase todos, o formato e o jeito que ela me olha é surreal, como se fosse um buraco negro se alimentando, mas, em vez de planetas, estava se alimentando da minha alma.

    — Por que exatamente você quer ajudar? O caso aconteceu com você, deveria estar com medo e se escondendo no seu quartinho, e não indo a campo caçar quem fez isso.

    Inquieto, comecei a andar para os lados de forma calma, com os braços cruzados, incomodado com a forma dela de me olhar.

    — Não vou ficar escondido, quero ajudar justamente por ter acontecido comigo. Eu mesmo quero pegar a pessoa que fez isso, você não vai entender! — disse, encarando-a depois da inquietação.

    Ela continuou me encarando. Estávamos em uma luta de troca de olhares: quem faria um olhar mais intenso?

    Descruzando os braços, ela se aproximou de mim com uma cara que parecia que iria me bater.

    — Você não sabe nada sobre mim, não diga besteiras, revoltante!

    Após isso, ela saiu de perto de mim, chamando a Katsu de longe. Ambas foram embora da sala.

    Mas, no final, ela não respondeu se eu vou ou não ajudar ela.

    Ordens do Okawara e do diretor são para eu ajudar, então vai ser isso que vou fazer.

    Voltei para a Itsuki e levei-a embora da sala também.

    — O que vocês conversaram? — indagou Itsuki.

    — Nada demais, ela queria saber sobre eu ser revoltante e tal. Ela estava me chamando e acho que só vai me chamar disso agora.

    Não posso falar sobre isso para ela.

    Mas por quê? Acho que ela vai acabar descobrindo alguma hora.

    O melhor seria falar agora, ou não?

    — Fala! — disse a voz dentro da minha cabeça.

    Fazia um tempo que não escutava ela.

    Outro mistério que tenho que resolver é essa voz.

    — Mistério? Não é um mistério eu estar falando na sua cabeça, seja um pouco inteligente e você saberá.

    Esqueci que ela consegue ouvir meus pensamentos. Acho que estou ficando maluco.

    — Yuki? Está bem? Você está aí olhando para frente sem me responder. — disse Itsuki, apertando minha mão.

    — Ah, desculpa, coração, o que você tinha perguntado mesmo?

    — Eu tinha perguntado se você está bem quanto a isso.

    — Se estou bem? Bom, acho que estou, mas um pouco incomodado também. Preciso conversar direito com ela e entender os seus motivos para não gostar de revoltantes.

    Odeio mentir, mas sou bom nisso.

    Ela olhou para mim com uma expressão triste, apertando a bochecha para dentro da boca, respondeu de forma fofa.

    — Quero ir com você também!

    — C-comigo? Por quê?

    Não imaginava que ela iria querer ir. Droga, falhei um pouco na mentira.

    — Porque sim! Não quero que você fique sozinho com ela e aquela irmã dela. Sabe o que ela disse?

    Olhei de volta para Itsuki, e suas bochechas estavam rosadas, mas sua expressão era de raiva.

    — O que a Katsu disse?

    — Ela perguntou se a gente namorava. Depois que eu disse que não, ela me pediu para ajudar ela a conquistar você. — disse ela, apertando mais minha mão.

    — Ai ai, minha mão… — murmurei em pensamento.

    — Me conquistar? Que história é essa? Eu não sou um território para conquistar. Que menina estranha! Na verdade, as duas irmãs são estranhas. — disse, balançando a cabeça.

    Itsuki direcionou um olhar aberto para mim, como se estivesse surpresa ou algo do tipo, deu uma risada fofa e começou a cantarolar.

    Ela é um pouco estranha…

    Caminhamos por um bom tempo, passamos pelo caminho dos pinheiros exóticos da escola até o prédio dos professores.

    É impressionante a variedade de pinheiros que se tem nesse lugar.

    Itsuki, sempre que passa aqui, fica admirando as árvores e apontando para cada folha que cai no chão. O sorriso dela me cativa e me tranquiliza. Ver a felicidade dela me mostra que, mesmo estando nesse mundo cruel, ainda assim é possível encontrar felicidade.

    Não éramos os únicos. Havia também um grupo de alunos que ficavam desenhando as árvores em um quadro. Provavelmente, esse grupo era de alunos de artes.

    Depois dessa caminhada e momento feliz, entramos no prédio dos professores e subi até o quarto da Ayumi.

    Deixei Itsuki em frente à porta e esperei que Ayumi nos atendesse.

    Após alguns segundos, a porta abriu.

    — Ah, é vocês! Como foi o primeiro dia, Itsuki? — indagou Ayumi.

    — Foi chato, não tivemos aula, mas sim um treinamento, hehe. — disse Itsuki, abrindo os braços.

    — Entendi, então entre, preparei algo para você comer.

    Itsuki estava quase entrando, mas parou, virou e veio correndo até mim, me abraçando, um abraço forte.

    Como sempre, em contato com ela, o conforto vem junto.

    — Sempre que fico com você, me sinto feliz e confortável. Por quê? — cochichou ela.

    Não tive tempo para responder; ela me soltou e entrou correndo.

    Só consegui ver a expressão de raiva da professora Ayumi, fechando a porta com ódio.

    Não sei quem me dá mais medo, Ayumi ou Aikyo.

    Em relação ao que Aikyo disse, eu deveria mesmo tentar investigar? Eu que sofri com isso, se eu entrar no caso e der a oportunidade perfeita para a pessoa tentar algo pior comigo?

    O melhor realmente seria ficar na minha.

    — Medroso! Patético! — disse a voz na minha cabeça.

    Não me venha com isso, nada do que você falar vai me afetar, você é meu subconsciente!

    — Ainda não descobriu quem eu sou. Patético!

    Deixando essa voz de lado, parti embora do prédio em direção ao meu quarto. Vou ter uma reunião com meu grupo Chiheisen; eles têm algo para me contar.

    “Todos veem o que você parece ser, mas poucos sabem o que você realmente é.” — Maquiavel

    Chegando no dormitório, já estavam me esperando Arushi, Sasori e Fuutaro para a reunião do grupo Chiheisen.

    — E aí, Yuki! Você atrasou um pouco, hein? Onde foi? — indagou Fuutaro.

    Cumprimentando cada um, respondi:

    — Fui levar a Itsuki para o quarto da Ayumi.

    Fuutaro me olhou com uma expressão diferente, com um sorriso estranho no rosto.

    — Yuki, Yuki, seu danadinho, hehe.

    — Que foi, Fuutaro? Não entendi.

    — Deixa ele, Yuki, vamos começar logo a reunião. Hoje vai ser no meu quarto! — disse Sasori, com seu jeito sério de falar.

    Entramos no quarto do Sasori um por um e fomos para a sala. Sentamos no sofá enquanto Arushi ficou em pé.

    — Vai sentar não, Arushi? — perguntei.

    Arushi balançou a cabeça, negando.

    — Arushi tem algo para falar, por isso marcamos a reunião. — disse Fuutaro.

    — Entendi.

    — Bom, vamos começar então. Yuki tinha me pedido para ajudar com uma coisa, a respeito de uma marca em um papel, e também pediu ajuda para conseguir mais livros do sótão. O que vou falar tem a ver com esses dois pedidos.

    — Marca no papel? — perguntou Sasori.

    — Livros do sótão? Como assim, Yuki? — indagou Fuutaro.

    — Calma, gente, depois explico. Deixa o Arushi continuar. — disse.

    — Em relação à marca, consegui achar o significado! — disse Arushi, retirando dois papéis do bolso.

    — O que é isso? — murmurou Sasori.

    — Conseguem ver uma semelhança? — indagou Arushi, colocando ambos os papéis abertos na mesa.

    O pedaço pequeno era o que havia dado a ele; o outro já é um papel completo e cheio de detalhes escritos, mas havia a mesma marca no mesmo canto em ambos os papéis.

    — Semelhança em o quê exatamente? Porque esse papel pequeno tem quase nada. — disse Fuutaro, ajeitando seus óculos.

    — Semelhança no desenho… — murmurei.

    — Desenho? — disse Sasori, com a mão sobre o queixo.

    — Sim, desenho, marca, logo! Tanto faz. O que você precisa ver, Yuki, é que esse papel tem a mesma marca aqui em cima dessa folha. Isso era o que você queria saber, né? — disse Arushi, abaixando-se perto da mesa.

    Acenei com a cabeça, enquanto tentava processar o que estava acontecendo.

    O bilhete que eu ia entregar a Emi, o mesmo bilhete que Okawara pegou de mim e rasgou na minha frente, não havia esse símbolo. O que está acontecendo?

    — Mas por que você queria saber sobre essa marca, Yuki? O que tinha nesse papel rasgado? — indagou Fuutaro, me cutucando no ombro.

    — Bem, como explicar… Arushi, esse papel, onde você conseguiu? De quem é? — perguntei, apontando para o papel inteiro.

    Arushi levantou-se e ficou em pé na nossa frente, cruzou os braços e disse:

    — Esse papel é um relatório de um professor para o diretor. E essa marca está em todos os relatórios de professores, então não dá para saber exatamente de qual professor.

    — Mas por que você quer saber isso, Yuki? O que tem esse fragmento de papel? — indagou Fuutaro.

    — Bem, uma longa história, e acho que isso vai meio que mexer com vocês, Fuutaro e Sasori.

    Ambos olharam para mim com os olhos arregalados.

    — Como assim, Yuki?? Explica logo! — disse Sasori, inquieto.

    — Bem, por onde começar… eu tinha um bilhete, e eu acho que ele era… do Satoru!

    Ambos ficaram sem reação, com os olhos arregalados, nem sequer respiravam direito, nem piscavam.

    — Você o quê???

    Ambos gritaram ao mesmo tempo.

    Como vou explicar isso agora?

    Arco: Investigação.

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