Índice de Capítulo

    No interior da Tribuna de Honra…

    — Olá a todos da Arena Shang Mu, lutadores e assistentes. Aqui quem fala é sua juíza de combate, Ana Andirá. O torneio Tormenta começará dentro de vinte minutos. Preparem-se…

    A voz de Ana, rica em nuances, com timbre encorpado, não só avisou aos combatentes ao longo dos corredores rubros do local milenar como mostrou sua outra designação na competição: arbitrar.

    Os quatro cantos da arena ouviram o aviso: da Zona Administrativa do Monastério Omna, onde Joshy estava lá observando o movimento, passando pelo salão nobre onde Theo Monsenhor Sesto abrigava seu time, até onde Kaura Shiran meditava com seus aliados.

    A mobilização trouxe algazarra, mas desta vez mais leve — sem brigas, mas com animação.

    Entretanto, Bryan O’Brian, Ana Andirá e Huli Hu Li não tinham esse sentimento de amparo.

    Pelo contrário: era quase um momento de guerra.

    Situados no interior da Tribuna de Honra, o lugar se transformou em um tipo de refúgio por parte dos organizadores — não era só por status ou vaidade.

    O isolamento estava sendo utilizado a favor do trio, para que os planos após a descoberta de uma mácula ter reativado o alerta.

    Tão logo Ana terminou seu anúncio, Huli Hu Li assumiu interfone dessa vez.

    O recado foi muito mais formal.

    — Senhoras e senhores, o tempo urge. Peço que parem com as inimizades e reações negativas para com o próximo. Somos artistas marciais, íntegros e diante éticas de conduta. Obrigado.

    Em contraponto, a voz máscula, madura, com timbre quente do raposo impôs respeito, onde os lutadores entenderam a mensagem, fazendo uso do bom senso.

    Embora as inimizades e provocações veladas continuassem, a vantagem era clara: ninguém estava mais brigando fisicamente.

    O cenário na Tribuna de Honra, agora transformada em um verdadeiro bunker, era de tensão.

    Uma grande mesa central estava sendo usada como suporte gerencial.

    Várias anotações milenares — estudos, bases, artigos antigos e até esquemograma — estavam dispostos sobre a plataforma, com o trio conversando sobre os próximos passos.

    Eles tinham em torno de vinte minutos para planejarem o que fazer.

    A aura de Ana estava acesa — cor azul escuro, Nirvana aflorado — onde um pulso sonoro parecia ir e voltar de seus ouvidos.

    Era a técnica Orbital Auditivo sendo usada.

    — Sr guardião Huli — ela falava. — Consegui ver a movimentação pelos corredores. Não há nenhuma briga.

    Bryan voltou com seu sorriso, mas não com o mesmo brilho.

    — Meus garotos e garotas estão mansos. Parabéns, nobre Huli.

    O rosto fechado do ruivo deixou evidente seu estado de espírito.

    — O externo não importa. O Samsara é atraído pelo o que não se vê. Internamente eles o alimentam, mesmo com o fogo baixo. Não se iluda, honorável Bryan O’Brian.

    O urso, um pouco sem graça, tomou a palavra,

    — Samsara é o inverso de Nirvana, não é? — sua voz tinha dúvida sincera, gestos atabalhoados com as mãos nos papéis. — Nunca perdi tempo estudando essa coisa.

    Sua secretária notou sua falta de informação.

    O urso pardo poderia ser um Showman de sucesso, mas estudos filosóficos milenares e teorias marciais intrínsecas eram um campo onde não possuía pleno domínio.

    Ela, prestativa, explicou brevemente.

    — O que liberta: o Nirvana; o que aprisiona: o Samsara.

    O raposo ajudou na explicação retirando de um tubo grifado, expôs à mesa um esquemograma detalhado do Tratado do Samsara.

    Era em papel arroz envelhecido, que Huli tinha extremo cuidado — até retraiu suas unhas vulpinas.

    — Esse pedaço de papel tem mais importância que qualquer palavra dita aqui — Huli levantou o valor histórico.

    Antes que começassem a entrar no assunto, o pardo ainda tinha dúvidas.

    — Até agora não entendo o motivo de tantos apetrechos. Não seria mais fácil irmos até meus lutadores para descobrir quem é o contaminado?

    Huli foi categórico.

    — Nós três devemos estar no mesmo nível de conhecimento acerca do Samsara, honorável Bryan. E temos menos de vinte minutos para integrarmos nossas forças.

    — Okay, guardião — mostrou o polegar. — Você quem manda, por enquanto.

    Tomadas as providências burocráticas, o guardião da Arena Shang Mu começou com a leitura.

    Com o Tratado do Samsara logo a frente dos três na mesa, a explicação seguiu:

    — Vocês podem olhar para esse esquema e ver similaridade com o Estudo do Nirvana. A resposta: Samsara é o ciclo imutável da dor.

    — Como assim? — falava Bryan. — Você disse mais cedo que o Samsara é o mal supremo. Explique melhor!

    Huli tomou fôlego e atendeu ao chamado.

    — Vamos às fases. Com elas será mais fácil que compreenda.

    O raposo se posicionou, apontando o primeiro estágio.

    — Veja aqui: o Elemento Corrompido. Explicando melhor a primeira fase, o lutador deixa de escolher um elemento e ELE se torna um. Não se enganem: não há refino. É a chamada “não escolha” do indivíduo. O estado mor da agonia silenciosa de sua alma.

    Huli deslizou o dedo pelo papel, correlacionando com o outro, que sintetizava com uma língua antiga.

    — Aqui está escrito que “o indivíduo deixa de escolher ‘para onde ir e como agir’, se comportando por intermédio do pré determinado”. Isso vai além de seguir ordens; é aprisionamento total do ego.

    Até Ana, que tinha conhecimento básico, se assustou.

    Suas asas se retraíram, abraçando o próprio corpo — cobriu ombros e parte do peitoral. — e com tensão no olhar.

    Bryan, do contrato, estava cético.

    — Como isso pode ser possível? Cada um tem seu próprio elemento, é a regra do Nirvana!

    — Não estamos em um caminho de luz, honorável Bryan O’Brian — retrucou Huli. — Quero que entenda, sem pormenores, que o Samsara não é um caminho. É um estado.

    — Mas como alguém pode se tornar um elemento? Isso não fecha, não dá liga! Pelo o que sei de Nirvana, todo lutador tem seu próprio caminho de acordo com o que planejou! Não… esse conceito é quebrado!

    O raposo pôs uma das mãos no queixo, expressando estar pensativo.

    Sua dúvida não era Bryan não entender e sim vê-lo compreender a realidade.

    Certo disso, caminhou para longe da mesa, fitando Bryan.

    O urso, curioso, disse:

    — O que foi agora?

    — Honorável Bryan, venha até aqui no centro e aflore seu Nirvana.

    Isso ocasionou reações imediatas no urso, que franziu sua testa em surpresa e, principalmente, em Ana, que descontraiu suas asas tão rápido que quase bagunçou a mesa.

    Ela ficou impactada com o pedido.

    — Sr guardião Huli, peço que reconsidere esse pedido.

    O raposo era um exímio conhecedor das artes marciais.

    Com sua natureza vulpina, a curiosidade pela reclamação atiçou ainda mais esse sentimento.

    Ele ignorou os porquês e indagou:

    — Sem prática, ele não poderá compreender o cerne da questão — ele insistiu, e pensou. — “Algum segredo orbita este urso.”

    Bryan era um lutador mas, muito além disso, ele era um veterano que adorava desafios.

    Ele estendeu a mão para sua secretária, que se acalmou — ela sabia do que se tratava, e ainda mais até onde seu chefe era capaz de ir.

    Ele retirou seu blazer, o colocando sobre a poltrona que estava mais cedo.

    Caminhou sorrateiro, digno de alguém cuidadoso por fora mas que guardava um quê a mais por dentro.

    — Guardião, devo avisar que faz mais de 10 anos que não afloro meu Nirvana…

    — E por que não o fez por tanto tempo assim?

    — Hehe… porque, na última vez, eu estava lutando para vencer o Torneio Mestre da Costa Sul… — falastrão, pensou em seguida. — “Quase não sobrou muito do meu adversário naquele dia. Hehe, a nostalgia bateu forte agora.”

    — Hm… curioso… — a indiferença de Huli contratava com sua curiosidade. — “Vá, me mostre. O que tanto Ana temia?!”

    Pois bem, a aplicação veio instantânea: com uma leve contração de tronco, uma impressionante explosão de Nirvana rubro realçou por todo o corpo de Bryan.

    Huli precisou unir os braços para evitar ser atingido com a potência — era quase como se defletisse um golpe potente.

    Sem ruídos, a força imposta pela gama de energia do Chi do urso era tão poderosa que empurrou o ruivo para trás dois metros, mesmo que forçasse seus pés no chão.

    — “Ele… é um monstro…”

    O urso não cessou seu Nirvana. A carga imposta não perdia a força — a mantinha do mesmo jeito.

    — A massa, a cor rubra, o calor efervescente… Tudo isso corrobora com a explicação da primeira fase do Samsara! — a demonstração continuou. — Seu elemento é o fogo, isso é notável… e seu controle é esplêndido, honorável.

    — Estou comovido, hehe… — Bryan parecia se divertir, o sorriso tinha o brilho de mais cedo.

    Embora envolvido pelo vislumbre de aflorar o Nirvana após o longo período, a explicação era um norte que Bryan queria saber.

    Huli escreveu isso ao ler sua feição.

    — O Elemento Corrompido age como vingança: só resta o veneno… — ele sustentava a pressão ainda. — O Samsara aflorado não geraria o contrário do que você está mostrando… e sim a ampliação imoral dessa gama!

    O entendimento chegou ao urso — ele sinalizou positivamente com a cabeça, ao recliná-la — mas isso, para Huli, ficou em segundo plano.

    O motivo: ele viu a morcega secretaria logo atrás de Bryan, emanando uma aura azul escuro.

    Seus olhos também brilhavam — da mesma cor roxa de seus olhos penetrantes — onde pôs as duas mãos nas costas de seu chefe.

    Um diálogo breve ocorreu.

    — Sr Bryan, acho que já está bom. Posso ajudá-lo a conter o Nirvana? Dez anos segurando isso é pesado.

    — Claro, minha nobre. Vá em frente.

    Como em um passe de mágica, o pardo retraiu sua força, envolvido pela aura de sua secretária, voltando ao normal segundos depois.

    Isso marcou Huli em duas óticas, como o raposo deixou evidente em seus pensamentos:

    — “Isso é impressionante, de todas as formas possíveis!” — ele cessava sua aura; respiração ofegante e braços abaixados. — “Nirvana refinado. Estou sem palavras.”

    Seu olhar atônito durou menos de três segundos mas, em seu íntimo, isso levou uma eternidade.

    — “Isso era para ser uma aula, para mostrá-lo do que estamos prestes a lidar, porém o que vi dele muda tudo que sabia desse indivíduo chamado Bryan O’Brian.”

    E não acabou por aí suas impressões: havia a parte correspondente ao que Ana Andirá havia realizado.

    — “E essa morcega… Eu precisei aflorar meu Nirvana para suportar a muito custo a pressão desse urso, mas ela, sem cerimônias, sem esboçar o mínimo esforço, não só se aproximou dele como o ajudou a retrair?!”

    Ao mesmo tempo, a dupla, sorridente, voltou para o centro, com a secretária portando seu tablet e Bryan voltando a vestir seu blazer.

    — Pronto, hehe… — caminhou até próximo de Huli. — Não gosto de ir a aulas sem estar devidamente vestido. Dicas valiosas de moda do nosso convidado Theo Monsenhor Sesto, hehe.

    Caminhando para próximo de seus aliados, Huli frisou:

    — Se isso fosse Samsara, não haveria ‘conter’: haveria colapso.

    Bryan entendeu a gravidade, franzindo a testa. Ana ajeitou seus óculos, em sinal de acordo.

    Restabelecida a razão, o raposo ruivo se recolocou no eixo, centrado como sempre mostrou.

    O abalo da surpresa sumiu em instantes, não deixando frações de seu vislumbre recente.

    A explicação prática seguiu para a teoria.

    — Agora você sabe a magnitude. Está pronto para as proporções? — disse Huli, o olhando nos olhos.

    — É claro, caro guardião. Continue.

    Os três voltaram à mesa, com a aula retomada no Tratado.

    — Segunda fase: O Samsara. Nele, não há aflorar… e sim definhar.

    — Definhar? Isso quer dizer que essa coisa se alimenta da pessoa, não é?

    — Perfeitamente, honorável Bryan. Sendo ele próprio o elemento, é utilizado como fonte de energia, abandonando sua essência. Pode ser aos poucos… ou imediato.

    Deixando claro que a demonstração de Nirvana recente não foi vaga, Bryan sintetizou esse entendimento.

    — Okay, vamos lá: se eu não tivesse controle da minha força, isso não quer dizer que eu possuo Samsara. Estou certo?

    — Exatamente, honorável Bryan.

    — Só que, suponhamos se eu fosse esse “tal indivíduo” que está entre meus meninos… Se eu fosse ele, meu Samsara iria esmagar quem estivesse ao redor, diferente de mim, um lutador íntegro e com a moral em dia, não é?

    Poderia ser até certo ponto rústica a forma como o urso pardo explicava, mas estava dentro do entendimento correto.

    — Você compreendeu. Não é o inverso de Nirvana, e sim sua corrosão maldita. Corrói o meio e o indivíduo ao mesmo tempo.

    Sabido disso, era a hora para seguirem em frente, já que o tempo não era muito.

    Contudo, Huli adquiriu mais conhecimento dos que faziam parte daquela sala, e isso era um subterfúgio valiosíssimo.

    — “Ainda não tenho a dimensão exata do refino de Nirvana dos dois, mas de uma coisa tenho certeza: eles são aliados poderosos que eu tenho o prazer de tê-los aqui.”

    O próximo estágio estava por vir.

    — Terceira fase: Karma Distorcido — falava Huli, voz sussurrante. — É até inapropriado pôr a palavra “Karma” nesse campo tão sujo.

    Desta vez, foi Ana quem tomou a palavra.

    — No Karma, há aquele conceito que o senhor comentou mais cedo sobre “mal falso”. O Karma tanto pode ser positivo ou negativo, dependendo da índole do lutador.

    — Fico contente que nossa conversa ecoe até aqui… e foi cirúrgica.

    Ele, apontando para a figura, pegou um outro documento.

    A leitura veio, traduzida do idioma antigo:

    — Aqui está escrito “o lutador repete escolhas, justifica erros passados e transforma trauma em identidade.” Em outras palavras, é o congelamento da moral. E é aqui onde o perigo realmente está.

    — Com o que temos até agora, já é perigoso — Ana sintetizou seu sentimento.

    O guardião continuou a explicação: uma ilustração junto com notas foi mostrado.

    — Como no Estudo no Nirvana, há três tópicos.

    Tomou o documento em mãos, a leitura veio em seguida:

    — Resíduo Amplificado: culpa vira peso constante; orgulho vira cegueira. Resumindo: falência moral evidente.

    Bryan, mesmo sob os óculos escuros, expôs sua inquietação.

    Huli percebeu, e continuou com a sintetização.

    — Julgamento Viciado: toda ação é filtrada por medo, rancor ou vaidade. O lutador mostra sua natureza predatória, mas da pior espécie: destruição da índole, tanto dele como do adversário.

    — Sempre o lado não só ruim, mas o pior que um lutador pode ser… — Bryan estava prestando atenção.

    — Você está correto, honorável — Huli realçou a certeza. — E chegamos ao pior estágio desta distorção: Destino Falso.

    Ele tomou fôlego, evidenciando um pesar na voz — Huli mostrou desagrado em continuar.

    — É aqui que, a exemplo do Karma que conhecemos, o lutador ganha poder social, mas… ou é temido demais ou respeitado por medo, não por virtude.

    — Ambos extremos… são degradantes! — a morcega fechou o assunto.

    — Sim… Aqui já não está o que um lutador se orgulha: subjugar torna-se o objetivo, veneno, mutila mentalmente a todos… e os entrega não só à destruição moral mas também tudo relacionado ao social. Absolutamente.

    Conforme as etapas avançaram, o temor crescia — era visível isso em seus rostos.

    Bryan se afastou, indo até o vitral que dava visão à arena de luta.

    Foi um ato isolado, inesperado.

    Ele buscou respiro, onde a tensão o contagiou não de um jeito saudável — era o reflexo da responsabilidade que possuía.

    Nem mesmo os anos como lutador e profissional no mundo da promoção de torneios foram páreos contra os fatos levantados.

    — Honorável Bryan, algum problema? — o observou, de longe.

    — Hm… — olhar distante, voz séria. — Antes que venha com os sermões, não me arrependo de nada que fiz. Minha preocupação… é na segurança dos meus meninos.

    — Nada aconteceu. Ainda.

    — Sou do ramo das exatas, meu nobre. Quando as coisas extrapolam para um campo que eu não tenho controle, já penso no pior.

    — No pior, todos nós pensamos. O tratamento para isso é agir com o melhor que pudermos e é por isso que estamos aqui.

    — Esse tipo de Karma aí me irrita! — falou alto. — É o tipo de comportamento que ferra com meu negócio!

    — Angariar quantias monetárias não é um bom caminho para o benefício das artes marciais.

    Esse último diálogo fez Bryan se calar.

    Não era irritação dessa vez.

    Era algo próximo de… orgulho.

    Devagar, o pardo tirou seu óculos, o colocando no bolso — seus olhos ficaram visíveis.

    O rosto cheio de confiança e, até certo ponto, arrogante de Bryan deu lugar a um rosto diferente de tudo que o urso pardo já mostrou, seja em público ou no privado.

    Era um traço além do maduro.

    Huli se surpreendeu, seu olho visível se arregalou, mostrando que o baque foi tremendo.

    Internamente, definiu:

    — “Esse é o olhar de um… lutador completo!” — sua surpresa o fez sussurrar nos pensamentos. — “Seu ato de tirar o mundano da frente dos olhos é um aceno espiritual!”

    Não só isso ilustrou o momento.

    Bryan O’Brian usou as mãos: o braço direito se ergueu.

    A palma da mão, larga e calejada, volta-se para cima, como se sustentasse o teto ou buscasse energia

    O braço esquerdo desceu.

    A palma se achata voltada para o chão, paralela ao solo.

    Sua postura rígida — peito estufado, coluna ereta — completou seu evidente estado marcial.

    Havia ali alguém que seguiu um caminho.

    Alguém que Huli Hu Li, o guardião da Arena Shang Mu, não conhecia por completo.

    E esse indivíduo deu provas maciças de sua moral como lutador.

    O ato simbólico trouxe uma lágrima oculta no olho coberto pelos cabelos do raposo ruivo.

    Era a síntese suprema.

    — Esse gesto é… o Mudra Sakro — a constatação por Huli foi imediata.

    O sorriso de Ana Andirá ficou ainda mais lindo, como se a expressão de conhecimento marcial de seu chefe realçasse seu Nirvana — era genuíno a ponto de seus olhos brilharem.

    O pardo, bem a frente do raposo, deixou claro sua indignação.

    — Não é um “negócio monetário”, meu nobre… e sim toda a minha história! — Ficou imóvel como rocha. — Cada osso calcificado, cada calo adquirido… sangue e suor doados única e exclusivamente pensando nas artes marciais!

    O cerne da questão: o abandono do supérfluo foi mostrado.

    Huli viu a verdadeira imagem dele.

    — Nada compra a moral de um lutador! NADA!

    O ápice da paciência de uma besta enjaulada foi atingida.

    O raposo ruivo descreveu ainda melhor aquele gesto único:

    — Você realmente tem a Mãos de Lutador Lendário.

    O Estudo do Samsara estava na sua metade.

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