POV Pierre

    Minha vida era perfeita. Recém assumi o cargo de presidente do grêmio estudantil, trouxe o primeiro troféu de atletismo da escola, estava tirando ótimas notas, até que… Tudo se tornou um desastre. Meus amigos morreram e eu fui o único restante da minha sala de terceiro ano.

    Tentei procurar por sinal de vida, mas tinha ouvido algo.

    [Você está adentrando a Zona de Risco Escola Platus]

    Não sabia o que estava acontecendo. O corredor havia mudado, desde o material do piso até a decoração. Ficou tudo com um tom antigo. Não sabia o motivo de tal coisa estar ocorrendo, mas não podia ficar parado, afinal, eu não estou sozinho. Notei, nas sombras, um ser anormal correndo em minha direção.

    Corri pelas escadas e adentrei em um corredor com quadros cobertos. Em segundos, a mesma fera se aproximou e tentou me atacar. Consegui desviar, mas trombei com um quadro e ouvi minha voz me dizendo.

    [O quarto secreto “Paisagem Bucólica” foi encontrado. Recompensas à altura serão dadas.]

    Notei o que parecia ser o topo de uma masmorra, mas sem sinal de ninguém. Estava tudo vazio e ensanguentado, então, fui descendo as escadas cautelosamente. No final, vi aquela criatura horrorosa devorando cadáveres de outras bestas. Me aproximei cautelosamente.

    [Você está prestes a adentrar o último cômodo do quarto secreto “Paisagem Bucólica”. Está preparado?

    Caso não, poderá adentrar assim que desejar. Contudo, entrar no último cômodo impossibilita o retorno para os cômodos anteriores.]

    Antes que pudesse dar uma resposta, vi aquela boca ensanguentada olhando até mim:

    — Ora, ora… Alimento fresco…!

    — P-Por favor, não!

    Comecei a tremer. Estava suando frio e com medo. Eu não era assim, mas foi melhor ser dessa maneira nesse momento. Ele riu de mim e disse:

    — Hehe… Não como os fracos, só os fortes

    — Só n-não me mate, por favor!

    — Eu já disse, eu não como os fracos…

    — E-Então eu posso ir?!

    — Também não…

    — Por favor, eu te imploro! Eu faço qualquer coisa!

    — Ah, é?

    O vi pensando por minutos que pareceram uma eternidade.

    — Como me tiraram do meu habitat natural, perdi minha fonte de comida… Quero que você compense isso, garoto!

    — O quê…?

    — Me traga alimento! Me traga os fortes! Traga-me os seres inferiores mais poderosos que conhecer! E aí, quem sabe… Você não poderá sair?

    — E-Eu trago!

    — Mas, se um dia, eu estiver com fome… Preciso que fique forte o suficiente para eu comê-lo! Então, pegue isso

    O vi arremessando o que pareciam algumas bolinhas coloridas. Ao tocar nelas, senti uma onda de energia percorrendo meu corpo. Em seguida, ele tornou a falar:

    — Para ficar mais forte, quero que abata as vítimas com minha lâmina na hora certa! Vamos, eu te libero para trazer alimento até mim!

    — Espera… O que é tudo isso?

    Ordog me contextualizou da situação. Disse também que, ao acordar aqui, descobriu que tinha total influência em como customizar o ambiente. Assim, abateu todas as criaturas e logo em seguida criou soldados a partir de seu Hao. Ele é bem forte, então, se eu quisesse sair vivo, teria que me tornar tão forte quanto. Pegar a espada dele seria a melhor maneira, tendo em vista que ele controla os itens não obrigatórios do local.

    Planejamos ilusões para fazer uma morte falsa minha ao atrair as pessoas, mas tive sorte de atrair Ferdinand e Jacques em seguida. Ordog também me ensinou o básico de controle do Hao e da minha Rachadura. Com isso, consigo ficar um pouco mais forte e me preparar para minha futura traição. Parece que o tempo passa diferente aqui dentro do último cômodo.

    Fui informado de que existia uma única arma especial: uma lâmina curvada. Contudo, não a encontrei após ter sido liberado. Ele me deu um de seus mantos rasgados e me ordenou trazer comida. Contudo, mesmo tremendo, eu não queria morrer. Foi ótimo ter sentido medo. Agora, me sinto muito mais leve.


    POV Jacques

    Acordei.

    Não sinto tanta dor igual estava antes e me sinto mais forte. O que aconteceu?

    Olhei ao redor e percebi que estávamos no local da luta. Ordog estava morto e seu corpo havia sido completamente dilacerado.

    — Espero que esteja se sentindo melhor

    — Eu estou…

    — Um simples pedaço de núcleo e ainda sim, poderoso…

    Vi Pierre falando enquanto me olhava com um sorriso. Todos pareciam estar calmos e tranquilos, além de estarem recuperados. Pierre me contou tudo, desde que chegou aqui e seu plano efetivo de traição. O vi sem a capa e realmente era outra pessoa. Além de estar mais sorridente, não fica com uma impressão de medo.

    — Você fingia estar nervoso e com medo ou era natural?

    — Um pouco dos dois, sendo sincero. Seja por ocorrer a chance de condenar alguém ao prato de Ordog e por que precisava parecer assim para que algum grupo me acolhesse. No final, levei propositalmente vocês para o quadro. Ferdinand já estava aqui quando voltei, mas ele me disse que chegou aqui da mesma maneira que entrei primeiro. Como eu tinha licença para sair e entrar do próprio Ordog, era eficaz. Claro que meu foco seria evitar as mortes, mas ainda sim, tinha um pouco de medo

    — Entendi. Peço desculpas pelo meu julgamento anterior

    — Não se preocupe. É normal que sentisse raiva e desconfiança de mim. Não sou um bom ator, sendo sincero

    O vi rir um pouco enquanto o ambiente parecia minimamente agradável. Era irônico pensar que encontraria algo semelhante à paz tão cedo. Mesmo assim, me sinto desgastado. Acho que usei meu Hao demais. Queria dormir por um dia inteiro até que eu me sentisse completamente recuperado.

    Mesmo assim, ainda tinha muita coisa a fazer.


    POV Paul

    Limpamos mais um andar. Ainda não tive sinal do Jacques e dos outros. Por enquanto, Ferdinand ainda está desaparecido, assim como Caio. A maioria dos corredores sequer continham portas neste andar. Contudo, ainda resta o último andar. Se meus irmãos não estão por aqui, só podem estar com Jacques ou no andar superior.

    Katia era muito boa lutando. Seu manejo com a espada era fenomenal e seu jogo de pernas era invejável. Contudo, fico feliz que já tenham começado a perder o nojo de dissecar as criaturas para pegar seus núcleos. Quanto mais forte ficássemos, melhor. Peter estava indo bem, provavelmente graças às “aventuras” depois da escola que o trio fazia, mas, mesmo assim, me surpreendi com sua adaptação. Depois, peguei e guardei alguns núcleos para mim.

    Milo parecia mais cansado, mesmo após ter absorvido alguns núcleos. Provavelmente, graças ao que ocorreu. É estranho fingir que nada aconteceu, mas seria melhor.

    — Consegue utilizar o fogo de novo, Milo?

    — Acho que não. Me sinto um pouco cansado…

    Seguimos as escadas para o último andar. Tudo culmina aqui. Se não os encontrasse por aqui, não os veria em lugar algum. O medo de estarem mortos me assusta ainda, ainda mais que os cômodos mudaram. Pelo que meu irmão me disse, as salas de aula desapareceram após entrarem nos corredores.

    Esse terror me percorria, mas não era hora disso.

    Chegamos no andar mais alto e vi uma figura ensanguentada caída de costas, enrolada em panos. Ela parecia estar gemendo de dor. Aparentemente, era humano. Me aproximei calmamente enquanto sinalizei para que eles se mantivessem distantes. Puxei a espada e cutuquei com a ponta a figura, que reagiu:

    — Socorro…

    O vi se virando até mim e meu corpo travou numa expressão surpresa. Seu rosto era facilmente reconhecível, afinal, convivi anos da minha vida com ele.

    — Caio?!

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