Índice de Capítulo

    O corpo de Ryuji já não gritava de dor.

    Ainda doía, claro — mas era aquela dor surda, profunda, de quem foi quebrado e colado de novo do jeito errado.

    Ele estava sentado no chão do quarto, costas na parede, olhos fechados.

    Respirou fundo.

    E afundou.

    O mundo apagou.

    Quando abriu os olhos, estava de novo no subconsciente.
    O vazio escuro, sem céu, sem chão definido.

    — Sistema. — a voz saiu firme. — Existem outros desafios?

    O silêncio durou o tempo exato pra incomodar.

    Então a presença voltou.

    “Existem.”

    O chão se materializou sob seus pés.

    “Você concluiu um Desafio Diário.”
    “Isso concede acesso parcial às…”

    O ar vibrou.

    “PROVAS DO TRONO.”

    Ryuji sentiu um peso estranho no peito.
    Não medo. Expectativa.

    “Essas provas podem ser repetidas.”
    “Elas não recompensam honra.”
    “Recompensam sobrevivência.”

    Três presenças se manifestaram à frente dele.
    Sombras. Massas. Conceitos.

    “PROVAS DISPONÍVEIS:”

    CÉRBERO — Rank C
    BASILISCO — Rank D
    QUIMERA — Rank B

    Ryuji franziu o cenho.

    — A Quimera tá acima do meu nível.

    “Correto.”

    — Então por que ela tá disponível?

    Silêncio.

    “Porque um Rei escolhe até onde ousa.”

    Ryuji olhou de novo para as sombras.

    Respirou fundo.

    — …Cérbero.

    O mundo rasgou.

    O chão virou pedra negra rachada.

    O calor veio primeiro.
    Depois o cheiro de enxofre.

    Três pares de olhos se acenderam na escuridão.

    Um corpo gigantesco emergiu, musculoso, coberto por pelagem escura como carvão queimado.
    Três cabeças, presas expostas, respiração quente o suficiente pra distorcer o ar.

    O Cérbero.

    Quando ele rosnou, o impacto foi físico.
    Ryuji sentiu o peito vibrar.

    O monstro avançou.

    Não rápido.
    Dominante.

    O primeiro impacto jogou Ryuji longe como se ele fosse nada.
    O segundo quase arrancou seu braço.

    Ele rolou, levantou, bloqueou — e foi esmagado de novo.

    — Isso tá errado… — pensou, ofegante.

    Cada golpe do Cérbero era mais pesado que qualquer coisa que ele já tinha enfrentado.

    — …Ele é mais forte que o San Ryoshi.

    A constatação veio fria.

    As três cabeças atacavam em sincronia.
    Não havia abertura limpa.
    Não havia erro.

    Ryuji foi ao chão, sangue escorrendo pela testa.

    O Cérbero se ergueu pra finalizar.

    E então…

    A voz.

    Não distante.
    Não divina.

    Próxima.

    “EM PROVAS DO TRONO…”

    O corpo de Ryuji arrepiou inteiro.

    “…RESTRIÇÕES DE ESTILO SÃO REMOVIDAS.”

    Os olhos dele se arregalaram.

    “KIDOU: AUTORIZADO.”

    O mundo pareceu se alinhar.

    Ryuji se levantou cambaleante.

    — …Então agora é pra valer.

    A Kidou explodiu.

    Não bonita.
    Não limpa.

    Bruta. Instável. Desesperada.

    Mesmo assim, o Cérbero avançou, arrancando pedaços do chão, mordendo, esmagando.

    A luta virou um massacre mútuo.

    Ryuji caiu. Levantou. Caiu de novo.

    Mas no fim…
    foi o Cérbero que tombou.

    As três cabeças bateram no chão quase ao mesmo tempo.

    Silêncio.

    Ryuji caiu de joelhos, respirando como se o peito fosse rasgar.

    “PROVA DO TRONO CONCLUÍDA.”

    Nenhuma comemoração.

    Só a constatação final:

    “VOCÊ SOBREVIVEU.”

    E, naquele instante, Ryuji entendeu algo aterrador:

    Essas provas
    não existiam pra torná-lo forte.

    Existiam
    pra ver até onde ele aguentava não morrer.

    O corpo do Cérbero começou a se desfazer.

    Não virou poeira.
    Virou fragmentos negros, como carvão se partindo em silêncio.

    Ryuji ainda estava ajoelhado quando a presença voltou.

    “PROVA DO TRONO CONCLUÍDA.”

    O ar vibrou uma vez.

    “RECOMPENSA CONCEDIDA.”
    “TODOS OS ATRIBUTOS: +8.”

    Ele respirou fundo, sentindo o corpo reagir — não de forma explosiva, mas sólida.
    Como se algo tivesse sido encaixado no lugar certo.

    Então…
    algo caiu à sua frente.

    Um som seco. Metálico.

    Cravada na pedra escura estava uma adaga.

    A lâmina era curta, curvada, feita de um material escuro que parecia absorver a luz.
    Dentes irregulares percorriam o fio, como se tivesse sido feita a partir de uma presa gigante.

    “ITEM ADQUIRIDO.”
    “CERBERUS’ TOOTH DAGGER.”

    Ryuji pegou a arma.

    No instante do toque, sentiu um peso estranho — não físico.
    Autoridade.

    — …O que eu faço com isso? — murmurou.

    A informação veio direto, crua:

    “CERBERUS’ TOOTH DAGGER.”
    “PODER: +30% EM RELAÇÃO À SUA KIDOU KATANA.”

    Os olhos dele se estreitaram.

    — Mais forte… mas como eu uso isso?

    Silêncio.

    A lâmina não reagia.
    Não tinha aura.
    Não tinha resposta.

    — Sistema. — ele ergueu a adaga. — Eu não sei como ativar isso.

    A resposta veio sem atraso.

    “PARA UTILIZAR ARMAS DO SISTEMA…”

    O espaço ao redor dele pareceu se reorganizar.

    “…UTILIZE SEU NOVO RECURSO.”

    Ryuji franziu o cenho.

    — Novo recurso?

    A voz não explicou.
    Declarou.

    “NOVO RECURSO DESBLOQUEADO.”

    O ar se abriu.

    “ARSENAL DO PRÍNCIPE.”

    À frente de Ryuji, uma presença invisível se manifestou — como uma tela que não existia, mas podia ser sentida.
    Não tinha forma fixa.
    Só opções.

    “SEMPRE QUE VOCÊ UTILIZAR KIDOU…”
    “…O ARSENAL DO PRÍNCIPE SERÁ DISPONIBILIZADO.”

    “VOCÊ PODERÁ ESCOLHER QUAL ARMA MANIFESTAR.”

    Ryuji fechou os olhos por um segundo.

    Kidou não era mais só uma lâmina.
    Era uma chave.

    — …Então eu não invoco poder. — murmurou. — Eu escolho.

    O silêncio confirmou.

    A adaga na mão dele começou a se desfazer em partículas escuras, sendo absorvida.

    Não perdida.
    Guardada.

    “ARSENAL ATIVO.”
    “ARMAS DISPONÍVEIS: 2.”

    Quando o mundo começou a se dissolver, uma última frase ecoou:

    “UM PRÍNCIPE NÃO CARREGA ARMAS.”
    “ELE DECIDE QUAL DELAS EXISTE.”

    E Ryuji voltou à realidade.

    Com dor no corpo.
    Frieza no olhar.

    E a certeza de que sua Kidou
    nunca mais seria apenas uma espada.

    O mundo se reconstruiu mais uma vez.

    Pedra negra.
    Calor sufocante.
    O mesmo cheiro de enxofre.

    Três pares de olhos se acenderam na escuridão.

    O Cérbero.

    Ryuji respirou fundo.

    — …De novo.

    Dessa vez, não correu.
    Não esperou.

    A Kidou se manifestou — e no instante em que o poder respondeu, algo se abriu dentro dele.

    O Arsenal do Príncipe.

    Não como uma tela.
    Como uma decisão.

    Ryuji escolheu.

    A katana não se formou.

    No lugar dela, a Cerberus’ Tooth Dagger surgiu em sua mão — curta, densa, com aquele fio irregular que parecia querer morder o mundo.

    O Cérbero atacou.

    Ryuji avançou junto.

    O impacto veio — mas foi diferente.
    A adaga entrou entre as escamas como se soubesse onde perfurar.

    Ele girou o corpo, rasgou, saiu do alcance antes da mordida tripla fechar.

    Ainda doía.
    Ainda era perigoso.

    Mas não era mais desespero.

    O monstro caiu após uma luta dura, mas controlada.

    Ryuji ficou parado, respirando pesado.

    “PROVA DO TRONO CONCLUÍDA.”
    “RECOMPENSA CONCEDIDA.”

    Ele não comemorou.

    — …Mais uma.

    A segunda repetição foi mais curta.

    O corpo dele já antecipava os padrões.
    As três cabeças.
    O tempo entre os ataques.

    A Cerberus’ Tooth Dagger parecia responder melhor a cada movimento, como se estivesse sendo ensinada junto com ele.

    Quando o Cérbero caiu dessa vez, Ryuji mal caiu de joelhos.

    “PROVA DO TRONO CONCLUÍDA.”

    — De novo.

    Na terceira vez, algo mudou.

    Não no monstro.

    Nele.

    Os movimentos fluíam.
    O peso da arma parecia menor.
    O corpo obedecia sem atraso.

    Quando o Cérbero atacou com força total, Ryuji entrou no espaço impossível entre as três bocas e cravou a adaga direto no centro do peito da criatura.

    Um único golpe.

    O corpo gigantesco tombou como se tivesse perdido o direito de existir.

    Silêncio.

    Ryuji ficou em pé.

    Não ofegante.
    Não trêmulo.

    Inteiro.

    “PROVA DO TRONO CONCLUÍDA.”
    “ATRIBUTOS ACUMULADOS.”

    A informação veio automática.

    +24 pontos em todos os atributos.

    Ryuji fechou os punhos.

    Sentia o corpo diferente.
    Mais denso.
    Mais responsivo.

    — …Então é isso. — murmurou. — Não é só ficar mais forte.

    Ele olhou para a própria mão.

    — É aprender a ser forte.

    O Arsenal do Príncipe permaneceu ali, silencioso, disponível.

    E pela primeira vez desde que o Sistema havia despertado, Ryuji não sentiu medo do próximo desafio.

    Sentiu curiosidade.

    E isso…
    era ainda mais perigoso.

    Ryuji estava sentado no chão do subconsciente, a respiração finalmente normal.

    A adaga descansava na mão dele.

    Curta. Densa. Aquele fio estranho que parecia sorrir pra desgraça.

    Ele olhou pra ela.

    — Cer… Cerb… — pigarreou. — Cerberus’ Tooth…

    Parou.

    Respirou.

    — Cerberus’ Tooth Dagg… — a língua travou. — Não. Pera.

    Ele tentou de novo, mais sério, como se fosse uma técnica de luta.

    Cerberus’ Tooth Dagger.

    Silêncio.

    A arma continuou ali.
    Julgando.

    — Tá… — Ryuji passou a mão no rosto. — Vamos de novo.

    — Cerberus… Tooth… Dagger…

    Nada.

    Ele fechou os olhos.

    — Mano, isso não vai rolar.

    Abaixou a adaga, encarando o metal como se ela fosse a culpada.

    — Quem foi o gênio que colocou esse nome?

    O Sistema não respondeu.
    Claro que não.

    Ryuji suspirou.

    — Seguinte… — ele levantou a arma de novo. — A partir de agora você vai se chamar…

    Pausa dramática.

    CTD.

    Ele esperou.

    Nada aconteceu.

    — Perfeito. — assentiu, satisfeito. — Curto, direto, sem humilhação pública.

    Girou a adaga na mão.

    — CTD… — sorriu de canto. — Muito melhor.

    A arma parecia mais leve.
    Ou talvez fosse só o ego dele agradecendo.

    “ARMA NOMEADA COM SUCESSO.”

    Ryuji congelou.

    — …Pera. — franziu a testa. — Isso era uma função?

    Silêncio outra vez.

    Ele olhou pra CTD.

    — Tá vendo? — balançou a cabeça. — Até o Sistema concorda comigo.

    Se levantou, já voltando ao foco.

    Mas antes de partir, murmurou:

    — Cerberus’ Tooth Dagger é o caralho.

    CTD era nome de campeão.

    E ele sorriu — rápido, quase imperceptível — antes de voltar a ficar sério.

    A areia do subconsciente começou a se mover sozinha.

    Não como antes.
    Não como aviso.

    Era diferente.

    O ar ficou pesado, denso, como se o mundo estivesse prendendo a respiração junto com ele.

    Desafio selecionado.
    QUIMERA — Rank B.

    Ryuji fechou a mão em torno da CTD.

    O chão tremeu.

    Da areia surgiram primeiro as patas.
    Depois o corpo.

    Três presenças em uma só.

    A cabeça de leão rugiu, fazendo o espaço vibrar.
    A cabeça de bode encarou Ryuji com olhos vazios, calculando.
    E a cauda de serpente se ergueu lentamente, sibilando, pronta pra matar.

    A pressão era absurda.

    Ryuji deu um passo pra trás sem perceber.

    — …Tá de sacanagem.

    O Sen reagiu sozinho, como um instinto de sobrevivência tardio.

    A aura dele oscilou.

    — Isso aqui… — murmurou, sentindo o corpo pesar. — Isso não é um monstro.

    A Quimera avançou.

    Não correu.

    Dominou o espaço.

    O rugido da cabeça de leão veio primeiro.
    Logo depois, chamas cortaram o ar.

    Ryuji se jogou pro lado, rolando na areia, sentindo o calor rasgar as costas.

    A cauda da serpente veio em seguida, rápida demais.

    Ele defendeu com a CTD por reflexo.

    CLANG.

    O impacto lançou o braço dele pra trás.

    O bode abriu a boca.

    Uma onda de pressão explodiu.

    Ryuji foi arremessado como se não pesasse nada, rolando dezenas de metros até parar, de joelhos, cuspindo sangue.

    Ele levantou a cabeça, respirando pesado.

    A Quimera nem tinha se mexido direito.

    — Hah… — um riso seco escapou. — Entendi.

    Apertou os dentes, o corpo tremendo.

    — Isso aqui é basicamente… — forçou-se a ficar em pé. — Enfrentar três San Ryoshi ao mesmo tempo.

    O Sen dele explodiu.

    A Kidou se formou na mão oposta à adaga.

    — Um atacando de frente.
    — Um calculando cada movimento.
    — E um esperando o erro.

    A Quimera avançou de vez.

    O leão veio primeiro.
    O bode antecipou o movimento.
    A serpente atacou pelo ângulo cego.

    Ryuji desapareceu num salto forçado, surgindo acima da criatura e descendo com a Kidou em um corte brutal.

    A lâmina atingiu.

    Não cortou.

    A Quimera girou o corpo no ar e o atingiu com o torso inteiro.

    O impacto quebrou o ar.

    Ryuji foi lançado pro chão, sentindo algo estalar dentro dele.

    Ele ficou deitado por um segundo.

    O mundo girava.

    A areia grudava no rosto suado.

    — …Droga…

    Tentou se levantar.

    Falhou.

    A sombra da Quimera cobriu tudo.

    Ryuji riu fraco.

    — É… — murmurou. — Agora faz sentido.

    A voz do Sistema não apareceu.

    Não teve dica.

    Não teve ajuda.

    Só ele.

    A CTD ainda estava firme na mão.

    E, pela primeira vez, Ryuji percebeu:

    se ele vencesse isso… ele não seria mais o mesmo.

    Nunca mais.

    E mesmo assim…

    Ele se levantou.

    Olhar frio.

    Sem hesitar.

    — Vem.

    A areia já não parecia chão.

    Parecia um cemitério.

    Ryuji respirava com dificuldade, o ar queimando os pulmões como vidro moído. O braço esquerdo mal respondia. A CTD estava cravada na areia alguns metros à frente, longe demais.

    A Quimera estava intacta.

    O leão rugiu outra vez.

    O som atravessou o corpo de Ryuji como um martelo.

    Ele tentou ficar em pé.

    Caiu de joelhos.

    — …Droga…

    A cabeça de bode o observava, fria, como se estivesse calculando quanto tempo faltava.

    A serpente atacou.

    Ryuji levantou a Kidou por reflexo.

    Tarde demais.

    A cauda atravessou o flanco dele.

    Não foi um golpe limpo.

    Foi lento.

    Doloroso.

    O corpo dele foi erguido do chão, suspenso no ar, o sangue escorrendo e manchando a areia.

    A Kidou se desfez.

    A dor era tanta que o mundo ficou branco.

    — …Então… — ele pensou, a visão falhando. — É aqui.

    A Quimera se aproximou.

    A cabeça de leão abriu a boca.

    Chamas começaram a se formar.

    Ryuji sentiu algo diferente.

    Não medo.

    Frustração.

    — Eu cheguei tão longe… — pensou. — Pra morrer num treino?

    A chama disparou.

    No mesmo instante—

    O mundo congelou.

    A areia parou no ar.
    O fogo ficou suspenso.
    A dor cessou de forma abrupta.

    Uma pressão absurda tomou o espaço.

    Interrupção forçada do desafio.

    A voz do Sistema ecoou, fria, sem emoção.

    O corpo de Ryuji caiu no chão, intacto, a ferida fechando sozinha, como se nunca tivesse existido.

    Ele ficou ali, ofegante, suado, com o coração quase saindo pela boca.

    Motivo: Taxa de sobrevivência abaixo de 2%.
    Conclusão: Continuação resultaria em morte permanente.

    O mundo começou a escurecer.

    Ryuji fechou os olhos.

    Quando abriu, estava de volta ao quarto.

    Jogou-se pra frente, vomitando no chão, o corpo inteiro tremendo.

    Ficou assim por longos segundos.

    Até conseguir se apoiar na parede e sentar.

    O silêncio era pesado.

    — …Valeu. — disse, entre respirações irregulares.

    Não foi um agradecimento bonito.

    Não teve gratidão no tom.

    Foi seco.

    Cansado.

    Quase com raiva.

    — Mas da próxima vez… — ele murmurou, limpando o sangue da boca. — Não me tira.

    O Sistema respondeu.

    Registrado.

    Ryuji riu fraco.

    Sem humor.

    Sem orgulho.

    Só verdade.

    — Que sistema filha da—

    A frase morreu no meio.

    Ele fechou os olhos.

    O corpo doía como se tivesse sido esmagado por um prédio.

    Mas uma coisa estava clara na mente dele:

    Aquilo não foi derrota.
    Foi um aviso.

    E da próxima vez…

    Ele não sairia.

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