Índice de Capítulo

    Após essa entrega, eu e Arushi fomos para o dormitório, com muitas dúvidas pairando sobre nossas cabeças; mal conversamos na volta.

    Cada um foi para seu quarto depois de uma despedida.

    — Amanhã vou atrás da Aikyo para começarmos a investigação. Mas agora, vou dormir, pois estou precisando muito. — murmurei para mim mesmo.

    Escovei os dentes, comi algo e deitei na cama.

    Mas algo me incomoda, impedindo-me de dormir: a questão do livro que Satoru não devolveu.

    No dia em que peguei esse livro, olhei um por um e havia todos os volumes.

    Se ele havia pegado um, faria sentido estar faltando um volume, o que não é o caso.

    Na verdade, o que realmente me incomoda é como Arushi conseguiu essa informação.

    Se ele sabe, quer dizer que acharam o livro no quarto de Satoru e o devolveram sem que o diretor ficasse sabendo?

    Se sim, quem achou? E por que não falou para o diretor? Ou isso foi obra do diretor? São muitas questões.

    Hora de dormir, pois amanhã será um dia bem longo.

    Espero que eu sonhe algo bom dessa vez, sinto falta dos sonhos com aquela mulher misteriosa.

    Não sei quem é ela, mas pelo menos não me sinto sozinho estando com ela.


    Barulho de folhas dançando ao ritmo do vento, sons de galhos velhos.

    Esse sentimento, esses sons de liberdade, sim, estou sonhando.

    Mas minha visão está escura. Estou de olhos fechados?

    Aos poucos minha visão está surgindo, a luz está pairando no epicentro desse escuro; parece que estou… no local das piscinas grandes?

    Por que estou sonhando com esse lugar? O mesmo lugar onde sofri aquele episodio miserável, porquê estou relembrando isso?

    Espera, impressão minha ou, estou… me vendo?

    Na verdade, vendo o que parece ser eu daquele dia, como se eu estivesse vendo uma filmagem do que me ocorreu nos bastidores.

    Que loucura…

    Será que isso é obra dessas tais partículas Oni? Por conta disso, estou vendo uma visão mais ampla do que aconteceu naquele dia? Se for, será que vou ver quem me empurrou?

    Impossível. Acho que isso é apenas um sonho qualquer, um pesadelo para relembrar o dia em que quase morri.

    Estou vendo alguém se aproximar do meu eu na piscina. Será que é a pessoa que me empurrou?

    Com o som do vento batendo nas árvores, mesmo envolvido pelo silêncio do ambiente, não dava para escutar os passos da pessoa vindo. Porém, nesse ponto de vista do meu sonho, consigo ver claramente quem é a pessoa se aproximando de mim.

    O cabelo, grande e vermelho, com franja… um acessório azul na franja esquerda do cabelo… o olho… azul oceano… Itsuki?

    Por que ela está aparecendo nesse sonho? Por que está com essa cara fechada?

    Caminhando bem lentamente, delicada, mas com uma expressão de raiva determinada, rangendo os dentes enquanto se aproximava do meu eu na piscina.

    Parou por trás, olhou para os lados, abriu um sorriso enorme e maligno no rosto;

    Com força, empurra o meu eu na piscina… e dá meia-volta, cantarolando como sempre fez comigo, como se nada tivesse acontecido…

    Porém, enquanto ela pulava cantarolando… algo se soltou do cabelo dela e caiu na grama, desaparecendo entre as folhas aos pés das árvores.

    Meu Deus, que pesadelo é esse? Por que estou tendo isso agora? Sempre sonhei com uma mulher estando comigo; por que isso do nada?

    Algo que já ocorreu no passado, sendo Itsuki a culpada do ato. Não é possível.

    Não é possível!!

    Acorda… quero acordar desse pesadelo, não estou gostando disso.

    Por que não consigo acordar? Por que ainda estou nessa mata vendo eu me afogando?

    O som do vento está ficando mais forte, minha visão está ficando distorcida enquanto começo a correr em direção à água.

    Minha visão está começando a escurecer, os sons do ambiente estão diminuindo. Finalmente vou acordar desse pesadelo…


    — Ham?? Meu Deus…

    Finalmente acordei desse pesadelo…

    Ver Itsuki me empurrando assim… daquela forma… que crueldade do meu cérebro… ou das partículas Oni.

    Mas… e se isso não for só um sonho?

    Se o poder dessas partículas realmente me permite ver outras perspectivas do passado…

    Então aquilo… pode ter acontecido de verdade.

    O pequeno objeto que caiu…

    Preciso voltar lá.

    Preciso ver com meus próprios olhos.

    Depois de um tempo, com a mente pesada sobre o sonho duvidoso que tive, cheguei à escola para meu segundo dia de aula. Terça-feira, e hoje tem aula de linguagem Horizontina.

    Quando cheguei à sala, Itsuki estava sentada no seu lugar. Quando me aproximei, ela ficou de cara fechada me ignorando.

    Ver ela com esse comportamento me deixou inquieto.

    Logo hoje… depois daquele sonho…

    Ela nem sequer olhou para mim.

    Quando tentei conversar com ela, a professora chegou na hora.

    — Bem, turma, hoje será o primeiro dia de aula da nossa matéria, e diferente do ano passado, não vamos revisar matéria do ano anterior. Dessa vez, vamos fazer um joguinho.

    A criança bem na minha frente, uma menina de cabelo escuro, levantou a mão para fazer uma pergunta.

    — Joguinho, professora? Como assim?

    — Vou explicar. Nós iremos fazer grupos de quatro alunos; cada grupo representará uma palavra na linguagem Horizontina, que vou colocar no quadro agora.

    Linguagem Horizontina? Eu não sabia que no horizonte havia uma linguagem diferente da nossa. Isso faz sentido? Por que não falar japonês, que todos já sabem?

    Ela escreveu no quadro várias palavras estranhas que, segundo ela, são da linguagem Horizontina.

    “Parvre, Clust, Kintu, Logrese, Juvia, Kuma, Rintu, Doris, Chiheisen”

    — Pronto. Agora, irei separar os grupos, entregarei um papel com um conteúdo escrito e, depois disso, o líder de cada grupo escolherá a palavra que representará o grupo. Porém, a escolha terá que fazer sentido de acordo com o conteúdo.

    — Professora, isso significa que o nome que iremos escolher vai impactar de alguma forma como vamos prosseguir no jogo? — indagou o menino loiro sentado na frente.

    — Não sei, talvez sim… talvez não… Isso quem dirá serão vocês ao final do jogo. Pois bem, me deem alguns minutos para separar os grupos no quadro. — disse Ayumi, com uma expressão diabólica no rosto.

    Eu entendi o que ela quis dizer, mas não entendi o que aquelas palavras significam. Eu não sei essa linguagem Horizontina, então como vou conseguir fazer algo?

    Espere, Chiheisen? Por que essa palavra está no quadro? Ela é de origem Horizontina?

    A palavra que simplesmente veio à minha mente do nada, a palavra que é o nome do grupo em que eu e meus amigos pertencemos, por que isso?

    — Turma, terminei de escrever no quadro os grupos. Procurem pelos seus nomes e se juntem, formando grupos separados, um de cada grupo. — disse Ayumi, com um tom sombrio na voz, um olhar misterioso direcionado para mim.

    Eu arrepiei um pouco após isso; parecia que ela estava lançando alguma coisa pontuda em mim através de seus olhos.

    Ela se dirigiu à sua mesa, pegando os papéis que faziam parte desse tal joguinho.

    Olhei para o quadro, lendo nome por nome, caçando o meu. Talvez ela tenha colocado Itsuki junto comigo.

    Dado o relacionamento que tenho com ela, é bem possível que ela tenha feito isso.

    Ainda mais sabendo que Itsuki não se sente confortável estando com outros alunos.

    Bom, pelo menos eu acho isso; não sei se Itsuki conversou com Ayumi a respeito.

    Achei meu nome… e os outros três nomes que estão comigo são… Yur Blart, Lucy Davine e Aikyo Yagame.

    Por que ela colocou Aikyo comigo? Isso vai deixar Itsuki mais brava comigo.

    Quando olhei para ela, nem sequer estava olhando para mim; Itsuki já havia ido se juntar com os outros meninos do grupo dela.

    Vou fazer o mesmo também, me juntar com Aikyo, já que não conheço esses outros dois.

    Ela estava sentada na sua cadeira, uma única mesa centralizada no meio de nós.

    grupo enigma três composto por quatro alunos da sala Blue Zenith.
    Grupo Enigma 3

    — Não acredito que novamente você está ficando no meu caminho. — disse Aikyo, com seu tom de voz sério e sua expressão fechada.

    Dei de ombros para ela, dizendo: — Não sou eu, quer reclamar, reclame com os professores.

    — Acho que vou. Não sei o que dá na cabeça dos professores para colocarem eu junto com essa convencida da Aikyo. — disse Lucy, com um tom de voz grosseiro e uma expressão de raiva no rosto.

    — Hmf… — murmurou Aikyo.

    Ela não quis entrar no papo da Lucy.

    O outro menino que está no nosso grupo está com um sorriso arrogante no rosto, e seu corpo praticamente quase deitado na cadeira.

    — Na verdade, Yuki, acho que faz sentido ter colocado você nesse grupo, assim como todos os outros, tem pelo menos um elo fraco para dar equilíbrio. — disse Aikyo, me encarando.

    — Ham? O que quer dizer com isso? Você não me conhece para saber que sou fraco. — disse, com os braços cruzados.

    Ela me encarava com sua face séria; será que algum dia ela já sorriu?

    — Não preciso conhecer, sou a segunda melhor no ranking de dedução; só de olhar a pessoa sei o quão fraco é.

    — Lá vem, novamente com esse papo de ranking. — disse Lucy, colocando seu cachecol sobre a boca.

    — Entendi, então está bem. Se você acha isso, não vou tentar te convencer do contrário. Mas somos um time, então vou estar aqui para ajudar.

    Tentei ser o mais calmo possível, com um sorriso leve no rosto.

    Ela deu de ombros para mim e para Lucy.

    Não estou ciente da relação entre elas, mas pelo comportamento da Lucy, elas não se entendem bem.

    Dada a personalidade da Aikyo, dá para entender o porquê.

    Ayumi se aproximou de nós, colocando um papel em cima da nossa mesa.

    — Aqui está o papel. Nele está escrito um enigma; na parte de baixo do enigma, contém dicas do que pode ser.

    Olhando para mim com seus olhos sombrios, ela continuou: — Assim que vocês decidirem qual a resposta, vocês três têm que entrar em consenso de qual nome irão escolher para o grupo, escrevendo no papel o motivo da escolha, finalizando assim a resposta completa do enigma. Entenderam?

    Aikyo acenou com a cabeça, Lucy e Yur disseram que entenderam.

    Eu continuei encarando Ayumi, já que ela estava assim desde que entrei na sala.

    Olhando bem nos fundos de seus olhos, a forma como ela estava me encarando, o sorriso em seu rosto e o calor que estava ao redor dela, parecia que eu estava de frente com um ser infernal.

    O clima ficou pesado, mas ela percebeu que os meninos estavam nos observando, então rapidamente se afastou de mim como se nada tivesse acontecido.

    Arco: Investigação

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