Índice de Capítulo

    Sasori não aceita o que dizem a respeito do Satoru. Na realidade, nem eu acredito nisso.

    Machucar os irmãos Kobayashi e ainda fazer uma cicatriz no rosto do Gyutaro? Tem que ser muito forte para isso, e segundo Sasori e Fuutaro o Satoru não era esse tipo de criança.

    — Quer dizer que Satoru foi levado para a escola militar? Isso resolve o mistério, não? — disse Arushi.

    Sasori balançou a cabeça, negando a pergunta de Arushi.

    — Eu e o Sasori não acreditamos nisso. É uma mentira do diretor! Com certeza aconteceu algo com o Satoru e o diretor não quer falar a verdade. — disse Fuutaro.

    Sasori, com pose firme, disse:

    — E outra coisa, não foi o Satoru que fez aquilo com os irmãos Kobayashi. Armaram para ele!

    — Você está querendo dizer que os irmãos armaram tudo a ponto de o próprio Gyutaro machucar o rosto? — indaguei.

    — Acho! Eles são loucos, e se estiverem cumprindo ordens do diretor então tenho certeza que foi armado! — disse Sasori.

    Arushi levantou da cadeira rapidamente enquanto Fuutaro cruzou os braços.

    Eu apenas encarei Sasori fixamente.

    — Isso é uma acusação séria, dizer que foi obra do diretor. Por que você está dizendo isso? — perguntou Arushi.

    — O diretor é o pai deles. Além disso, se ele mandar algo e você não obedecer, tem chances de ser expulso! — comentou Sasori.

    — Entendi. Mas vamos ser discretos. Primeiro, temos que manter isso só entre nós, e segundo, não vamos colocar o diretor como peça central disso. — disse Arushi.

    — Por quê? Não está óbvio que foi alguém importante que orquestrou isso? — perguntou Sasori, em tom grosseiro, gesticulando para Arushi.

    — Eu entendo, mas temos que ser lógicos. Vamos investigar melhor isso. Deixa comigo e com o Yuki. Vocês devem se preocupar com a disputa para ser presidente do conselho.

    — Verdade, havia me esqueci disso… Mas isso é assunto meu e do Fuutaro. Por que vocês querem perder tempo? — disse Sasori.

    Arushi olhou para mim, e ambos viramos para Sasori.

    — Porque nós somos amigos e pertencemos ao grupo Chiheisen! — comentei, firmando os pés.

    — E também porque isso entra no meu caminho. Como eu disse mais cedo, me comprometi a ajudar o Yuki em duas coisas. A primeira nós já conversamos, e a segunda envolve os livros.

    — O que tem esses livros? — perguntou Sasori.

    Arushi cruzou os braços e encostou as costas na parede.

    — Minha pesquisa me levou a um ponto importante sobre os livros referentes à origem de tudo que envolve as partículas oni e o Horizonte. Livros esses que são proibidos para todos e ficam no sótão do prédio escolar.

    — Lugar esse que o diretor proibiu a entrada de todos! — afirmou Fuutaro.

    — Mais uma vez o diretor envolvido. — comentou Sasori.

    — Sim. E segundo minha pesquisa, não achei o motivo do diretor ter proibido a leitura desses livros. Mas descobri que faltam dois volumes na estante, sendo que três anos atrás havia todos.

    — Um desses dois está comigo, que é o primeiro volume. — comentei.

    — Exato. E o outro volume que está desaparecido é o penúltimo.

    — E quem está com esse volume? — perguntou Sasori.

    — Segundo minha pesquisa, tudo indica que foi o Satoru que pegou esse volume. Na verdade, ele leu todos os livros. O penúltimo era o que ele estava lendo, mas acabou sumindo antes de devolver.

    — E como você sabe que ele leu esses volumes? — perguntou Fuutaro, com olhar curioso.

    Pelo olhar de Fuutaro, ele não estava acreditando nas palavras de Arushi.

    Para responder, Arushi descruzou os braços e se afastou da parede.

    — Eu entendo que vocês não devem acreditar em mim. Vocês eram próximos do Satoru, então outra pessoa contar um segredo dele assim pode parecer duvidoso. Mas acreditem em mim. Não posso revelar como descobri isso, mas preciso que confiem em mim. — disse Arushi, se curvando para Fuutaro e Sasori.

    — Isso é meio duvidoso mesmo, mas é verídico ou apenas achismo que ele pegou vários livros? — perguntei.

    — Apenas achismo com base em alguns detalhes. — respondeu Arushi.

    Fuutaro olhou para Sasori, e ambos acenaram com a cabeça um para o outro.

    — Entendi. Então, se isso for verdade e o Satoru realmente estava pegando os livros proibidos, como ele estava fazendo isso? — perguntou Fuutaro.

    — Por conta da participação no grupo de grafite do diretor. As reuniões eram no sótão.

    Fuutaro balançou a cabeça em gesto de descoberta.

    — Agora faz sentido. Ele usava as reuniões como momento certo para ler os livros.

    Sasori olhou para mim no meio da conversa.

    — E você, Yuki? Está bastante calado aí. Podia nos contar como conseguiu pegar esse volume no sótão.

    — Bem, desculpa estar calado, hehe. É que esse assunto envolve mais vocês, que já estão bem cientes. Eu estou um pouco perdido, na verdade.

    — Envolve você sim, até porque me pediu ajuda para pegar mais volumes, não é? E é isso que vou fazer: te ajudar a pegar mais volumes. E tenho um jeito de te ajudar com isso.

    — Que jeito?

    Arushi puxou a cadeira e sentou mais perto da mesa.

    — Seguinte: amanhã Fuutaro e Sasori vão para o debate da presidência do conselho. Isso ocorre no primeiro andar do prédio escolar, e vários alunos que votam estarão vendo.

    — E o que tem esses alunos que votam? — perguntei.

    — Entre esses alunos estão os membros do conselho. Isso quer dizer que o andar do conselho, que é o último, estará vazio.

    — E com o andar vazio, é uma chance de ouro para pegar a chave do sótão! — comentei.

    Fuutaro balançou a cabeça com os braços cruzados.

    — Isso não vai dar certo. Eu sou do conselho e posso garantir que as portas estarão fechadas. Tanto a porta de entrada quanto o quarto da presidente. Fora que a chave fica em um compartimento também trancado.

    — Bom ponto. Mas, como você disse, por justamente ser do conselho é que esse plano pode dar certo. Cada membro do conselho tem uma chave de abertura, certo?

    — Certo. Mas mesmo que eu te dê minha chave, como vai abrir a porta da presidência e do compartimento?

    — Na verdade, como vocês vão fazer isso sem serem vistos pelas câmeras de segurança? — perguntou Sasori.

    — Eu conheço alguém que pode ajudar com as câmeras. Já as chaves do quarto da presidência e do compartimento vão exigir algo mais avançado. Vamos precisar de engenharia social… e um pouco de sorte.

    — Ou seja, vamos enganar a Abe e ficar com a chave dela? — perguntei.

    — Cara, isso está sendo muito radical. Pode dar problemas para a gente. Tudo isso por causa de um livro? — comentou Sasori.

    Fuutaro também concordou com a cabeça.

    Realmente esse plano é radical e perigoso. Não vejo um mundo onde isso possa dar certo.

    — É claro que não, você é um medroso! — disse a voz na minha cabeça.

    — Cala a boca!

    — O que você disse? — perguntou Fuutaro.

    — Ah, nada. Eu falei para meus pensamentos. Acabei falando em voz alta.

    — Eu entendo. Se vocês não quiserem ajudar, tudo bem. Posso repensar em outro plano só para nós dois, Yuki.

    — Tudo bem. Esse plano seria muito arriscado mesmo. Pode pensar em outra coisa.

    — É melhor desistir. — disse Fuutaro. — Até porque são apenas livros.

    — Não! Não vamos desistir. Vou pensar em um plano melhor para nós. Não se preocupe, Yuki. Se eu disse que vou ajudar, então eu vou.

    — Tá bom… obrigado, Arushi.

    — Aff, pelo visto vocês estão determinados mesmo. Nesse caso, pode me encaixar nesse plano aí também. Mas tem que ser menos perigoso. — comentou Fuutaro.

    Sasori também aceitou participar.

    O clima entre nós não parecia estar indo bem, mas agora melhorou.

    Somos amigos. Vai ter momentos ruins e bons.

    — Então beleza, vamos terminar nossa reunião por hoje? — disse Fuutaro.

    Todos nos olhamos, mas ninguém disse nada.

    — Certo! Nossa reunião está finalizada! Nosso próximo encontro vai ser semana que vem nesse mesmo dia.

    Juntamos todos nós perto da mesa e fizemos um círculo, com nossos punhos se encostando.

    — No três gritamos Chiheisen!

    — 1… 2… 3…

    — Chiheisen!

    Depois disso, cada um foi para seu quarto.

    Mas uma coisa não saiu da minha cabeça: se Satoru pegou o penúltimo livro e não devolveu, onde ele está?

    Será que Satoru escondeu esse livro em algum lugar… ou o diretor pegou e escondeu?

    Esse lugar está cheio de mistérios. Minha cabeça já está quase cheia como se fosse uma balde debaixo de chuva.

    Mas preciso focar em duas coisas agora: a investigação com Aikyo e os estudos.

    Um longo caminho pela frente ainda.


    Enquanto Yuki está em seu quarto estudando, Itsuki está conversando com Ayumi sobre seus problemas pessoais.

    — Eu não sei explicar, sabe professora… é algo estranho… acontece normalmente sem eu querer, apenas sinto! — disse Itsuki, deitada em sua cama.

    Ayumi estava sentada na cama ao lado dela.

    Itsuki vestia um pijama vermelho com detalhes de flores de girassol, uma vestimenta adequada para o momento.

    Já Ayumi estava com uma vestimenta mais padronizada de seu estilo: cores intensas e chamativas, um casaco roxo escuro neon e uma blusa vermelha por dentro.

    — Entendo. É normal ter esse tipo de sentimento. Isso significa que você tem medo de perder ele. Até porque ele é seu melhor amigo, então ver ele com outra menina acende esse medo. — disse Ayumi.

    Itsuki, com uma expressão de tristeza no rosto, estava olhando para o teto enquanto suas mãos estavam sobre sua barriga, como se estivesse em uma consulta de psicólogo.

    — Talvez seja isso… mas e se ele quiser ficar mais tempo com ela? Olha a aparência e o status dela. É a irmã da segunda melhor no ranking de dedução e ainda é bem bonita. Eu sou quem perto dela?

    — Não pense nisso. O que beleza tem a ver?

    — Éh… nada… não. Apenas falei algo que veio em mente, hehe. — disse Itsuki, com o rosto corado.

    — Entendi. Mas em relação ao status dela, não é sobre isso. É sobre caráter, personalidade, o que tem de importante dentro da pessoa, e não sobre status ou aparência. Ela pode ser a irmã da segunda no ranking e bonita, mas quem ele gosta é você, não é?

    Itsuki olhou rapidamente para Ayumi, com o rosto envergonhado, e perguntou enquanto gaguejava:

    — Go-gosta d-de mim?

    — Sim, ué. Se não gostasse, por qual motivo ele seria seu amigo?

    — Ah… isso… verdade. Mas nunca se sabe. Talvez ele esteja fingindo que gosta da minha amizade e, quando não estou com ele, fala mal de mim com os amigos dele. — disse Itsuki, com uma expressão séria no rosto e olhos espantados.

    — Itsuki? Você está bem?

    Ayumi fez uma expressão assustada. Seu tom de voz preocupado mostrava que foi uma surpresa ver sua aluna dessa forma.

    Itsuki se ergueu rapidamente da cama e ficou sentada de pernas cruzadas.

    — Estou bem sim, por quê?

    — Bem… você está soando um pouco… lunática. Pela sua idade não era para ficar tendo esses pensamentos. O que está acontecendo?

    Itsuki arrumou o cabelo enquanto balançava a cabeça, como se estivesse negando algo.

    — Não está acontecendo nada não, professora. Como eu disse, só estou com medo de perder a amizade do Yuki.

    — Está bem, então. Mas escuta o que eu disse: não pense nisso. Foque apenas em ser você quando estiver com ele. É por isso que ele gosta de ser seu amigo. E se ele não quiser mais sua amizade, ele vai falar com você, entendeu? — disse Ayumi, acariciando a cabeça de Itsuki.

    Ela deu um sorriso afetuoso.

    — Mais uma coisa, Itsuki. Como você está se comportando com as meninas do conselho? Você sempre diz que está bem, mas nunca vejo você com elas.

    — B-bem… é que elas têm… as coisas delas para fazer, né… Além disso, recentemente está tendo a disputa da presidência, então elas estão muito… ocupadas. — disse Itsuki, cabisbaixa.

    Ayumi ficou encarando Itsuki por um momento, sem acreditar muito no que tinha escutado.

    — Hmm… é isso mesmo então?

    Itsuki assentiu com a cabeça.

    — Tá bom. Vou deixar você dormir então. Boa noite.

    Ayumi saiu do quarto de Itsuki, despedindo-se com um aceno.

    Já fora do quarto, no corredor que separa o quarto de Itsuki do restante do lugar, Ayumi pegou seu telefone enquanto caminhava em direção ao próprio quarto.

    Com o celular na orelha, aguardando a chamada ser atendida, entrou em seu quarto, abriu a gaveta ao lado da cama e pegou uma caixa vermelha com enfeites de cobra verde, fechada com senha.

    — Okawara, preciso conversar com você. Agora. — disse Ayumi ao telefone.

    Logo após isso, desligou.

    Abriu a caixa e ficou encarando seu conteúdo por alguns segundos.

    Com um longo suspiro, retirou de dentro da caixa um comprimido de 15 mg, de cor preta.

    Olhando para o teto, com uma expressão melancólica, colocou o remédio na boca e o engoliu.

    Fechou a caixa e a guardou novamente na gaveta.

    Com uma postura mais séria, ajeitou o casaco e saiu do quarto lentamente…

    com uma pequena risada estranha.

    Arco: Investigação

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