CAPÍTULO 27 — Final
O céu estava nublado.
Sirene após sirene ecoava pela cidade enquanto ambulâncias, viaturas e veículos de resgate preenchiam o que antes havia sido um bairro movimentado.
Agora…
Só restavam escombros.
Fitas de isolamento tremiam com o vento.
Equipes retiravam corpos.
Outras cavavam entre os destroços em busca de sobreviventes.
E, no centro de tudo aquilo…
Uma cratera.
Marcada por cortes.
Jasmim e Draven estavam sendo levados à prisão na base da Nexus.
No jornal…
“NOTÍCIA URGENTE”
“Confirmada a morte de Arthur Shelford, conhecido como ex-capitão da 3ª divisão da Nexus, após confronto contra um indivíduo ainda não identificado.”
“A batalha resultou em destruição massiva e múltiplas fatalidades civis.”
“Fontes internas afirmam que o combate ocorreu após o sequestro de seu filho, Lance Shelford.”
“O suspeito encontra-se foragido.”
“O torneio anual da Nexus foi oficialmente adiado, antes daqui a uma semana, agora será daqui a duas semanas, em respeito ao luto.”
A televisão foi desligada.
Na Inglaterra.
Um homem idoso permanecia em pé, imóvel, diante de uma janela.
O noticiário ainda refletia no vidro.
Sua mão tremia levemente apoiada no vidro.
Mas seu rosto…
Não expressava nada.
Nenhuma lágrima, grito, palavra. Apenas silêncio.
O mesmo silêncio que tomou conta do quarto quando:
“Arthur Shelford foi declarado morto às 19:42.”
Ele levou a mão ao rosto.
— Senhor Galand, o seu jato para os Estados Unidos já está pronto.
— Obrigado.
— Meus pêsames ao seu filho!
Arthur olha por um segundo para trás e segue para a porta do quarto.
Base da Nexus.
O clima era pesado.
Os corredores estavam mais vazios.
Lentos e quietos.
O quadro do torneio havia sido coberto com um pano preto.
Um comunicado oficial estava afixado:
“Devido aos recentes acontecimentos, o Torneio Nexus será adiado por sete dias.”
James permanecia sentado, calado.
Klaus estava em pé ao seu lado, também em silêncio.
Na enfermaria… Lance.
Deitado, com o corpo coberto por ataduras.
As pernas estão imobilizadas por gesso.
O olhar perdido no teto.
Sem reação ou palavras, apenas respirando, enquanto apertava o lençol.
Mais tarde…
O quarto estava escuro.
A porta se abre lentamente…
Søren aparece.
Ele não diz nada, apertando o punho.
Lance continua olhando para o teto.
Sua mente ainda estava lá. No meio dos escombros, segurando o corpo do pai.
Søren não fala nada, apenas se vira e sai pela porta.
“Por culpa dele, nosso pai morreu, por ser fraco isso aconteceu… Eu ainda vou mudar tudo.” — lágrimas começam a escorrer pelos seus olhos.
Enquanto isso, na mente de Lance, apenas uma coisa ecoava.
“Eu vou matá-lo.”
Repetidas vezes.
Do lado de fora…
O vento sopra.
Levando consigo a poeira.
Tudo parecia mais silencioso.
No dia seguinte.
O céu estava nublado.
O vento soprava fraco sobre o cemitério, balançando lentamente as árvores ao redor enquanto pessoas vestidas de preto permaneciam em silêncio.
O som dos passos sobre a grama.
E o caixão.
Coberto com o símbolo da Nexus.
Apenas pessoas próximas foram convidadas.
Apenas aqueles que não puderam conhecer de verdade Arthur Shelford.
Lance estava à frente.
Vestindo preto.
As mãos tremem levemente ao lado do corpo.
As pernas ainda enfaixadas.
Mas ele não reclamou.
Diferente do dia da morte de seu pai, as lágrimas agora eram silenciosas.
Não paravam de escorrer de seus olhos, mas o silêncio permanecia.
Rivna o vê de longe e dá dois passos querendo se aproximar.
Quando Galand se aproxima de Lance e coloca a mão sobre sua cabeça.
— Não foi sua culpa, agora ele está descansando em um lugar melhor! — Galando olha para o céu.
Galand mantinha a postura, sem lágrimas, expressão, apenas o silêncio de alguém que acabou de perder um filho.
O caixão começou a descer lentamente, enquanto o padre falava algumas palavras.
Galand deu um passo à frente.
Com a voz falha.
— Você… era para me enterrar.
Silêncio. As suas pernas tremeram.
Søren e Lance se aproximam de Galand.
Segurando em seu ombro.
Lágrimas escorrem em seu rosto.
Ele se aproxima do caixão e coloca flores, prestando respeito.
Em seguida, um após o outro, se aproximam colocando suas flores.
Lance foi o último.
Ele se ajoelhou com dificuldade, olhando para a terra sendo jogada por cima do caixão.
— Eu prometo que vou vingar o senhor pai! — Ele afunda os dedos no chão. — Nem que seja a última coisa que eu faça!
As lágrimas continuam escorrendo sem parar.
O vento soprou novamente.
Lance limpa as lágrimas, se levanta e caminha de cabeça baixa para fora.
O túmulo cercado por flores, escrito:
“Arthur Shelford
Pai. Combatente. Herói.
Em um lugar sombrio e escuro, um corpo está sobre uma cama coberto de sangue e com membros cortados.
— A transferência foi um sucesso! — O mascarado fala enquanto olha para uma prancheta. — É uma pena ter perdido esse corpo, mas agora sua identidade está segura!
Ao fundo da sala, um homem enrola bandagens pelo corpo e rosto.
— Vai demorar um pouco para poder usar meus poderes com esse corpo… Mas vai servir.
Ele pega uma camisa e chapéu e depois saem caminhando enquanto conversam.

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