Índice de Capítulo

    Se ao menos tivessem capturado Asaeya e a pequena Gannala, o Reino Ganrimb poderia ter fingido ignorância sobre a existência de Inala caso o Clã Mamute aparecesse no futuro.

    Mas elas escaparam. Isso significava que a verdade, com o tempo, chegaria ao Clã Mamute. Quando isso acontecesse, estariam fodidos, sem a menor chance de suplicar por perdão.

    — Merda! — Gudora bateu o pé, furioso, e retornou aos escombros onde Fhoong e Hanya aguardavam. Balançou a cabeça sutilmente, sinalizando o fracasso na captura de Asaeya e da pequena Gannala.

    — Não precisa fazer mistério — provocou Inala. — Elas já deixaram esta região. É impossível apagar os rastros da minha existência. Então…

    — O que você fará agora?

    “Maldição, esse desgraçado está relaxado demais.” Gudora sentiu o nervosismo crescer ao encarar Inala. De repente, porém, ocorreu-lhe um pensamento:

    — Se você é mesmo uma Presa Empírea, suas ações não têm lógica.

    — Primeiro, você estabeleceu um comércio aqui — disse ele, a confiança retornando à medida que falava. — Acumulou uma riqueza atípica para uma Presa Empírea, que não possui necessidades materiais. Segundo, estava criando um exército de Zingers.

    — Isso não faz sentido.

    — Ah, finalmente usando a cabeça. — Inala mediu Hanya com o olhar por um instante. — Ao contrário de certa pessoa aqui que age apenas por instinto.

    — Vou deixar que descubra sozinho. — Sorrindo, Inala instruiu: — Reúna uma equipe de especialistas em detecção. Sigam para o assentamento da Tribo Galo e encontrem uma seção rachada nas muralhas. Cavem o solo ao pé do muro e esforcem-se para detectar a Força Vital presente lá.

    — Volte aqui quando terminar. — Com essas palavras, Inala fechou os olhos e teve a audácia de adormecer.

    — Envie uma equipe imediatamente — ordenou Fhoong, sentando-se ao lado de Inala. — Eu ficarei de vigia.

    — Vá pessoalmente.

    — Sim. — Gudora assentiu, reuniu sua melhor equipe de batedores e partiu às pressas para o assentamento da Tribo Galo. Como Inala dissera, havia uma porção danificada na muralha. Embora tivesse sido remendada, a aparência destoava do restante.

    — Cavem aqui — apontou ele para a base da muralha, observando a equipe obedecer de imediato. Ao atingirem quarenta metros de profundidade, notaram traços tênues de um fluido misturado ao solo — mas surpreendentemente preservado.

    Quanto mais cavavam, mais o fluido misterioso surgia. O melhor batedor da equipe recolheu um mililitro da substância e ativou seu Avatar Humano. Ao sentir os vestígios presentes, exclamou:

    — Que Força Vital rica!

    — Isso é mesmo possível?

    — Mais alguma coisa? — perguntou Gudora, franzindo a testa. “Força Vital de alta qualidade significa algo específico?”, pensou.

    — Deixe comigo. — Um jovem batedor, vindo de uma linhagem prestigiosa, tomou o fluido e ativou o poder. — Vou tentar manifestar quaisquer traços inatos remanescentes.

    O Prana do batedor surgiu e infiltrou-se no fluido. A imagem de uma Besta Prânica alada tremeluziu por um instante antes de se desfazer, mas, um momento depois, a projeção da cabeça de um javali voraz se materializou, emanando uma avareza sem fim.

    Arrepios percorreram os membros do batedor. Ele largou o fluido, gaguejando como um disco arranhado:

    — J-J-Ja-Ja-Javali…

    REI JAVALI!

    — Tem certeza? — A expressão de Gudora tornou-se solene. — Verifiquem novamente! O Rei Javali realmente esteve aqui?

    De volta à Cidade Ellora, após um breve cochilo, Inala abriu os olhos ao ouvir um guincho.

    — Eles voltaram.

    A maioria dos Zingers Empíreos havia partido com Asaeya e a pequena Gannala, mas a Rainha Zinger Empírea, preocupada, deixara para trás um Rei Zinger Empíreo e uma dúzia de Batedores Zinger Empíreos.

    Eles permaneciam na floresta nos arredores da Cidade Ellora, informando Inala sobre qualquer evento externo por meio dos guinchos. A presença descarada das bestas mantinha a pressão sobre os habitantes da cidade, impedindo medidas drásticas contra Inala.

    A tática funcionara às mil maravilhas, permitindo que Inala dormisse em segurança.

    Ao ouvir Inala, Fhoong Brimgan olhou para o lado e viu Gudora chegar com uma expressão sombria:

    — O que você descobriu?

    — O Rei Javali visitou este lugar três anos atrás — relatou Gudora. — Passou um mês aqui. Não conseguimos descobrir mais nada.

    — Aí está — disse Inala. — Eu vim para cá depois de tomar conhecimento da chegada do Rei Javali.

    — Para fazer o quê? — perguntou Fhoong, solene.

    — O Rei Javali retornará — afirmou Inala com segurança. — O único Gotejador de Lodo de Sumatra está aqui. Em dois anos, ele botará os ovos. O Rei Javali voltará para consumi-los. Por isso, venho criando um exército de Zingers para prendê-lo no Vazio Cinza-Arenoso.

    — É basicamente isso — concluiu. — Não tenho relação com os Centingers. Na verdade, vocês são tolos por viverem bem no centro do leito de acasalamento deles.

    — Sabemos que este é o leito de acasalamento deles — bufou Fhoong. — Conseguimos defender nosso Reino contra os Centingers com sucesso até agora. E continuaremos a fazê-lo.

    — Bom para vocês. Não é problema meu. — Inala deu de ombros e reverteu para sua forma masculina. — Bem, já que meus planos foram revelados, pergunto formalmente: vocês não se importam que eu continue com meus planos aqui, certo?

    — Ah, com certeza eu me importo. — De repente, Fhoong Brimgan sorriu e agarrou Inala. — O Clã Mamute é aterrorizante, sim. As Presas Empíreas são ainda mais aterrorizantes. Isso é óbvio.

    — Mas, se o Rei Javali retornará em dois anos, eu não poderia pedir notícia melhor. — Ele comandou Gudora: — Prenda-o.

    — Quando o Rei Javali chegar, nós o subornaremos com uma Presa Empírea. Ele vai adorar o presente — disse Fhoong, sorrindo ao ver o rosto de Inala ficar lívido. — O Clã Mamute não ousará chegar perto daqui após a vinda do Rei Javali. Enquanto isso…

    Ele olhou para Hanya:

    — Interrogue esta Presa Empírea e extraia tudo o que ela sabe. Cada uma delas é uma mina de ouro de informações. Nós nos beneficiaremos tremendamente e podemos até superar o Império Brimgan.

    — Mina de Informações. — Os olhos de Gudora brilharam ao encarar Inala. — Agora entendo como você transformou o filho do Conselheiro da Cidade em um gênio. Usou seu vasto repositório de conhecimento para equipá-lo com Habilidades perfeitas para sua técnica de cultivo.

    — Tudo faz sentido agora. — Gudora saudou Fhoong, empolgado. — Extrairemos tudo, Pai.

    — Ótimo. — Fhoong assentiu. — Enviarei uma equipe de especialistas para auxiliá-lo. Eles vão registrar e analisar cada descoberta.

    Ele encarou a expressão aterrorizada de Inala:

    — Esta Presa Empírea veio na hora certa. Assim que extrairmos tudo dela, nós a serviremos ao Rei Javali em uma bandeja de ouro.

    Antes de sair, deixou um último aviso:

    — Falarei com o Gotejador de Lodo para que alargue o Vazio Cinza-Arenoso. Desde que eu forneça recursos suficientes, ele pode torná-lo tão grande e profundo que até as Presas Empíreas evitarão entrar nele.

    — Você… você vai se arrepender disso! — gritou Inala.

    — Ah, cale a boca! — Hanya deu um tapa em Inala. — Vamos lucrar muito vendendo você ao Rei Javali, além de garantir a proteção dele. Ninguém em Sumatra pode ir contra ele.

    — Então, desista!


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