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    — Aqui não, Hanya. — Gudora percorreu o olhar calmamente pelas pessoas ao redor. — Discutiremos isso assim que voltarmos para casa.

    — Ok. — Hanya assentiu e permaneceu em silêncio pelo resto da jornada.

    Enquanto estava sentado na sala do Teatro, os olhos de Inala se ergueram, transparecendo decepção.

    “Eles falaram pouco.”

    “Eu arrisco isso ou não?” Após um momento de hesitação, decidiu assumir o risco. “Se for uma armadilha, caminharei para a própria morte em dois dias. Desta vez, não tenho como evitar o risco.”

    Com esse pensamento, enviou um comando ao Batedor Zinger Empíreo, que transmitiu a mensagem com um guincho curto através da rede de túneis.

    No terraço do Teatro, havia um cano aberto. Dois Batedores Zinger Empíreos rastejaram para fora e saltaram como um par de sanguessugas, cobrindo longas distâncias a cada pulo usando sua Natureza Secundária: a Gravidade Inercial Interna.

    Pararam na beira do telhado, observando as figuras de Gudora e Hanya entrarem na carruagem. Assim que o veículo começou a se mover, os dois batedores saltaram da borda e abriram as asas para planar.

    Voavam em suas formas em miniatura, ocultando qualquer emissão de Prana, pois planavam valendo-se apenas de sua destreza física. Circularam no ar para acompanhar a carruagem de movimento lento, mantendo uma distância segura entre si.

    O objetivo era entrar furtivamente na residência do Senhor da Cidade e inspecionar a disposição com antecedência para que Inala pudesse se preparar. Enquanto a dupla seguia a carruagem, mais uma dúzia de batedores saiu do cano.

    Planaram sobre a cidade em grande altitude e rapidamente desceram nos terraços de casas em locais mais afastados, um em cada ponto. Estavam criando uma linha de comunicação para a transferência de mensagens.

    Afinal, havia uma grande chance de que os batedores que seguiam o Senhor da Cidade tivessem apenas uma oportunidade. Portanto, a missão era descobrir tudo o que pudessem e transmitir as informações através de um grito.

    Essa linha de comunicação formada pelos Batedores Zinger Empíreos retransmitiria a mensagem até Inala.

    Enquanto a carruagem continuava a mover-se lentamente, os batedores já haviam estabelecido sua rede, alcançando a entrada da propriedade do Senhor da Cidade.

    A dupla continuou a circular em ambos os lados do veículo, mantendo distância. Porém, quando a carruagem fez uma curva, o batedor à esquerda ficou posicionado entre o veículo e o sol.

    Com isso, sua sombra incidiu na janela da carruagem. Era apenas um ponto minúsculo, devido à difração da luz, mas Gudora notou, já que a sombra se projetava de um ângulo antinatural — de uma altura acima dos edifícios da rua.

    “É um ataque?” Num reflexo, apontou a palma da mão para fora da janela e liberou uma névoa cintilante que se chocou contra o Batedor Zinger Empíreo como um raio, envolvendo-o em uma camada de cristal. O batedor ficou preso, incapaz de se mover enquanto começava a cair.

    Se tentasse se libertar, a comoção faria seu Prana vazar, revelando sua identidade. Mesmo sendo um batedor, ainda era uma Besta Prânica de Grau Prata que vinha sendo cultivada há mais de um ano.

    Sua força não era insignificante. Sabendo que revelar sua existência arruinaria todos os planos de Inala, o Batedor Zinger Empíreo colapsou a Gravidade Inercial Interna, causando uma singularidade controlada.

    O fluxo gravitacional puxou o corpo para o centro, sem afetar o cristal que o envolvia. Num instante, o corpo do Batedor Zinger Empíreo encolheu até virar uma partícula de poeira, pequena demais para ser vista a olho nu, apagando todos os vestígios de sua existência, pois agora estava morto.

    A carruagem parou. Gudora saltou e encarou o cristal que caíra no telhado de um edifício próximo. Com um pulo, chegou ao terraço e apanhou o objeto, que tinha uma forma quase esférica.

    Originalmente, o cristal tinha o formato do Batedor Zinger Empíreo, pois havia revestido seu corpo. Mas, quando o corpo encolheu até virar um ponto, a perda absoluta de pressão deformou o cristal, já que tudo aconteceu antes que ele tivesse se solidificado totalmente.

    O resultado foi uma forma quase esférica. Gudora franziu a testa ao observá-lo:
    “Por que não há nada dentro?”

    Ele se abaixou para pegá-lo, soltando um grunhido de surpresa:

    — Por que isto é tão pesado? 1

    Como o efeito da Gravidade Inercial Interna desapareceu, a partícula resultante na qual o Batedor Zinger Empíreo se transformou continha todo o peso do seu corpo original. Era uma massa significativa, o que intrigou Gudora.

    Observou o cristal de todos os ângulos, mas não conseguiu notar nada em seu interior. A estranheza daquele peso intenso, contudo, o deixava perplexo.

    — Isso precisa ser investigado.

    Ele olhou ao redor, mas não notou nada mais que estivesse fora do lugar…

    Baque!

    Ouviu-se um estrondo, como se um meteoro tivesse colidido com o solo. O telhado da casa vizinha desabou em resposta, seguido por gritos vindos de dentro.

    Gudora saltou para dentro da casa e notou uma cratera no chão, com quase um metro de largura e uma dúzia de centímetros de profundidade. Olhou para o fundo e não viu nada. 

    “Não tem nada aqui.”

    Em seguida, observou os moradores, perguntando:
    — Alguém está ferido?

    — N-Não, Senhor da Cidade. — O morador balançou a cabeça. — O teto desabou de repente e nos assustou.

    — Você viu alguma coisa? — indagou Gudora.

    — Não. — O morador expressou sua confusão. — Pareceu que algo pesado bateu no chão. Mas eu não vi nada.

    — Hmm… — Gudora colocou a mão na cratera e tateou, ainda incapaz de distinguir qualquer coisa notável. Levantou-se e ergueu uma cúpula ao redor do buraco, dirigindo-se aos presentes: — Ninguém deve tocar nisso, certo?

    — Enviarei alguém para investigar mais tarde.

    — Sim, Senhor da Cidade. — As pessoas aceitaram sem reclamações.

    — Isso é muito estranho… — Murmurando, Gudora voltou para a carruagem e ordenou ao cocheiro que retomasse a viagem. Encarou o cristal pesado em sua mão e comentou: — Há algum segredo nisto.

    — Devemos encaminhá-lo para o Rei? Ele é quem tem mais conhecimento sobre tudo — perguntou Hanya.

    — Ainda não — respondeu Gudora. — Precisamos conduzir uma investigação primeiro. Só depois de obter algumas pistas será aceitável pedir ajuda no assunto.

    — Sinto-me inquieta por algum motivo — disse Hanya. — Tenho uma sensação estranha desde que visitamos o Teatro. Não tenho provas, mas meu palpite é de que algo não está certo.

    — Você tem certeza de que Inala é confiável?

    — Eu nunca disse isso. — Gudora continuou a fitar o cristal esférico em sua mão. — Não há registro de sua existência antes de três anos atrás, não importa onde eu perguntasse no Reino. É seguro afirmar que ele é um forasteiro.

    — Mas isso não significa que eu deva suspeitar dele por qualquer coisa.


    1. O conceito aqui baseia-se na física de densidade: ao comprimir toda a massa do corpo da Besta em um ponto microscópico (singularidade), o peso total permanece o mesmo, apesar do tamanho minúsculo, criando um objeto de densidade absurda.[]

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