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    — Obrigado, Maharell — elogiou Duvara. — Você tem a verdadeira postura de um líder do grupo de mercadores.

    Até então, ninguém poderia ser chamado de líder dos mercadores. Mas, como a crise daquela vez era extremamente perigosa, Duvara fez essa declaração para reconhecer as contribuições de Maharell para a cidade.

    Isso forçou os demais mercadores a abrirem os cofres, para não ficarem para trás na disputa de influência. Era o básico da política. Todos sabiam disso, mas não tinham outra escolha além de participar, pois abster-se prejudicaria seu próprio crescimento e status na Cidade Comercial de Ellora.

    — Agora, vamos elaborar um plano de defesa — prosseguiu Duvara com a reunião, enquanto os presentes propunham diversas manobras para proteger melhor a cidade.

    Simultaneamente, os soldados de Ellora patrulhavam as ruas às pressas e emanavam ondas de Prana por toda parte.

    — Tem um aqui! — gritou um deles, e arremessou a lança contra uma decoração de terraço em forma de boca de uma Besta Prânica. A arma atingiu o alvo em cheio e o despedaçou, e fez uma minúscula criatura voar lá de dentro e disparar pelo ar como um vulto.

    Besta Prânica Mutante de Grau Prata Iniciante — Batedor Zinger Empíreo!

    Era um dos batedores que Inala havia espalhado pela cidade. Após enfrentá-lo e observar as formas em miniatura assumidas pelos Zingers Empíreos, Duvara ordenou que os soldados varressem o local e encontrassem todos os que ainda estivessem escondidos.

    E, como esperado, ainda havia muitos por ali. Estavam enfiados nas menores frestas, e vigiavam em segredo cada movimento dos cidadãos.

    — Matem! — berraram os soldados ao detectarem o Zinger Empíreo.

    Porém, contrariando as expectativas, a minúscula criatura era rápida. Ao usar a Natureza Secundária de Gravidade Inercial Interna, ela conseguia variar o peso corporal, planar, fazendo curvas fechadas no ar para desviar de todos os ataques.

    Como uma sanguessuga, o batedor saltava do terraço de um prédio para outro e estendia as asas para cobrir grandes distâncias. Quando precisava de velocidade, alcançava uma altitude elevada, aumentava o peso ao máximo e despencava, com tamanha velocidade que quebrava a barreira do som.

    Só os estrondos sônicos resultantes já desorientavam os soldados, o que gerava caos. Ao se aproximar do chão, o Zinger Empíreo reduzia o peso corporal ao mínimo possível e usava o impulso da queda para curvar o corpo para cima e gerar sustentação novamente.

    A trajetória de voo se assemelhava a uma onda de Movimento Harmônico Amortecido, o que lhe permitia permanecer no ar por longos períodos.

    Mais de trinta Batedores Zingers Empíreos estavam espalhados por Ellora naquele momento e causavam alvoroço por toda parte enquanto fugiam de uma região para outra. A intenção deles era manter aquele padrão durante a próxima semana, até chegar a hora de alertar Inala.

    Kieek!


    Chirp!


    Kuaaak!

    De tempos em tempos, soltavam gritos curtos que ecoavam a longas distâncias. E sempre que o som se originava perto da propriedade do Senhor da Cidade, Inala conseguia ouvi-lo e se mantinha a par de tudo o que acontecia.

    Isso significava que, mesmo preso, ele era capaz de acompanhar cada evento importante do lado de fora.

    “O nível da água no rio está caindo cada vez mais rápido”, pensou. Arregalou os olhos ao encarar Battalda e então soltou um grito agudo de dor. “Merda! A dor piorou!”

    À medida que os membros se curavam lentamente, os receptores de dor da região voltavam a ficar ativos, provocando uma agonia inimaginável, o que, consequentemente, enfraquecia as defesas mentais.

    Inala gastava mais energia do que antes para garantir que não deixaria escapar nenhuma informação que pudesse voltar-se contra ele no futuro.

    No quarto dia na cela, já estava exaurido. Sem ter pregado o olho um minuto sequer durante todo o período, sobrevivia apenas graças à Força Vital contida em uma Bomba Vital. Chegava ao limite da resistência e sentia cada vez mais dificuldade em se defender dos ataques telepáticos de Battalda.

    Ao notar o aumento de sua taxa de sucesso, Battalda intensificou os esforços e conseguiu extrair fragmentos de informação cada vez maiores. No sexto dia, ele finalmente rompeu as defesas do prisioneiro e obteve uma resposta ao perguntar:

    — O que você sabe sobre as mudanças no Rio Angan?

    O pacote de energia enviado à mente de Inala retornou com informações valiosas e consumiu mais de dez unidades de Prana no processo. Contudo, no instante em que absorveu o conteúdo, Battalda tremeu de medo e seu rosto empalideceu:

    — A-A Catástrofe Millinger?

    — Então chegou a esse ponto, é? — pronunciou Inala, de repente.

    Assim que flexionou a mandíbula, a mordaça se partiu, o que lhe permitiu falar livremente.

    Primeiro Estágio — Mandíbula!

    As mandíbulas se transformaram nas de um Zinger Empíreo quando ele as escancarou. Três Zingers Empíreos voaram de sua boca e avançaram contra os três membros da Equipe de Informação.

    Uma Bomba de Prana atingiu o queixo de cada um deles e os nocauteou com precisão cirúrgica.

    Um dos Zingers Empíreos aumentou de tamanho. A criatura condensou uma Bomba de Prana e a controlou como uma Arma Espiritual, fazendo o projétil girar violentamente ao se chocar contra a cúpula lamacenta que Hanya havia erguido, consumindo a barreira em questão de segundos.

    Assim que o Prana que sustentava a cúpula foi drenado, o lodo desapareceu. Em seguida, o Zinger Empíreo arrancou casualmente os pregos que fixavam os membros de Inala ao chão.

    — Ah, como é bom estar livre — murmurou Inala ao se levantar, enquanto a Força Vital fluía pelos braços e pernas e os curava rapidamente.

    No momento em que ativou a sua Natureza Secundária de Gravidade Inercial Interna, os membros antes esmagados inflaram até retornarem ao tamanho original e se mantiveram estruturalmente firmes.

    A Força Vital então circulou com intensidade e reparou os danos remanescentes. Como os ossos fraturados já haviam sido realinhados na ordem correta pela Gravidade Inercial Interna, tudo o que a energia precisou fazer foi fundir os estilhaços de volta em uma estrutura sólida.

    Como resultado, o tempo de recuperação caiu de forma vertiginosa.

    Enquanto o corpo se curava, Inala encarou a figura inconsciente de Battalda. Com um sorriso presunçoso, tocou a testa do oficial e injetou-lhe Prana.

    — De hoje em diante, você me pertence.

    Arte Mística Óssea — Dominação de Prana!

    Havia aprimorado a habilidade para que fosse eficaz contra qualquer humano. Claro, ainda faltava muito até que pudesse aplicá-la em Bestas Prânicas, mas isso já era um projeto de longo prazo. O progresso que havia acumulado servira apenas para evoluir a técnica ao ponto de funcionar em humanos. No entanto, para aquela situação específica, era mais do que suficiente.

    Os três Zingers Empíreos retornaram ao bioma no estômago. Inala voltou a se deitar no chão e assumiu a pose inicial. Quebrou os pregos pela metade e cravou as pontas na própria carne para fazer parecer que ainda estava pregado às pedras.

    Esperou com paciência enquanto o Prana circulava pelos corpos de Battalda e dos dois subordinados, e estendeu gradualmente sua influência sobre os Ossos e Recipientes Espirituais do trio. Demorou um pouco para o processo terminar, mas, quando foi concluído, exibiu um sorriso cínico e relaxou casualmente no chão da prisão.

    Battalda acordou logo em seguida e tremeu de pavor ao sentir uma marca intrusa nos ossos e no Recipiente Espiritual. O oficial abriu a boca com a intenção de gritar por socorro, mas percebeu que não conseguia emitir som algum; Inala o forçava a permanecer calado.

    Seu corpo moveu-se sozinho e se posicionou atrás de Inala enquanto suas mãos tocavam a testa do prisioneiro — a mesmíssima postura que ele próprio havia usado antes para extrair informações.

    Os dois membros da Equipe de Informação1 também retornaram às posições originais, mantidos imóveis pelo poder do garoto. Quando uma dupla de guardas passou em patrulha, olhou para dentro da cela e viu que a situação parecia idêntica à de antes.

    — O pessoal dessa equipe trabalha duro, hein. Deveríamos seguir o exemplo deles.


    — Dá para entender por que são tão valorizados. Quem sabe, se a gente se esforçasse assim, não subiríamos de patente também?

    A dupla de guardas conversou de forma banal e passou direto pela cela, totalmente alheia ao que, de fato, ocorria ali dentro.

    Ao ouvir o comentário, o sorriso no rosto de Inala apenas se alargou.


    1. Não sei se o autor simplesmente mudou o termo “Equipe de Inteligência” do nada, como ele já fez antes, ou se é apenas uma subdivisão da própria Equipe de Inteligência. De qualquer forma, vou manter o termo assim nos dois casos kk.[]

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