Capítulo 166: Rede de Informações do Zinger Empíreo
O Haddlyok é o mineral utilizado pela Realeza do Reino Ganrimb na forja de seus avatares. Ele se comporta de maneira semelhante ao gelo, capaz de envolver qualquer coisa que entre em contato com ele.
Por ser um cristal, o Haddlyok possui todas as propriedades inerentes a essa estrutura. Além de ser denso e resistente, pode ser moldado conforme a vontade do cultivador, que é capaz de usá-lo para erguer as mais imponentes estruturas num instante, ou torná-lo quebradiço para desmoronar as já existentes.
Ele também pode expandir de tamanho ao absorver impactos e, devido à sua composição porosa, atuar como uma membrana seletivamente permeável sob o comando do cultivador. Sua natureza versátil oferece enormes vantagens tanto em combate quanto na fundação de domínios — o material perfeito para a Realeza Ganrimb.
No ápice do Estágio Corporal, um membro da Realeza Ganrimb acumularia 3600 de Prana, o limite máximo do Grau Prata. A longevidade adquirida acompanhava esse patamar, chegando a 600 anos.
Como este era o mineral mais poderoso da região, o fundador do Reino Ganrimb decidiu adotá-lo como padrão para seus descendentes. Ele próprio foi a única exceção, pois cultivara seu Avatar Humano com um mineral de Grau Ouro, oriundo do Império Brimgan, do qual trouxe apenas o suficiente para o seu próprio avanço.
O Senhor da Cidade de Ellora, Gudora, pertencia à Realeza do Reino Ganrimb. Por ter forjado seu Avatar Humano com Haddlyok, sua força de combate era equiparável à dos Líderes de Assentamento do Clã Mamute.
Considerando a fama de Inala em relação ao seu poder, havia uma grande chance de Gudora pedir para colocar suas habilidades à prova. Afinal, o forasteiro surgira do nada há três anos e dominara a Cidade de Ellora de forma arrebatadora.
Contudo, quando Gudora mandou investigá-lo, nada de concreto constava no relatório. Esse era o motivo da tensão de Inala durante o encontro.
— Hahaha! Você é humilde demais, Mestre Inala — Gudora riu e deu um tapinha casual nas costas do anfitrião. — Estou adorando a peça. Nunca imaginei que precisasse de algo assim na minha vida, mas agora que experimentei, não consigo mais viver sem.
— Recebo seu elogio com muito orgulho — respondeu Inala, enquanto se esforçava ao máximo para observar a linguagem corporal tanto do Senhor da Cidade quanto da esposa dele. Sua morte seria certa caso sua verdadeira identidade fosse revelada. Por isso, a cautela absoluta era vital.
— Não tomarei mais o seu tempo. — Gudora deu as mãos à esposa e começou a se afastar. — Vamos socializar um pouco e depois retornar aos nossos lugares.
— Se precisarem de qualquer coisa, estarei por perto. É só chamar — disse Inala, observando a dupla se distanciar.
— Fico feliz que esteja gostando — agradeceu Inala.
— Mestre Inala, a apresentação foi incrível. Mal posso esperar pela segunda metade. — Logo em seguida, um nobre se aproximou para parabenizá-lo.
— Notei um detalhe — comentou o nobre, após mais alguns momentos de conversa. — Às vezes, os efeitos visuais eram coloridos demais. Ficava um pouco difícil enxergar os personagens no meio de tudo aquilo.
— Tomarei nota e providenciarei as correções, senhor — respondeu Inala no modo automático. Embora algumas sugestões fossem genuínas, o resto era pura bobagem, dita apenas pelo prazer de procurar defeito. Ele precisava ser cuidadoso ao filtrar o que ouvia.
O intervalo terminou num piscar de olhos, enquanto o público retornava aos seus lugares. Inala voltou ao seu posto nos bastidores e continuou a monitorar a peça, pronto para tomar as rédeas caso qualquer contratempo surgisse. Felizmente, o espetáculo terminou com sucesso.
Posicionado na saída, Inala despedia-se dos clientes enquanto ouvia suas avaliações sobre a obra.
— Eu simplesmente adorei.
— Quero assistir de novo!
— Faremos novas apresentações daqui a quatro meses. Por favor, aguardem — respondia Inala, sempre com polidez.
— Foi uma ótima experiência, Mestre Inala. — Gudora foi o último a sair e, ao lhe entregar uma carta, murmurou:
— Conduzirei uma reunião secreta com o alto escalão da cidade daqui a dois dias. Conto com a sua presença.
— Estarei lá pontualmente, Senhor da Cidade. — Inala assentiu e soltou um suspiro de alívio assim que o local esvaziou. Ele se largou em uma das poltronas e acenou fracamente para a equipe:
— Bom trabalho, pessoal.
— Tudo graças à sua orientação, Mestre! — os funcionários responderam, radiantes. Como a peça fora um sucesso, receberiam uma comissão dos lucros além dos salários normais, o que era um motivo e tanto para comemorar.
Inala fechou os olhos, como se apenas descansasse da exaustão do dia. Na verdade, ele ouvia silenciosamente, pois havia estendido seu Prana pelo piso. Aninhado logo abaixo, encontrava-se um Batedor Zinger Empíreo em sua forma miniatura.
A criatura aguardava em um nó das galerias que se estendiam por baixo de todo o Teatro. Guinchos fracos ecoavam pela rede de túneis enquanto o Batedor Zinger Empíreo os captava prontamente.
Ao acessar as memórias da fera, Inala ficava a par de cada detalhe que acontecia no local e mantinha o controle absoluto da situação. Atualmente, essa rede subterrânea cobria toda a extensão da Rua do Teatro, o que lhe permitia reagir de imediato a qualquer imprevisto.
[Foque em Gudora e sua esposa.]
As palavras surgiram na Tabuleta Óssea que o Batedor Zinger Empíreo carregava consigo, a qual traduzia os pensamentos de Inala mediante sua conexão. A fera então soltou um chilreio e transmitiu a diretriz por toda a rede.
Em poucos instantes, a conversa travada entre Gudora e sua esposa, Hanya, chegou aos ouvidos de Inala. Havia orifícios milimétricos, do tamanho da ponta de um alfinete, espalhados por todo o Teatro. Com os ouvidos pressionados contra essas aberturas, encontravam-se os diversos Batedores Zinger Empíreos em suas formas minúsculas.
Como não estavam utilizando nenhuma habilidade, as criaturas não emitiam Prana, o que garantia sua furtividade. As técnicas de detecção em Sumatra eram limitadas. Uma pessoa só conseguiria sentir a presença de um alvo caso ele exalasse alguma coisa — fosse Prana, intenção assassina ou simples presença física. Fora isso, era virtualmente impossível.
A forma padrão de monitorar os arredores consistia em dispersar o próprio Prana em um curto raio de alcance. Assim, no instante em que qualquer entidade estranha invadisse a região delimitada, o Prana do indivíduo reagiria e provocaria uma sensação de formigamento na pele como alerta.
A área e a intensidade desse formigamento serviam para determinar tanto a posição quanto a força do alvo que havia violado o perímetro.
Como o Teatro era um ambiente de entretenimento e não um campo de batalha, os clientes evitavam projetar seu Prana, o que facilitava imensamente a espionagem. Caso contrário, bastaria liberarem sua energia para detectarem as pequenas bestas rastejando pela estrutura do prédio.
Era por essa razão que Inala tinha um cuidado redobrado em fazer com que a peça funcionasse com perfeição, para evitar qualquer alarde entre os presentes. E, no fim das contas, seu esforço rendera frutos formidáveis: um convite do Senhor da Cidade para uma reunião a portas fechadas.
No entanto, para se resguardar de um vazamento de identidade e tentar descobrir os pormenores do encontro de antemão, Inala focou sua rede de escuta diretamente no casal nobre.
O casal nobre conversava enquanto caminhava pelo corredor de braços dados. Ao observar os entalhes de cenas clássicas que decoravam as paredes do local como um verdadeiro mural da fama, Gudora comentou:
— O lugar está formidável.
— Pode até ser, mas… — Hanya franziu a testa. — Eu venho observando o rapaz desde o começo. Apesar da inegável contribuição e do impacto positivo que ele trouxe à nossa cidade, e mesmo após ouvir os louvores rasgados por seus empregados…
— Ainda não vi um único motivo que comprove a sua confiabilidade.
PROMESSA É DÍVIDA, É OU NUM É?
VAI TOMANO 1 CAP ATRÁS DO OUTRO, PIAZADINHA DO MAL😎👌

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