Índice de Capítulo

    Setor Nobre da Arena Shang Mu

    Corredor de acesso | Manhã

    Momentos depois da reunião de crise entre Bryan O’Brian, Ana Andirá e Huli Hu Li, a morcega e o raposo ruivo caminhavam juntos pelo corredor isolado das outras imediações da arena.

    O ar estava áspero, com os raios do sol iluminando com força o assoalho nobre e encerado.

    O plano: Bryan tinha obrigações organizacionais — ele respondia diretamente ao seu empregador, o Mayor Zao, prefeito da Cidade de Shang Mu — e a iminência do início do Torneio Tormenta lhe tomou esse tempo.

    Já Ana e Huli, por serem peças de ação e contingência, tinham um contato maior com os participantes, por isso a separação dos times.

    Os dois, caminhando lado a lado, mantiveram o silêncio, onde os ruídos dos passos eram os únicos a serem ouvidos.

    Porém, mesmo com o ajuste de deveres tratado há minutos atrás, não foi o suficiente para esgotar as duas vidas — o cerne maior.

    O guardião tinha um nome a zelar, e não tardou a ir mais a fundo no seu estado de curiosidade.

    O raposo cessou seus passos; Ana os continuou, indo mais a frente.

    Notando a pausa de seu colega, ela também parou, olhou para trás, dando sinais de estranheza.

    — Uh… o que houve, senhor Huli? — o fitou, voz cuidadosa.

    — Tenho perguntas pessoais, senhorita Ana Andirá… — ele devolveu a encarada.

    Os dois se olharam, a análise era igual.

    Ana e Huli respiraram juntos também, no mesmo ritmo, como um dueto espelhado.

    Olhar irritadiço nos dois — pressa genuína.

    — Pensei que já tinha tirado todas — Ana pôs para dentro sua gravata, que esvoaçou após uma brisa repentina.

    — Não todas… e certas coisas estão me consumindo — retrucou o raposo.

    — Temos pouco tempo, senhor Huli. Você sabe…

    — É, eu sei…

    A urgência era muita, mas Huli não poderia ir contra sua natureza.

    — Senhorita, quero saber: de onde veio? Como Bryan encontrou alguém como você?

    — Hã? — rosto inclinou para cima, postura ereta. — Sou natural de Pindorama, no extremo sul de Avalice.

    — No outro lado do mundo… Fascinante.

    A primeira pergunta veio fácil.

    Entretanto, a segunda teria um grau maior de intimidade.

    — Senhor Huli, quando perguntou “alguém como você” estava se referindo a quê?

    — Suas capacidades são exemplares e suas habilidades especiais estão muito além do que uma secretária apresentaria. Convenhamos que “alguém como você” é um elogio.

    — Hm… — seu rosto recebeu um leve rubor. — É até fofo vindo de você, sabia?

    Huli sorriu, ainda que breve, deixando leve a conversa.

    Contudo, esse não era o mosaico: Ana tomou um olhar mais maduro, e expôs mais.

    — Antes de ser contratada pelo senhor Bryan, eu sempre tive problemas em me estabelecer.

    — Parece até ironia.

    — Mas não é… Senhor Huli, assim que me formei na Academia Aram, ter um lugar ao sol sempre foi minha meta. Acho que todo jovem tem esse objetivo.

    — Dentro do esperado. Continue.

    — Muito bem: não foi o senhor Bryan que me achou… e sim o contrário.

    A sobrancelha visível de Huli levantou, sinalizando mais curiosidade.

    Ana percebeu, continuando a falar.

    — Por todos os lugares que eu andei, meus empregadores se sentiam inseguros com a minha competência… — ele ajeitou os óculos. — Eu gerava desconforto por ser “perfeita demais”, coisa que eu não sou.

    — Você era evitada por exercer suas funções com um grau imenso de desenvoltura. Mas, mesmo assim, você era admirada.

    — Do que adianta ter admiração se minha presença diminui as pessoas? Eu… eu não gosto disso e, para resolver esse problema, falei para mim mesma: “eu preciso encontrar alguém que já alcançou o topo”.

    Ela olhou para cima, como se divagasse. Huli não lhe tirou os olhos, fascinado pela história.

    Ana concluiu:

    — E então, depois de tanto pesquisar, vi que existia um empresário que havia vencido tudo. O senhor Bryan O’Brian atingiu o topo que eu almejava… e ofereci meus serviços.

    Enfim, ela continuou.

    — Ele relutou, então ofereci trabalhar de graça por um mês para lhe mostrar meus serviços. Com uma semana ele me efetivou.

    — Congratulações a você, senhorita. Mas, qual foi o motivo?

    Ela sorriu, abraçando seu tablet. Suas asas se retraíram, como se estivesse na defensiva — estava envergonhada, na verdade.

    — O senhor Bryan fez isso porque, de acordo com ele, queria alguém forte, que pudesse segurar grandes tarefas e objetivos quase inatingíveis. No fim, ele mesmo disse que “eu me contratei”.

    Era um fato: Huli estava impressionado com a honestidade e humildade da morcega.

    Por cinco segundos, ele a fitou, tendo a certeza de que a impressão inicial que teve de Ana era o motivo maior de Bryan tê-la contratado.

    Ele a reverenciou, com etiqueta marcial.

    Ana fez o mesmo, reconhecendo o gesto.

    Ali se fez um estreitamento na relação entre os dois, visando a gerir a competição que estava por vir.

    O caminhar voltou, com os dois seguindo para a arena de lutas.

    Mas, antes disso, restou uma última pergunta:

    — O honorável Bryan mudou um pouco a forma de lidar com o portador da mácula. Você sabe o porquê, senhorita Ana?

    — O senhor Bryan não gosta de fracassos. Ele pegou para si a culpa de alguém que porta o Samsara estar entre nós… Mas é só fachada: ele quer o melhor para todos. Até para o “paciente zero”.

    — Excelente… — fechou o olho visível, o abrindo pela metade em seguida.

    Não só ele tinha uma última pergunta.

    — Senhor Huli, o senhor começou falando em “banir” e terminou nossa reunião com subtexto de acolhimento. Essa mudança… qual o porquê?

    — Gatilhos. E nada mais — respondeu, ainda caminhando. — Agência em momentos de crise envolve extremismo para controlar danos. Porém, diante de formidáveis elementos como vocês, um passo ou dois para trás é necessário para não exagerar na dose.

    Assunto encerrado — o balanço positivo da cabeça de Ana confirmou isso.

    A dupla rumou para os bastidores, com o intuito de dar início aos preparativos da abertura oficial do Torneio Tormenta.

    Enquanto isso…

    Zona administrativa do Monastério Omna

    Área Livre | Manhã

    Situado no interior da Arena Shang Mu em eventos especiais, a área territorial referente ao monastério era um lugar cativo dos integrantes do grupo milenar.

    Lotado de salas funcionais — o luxo não era ostentado — os Omna tinham por lá uma fração dos seus domínios, trabalhando em prol das artes marciais, assim como de todas as outras vertentes, e influência.

    Mais arejado e aberto que os demais corredores da arena, a localidade onde o time de Lilac estava alojado era bem iluminada, enquanto era possível voltar a ver o céu azul e sentir os raios do sol que ainda tomavam força.

    Era amplo, o suficiente para respirar ar puro e, como a história do lugar manda, um ar milenar repleto de equilíbrio e vibração.

    Enquanto uma brisa refrescante mexia as pequenas lanternas de papel arroz que adornavam o lugar, o time da dragão púrpura conversava.

    Eram os momentos finais antes do início do Torneio Tormenta.

    O papo já havia rendido várias informações sobre tudo que aconteceu desde que entraram na Arena Shang Mu — e estava nos pontos mais críticos.

    — Ou seja, mocinha… — falava Santino Rock, de pé encostado em uma das pilastras do espaço. — Estamos no covil da besta que quer nos devorar. E o pior: a convite dela mesma.

    O time Omna era o alvo da observação enfurecida do canino marrom.

    A dragão adicionou outros pontos:

    — As confusões pelos corredores, toda a carga emocional que nós sentimos, os lutadores desesperados por intrigas e desavenças… — estava de braços cruzados, também de pé.

    Lilac olhou ao redor, vendo seu time membro por membro.

    Todos estavam bem, mas o destaque maior foi para Noah: solitário e pensativo, a dragão o observou com mais ênfase.

    Enfim, suas palavras vieram:

    — Não foi só por causa deles, Santino. Foi um teste. Alguém queria ver quem quebraria primeiro. E o Noah… quase mordeu a isca. Não era só o covil da besta: é todo um sistema bestial.

    Essa suposição — que se passava por certeza — veio do indivíduo mais incomodado no aspecto psicológico durante os eventos.

    — Eu tenho dois nomes… — Noah falou, mostrando estar atento mesmo com a conversa distante.

    Tanto Lilac como Santino o olharam.

    Ele respondeu mesmo sem pergunta:

    — Waaifu Soul Omna… — Noah dizia, rosto neutro e voz baixa. — E Pawa Geiza Omna. Não conheço os demais do time, porém são nessas pessoas que ponho a culpa nas atividades levianas pelos corredores.

    O clima zen da Zona Administrativa era quase uma ironia ao estado de espírito do time.

    Mas, mesmo impactados, a união prevaleceu: não era só no comportamento mas também no pensamento.

    Embora com tratamentos diferentes ao que aconteceu mais cedo, a integridade se manteve.

    Milla estava sentada ao lado de Viktor em um dos bancos do local — com encosto acolchoado.

    Os dois conversavam — o tema não muito era diferente.

    — Viktorius, isso que você me disse… — a pequena estava com a cabeça apoiada no dorso do jovem. — Esse tal de Ciel é muito malvado!

    — Nem me diga, Milla… O cara simplesmente era um surtado sem noção. Mas ele deve ser mais forte que mostrou, para o Sheng ter se metido.

    — Ah, mas… esse Sheng também te fez coisa ruim, né? Mesmo que tenha te ajudado, ele não pode te tratar como um fraco ou coisa do tipo!

    — Eu sei, Milla… — Viktor relutou, olhando para o fundo do salão. — Só que, por mais que eu tenha enfrentado tudo isso, eu não consigo vê-lo como uma pessoa ruim.

    O olhar distante do humano levou uma mensagem para Milla.

    Ela viu aquilo não como uma vulnerabilidade — longe disso — e sim como uma faceta de benevolência que ela via toda vez que o olhava.

    Com confiança e um largo sorriso no rosto, a pequena abraçou com muito carinho o rapaz, dizendo:

    — Você é uma boa pessoa. Até quando gente ruim está tentando te irritar, você trata todo mundo como igual.

    Ele devolveu o agrado, acariciando a cabeça de Milla com carinho, trazendo alegria ao grupo, que gostou do que viu.

    Mesmo na tempestade, a atitude terna de Milla renovou o brio do time — Até Noah sorriu.

    Entretanto, mesmo neste cenário afável os pensamentos do albino estavam longe.

    — “Aquela mulher e o lobo desgraçado…” — voz revoltada na mente. — “Waaifu não falou aquilo para mim à toa. Eu nunca imaginaria que ela era da elite dos Omna. E aquele lobo… Ele não é digno de pena. Desejo que eu lute contra ele…”

    Suas ideias estavam cercadas de rivalidade e, principalmente, sentimentos de vingança contra Pawa.

    A visão de ver Milla acuada e atônita ainda ilustrada em sua mente o empurrava para algo drástico, distante de uma simples luta.

    — “Porque o existir dele… me irrita tanto? Sua ideia e doutrina… merece perecer. Mas… entregá-lo a uma derrota seria o suficiente para que pagasse pelo que fez à Milla? Gente assim não aprende nem na dor… ”

    Ele abaixou a cabeça, o chão o observava.

    O movimento de baixo para cima o fez erguer a cabeça, onde o teto milenar parecia cegá-lo.

    — “Grr… Tenho que me controlar. Esses pensamentos me trazem a vontade de fazer justiça, mas… eu tenho esse poder? Meu objetivo é desenvolver o Triângulo de Kai, como eu prometi a elas…”

    O
    Seu comportamento não passou despercebido, já que Santino, mesmo longe, o observou.

    Lilac notou a curiosidade do canino, falando em reservado.

    — Do jeito que você o está olhando, é verdade mesmo que ele quase lutou contra esse tal Pawa?

    — Sim, e não o culpo. O cretino do Pawa é detestável de todas as formas. Porém, o Noah não explodiu de vez, mas quase.

    — Eu não imaginaria que ele, alguém tão calmo e centrado, pudesse agir assim.

    — Nem eu, mocinha. Nem eu…

    Os dois ficaram sérios, pausa de dois segundos antes que a dragão perguntasse:

    — Eu já lutei contra ele. E foi um dos motivos que me fizeram incluí-lo no time.

    — E eu devo ao Noah a minha vida — sussurrou, voltando a olhar para o albino. — Os Vaidels teriam feito coisas muito ruins comigo se não fosse por ele.

    Durante a conversa, o canino também mentalizou:

    — “Vê-lo como ficou contra o patife do Pawa lá na área dos Geiza me preocupou de verdade. Noah sequer parecia a mesma pessoa. A aura dele é escura… algo incomum. Será natural de albinos? Estranho…”

    Os dois ainda continuaram conversando, pondo em dia os assuntos e qual próximo passo a dar — Santino já tinha experiência em torneios por Avalice.

    No ponto de vista de Noah, o jovem ainda estava olhando para cima, sentado solitário em um dos bancos.

    Não foi por muito tempo, já que sentiu alguém se sentar ao seu lado.

    Era Viktor.

    — E aí, Noah. Por que está tão pensativo?

    — Ah, oi Viktor — abriu os olhos, olhando para frente. — Nada demais. Só estou planejando nos meus pensamentos para somar ao time. Faltam só 8 minutos.

    — Ah, entendo.

    Os dois olharam para a mesma direção, como se estivessem encontrado um marco em comum — era uma folha, que o vento não a deixava parada.

    O esvoaçar do vegetal os conectou.

    — Sobre o estudo do Nirvana, Noah… — falou Viktor, acompanhando a folha com os olhos.

    — O que tem?

    — Você estava certo o tempo todo. Tudo que você disse eu vi pelos corredores.

    — Ciel e Sheng, como você disse agora a pouco.

    — Isso mesmo.

    A brisa mudou de direção, levando consigo a folha, que alçou vôo e se chocou contra uma das pilastras.

    Noah e Viktor acompanharam, atentos, pelo objeto, que buscou “descanso” em uma das guias d’água ali perto.

    Suspenso seu movimentar, a conversa voltou.

    — Porque lutou? — Noah o fitou; os olhos verdes esmeralda brilhavam ao reflexo da luz do sol.

    — Queria mostrar que existo, e nada mais — Viktor o encarou, também com o brilho nos olhos.

    — Eu entendi o subtexto nas suas palavras, Viktor… Mas, como está lidando com isso? Sabe muito bem que Sheng ou Ciel podem ser nossos oponentes.

    — Não importa. É uma competição entre times. Não é nada novo para mim o que… — ele foi interrompido.

    Noah pôs uma das mãos sobre o coração de Viktor — um gesto inesperado que veio do nada.

    O humano se calou, só ouvindo a voz de seu novo amigo.

    — Você pode ser ainda mais humilde admitindo que você é o alvo principal deles… e de todo o resto dos lutadores, que não gostam que você esteja aqui.

    Viktor não foi ouvinte por muito tempo.

    — Você pensa como eles? Acha que eu não sou capaz?

    — Capacidade pertence a cada um. Não estou te julgando nesse ponto. Mas quero que pense sem romantizar seu estado marcial aqui em Avalice.

    — E porque, posso saber?

    — O porquê estará nas primeiras lutas que você assistir. Depois disso, podemos voltar a conversar e você saberá do que estou falando e, principalmente, aonde você se meteu.

    Sem poupar nas palavras, Noah pareceu frio, mas dentro de uma linha de raciocínio coberta de razão.

    A folha, até então levava pena corrente de ar, após um tempo sob a água, afundou, sumindo diante o belo espelho d’água da superfície do utensílio — o vento também parou.

    Viktor recebeu a mensagem e a guardou.

    No fundo, havia verdades.

    Mas não ficou calado.

    — Não há justiça no mundo das artes marciais.

    O humano só falou, seco e direto, entregando a Noah outra verdade.

    O olhar do albino tentou achar a folha, mas encontrou só a água, que sempre estava ali represada.

    — “Ok… isso me pegou de surpresa. E foi impressionante.”

    Viktor se levantou, sendo chamado por Santino e Lilac.

    O rapaz os atendeu, indo até lá e deixando Noah sentado, imóvel.

    O baque não foi negativo, pelo contrário: o mestiço entendeu que havia mais em jogo, mas não só por parte dele.

    — “No fim, todos aqui tem um objetivo e… isso me motiva a seguir com minha promessa” — pensou, olhando para Viktor. — “Esse estrangeiro tem limitações, mas em nada tira seu brilho. Acho que temos a mesma idade, mas ele parece maduro às vezes…”

    A intensidade da mostra de conhecimento marcial de Viktor deixou boas impressões.

    Noah observava o time, esboçando um leve sorriso, de quem havia encontrado um porto seguro.

    Seu coração se acalmou, o fazendo se levantar e seguir para próximo do time, livre sem julgamentos ou agouros.

    Contudo, mesmo com o time unido e somado, tinha algo errado.

    Lilac, Milla, Noah, Viktor, Santino…

    Mas cadê a Carol?

    Sem que ninguém esperasse, um “Kabum” foi ouvido, chamando a atenção de todos do time da dragão púrpura — até alguns monges.

    No lado de fora do corredor da área administrativa, o grupo correu, preocupados com o estrondo.

    Fazendo pose “heróica” — um joelho ao chão, perna flexionada, dorso retraído e cabeça baixa — viram a tagarela entrar em cena com toda a pompa de badgirl que gostava ostentar.

    A dragão, mostrando olhos arregalados e desesperada com a intromissão irresponsável de sua amiga, gritou:

    — Carol, sua louca! O que você pensa que está fazendo?

    — Ah, qual é? Que pergunta clichê… — se levantava, com a cauda balançando. — Tava tentando dormir, mas com essa faladeira de “ai, Nirvana vai e vem…”, família omnilda, “não tem justiça, mimimi”… Como se consegue dormir com essa novela aí no ouvido? Dá não.

    — Você ficou esse tempo todo lá em cima do telhado?

    — É, né? Aqui não dava, vocês falam muito. Cara, por isso que eu prefiro fanfics que novels, porque lá não tem frescura: assunto principal pá, lutinha marota pow, e “vamos ao que interessa pros fãs” boom!

    Santino caiu na gargalhada, ao contrário de Lilac — sua amiga chamou muita a atenção de quem não tinha nada a ver.

    Mas o canino ignorou isso e entrou no jogo.

    — E então, kiddo… — se aproximou da felina, estendendo sua mão. — Você está cheia de energia para lutar, não é?

    — Pode crer, doggo! — ela apertou sua mão. — Hora de chutar alguns traseiros e socar narizes fofinhos, nyah! Queremos luta!

    Mas, cortando a entrada da felina, Milla sentiu alguém cutucar suas costas — bem leve e até delicado.

    Ela se virou e viu uma menina de sua idade e mesma altura — ela era uma suricata — sorrindo, vestindo uma bota marrom, longas meias que lhe cobriam o joelho e parte das pernas.

    Além disso, usava saias de pregas estilo colegial azul escuro e um quimono branco na parte de cima — curto e largo — com uma blusa azul por baixo. Sua pelagem era bege esbranquiçada.

    Seus longos cabelos rosados esvoaçavam ao vento e, sob o alto da cabeça, um cap real com adornos — uma fita rosa e uma insígnia dourada.

    Os olhos rosa salmão, mesmo tom de seus cabelos, pareciam combinar com cada centímetro de seu modelito — tudo estava harmônico; tudo funcionava em seu visual e parecia intencional.

    Ela, como uma voz fina, falou, com leve pausas firmes entre as palavras.

    — Olá, garota bonita. Eu estava procurando o lugar o qual o meu time está me aguardando. Será que vocês, por favor, poderiam me ajudar com isso? Qualquer ajuda é útil, portadora de Nirvana!

    Lilac foi a única que percebeu nuances, ao olhar para a garota — em cada centímetro dela.

    — Espera… Eu conheço essa menina!

    Todos olharam, surpresos, com a constatação da dragão — ela deu dois passos para frente e seus olhos brilharam.

    — Ela é a princesa Amu Amu, a idol da revista que eu leio!

    Uma nova participante aportou na Arena Shang Mu…?

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