Índice de Capítulo

     Um silêncio toma conta.

    As correntes explodem com os cortes.

    Arthur salta para trás, seu braço cai ao chão, o sangue jorra.

    Sua respiração fica mais pesada.

    As pernas tremem.

    — Qual é a sensação, rei?

    — De que está falando, seu demônio?

    — Você falhou em salvar sua esposa anos atrás… E agora está à beira da morte, e também não vai poder salvar seu filho!

    Um silêncio cobre todo o ambiente.

    Arthur aperta o braço tentando parar o sangramento, porém, se usar muita força, o buraco em sua barriga também começará a sangrar. 

    “Estou com dois ferimentos graves… Minha visão está embaçada, será que vou falhar novamente em salvar quem amo…?”

    — Sabe o que é engraçado, rei?

    Arthur olha desconfiado para Ghast.

    — Fui eu quem matei a sua querida esposa! Eu quem contratei aquele assassino para segurar você para se atrasar, e agora posso matar você e seu filho.

    Arthur paralisa.

    Se afasta do mundo naquele momento.

    Memórias tomam conta de sua mente…

    Memórias com a mulher que ele mais amou. Aquela que tirou Arthur da escuridão e trouxe luz à sua vida.

    Momentos únicos, felizes, sua família, a tristeza da perda enquanto a pessoa que amou se despedia em seus braços…

    — É muita coincidência, ela também tinha o poder da gravidade, e, mesmo depois de matá-la, esse poder foi herdado por seu filho. — Mais correntes se formam ao redor de Ghast. — Um poder tão raro como esse aparecer de forma quase hereditária é como um milagre…

    — Cala a boca… Seu demônio desgraçado.

    — O que foi, não gostou da notícia? Pensa pelo lado positivo, logo logo você a verá! — Ghast gargalha. — E agora, com esse buraco no peito e sem seu braço, como você vai lutar?

    Os olhos vermelhos de Arthur começam a brilhar.

    O ódio, vingança, culpa, começam a tomar conta de sua mente. 

    Arthur grita e corta todas as correntes.

    — Já chega, você não vai mais encostar na minha família.

    Ele agarra com a mão restante no peito, como se acertasse o coração.

    Ghast sente o perigo e atira diversas correntes em sua direção.

    — Purgatory cuts.

    Todas as correntes são picotadas em milhares de pedaços.

    Ghastes se puxa pelas correntes para tentar fugir do ataque usando uma camada de defesa com correntes, mas ainda acaba sendo pego.

    A poeira aumenta.

    Cortes de todos os lados e ângulos se formam.

     Todos os prédios, carros ao redor são reduzidos a poeira e destroços.

    Quando, de repente, Arthur sente algo cair sobre seus ombros e costas.

    Ao olhar…

    Ele vê o corpo de uma criança com diversos cortes, e o braço da criança havia caído sobre seu ombro.

    Antes cego pelo ódio.

    Arthur para e olha ao seu redor.

    Todo o bairro era antes movimentado e bonito.

    Agora foi reduzido a pó e destroços.

    Porém, o maior problema veio à tona…

    A destruição em massa não foi causada por aquele que ele estava chamando de “demônio”.

    Mas sim por ele mesmo, marcas de cortes por todo lado, poeira, sangue, entulhos.

    — Tudo isso foi minha culpa? 

    Arthur tem uma visão de momentos de sua vida que antes era também formada apenas por destruição e morte…

    — De novo não… esse mundo de novo não… — Ele dá um passo para trás, assustado.

    Suas pernas falham e ele cai de joelhos ao chão.

    — Pai!

    Uma voz ao longe é ouvida.

    Lance estava se aproximando, mesmo fraco e mal conseguindo se manter em pé, ele vê Arthur de longe.

    O estado o assusta, o buraco em seu peito, braço arrancado, caído de joelhos no chão.

    — Saia agora daqui, Lance, é perigoso, pode deixar que eu vou resolver!

    — Deixa eu ajudar, pai, olha o seu estado… — Quando Lance vê ao longe Ghast se levantar. — Cuidado.

    Ghast estava com metade do rosto cortado, cortes profundos pelo corpo.

    Ele também estava no limite.

    — Que droga, você não devia ser tão forte, me causou mais problemas que o esperado.

    Arthur se vira rapidamente, erguendo o braço.

    — Mas não deveria ter dado as costas para mim!

    Quando uma corrente surgir do chão, atravessando sua mão, perfurando seu coração e pescoço.

    Lance vê ao longe a cena que não imaginava presenciar. 

    — PAI! — Ele grita com toda a sua força.

    O ambiente começa a tremer.

    A gravidade ao redor treme.

    Ghast cospe sangue e também cai ao chão.

    — Vida longa ao rei…

    Lance concentra a gravidade em suas pernas, que começam a estalar, ele ignora e salta em direção a Ghast.

    —DESGRAÇADO.

    A força da gravidade é tão grande que, ao saltar, suas pernas quebram, criando fraturas expostas.

    Porém, no meio do caminho, Arthur segura Lance pelo braço.

    Ele puxa Lance para se aproximar.

    — El.. ele esta…va, espera…do, pa…pa…ra atacar. — Arthur fala com dificuldade enquanto cospe sangue.

    — Acabou para você, rei… obrigado por me dar a luta que tanto esperava! 

    Quando menos esperava, um corte é feito em Ghast, cortando seu braço juntamente a uma parte do seu torso esquerdo.

    Arthur olha nos olhos de Lance, tomados em lágrimas. 

    Ele tenta abrir a boca para falar, mas não consegue, segue tossindo e cuspindo sangue, os seus ferimentos são reabertos, tanto o buraco em sua barriga como o braço arrancado.

    — Não tente falar, pai, calma, daqui a pouco vai chegar a ajuda para o senhor, vai dar tudo certo! — Lance, em lágrimas, tenta achar uma solução, enquanto tenta fechar os ferimentos de Arthur.

    “Não, filho… infelizmente, acho que acabou para mim…” — Arthur pensa enquanto tenta se manter consciente.

    Seus olhos começam a pesar, ele luta para manter os olhos abertos fixos em Lance.

    — Pai, pai, não fecha os olhos, olha pra mim, foca em mim, pai… 

    “Meu filho… me desculpa, se não soube demonstrar da melhor forma meu amor por você, filho… No fundo, sempre quis o seu bem, e estou feliz que você se tornou esse garoto forte!”

    Arthur ergue sua mão ao rosto de Lance.

    — Vai dar certo, pai, eu não vou sair de perto do senhor!

    — E…eu…

    — Não fala, pai, tenta guardar suas forças.

    — Te… a…mo, filho! — Arthur passa o dedo, limpando as lágrimas de Lance.

    — Eu também te amo, pai! O senhor é o melhor pai que eu poderia ter. Depois, a gente vai ao hospital e depois comer a pizza de que o senhor tanto gosta! — Lance segura a mão de Arthur em seu rosto.

    Arthur sorri para Lance enquanto lágrimas escorrem.

    “Me perdoe por tudo, filho, eu sempre vou te amar, tanto você como seu irmão…” — Arthur, com um sorriso, fecha os olhos. — “Pelo menos dessa vez a pessoa que eu amo está salva, e apenas isso me importa!”

    A mão de Arthur cai ao chão.

    A respiração, antes ofegante, com dificuldade, agora se silencia.

    — Pai… não, você não está morto! — Lance começa a chamá-lo enquanto lágrimas jorram de seus olhos. — PAI!

    Quando um carro ao longe chega.

    Era James e Klaus, que paralisaram ao ver a cena em sua frente.

    — Klaus… me fala que aquele no chão, nos braços de Lance, não é o mestre Arthur…

    Klau arregala os olhos, tentando processar toda a informação.

    Então chega um homem de terno e máscara de coelho atrás de Ghast.

    — Você está deplorável, chefe!

    — O rei era forte, por muito pouco não morri… Agora me ajuda logo!

    O mascarado se abaixa e segura Ghast, que estava com diversos cortes e jorrando sangue por todos os lados, com a vida por um fio.

    Todos olham para eles.

    — O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? — Lance dá um grito desesperado.

    — Não é óbvio, garoto? Infelizmente, terei que recuar, mas não se preocupe, ainda vamos nos reencontrar, Lance…

    — Seu demônio desgraçado… Você matou o meu pai…

    — Deve ser bem triste mesmo, ele era forte, meus pêsames!

    — Maldito… Eu vou me vingar pelo que fez!

    — Ah, é? Acha que consegue?

    Um portal atrás de Ghast e do homem mascarado surge.

    — Onde você pensa que vai! — Lance, com seus olhos vermelhos brilhantes e tomado por lágrimas. — EU VOU TE MATAR, SEU MALDITO!

    — Estarei esperando então! — Ghast dá um sorriso e o portal se fecha. — Até breve, Lance…

    — MALDITO! VOLTA AQUI! EU VOU ME VINGAR, NEM QUE SEJA A ÚLTIMA COISA QUE EU FAÇA, EU VOU TE MATAR! — Lance grita enquanto mais lágrimas caem sobre o corpo de seu pai em seus braços.

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