Índice de Capítulo

    Longe do campo principal.
    Antes do anúncio.
    Antes do barulho.

    Tsubasa Hayashi limpava o sangue do canto da boca, os olhos queimando em silêncio.

    — Ele mudou. — disse baixo.
    — Não é só poder.

    Genjiro Okabe girava o machado devagar, como se estivesse pensando no peso de cada decisão.

    — Ele para pra ler.
    — Ele analisa.
    — Ele controla o ritmo.

    Saka cruzou os braços.

    — Então a gente tira o ritmo.

    Silêncio.

    Tsubasa sorriu torto.

    — Ele não luta mais como alguém que quer vencer.
    — Ele luta como alguém que já se acha acima.

    Genjiro levantou os olhos.

    — Então atacamos de uma vez.
    — Sem duelo.
    — Sem honra.
    — Sem espera.

    Saka assentiu.

    — Ele lê um movimento.
    — Dois talvez.
    — Mas três pressões simultâneas…
    — Nem o prodígio acompanha.

    Tsubasa concluiu:

    — Quarto Round.
    — Todos nele.
    — Ao mesmo tempo.

    Nenhum deles parecia feliz.

    Mas estavam decididos.

    O Juiz ergueu o braço.

    — Quarto Round… INICIAR!

    O campo vibrou.

    Kaede não esperou.

    Kaede Shizuma avançou direto em Saka, lâmina brilhando em arco curto.

    Naki foi junto.

    Naki disparou contra Tsubasa, punhos já envoltos em Sen.

    Choque.

    Metal contra metal.
    Aura contra aura.
    Impacto ecoando pela arena.

    Golpes trocados em alta velocidade.

    Ryuji… não se moveu.

    Ryuji Arata observava.

    Olhos atentos.
    Respiração estável.

    Ele analisava padrões.
    Distâncias.
    Tempo de reação.

    “Eles estão forçando pressão lateral…”

    Ele inclinou levemente a cabeça.

    “Mas Genjiro ainda não entrou.”

    Estranho.

    Muito estranho.

    Ryuji fechou os olhos por meio segundo.

    Instinto dizia que algo estava fora do lugar.

    Mas o campo estava claro.

    Kaede dominava espaço.
    Naki mantinha Tsubasa ocupado.

    Tudo sob controle.

    Sob controle demais.

    E foi aí que ele cometeu o erro.

    Ele assumiu que estava vendo tudo.

    Atrás dele.

    Fora do campo direto de visão.

    Fora do foco.

    Genjiro Okabe não estava parado.

    Ele não estava se preparando para atacar.

    Ele já tinha atacado.

    O machado não foi levantado.

    Não houve grito.

    Não houve avanço.

    Só um movimento mínimo.

    O chão atrás de Ryuji tremeu.

    Um segundo depois—

    BOOOOOM.

    Uma explosão vertical de magma engoliu o espaço onde ele estava.

    Sem aviso.

    Sem leitura.

    Sem chance de antecipação.

    Sistema:

    O Jogador perdeu 35% da Vitalidade.

    Ryuji foi arremessado para frente, o corpo queimando, o ar arrancado dos pulmões.

    Ele rolou no chão.

    Tentou levantar.

    Mas o calor distorceu sua visão.

    Genjiro caminhava lentamente pela fumaça.

    — Você olha demais pra frente… Arata.

    Outro corte.

    O ar atrás de Ryuji se abriu em vaporização pura.

    Sistema:

    O Jogador perdeu 20% da Vitalidade.

    Ryuji arregalou os olhos.

    Ele não tinha visto.

    Não tinha sentido.

    Não tinha previsto.

    O Domínio do Príncipe não ativou.

    A Análise não avisou.

    Nada.

    Genjiro parou a poucos metros.

    — Rei não pode ter ponto cego.

    Kaede percebeu tarde.

    — RYUJI!

    Mas Tsubasa segurou Naki com violência renovada.

    — Foca aqui!

    Ryuji tentou se levantar.

    O corpo respondeu.

    Mas mais lento.

    Mais pesado.

    Pela primeira vez em muito tempo…

    Ele estava atrás.

    E Genjiro ergueu o machado.

    Dessa vez não era teste.

    Era execução.

    Fecha o capítulo aqui.

    Sem resolver.

    Sem contra-ataque.

    Só com Ryuji percebendo:

    Ele pode ler o campo.

    Mas não pode controlar tudo.

    E às vezes…

    O perigo não vem de quem encara você.

    Vem de quem você esquece de procurar.

    A lâmina de magma desceu.

    Não havia espaço.

    Não havia tempo.

    Não havia como desviar.

    E foi exatamente por isso que Ryuji Arata não tentou fugir.

    Ele caiu.

    Não por fraqueza.

    Por cálculo.

    O machado de Genjiro Okabe cortou o ar onde estaria o pescoço dele.

    Vaporização pura.

    Se Ryuji tivesse saltado…

    teria morrido.

    O chão explodiu.

    Ryuji rolou no meio da própria explosão, usando o impulso da onda de magma para ser lançado para trás.

    Ele se levantou mancando.

    Respiração irregular.

    Mas os olhos…

    claros.

    — Você esperou eu analisar o campo… — Ryuji murmurou.

    Genjiro não sorriu.

    — Eu esperei você se sentir seguro.

    Outro corte.

    Dessa vez horizontal.

    Ryuji não desviou para trás.

    Avançou.

    O machado passou raspando nas costas dele.

    Ryuji entrou no alcance mínimo.

    Curto demais para gerar coluna de magma.

    Curto demais para corte total.

    Genjiro já esperava.

    O machado girou pelo cabo.

    Não lâmina.

    Impacto.

    Ryuji foi acertado no abdômen e lançado longe.

    Não era só força bruta.

    Era leitura corporal.

    Genjiro avançou junto, sem dar tempo de respirar.

    — Você não é o único que aprende no meio da luta!

    O chão tremeu novamente.

    Mas dessa vez não foi explosão direta.

    Genjiro começou a forçar Ryuji para um canto da arena.

    Não atacando para matar.

    Atacando para limitar.

    Ryuji percebeu tarde.

    Ele não estava sendo pressionado.

    Estava sendo guiado.

    Quando seus pés tocaram a borda rachada do campo—

    Genjiro ergueu o machado com as duas mãos.

    — Agora.

    O golpe desceu vertical.

    Não magma.

    Não vapor.

    Só força absoluta.

    Ryuji fechou os olhos por meio segundo.

    Pensou.

    Genjiro depende do movimento do braço.

    A Zenkai ativa no final do arco.

    O atraso é de 0.3 segundos.

    Ryuji não tentou bloquear.

    Ele chutou o próprio chão.

    A base cedeu.

    O golpe de Genjiro destruiu a borda—

    mas Ryuji já estava abaixo dela.

    Suspenso na lateral da arena.

    O machado ficou preso por um instante nas ruínas.

    0.3 segundos.

    Era tudo que ele precisava.

    Ryuji subiu pela própria fumaça.

    Ancifogo cruzou o ar.

    Corte limpo no ombro de Genjiro.

    Sistema:

    A Ameaça Genjiro perdeu 12% da Vitalidade.

    Genjiro recuou dois passos.

    Não por dor.

    Por avaliação.

    — Você calculou o tempo do meu golpe…

    Ryuji limpou o sangue do canto da boca.

    — Você calculou meu ponto cego.

    Silêncio pesado.

    Os dois estavam queimando.

    Os dois estavam aprendendo.

    Genjiro girou o machado devagar.

    — Então vamos ver quem aprende mais rápido.

    A aura dele mudou.

    Menos explosiva.

    Mais concentrada.

    Ele começou a atrasar propositalmente o movimento do braço.

    Quebrando o próprio padrão.

    Ryuji franziu o cenho.

    O tempo não batia mais.

    O cálculo falhou.

    O machado cortou o ar—

    e uma coluna de magma surgiu 2 metros à esquerda.

    Falso timing.

    Ryuji foi atingido de raspão.

    Genjiro não era só forte.

    Ele estava evoluindo em tempo real.

    Ryuji respirou fundo.

    Se continuar reagindo… eu perco.

    Ele precisava parar de responder.

    Precisava impor.

    Então ele fez algo simples.

    Parou.

    Não atacou.

    Não desviou.

    Ficou imóvel.

    Genjiro hesitou por um microssegundo.

    Erro.

    Ryuji explodiu.

    Não na direção óbvia.

    Não no machado.

    Direto no braço dominante.

    Curto.

    Rápido.

    CTD atravessou a musculatura do antebraço.

    Não profundo o bastante para arrancar.

    Mas suficiente para reduzir a potência.

    Sistema:

    A Ameaça Genjiro perdeu 8% da Vitalidade.
    Eficiência de Ataque reduzida temporariamente.

    Genjiro rangeu os dentes.

    — Você não tá tentando me matar…

    Ryuji respondeu firme:

    — Tô tentando te desmontar.

    A diferença apareceu ali.

    Genjiro lutava para esmagar.

    Ryuji lutava para resolver.

    E mesmo ferido.

    Mesmo queimado.

    Mesmo com menos Vitalidade.

    Ele estava um passo à frente.

    Mas Genjiro não caiu.

    Ele sorriu.

    — Bom.

    O magma voltou a subir.

    Mais instável.

    Mais caótico.

    — Porque eu ainda não usei tudo.

    E a arena começou a rachar por completo.

    A arena já não era arena.

    Era território de catástrofe.

    Genjiro Okabe fincou o machado no chão — e dessa vez não era um ataque direto.

    O campo inteiro começou a brilhar por baixo.

    Rachaduras vermelhas.

    Linhas de magma se conectando.

    Geometria.

    Ryuji percebeu primeiro.

    — Você não tá mirando em mim…

    Genjiro ergueu os olhos.

    — Não.

    O machado girou.

    — Eu tô mirando no campo inteiro.

    O chão explodiu em múltiplos pontos simultâneos.

    Não havia rota de fuga.

    Não havia ângulo morto.

    Não havia leitura possível.

    Era morte estatística.

    Sistema:

    Probabilidade de sobrevivência: 3,8%

    Ryuji não correu.

    Correr era escolha óbvia.

    Escolha óbvia morre primeiro.

    Ele olhou o padrão.

    Não das explosões.

    Do intervalo.

    Genjiro estava sobrecarregando a Zenkai.

    Mas mesmo no caos…

    havia ritmo.

    O braço dominante tensionava levemente antes da ativação massiva.

    0,2 segundos.

    Mas não dava pra escapar só desviando.

    Então ele fez algo insano.

    Ele puxou o próprio Sen de volta.

    A aura que normalmente expandia…

    colapsou.

    Kaede percebeu de longe.

    Kaede Shizuma arregalou os olhos.

    — O que ele tá fazendo…?

    O fluxo natural do Sen é expansão.

    Golpe.

    Pressão.

    Defesa.

    Mas Ryuji forçou o caminho contrário.

    O calor atravessava a pele.

    Um corte profundo já rasgava o abdômen.

    Vitalidade despencando.

    Sistema:

    O Jogador perdeu 18% da Vitalidade.

    Ele ignorou.

    Empurrou o Sen para cima.

    Não para fora.

    Para dentro.

    Para o topo.

    A cabeça latejou.

    Visão turva.

    Sangue escorrendo pelo nariz.

    Era como forçar um rio a subir uma montanha.

    Mas quando alcançou o ponto certo…

    ele se dividiu.

    Direcionou.

    Concentrou.

    O tecido rasgado começou a se reconstruir por dentro.

    Não era regeneração automática.

    Era reconstrução consciente.

    Molécula por molécula.

    Genjiro avançou.

    — Desiste!

    O golpe desceu para finalizar.

    Ryuji não desviou.

    Ele deu um passo.

    Para dentro da zona de morte.

    O machado desceu—

    e uma coluna de magma subiu atrás dele.

    Mas o ponto onde pisaria…

    já estava calculado.

    Ele caiu de joelhos de propósito.

    O corte passou por cima.

    O magma explodiu no vazio.

    Sistema:

    Probabilidade de sobrevivência atualizada: 47%

    Genjiro travou.

    — Você tava morto!

    Ryuji se levantou devagar.

    O ferimento no abdômen…

    fechando.

    Não por milagre.

    Por decisão.

    O cérebro queimava.

    Cada pulsação era um trovão interno.

    Mas ele estava de pé.

    — Você força área.

    Ele respirou fundo.

    — Eu forço precisão.

    Genjiro avançou novamente.

    Mas algo tinha mudado.

    Ryuji não estava mais reagindo ao campo.

    Ele estava lendo Genjiro.

    Micro contrações.

    Respiração.

    Carga no ombro dominante.

    A cada golpe—

    Ryuji se movia 0,1 segundo antes.

    Não porque era mais rápido.

    Porque estava processando melhor.

    Sistema:

    Novo Caminho Detectado.
    Técnica Identificada: Reversão Sen.
    Status: Instável.

    Genjiro percebeu.

    — Você tá usando o cérebro demais…

    E ele tinha razão.

    A visão de Ryuji começou a duplicar.

    Som distorcido.

    Dor atrás dos olhos.

    Se errasse o fluxo…

    o colapso vinha.

    Mas ali estava a diferença.

    Genjiro adaptava o campo.

    Ryuji adaptava a si mesmo.

    O machado veio num arco impossível.

    Sem padrão.

    Sem atraso.

    Genjiro tinha quebrado o próprio ritmo.

    Morte certa.

    Ryuji não tentou prever.

    Ele tomou a decisão mais absurda da luta.

    Ele avançou direto na lâmina.

    Genjiro arregalou os olhos—

    Mas no último milímetro—

    Ryuji inclinou o corpo usando o próprio corte superficial como eixo de rotação.

    A lâmina atravessou de raspão.

    Dor absurda.

    Mas não fatal.

    Ele entrou colado.

    Perto demais para ativação plena.

    CTD surgiu na mão.

    Curto.

    Limpo.

    Perfuração lateral no tórax.

    Sistema:

    A Ameaça Genjiro perdeu 21% da Vitalidade.

    Genjiro cambaleou.

    Não derrotado.

    Mas atingido.

    E entendeu.

    Ryuji não era só leitura.

    Não era só velocidade.

    Ele estava evoluindo durante a morte.

    Ryuji recuou dois passos.

    Respiração pesada.

    Olhos brilhando diferente.

    Não como rei.

    Como estrategista absoluto.

    — Você quase me matou três vezes.

    Ele cuspiu sangue.

    — Eu só precisei sobreviver uma.

    O campo inteiro sentiu.

    Não era supremacia física.

    Era algo pior.

    Ryuji Arata não lutava para ganhar.

    Ele lutava para aprender.

    E isso…

    é muito mais perigoso.

    O campo estava destruído.

    Magma esfriando.
    Ar pesado.
    Cheiro de ferro.

    Genjiro Okabe respirava fundo, encarando.

    Ryuji Arata limpava o sangue do rosto.

    O vários cortes ainda estavam abertos.

    Profundos.

    Feios.

    Genjiro riu baixo.

    — Você tá em pé por orgulho.

    Ryuji não respondeu de imediato.

    Ele fechou os olhos.

    A aura que normalmente vibrava para fora…

    recolheu.

    Silenciosa.

    Concentrada.

    Kaede sentiu de longe.

    Kaede Shizuma franziu o cenho.

    — De novo…

    O fluxo mudou.

    Não havia explosão.

    Não havia brilho exagerado.

    Só… ajuste.

    O corte começou a fechar.

    Primeiro por dentro.

    Depois na superfície.

    A respiração de Ryuji estabilizou.

    O peso no corpo sumiu.

    Ele abriu os olhos.

    Claros.

    Firmes.

    Inteiros.

    — Você tá se regenerando de novo…? — Genjiro murmurou.

    Ryuji girou a CTD na mão.

    — Não é regeneração.

    Ele inclinou levemente a cabeça.

    — Eu só mudei o fluxo.

    Genjiro estreitou os olhos.

    — Fluxo?

    Ryuji deu de ombros.

    — Em vez de jogar meu Sen pra fora… eu reorganizei ele.

    Um passo à frente.

    Seguro.

    — Só isso.

    Nada de explicação detalhada.

    Nada de revelar caminho.

    Mas quem entendia de Sen sabia.

    Aquilo não era “só isso”.

    Aquilo exigia controle absurdo.

    O cérebro de Ryuji latejou.

    Uma fisgada atrás dos olhos.

    Mas ele não demonstrou.

    Sistema:

    Estado físico: 100%
    Estresse neural: Elevado.

    Ele ignorou.

    Olhou para Genjiro.

    — Agora a gente continua.

    Mas antes que avançasse—

    Um impacto ecoou à direita.

    Kaede foi lançado contra uma coluna rachada.

    Saka avançava sem parar.

    Golpes curtos.
    Precisos.
    Sem desperdício.

    Kaede bloqueava no limite.

    Respiração pesada.

    — Ele não para…!

    Saka não sorria.

    Ele calculava.

    Cada troca de golpes era pensada para desgastar.

    — Você depende de explosão — Saka disse frio.
    — Eu dependo de consistência.

    Do outro lado—

    Naki estava em desvantagem.

    Naki sangrava na testa.

    Tsubasa Hayashi o pressionava com cortes rápidos, ritmo irregular.

    — Cadê seu capitão agora!? — Tsubasa provocou.

    Naki avançou mesmo assim.

    Teimoso.

    Orgulhoso.

    Mas estava sendo empurrado.

    Ryuji viu tudo.

    Tudo ao mesmo tempo.

    Genjiro à frente.

    Kaede pressionado.

    Naki quase quebrando.

    Ele poderia focar no próprio duelo.

    Ser estratégico.

    Ser frio.

    Mas essa escolha custaria o time.

    Genjiro percebeu o olhar.

    — Você não pode estar em três lugares.

    Ryuji respirou fundo.

    Agora era diferente.

    Antes ele lutava para vencer o oponente.

    Agora precisava decidir o campo inteiro.

    Ele não era o mais forte ali.

    Genjiro ainda era um monstro.

    Saka era constante.

    Tsubasa era imprevisível.

    Mas Ryuji tinha algo que os outros não tinham naquele momento.

    Clareza.

    Ele girou a lâmina.

    A aura subiu.

    Não explosiva.

    Não arrogante.

    Controlada.

    — Então eu não vou estar em três lugares.

    Ele flexionou o corpo.

    O chão afundou sob os pés.

    — Eu vou estar no lugar certo.

    Continua…

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