Índice de Capítulo


    O mundo onde vivemos é pequeno; não há muitas coisas interessantes para fazer além de estudar, estudar e estudar para adquirir conhecimento e, um dia, partir deste mundo. Foi o que minha mãe me disse.

    Mas será que um dia eu vou conseguir partir deste mundo com ela?


    Nessa reunião do grupo, a situação estava ficando um pouco tensa, dado o momento em que eu me encontrava. Será que Fuutaro e Sasori iriam ficar com raiva de mim por ter escondido a carta de seu amigo?

    — Vai, Yuki, conta logo, o que isso tem a ver com o Satoru? — indagou Sasori com ímpeto.

    — Calma, Sasori, ele vai falar, fica em silêncio aí. — disse Fuutaro, fechando os olhos enquanto tirava os óculos.

    — Bem, antes quero pedir desculpas para ambos por ter escondido algo tão importante assim.

    — Tá bom, fala logo! — disse Sasori.

    — Certo! Bem, há muito tempo atrás, quando eu estava na CDA, encontrei um caderno dentro do quarto em que eu estava. Era um caderno normal, porém, assim que peguei ele, um bilhete caiu de dentro dele.

    — O caderno não tinha nada escrito nele? — perguntou Arushi.

    — Tinha, mas não era nada de especial. O importante era o bilhete. — disse, levantando-me do sofá.

    — Você chegou a ler o bilhete? — indagou Fuutaro.

    — Eu queria ler. O início da carta dizia um nome, que a carta era para Satoru. Mas fiquei mal com isso e guardei a carta.

    Sasori encarou a mesa por alguns segundos.

    Fuutaro levantou do sofá também, fazendo uma cara pensativa.

    — Mas espera aí, você disse CDA, né? Satoru e nós nos conhecemos há dois anos. Você estava na CDA há alguns meses. Como essa carta ainda estava lá? — indagou Fuutaro, andando em círculos.

    Sasori levantou do sofá rapidamente.

    — A real pergunta não é essa. A pergunta que temos que fazer é: como assim ‘Para Satoru’? O nome dele era Satoru, então a carta não foi escrita por ele, mas sim por alguém que escreveu para ele?

    — Ou ele escreveu a carta para a Emi Satoru. — disse.

    Ambos olharam para mim, surpresos.

    — Emi Satoru? A mulher que ficou maluca e te atacou? — perguntou Fuutaro.

    — Sim, ela mesma!

    Arushi, com cara de quem estava entendendo, estalou os dedos.

    — Entendi! Quer dizer que ela te atacou porque você citou o Satoru, né? — disse Arushi.

    Na verdade, foi tudo um capricho dela. Ela não me atacou por impulso, mas sim porque tinha um plano por trás. Bela dedução do Arushi; seria interessante tê-lo na investigação.

    — Caramba, você entendeu rápido, Arushi. É isso, mas um pouco diferente.

    Fuutaro e Sasori olharam para mim e, com certa rapidez, se aproximaram, curiosos e assustados.

    — Conta em detalhes, Yuki! — disse Sasori.

    — Bem, certo! Mas sentem no sofá, por favor… é meio desconfortável assim, sabe? — disse, apontando para o sofá.

    Ambos foram andando como robôs para o sofá, impactados com essa descoberta.

    Com eles sentados no sofá e Arushi em pé na frente deles, eu me movimentei ao lado do Arushi também.

    — Para começar, eu havia ido até Emi para perguntá-la se ela conhecia um menino que estudou aqui chamado Satoru. Foi algo estranho, pois, em questão de segundos, ela mudou completamente…

    — Como assim, mudou? Detalhe! — disse Sasori, inquieto.

    Nunca havia visto Sasori tão inquieto assim.

    Eu cruzei os braços e levantei a cabeça para lembrar de todos os detalhes.

    — Bem, ela estava sorridente e tranquila quando a vi. Depois que perguntei, ela regalou os olhos e veio até mim com grosseria, me balançando pelos ombros e perguntando se foi o diretor que me mandou.

    — Diretor? Ela disse isso mesmo? Mas ela citou o nome Satoru pelo menos? — indagou Fuutaro.

    — Não lembro se citou, mas ela ficou estranha quando perguntei, então ela conhecia esse menino, dado seu comportamento.

    Fuutaro levantou do sofá, ajeitando seus óculos na posição ideal. Cara de quem estava formando uma teoria.

    — Então vamos lá, em pontos! — disse Fuutaro. — Se ela se comportou dessa forma ao ser perguntada sobre o Satoru, e a primeira coisa que ela disse foi em relação ao diretor, significa que tem conexão entre diretor e o desaparecimento de Satoru?

    — Espera, antes de pensar nisso, temos que colocar na mesa o que temos até agora de informações! — disse Arushi, colocando a mão na mesa.

    — Mas não temos nada documentado para colocar na mesa. — disse, em tom firme, Sasori.

    — Não literalmente, é uma forma figurativa! Temos que formar uma teoria através de várias informações conectadas que façam sentido de alguma forma. — disse, gesticulando com a mão.

    — Exato! E para isso, preciso que vocês contem sobre esse tal Satoru e o que aconteceu com ele! — disse Arushi, sentando na cadeira atrás dele.

    Cruzei os braços e firmei meu corpo.

    — Só dessa forma para a gente tentar entender, pessoal! Eu sei que esse assunto é delicado e que vocês não querem contar o que aconteceu, mas isso é necessário! Vocês entendem?

    Fuutaro olhou em meus olhos, pensando se devia contar ou não.

    Enquanto olhava em seus olhos, por uma fração de segundos, seus olhos cinzas brilharam, e vários pontos pretos em conjunto se distanciaram de seus olhos para o cérebro.

    Foi assustador, mas não quis perguntar o que aconteceu, pois já vi isso acontecer com a Abe quando ela me atacou.

    Fuutaro, após isso, se aproximou de Sasori e, em tom baixo, disse para ele: — Está na hora de contar.

    Sasori olhou para Fuutaro, acenando com a cabeça.

    — Certo! Vamos contar, mas peço que, quando vocês saírem daquela porta, esqueçam tudo isso! Só pode ser comentado nas nossas reuniões e com ninguém perto. — disse Fuutaro, com um tom sério.

    — Entendido! Só fica aqui! — disse.

    Arushi acenou com a cabeça.

    — Enfim, vou contar desde o início para vocês compreenderem melhor o que aconteceu depois. O início eu conto, e o final o Sasori conta. — disse Fuutaro, colocando as mãos no bolso.

    Finalmente vou saber a história desse menino Satoru. Talvez, dessa forma, eu possa descobrir o que a Emi está escondendo.

    — Eu cresci na CDA, nunca vi meus pais nem a cidade onde nasci. Só via as outras crianças por lá e as mães enfermeiras que cuidavam da gente. Eu pensei por um tempo que a mãe enfermeira que cuidava de mim era realmente minha mãe. — Fuutaro tirou sua mão direita do bolso para ajeitar seus óculos.

    — Foi na CDA que conheci o Sasori e acabei fazendo amizade com ele. Quando eu e o Sasori fizemos cinco anos, estávamos preparados para ir à ESA. A ansiedade era tanta que eu estava correndo para todos os lados, pulando de alegria.

    — Por que essa felicidade toda? — indagou Arushi.

    — Era grande porque finalmente iria poder ver o mundo, ver a natureza. E sabia que esse era mais um passo para poder ver meus pais no futuro. Todos que estavam na CDA queriam isso.

    — Sim, concordo. Fiquei feliz também quando estava vindo para cá. — comentou Arushi.

    — Continuando, nesses meus pulos de alegria, acabei esbarrando em um menino que estava sentado no chão. Eu não caí e não machuquei o menino, mas pensei que ele iria ficar com raiva. Mas não! Ele apenas pediu desculpas com um sorriso e voltou a desenhar.

    — Que educado! — disse.

    — Mas o que ele estava desenhando? — indagou Arushi.

    — Calma! Achei estranho ele ter feito isso, fiquei até sem graça. Quando me aproximei para pedir desculpas mais uma vez, vi que ele estava desenhando uma mulher em frente a um portão. Curioso, perguntei quem era a mulher. — disse Fuutaro, fazendo uma pausa para ajeitar seus óculos.

    Enquanto isso, eu e o Arushi só prestando atenção com olhares fixos.

    — Ele virou para mim e disse: ‘É a minha mãe’. Eu achei isso estranho. Nós da CDA nunca vimos nossas mães, já ele estava desenhando com detalhes como era sua mãe.

    — Com detalhes? Você lembra como era a mãe dele no desenho? — perguntei.

    — Lembro não, o desenho estava em progresso ainda, a mãe dele ali era um esboço praticamente.

    — Entendi! Pode continuar…

    Queria ter uma confirmação se o desenho iria parecer com a Emi.

    — Certo! Eu, achando estranho, mas respeitando, apenas sorri e disse que o desenho era legal. A partir daí descobri que ele estava indo para a ESA também com a gente. Foi uma surpresa saber que o Sasori já conhecia esse menino, então ele virou nosso amigo.

    — E presumo que esse menino seja o Satoru, né? — perguntei.

    — Sim! Ele era o Satoru. Éramos três, então, quando chegamos na ESA, não nos sentimos sozinhos. Viramos melhores amigos, passando por momentos e estudando juntos. Satoru era um menino muito gentil e legal, um ótimo desenhista também, tanto que o diretor pediu para ele entrar no projeto de grafite que ele estava montando.

    — Projeto de grafite? Nunca ouvi falar desse projeto. — comentou Arushi.

    — Era um projeto secreto, só do diretor. — disse Sasori.

    — Durante o tempo que ele ficava nesse projeto, ele começou a ficar estranho, bem estranho na verdade. O menino que era feliz ficou sério, o menino legal ficou grosseiro. Nós tentamos descobrir o que estava acontecendo, mas ele só tentava nos afastar.

    — Ele começou a andar com aqueles irmãos problemáticos… — comentou Sasori, com um tom nervoso.

    — Isso foi a coisa mais estranha. Parece que os irmãos Kobayashi estavam nesse projeto também, então tentamos entender que esse era o motivo dele estar andando com eles.

    — Mas não era! — comentou Sasori, cruzando os braços.

    — Nós não sabemos o motivo, na verdade, mas Sasori acredita que Satoru estava sendo ameaçado pelos irmãos para ficar longe de nós.

    Sasori levantou do sofá indignado.

    — Mas espera, ele estava andando com os irmãos Kobayashi. Vocês viram alguma vez ele sendo zoado ou sofrendo nas mãos deles? — perguntei.

    — Sim! Por esse motivo que Sasori acha que era ameaça. Satoru mudar assim do nada era estranho, e andar com meninos que faziam bullying com ele era mais estranho ainda! — disse Fuutaro.

    — Mas e aí, o que aconteceu depois? — indagou Arushi.

    — Bem, no último dia de aula, fomos caçar o Satoru para forçá-lo a confessar o que estava acontecendo. Nessa nossa procura, não o achamos. Mas vimos uma pequena multidão em torno de algo. Ficamos curiosos e fomos ver. Quando chegamos, vimos dois meninos caídos no chão, um deles estava com um corte no rosto.

    — Deixa eu adivinhar, esse menino com o corte no rosto é o Gyutaro? — perguntei.

    — Sim! Era o Gyutaro e o Gintaro. Ambos estavam inconscientes no chão. A doutora Purplerine estava fazendo os socorros no Gyutaro, que estava sangrando. Curioso, perguntei para alguém do lado o que havia acontecido, e uma menina de cabelo verde chamada Aikyo me respondeu algo que não queria nunca ter escutado.

    — O que ela disse? — disse Arushi.

    — Ela disse, com aquele olhar assustador dela, “Não sei! Mas ouvi que um menino de cabelo vermelho saiu correndo daqui enquanto os dois estavam caídos.” Nessa frase dela, saquei que era do Satoru que estava falando.

    — Espera, então quer dizer que a cicatriz que fez no rosto do Gyutaro foi o Satoru? Isso não leva à expulsão? Machucar um aluno? — indagou Arushi.

    — Sim, quem faz uso da violência é expulso e levado para a escola militar, onde são mais rígidos! — disse Sasori.

    — Eu não acreditei no dia que tinha sido o Satoru o autor da violência, então fui até o quarto do Satoru para ver se ele estava lá. Mas quando cheguei, o quarto estava aberto, e não tinha nada dentro dele, nada!

    — Como assim? Nada? Quer dizer que ele saiu e levou tudo dele? Mas para onde ele vai se não tem como sair daqui? — perguntei.

    — Não sei, realmente não tem como sair daqui. Ele simplesmente sumiu, sem deixar rastro. O diretor queria expulsá-lo, mas não o encontraram para fazer isso. A fuga dele só mostra que foi ele que fez aquilo com os meninos.

    — Mas eu não acredito nisso! — gritou Sasori.

    — Por quê? — perguntei.

    — Os irmãos Kobayashi são fortes e bons em artes marciais. É impossível o Satoru, que era franzino e pequeno, fazer tal violência contra eles.

    — Então como explica o Satoru ter corrido de lá e ainda ter sumido do quarto dele? Hã? — indagou Fuutaro, com tom grosseiro.

    — É isso que pergunto todos os dias! Eu queria saber o que aconteceu mais do que qualquer um! — disse Sasori, gesticulando de forma grosseira.

    — Tá bom, gente, foco aqui! E depois? Qual o final que o Sasori iria contar? — perguntei.

    Ambos aquietaram, e Sasori voltou para o sofá.

    — Eu não aceitei e ainda não aceito o que aconteceu, então fui até o diretor para ver o que realmente aconteceu. — disse Sasori, balançando a cabeça para os lados.

    — Foi você sozinho? — indaguei.

    — Sim, fui sozinho! Fuutaro estava tentando encontrar Satoru em algum lugar das florestas. Enquanto eu estava com o diretor… A frase que ele disse naquele dia está presa na minha mente até hoje.

    O clima dentro da sala já estava pesado há tempos. O calor estava tenso, mas a origem não era o clima do lado de fora, e sim o assunto que estava sendo tratado ali dentro.

    Sasori fechou os olhos enquanto colocava sua mão direita sobre a testa, tampando seus olhos.

    “O autor de tal violência foi, infelizmente, Satoru! Como punição, foi expulso e está agora sendo transportado para a escola militar do Horizonte.”

    Arco: Investigação

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