Capítulo 63 - Cinzas Não Mentem
O silêncio pesou.
O campo voltou… mas ninguém estava inteiro.
Naki respirava curto.
O ombro deslocado.
As chamas, fracas.
Kaede Shizuma tentou ficar de pé — falhou na primeira, conseguiu na segunda.
Do outro lado—
Genjiro Okabe ainda estava de pé.
Ferido.
Queimado por dentro.
Mas vivo.
Tsubasa Hayashi estabilizou o fluxo na marra.
Respiração controlada.
Saka já tinha voltado à postura.
Ninguém falou por três segundos.
Foi o suficiente.
Genjiro avançou.
Sem aviso.
O chão rachou no primeiro passo.
Naki tentou levantar a guarda—
Lento.
Tarde.
O soco acertou o tórax.
O corpo dele dobrou.
Kaede entrou para interceptar—
Saka já estava ali.
Cotovelo curto nas costelas.
Quebrou o ritmo.
Tsubasa surgiu pelo ângulo morto.
Chute direto no rosto de Naki.
Impacto limpo.
Naki foi ao chão.
Sem rolar.
Sem reação.
Kaede gritou e avançou com o resto da Kidou.
Explodiu em velocidade—
Acertou Genjiro no queixo.
Finalmente.
Genjiro recuou meio passo.
Só meio.
Respondeu com o machado.
Kaede bloqueou.
Mas não segurou.
Foi lançado contra o chão.
O impacto ecoou seco.
— Acabou a brincadeira — Genjiro disse, baixo.
Naki tentou se levantar.
O corpo não respondeu na primeira tentativa.
Na segunda… tremendo.
Na terceira… ficou de joelhos.
Ele puxou o ombro deslocado de volta.
Estalo seco.
Dor absurda.
Mas voltou.
As chamas reapareceram.
Fracas.
Instáveis.
Ciano falhou.
Branco piscou.
Preto mal sustentava.
Tsubasa observou.
— Sem área agora, né?
Naki não respondeu.
Ele não tinha energia pra falar.
Só pra pensar.
Genjiro avançou de novo.
Dessa vez para finalizar.
Punho fechado.
Peso total.
Naki não desviou.
Ele deixou vir.
No último instante—
Um passo mínimo pro lado.
O golpe raspou.
Não evitou tudo.
Mas o suficiente.
Naki encostou dois dedos no braço de Genjiro.
Preto.
Não explosão.
Consumo.
Genjiro travou por meio segundo.
Fluxo falhou.
Pequeno.
Mas real.
Kaede viu.
— Agora!
Ele forçou o corpo além do limite.
Kidou gritou nos músculos.
Ele avançou.
Socou o mesmo ponto.
Genjiro sentiu.
Dessa vez recuou dois passos.
De verdade.
Saka tentou entrar—
Naki interceptou com o resto de controle.
Uma chama branca tocou o punho dele.
Saka errou o timing pela primeira vez.
Um erro pequeno.
Mas erro.
Tsubasa parou.
Olhou os dois.
De verdade.
Não como presas.
Como problema.
— Mesmo assim…
Ele soltou um pouco mais de Sen.
A pressão subiu.
O ar pesou.
— Vocês ainda vão cair.
Kaede estava no limite.
A Kidou começando a falhar de vez.
O corpo já não acompanhava.
Naki mal sustentava as chamas.
Mas agora era diferente.
Eles não estavam tentando vencer.
Estavam tentando não cair.
E isso mudou tudo.
Genjiro avançou mais uma vez.
Dessa vez sério.
O golpe veio pra encerrar.
Kaede entrou na frente.
Não por estratégia.
Por escolha.
Ele segurou.
Os dois pés afundaram no chão.
Os músculos rasgando.
— Eu não vou cair aqui!
O machado desceu.
O braço de Kaede cedeu.
Mas não quebrou.
Não ainda.
Naki apareceu ao lado.
Último resto de Sen concentrado.
Ciano.
Um toque rápido no peito de Genjiro.
O fluxo dele falhou no momento do impacto.
Kaede empurrou.
Genjiro foi afastado.
Pouco.
Mas foi.
Os dois ficaram lado a lado.
Destruídos.
Sangrando.
Respirando pesado.
Mas de pé.
Do outro lado—
Genjiro.
Tsubasa.
Saka.
Ainda superiores.
Ainda perigosos.
Mas…
Não intocados.
Tsubasa quebrou o silêncio.
— Entendi.
Ele ajustou a postura.
— Vocês não vão vencer.
Pausa.
— Mas também não vão cair fácil.
O vento passou pelo campo.
E pela primeira vez desde o início do round…
o equilíbrio não era só deles.
O campo ainda tremia.
Kaede Shizuma mal conseguia manter a postura.
Naki respirava como se cada puxada de ar cortasse por dentro.
Do outro lado—
Genjiro Okabe girou o ombro.
Tsubasa Hayashi deu um passo à frente.
Saka já fechava o ângulo.
Execução.
Sem pressa.
Sem erro.
Genjiro avançou.
O golpe vinha pra apagar Kaede.
Direto.
Bruto.
Sem espaço pra defesa—
— Para.
A voz cortou o campo.
Baixa.
Mas absoluta.
Silêncio.
Genjiro parou o golpe a centímetros.
Não por medo.
Por instinto.
Algo estava errado.
Atrás deles—
Ryuji Arata estava de pé.
A cabeça baixa.
Respiração lenta.
Mas o campo inteiro sentiu.
Não era explosão.
Era presença.
Densa.
Pesada.
Como se o espaço reconhecesse.
Tsubasa estreitou os olhos.
— …Você demorou.
Ryuji ergueu o rosto.
Os olhos não estavam vazios.
Nem frios.
Estavam focados.
Demais.
— Acabei de chegar.
Ele deu um passo.
O chão cedeu leve.
Não por força.
Por pressão.
Naki sorriu de leve.
Mesmo quebrado.
— Demorou, desgraçado…
Mas ele não parou.
Levantou a mão.
Os dedos tentaram formar o selo.
De novo.
— Área de Convergência—
Nada.
O Sen não respondeu.
Só um vazio seco.
A mão dele tremeu.
Ciano tentou acender.
Falhou.
Branco piscou.
Morreu.
Preto… nem surgiu.
O braço caiu.
Pesado.
Sem força.
Ele riu baixo.
Sem humor.
— …É.
Tsubasa percebeu na hora.
— Ele zerou.
Genjiro sorriu.
— Então acabou pra você.
Naki não respondeu.
Só ficou de pé.
Mesmo sem nada.
Ryuji passou por ele.
Sem olhar direto.
Mas entendendo tudo.
Um segundo.
Foi o suficiente.
— Você fez o suficiente.
Simples.
Direto.
Naki soltou o ar devagar.
Como se o corpo finalmente aceitasse cair—
Mas não caiu.
Ficou.
Porque ainda não acabou.
Ryuji parou à frente.
Entre os três.
E os dois.
Entre o fim.
E o resto.
Genjiro ergueu o machado.
— Agora sim.
Tsubasa soltou mais Sen.
Saka se moveu lateralmente.
Dessa vez—
Sem teste.
Sem leitura.
Sem espera.
Ryuji girou levemente o pescoço.
Estalo seco.
E assumiu postura.
— Vem.
O ar afundou.
Não explodiu.
Afundou.
E todo mundo sentiu:
Agora…
a luta mudou de dono.
O ar ainda estava pesado.
Ryuji Arata deu o primeiro passo.
E sumiu.
Não foi velocidade limpa.
Foi quebra de ritmo.
Ele apareceu na frente de Genjiro Okabe já atacando.
A lâmina subiu direto pro pescoço—
Genjiro bloqueou com o cabo do machado.
Impacto brutal.
O chão cedeu.
Ryuji tentou continuar a sequência—
Saka já estava entrando pelo lado.
Saka cortou na diagonal.
Ryuji desviou por milímetros.
Tsubasa surgiu atrás.
Tsubasa Hayashi não atacou.
Ele leu.
Esperou o movimento de saída.
E então—
Corte curto.
Limpo.
Pegou o ombro de Ryuji.
Sangue.
Primeiro golpe.
Ryuji recuou um passo.
Não muito.
Mas o suficiente pra mostrar.
Isso não ia ser fácil.
Genjiro avançou de novo.
Sem dar tempo.
O machado desceu.
Ryuji desviou.
Mas o impacto no chão explodiu pedra e calor.
A onda pegou ele de raspão.
O corpo saiu do eixo.
Saka aproveitou.
Golpe direto nas costelas.
Som seco.
Ryuji travou por meio segundo.
Meio segundo demais.
Tsubasa entrou.
Chute direto no rosto.
Ryuji foi lançado.
Rolou no chão.
Parou de joelhos.
Silêncio.
Kaede arregalou os olhos.
Kaede Shizuma não acreditava.
— …Eles tão pressionando ele.
Naki, ao lado, respirava pesado.
Mas entendeu.
Naki falou baixo:
— Eles não são mais os mesmos de antes.
Ryuji cuspiu sangue.
Levantou devagar.
Olhou os três.
Dessa vez…
de verdade.
Não como alvo.
Como problema.
— Três… sincronizados.
Ele ajustou a postura.
Respiração mais controlada.
Mais baixa.
— Sem brecha óbvia.
Genjiro sorriu.
— Achou que ia chegar e resolver?
Ele avançou.
Tsubasa já se movia junto.
Saka fechando o terceiro ponto.
Triângulo perfeito.
Ryuji tentou quebrar pelo lado mais fraco—
Não tinha.
Saka interceptou.
Tsubasa puniu.
Genjiro esmagou.
Sequência limpa.
Ryuji bloqueou dois.
Tomou o terceiro.
E o quarto.
E o quinto.
O corpo começou a pesar.
Os movimentos ficaram meio passo mais lentos.
E eles perceberam.
Tsubasa falou baixo, no meio da troca:
— Você tá cansado.
Ryuji não respondeu.
Mas era verdade.
A mente ainda estava carregada.
A Reversão tinha cobrado.
O corpo estava no limite.
E agora—
Três monstros na frente.
Genjiro veio com tudo.
Ryuji tentou contra-atacar—
Mas Saka cortou o tempo.
Tsubasa fechou o espaço.
O golpe de Genjiro conectou.
Direto no abdômen.
O ar saiu.
Ryuji travou.
Por um segundo.
Só um.
Mas suficiente.
Saka apareceu.
Golpe no joelho.
Ryuji caiu de um lado.
Tsubasa veio finalizar—
Mas Ryuji girou no chão.
Desviou por instinto.
Levantou no impulso.
Respiração falhando.
Mas de pé.
Ainda.
Silêncio curto.
Os quatro se encararam.
Dessa vez…
sem ilusão.
Ryuji entendeu.
Claro.
Frio.
Direto.
— Se eu errar uma vez…
Ele firmou o olhar.
— Eu caio.
Genjiro levantou o machado.
Tsubasa sorriu de lado.
Saka ajustou a base.
E avançaram juntos.
Sem hesitar.
Sem abrir espaço.
Sem dar tempo.
Ryuji foi.
Não porque estava pronto.
Mas porque não tinha escolha.

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