CAPÍTULO 12 — Encontro
Esse bairro parecia… errado.
Não havia sinais de destruição.
Nenhum alarme.
Nenhuma explosão.
Ainda assim, Rays sentia.
Ele caminhava pelo centro da rua com as mãos nos bolsos, os passos firmes, atentos.
Prédios altos dos dois lados, luzes acesas, carros estacionados. Tudo normal demais para uma área marcada com risco pela Nexus.
— Tsc… — ele murmurou. — Mandar uma equipe inteira para isso seria exagero.
O comunicador em seu ouvido chiou.
— Rays, mantenha cautela. Os relatos indicam comportamento estranho da população local — disse a voz do operador.
— Relaxa! — respondeu. — Já vi coisa pior!
Ele desligou.
O vento passou leve, balançando placas e papéis no chão. Algumas pessoas caminhavam pelas calçadas… mas nenhuma parecia realmente andar com pressa.
Olhares longos demais.
Movimentos contidos.
Homens parados perto de um bar riam baixo, mas os olhos não desgrudavam de alguém do outro lado da rua.
Uma mulher.
Cabelos escuros. Postura tranquila.
Ela caminhava sem notar, ou fingia não notar, os olhares.
Rays seguiu a direção deles.
Ele se aproximou do bar. Passou direto pelos homens, que nem reagiram à sua presença.
Um deles esbarrou nele, mas não pediu desculpas. Nem percebeu.
— Ei — Rays chamou.
Nada.
O homem continuou olhando para a mulher, com um sorriso vazio.
— Então é isso… — murmurou. — Algum tipo de hipnose coletiva?
Rays estalou a língua.
Ele avançou mais alguns passos. A mulher agora estava mais próxima, parada perto de uma vitrine, observando o próprio reflexo como se estivesse entediada.
Quando Rays passou por ela, sentiu algo.
Foi mínimo. Um piscar de olhos fora de ritmo.
O passo seguinte demorou mais do que deveria.
Ele parou.
— Hm?
Olhou para a própria mão. Apertou e soltou os dedos.
Funcionava.
— Ilusão? Campo mental? — murmurou. — Seja lá o que for, é fraco.
— Você parece alguém que pensa demais.
A voz veio suave, quase casual.
Rays virou-se.
A mulher estava ali. Mais perto do que antes. O sorriso discreto, curioso.
— Desculpa — ela continuou. — Não quis assustar.
— Não assustou — respondeu Rays, automaticamente. — Só não costumo gostar de surpresas.
Ela riu baixo.
— Eu também não.
Houve um silêncio curto. Não desconfortável. Estranhamente… leve.
Ela parecia conversar e se expressar bem, diferente dos homens no bar.
— Você não é daqui? — disse ela.
— E você é observadora demais — respondeu Rays.
Ela inclinou a cabeça.
— Pearl.
— Prazer, Rays.
Ela estendeu a mão. Ele hesitou por meio segundo… e apertou.
“Por que ela age tão natural? O que ela tem de diferente?” — pensa Rays.
Ela sorriu um pouco mais.
Rays soltou a mão dela e deu um passo para trás.
— Essa cidade tá estranha — disse. — Você notou?
— Claro — respondeu Pearl. — As pessoas andam… vazias.
— Isso não te incomoda?
— Depende — disse ela. — Às vezes, é só falta de escolha.
Antes que Rays respondesse, o comunicador vibrou.
— Rays, identificamos o alvo. Estamos a caminho — disse a voz de Lance.
— Perfeito.
Ele olhou de volta para Pearl.
— Tenho que voltar para minha missão. Talvez seja melhor você ir para casa!
Pearl observou a rua à frente.
— Interessante… — murmurou.
O ar pareceu mais denso por um instante. O sorriso de Pearl não mudou, mas algo em seu olhar… afundou.
— Rays — ela disse, aproximando-se de novo. — Você sempre resolve tudo sozinho?
— A maioria das vezes, sim!
— Você já foi traído ou abandonado?
Rays pensa em silêncio.
— Não, prefiro resolver as coisas só!
— Isso é bom! — ela repetiu.
Quando ela tocou seu rosto, foi rápido. Um gesto casual, quase íntimo.
Rays piscou.
O mundo… deu um passo atrás.
— Ei! — Ele tentou dizer.
As palavras não saíram.
Um beijo rápido e frio paralisa o corpo de Rays.
— Então vamos ver! — disse ela, olhando para as silhuetas que se aproximavam. — Faça o que eu pedir!
Ela fala ao ouvido de Rays.
Rays virou-se lentamente.
Sua mente estava se apagando aos poucos.
Lance, Katsu, Rivna e Yara chegam ao local.
De longe, avistaram Rays parado.
Katsu acena para ele.
Lance foi o primeiro a perceber.
Algo estranho.
Rays estava parado no meio da rua, mãos nos bolsos, corpo relaxado demais. Não havia tensão nos ombros. Nenhuma vigilância. Era como se estivesse… esperando.
— Rays? — chamou Lance.
Ele ergueu o rosto devagar.
Nenhuma resposta.
Nenhuma reação.
— Devia ter chamado a gente antes! — completou Yara. — Essa área está estranha demais!
Ele deu um passo à frente.
Rivna sentiu um arrepio subir pela espinha.
Algo estava errado.
— Você encontrou alguma mulher por aqui, Rays? — perguntou Lance.
Rays continua a caminhar, sem responder.
No instante seguinte, ele se moveu.
O chute veio baixo, rápido, direto na perna de Lance, que mal teve tempo de reagir. O impacto o jogou para trás, raspando no asfalto.
— RAYS?! — gritou Katsu.
Rays girou o corpo e lançou um chute contra Katsu, que ergueu os braços no reflexo. Mesmo assim, foi empurrado vários metros para trás.
— Ei, ei… — murmurou Yara, criando uma barreira de água entre eles. — O que você está fazendo?!
Rays parou.
Rivna deu um passo para trás sem perceber.
Lance e Katsu se levantam com dificuldade.
— Ele não está normal, deve estar sendo controlado! — falou Yara.
— Isso é um problema! — respondeu Katsu, sacando sua espada.
— Rays é o mais forte e preparado do nosso grupo, enfrentar ele vai ser complicado!

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