Índice de Capítulo

    Olá, leitores. Estão todos bem?

    Já faz um longo tempo que não converso com vocês, e me vejo na obrigação de mostrar os rumos e objetivos.

    Já se passaram mais de 130 capítulos, e os feedbacks recebidos não foram muitos — isso é um fato.

    Não sou afoito por reconhecimento (não escrevo por glória, para inflar o ego ou ser popular). Sou introvertido e tenho noção do que é o mundo online. Prefiro me manter longe do mainstream e “ficar na minha”.

    Porém, sem os comentários, é um desafio manter (e melhorar) minha escrita e, também, saber o termômetro da história.

    Não tenho noção alguma se vocês estão mesmo curtindo a novel, já que não há contato com vocês.

    Mas eu também sei pensar pelo lado de vocês — e respeito imensamente isso.

    Não se expor, ainda mais na internet, não é um ato covarde, mas sim um mecanismo de defesa valioso, pois nossas vidas pessoais já trazem mazelas. Amplificar esse ruído só traz insegurança e desconforto, então não se sintam culpados.

    Mas eu já tenho um plano para ajudá-los com isso.

    Fiquem atentos, a partir de hoje, ao rodapé de cada capítulo. Lá não haverá apenas referências.

    Desde já, agradeço a atenção.

    Agora, vamos ao que interessa: o capítulo de hoje.

    Na verdade, serão dois capítulos especiais de semi conclusão de arco.

    Eu entreguei tudo de mim na escrita desta vez, tentando ajustar minha Voz de Autor (controlar os adjetivos, não abusar da densidade, não duvidar da inteligência de vocês, passar a mensagem sem abrir mão da minha identidade como escritor) e a gramática.

    Não sou o melhor exemplo de escritor, tenho ciência disso. Mas, como tudo na vida, não poupei esforços. O tempo que dedico à escrita, somado aos compromissos que tenho na vida, me impede de entregar capítulos um atrás do outro, como os demais escritores do Illusia conseguem.

    Eu faço o meu melhor.

    Agradeço imensamente pela atenção.

    “Aquele que não está disposto a assumir responsabilidade não tem direito à liderança.”

    — Dietrich Bonhoeffer, teólogo cristão

    ☀️ 1906

    ⭐ 1945


    Arena Shang Mu

    Corredores da Arena | Manhã

    Minutos atrás, os corredores explodiam de raiva e desavenças. O instinto primitivo de lutador era a régua moral que todos fizeram uso.

    Mas agora não: tudo estava calmo, com times tomando postos e se arrumando.

    Havia vestiários em cada um dos quadrantes.

    Muitos dos participantes, para manter a discrição, mantiveram suas vestimentas de civil, enquanto outros só procuraram se afastar da confusão.

    Mas uma coisa todos tiveram em comum: os quase trinta minutos da tormenta que enfrentaram, direta e indiretamente, mudaram suas impressões.

    Entretanto, houve times cujos integrantes eram diferenciais.

    Desfilando pelo corredor próximo a uma das saídas da arena, lá estava Baron Hornberg e sua protegida, a princesa Amu Amu.

    Com cabeça erguida e postura sempre ereta, a conduzia, com a pequena sorridente e confiante ao seu lado de mãos dadas.

    O bode, mantendo o semblante sério e direcionado para frente, quebrou o silêncio:

    — Meine Gebieterin, me diga…

    — Uh? O que foi, Baron? — ela manteve o sorriso.

    — Entrastes em combate contra aquela Mädchen (menina). O porquê de tal motiva-me a saber.

    Ela coçou o nariz, já com o rosto um pouco sério, mas com o mesmo brilho.

    Ela respondeu:

    — Porque eu sabia que ela era forte, só isso.

    — Essa qualidade, vinda de minha Meine Gebieterin, é entendida como um elogio.

    — Claro que é, seu bobinho! Hehe! — saltitava, ainda ao lado dele. — Eu não vou testar alguém só porquê eu quero. Eu sabia que ela iria defender aquele soco!

    Essa só foi uma curiosidade.

    Baron, contudo, tinha um outro alvo.

    — Eure Hoheit a abraçastes com imenso regozijo, passastes até do tolerável. Eu gostaria de saber o porquê.

    — Ah, eu gostei dela — ainda pulava, mas com elegância. — Acho que é a primeira vez que eu conheço alguém da minha idade em um torneio.

    — Esse é seu segundo, Meine Gebieterin. Sempre serás uma novidade.

    — Isso mesmo, hehe!

    O caminho que o bode elegante tomou não foi só uma simples conversa.

    Havia um detalhe entre os dois.

    — Parte do meu propósito em escoltá-la envolve garantir sua integridade. Laços estrangeiros… são distrações perigosas.

    Amu se retraiu, mesmo que os traços fofos se mantivessem os mesmos.

    Sumiu o rubor, mas a amabilidade foi preservada.

    Ela se guardou, sendo escoltada pelos corredores da Arena Shang Mu.

    O brilho de seu olhar “cor de neon” era forte, mas com a falha em um dos leds — o ruído de seus passos agia como um metrônomo inconstante.

    Desolada, voltou seu rosto ao de Baron — não era birra.

    O bode, percebendo a encarada, só virou os olhos em sua direção, a olhando de volta.

    Ele reagiu: uma piscadela com um dos olhos desarmou a apreensão da suricata, e seu sorriso acompanhado por seus olhos fechados demonstrando felicidade voltaram — até o saltitar retornou.

    Ela balançava a cabeça, cantarolando por dentro, típico de um símbolo midiático.

    Todavia, flashes piscaram no corredor rubro, enquanto caminhavam de mãos dadas.

    A origem? Veio de uma câmera portada por uma elegante cerva de pelagem branca e olhos cereja.

    Possuía longos cabelos brancos e seriedade no rosto — no alto da cabeça, chifres curtos, mas afiados e esmaltados.

    Ela, vestindo um sobretudo cinza, onde era possível ver o nome O.n.A Fashion Magazine escrito bordado, disse:

    — Nice shot, Baron.

    Uma nova face na Arena Shang Mu…?

    Enquanto isso…

    Zona administrativa do Monastério Omna

    Área Livre | Momento de crise

    O antro da atual crise emocional era o espaço onde Lilac moveu sua moral, se somando ao ato de responsabilidade.

    — “Só assim eles terão um juízo. E eu… só devo aceitar o que escolherem.”

    Ela ajeitou seu cabelo — ostentava sedosidade — culminando com um olhar sóbrio. Ela deu dois passos para frente, interagindo com o grupo.

    Lilac esbanjou confiança no olhar, um mecanismo que fez questão de usar após o impacto de Amu Amu e Baron Hornberg no grupo — essa era parte das preocupações que a norteava.

    — “Eu devo isso ao meu time.”

    No centro do furacão, ela tinha o interesse de mostrar toda a verdade da missão.

    Sob os olhares críticos e cerrados dos monges do Monastério Omna que estavam no salão, o time de Lilac se agrupou ainda mais.

    Eles afunilaram, como se formassem uma barreira com o próprio corpo — um losango, formado por seu time.

    Como códigos eram uma constante entre monges, a leitura gestual da dragão seria decifrada, se não escondida, por eles.

    Sua postura obteve apoio e, além disso, sintonia com o time.

    Lilac falou, eles ouviram, concordaram e atenderam — sem gritos, nem afobação.

    Noah e Santino receberam a notícia e, lógico, os dois reagiram, respirando fundo.

    Um controlado e o outro afoito.

    O canino marrom deu um passo para trás, a chave virou com força; Noah, mais contido, compartilhou sua impressão:

    — Foi o que você me disse ontem de noite, mas não esperava que fosse tão importante assim.

    Noah estava calmo, com os braços uniformes para baixo.

    Santino coçava a cabeça, olhando ao redor, e percebeu que havia muitos monges em volta.

    Recobrado a razão, falou baixo:

    — Eu pensei que só tinha sido convocado para lutar… — ele olhou para Carol. — Kiddo, por que não me disse isso ontem lá na praça central?

    As orelhas — e o “juízo” — de Carol captaram a oportunidade de ser refutada, mas ela foi rápida:

    — Ei, pera lá, caramelo! Eu perguntei se você queria participar e você disse sim! Tu não pediu contexto, então nada de 5 a 0 dessa vez! Tô saindo do zero, nem vem!

    Ignorando as presepadas da tagarela, Lilac mostrou os detalhes — não sem antes o time impedir bisbilhoteiros.

    Barrando a visão, Santino, o mais alto, cobriu Lilac, que mostrou a mensagem com as mãos: os dedos, para cima e para o lado, rasgavam o ar, sendo transformado em palavras na mente dos que os entendiam.

    “O troféu, o resquício gigante está em perigo. Os Red Scarves estão atrás dele.”

    O canino recebeu o fato no mesmo instante: pôs uma das mãos na boca, e abaixou as orelhas imediatamente.

    — “Os Red Scarves, aquele clã ninja? Será que… os Vaidels também estão com eles?!” — pensava, a testa estava franzida por irritação.

    Pelo o que passou na noite anterior, o impacto ainda estava recente em seus pensamentos — seu sequestro pelo clã de Hong Se e os Gêmeos Carmesim.

    — “Só me lembro de ter acordado com o Noah me ajudando e…” — ele pausou sua linha.

    Fatos que o marcaram vieram à tona — Santino demorou para relembrar esse fato.

    Ele olhou para Noah

    Em nenhum momento o jovem percebeu a encarada, e Santino teve um pressentimento — sua mão tremeu e seu semblante mostrou-se pálido.

    Um reduto tempestuoso, longe de um local salubre, era onde estava naquele momento.

    Isso despertou sua lembrança.

    — “O que de fato aconteceu lá?” — voz interna sussurrava, como silvados.

    O canino selou, por agora, o cerne da questão — Prioridades viriam antes, ele demarcou.

    — “Não é hora de saber disso. O que a mocinha está me mostrando é realmente sério!”

    Seu olhar focou em Lilac, que fez mais gestos: com movimentos circulares, retos nas mãos e dedos — parecia uma regente sem sinfonia.

    A mensagem:

    “Os Red Scarves não podem pôr as mãos no resquício. Coisas muito ruins, perigosas para toda Avalice, acontecerão.”

    Um silêncio ocorreu — vinte segundos valiosos, pura reflexão do grupo.

    A jovem respirou fundo — singelo, como se carregasse culpa no rosto — e fez questão de assumir as consequências.

    — Não justifica tê-los escondido toda a verdade. E, neste lugar que estamos, é tudo relativo. Mas, o que decidirem, eu respeitarei.

    O freio no propósito; mudança de postura plena.

    A poucos minutos do início do torneio, as verdades foram expostas e mudaram o panorama psicológico do time.

    Lilac não era só honestidade.

    Ela estava tomando um caminho inseguro, mas que continha sua identidade.

    Talvez suas emoções se tornassem uma veia pulsante de responsabilidade daqui para frente.

    Ou só um lampejo de maturidade.

    Era o movimento decisivo: qual passo?

    Embora a desconexão seja evidente, a notícia movimentou os brios de cada um para além.

    Santino sintetizou melhor a linha tênue do que o time estava lidando.

    — Era um torneio difícil. Agora é um torneio perigoso, mocinha.

    Ele olhou para Noah — queria uma opinião.

    — Garoto, o que me diz disso?

    — Tenho os meus motivos de estar aqui, já deixei claro para nossa líder — olhos fechados, sussurrando, focou no canino. — Mas não sou de ignorar o perigo. Há mais em jogo e respeito a sua causa da nossa líder.

    A jovem dragão gesticulou positivo, com seu polegar à frente — um sorriso franco veio como brinde.

    Era um presente, um inusitado gesto… ou só um ato falho? Não importava.

    Isso trouxe uma leve vermelhidão ao rosto de Noah, que passou despercebido por todos.

    O albino balançou a cabeça, desligando a emoção, mas o efeito ocorreu.

    Ele a olhou e fugiu da encarada; com o canto do olho, a observou novamente.

    Noah sentiu um frisson — arrepio indócil— mas foi positivo.

    Paralelo ao albino, Santino deu sua opinião:

    — Uh, digo o mesmo… — cruzou os braços, fitava o jovem. — E eu devo muito a você, Noah.

    Um novo silêncio veio, igual quando fitou o bode.

    Noah era o centro das atenções, mas não assumiu isso — sentenças internas o torturavam.

    O floreio intermitente o golpeou:

    — Eu sou a barreira, e ela a inundação…

    A lembrança do diálogo bateu sem dó, ecoando em sua mente.

    Noah trincou os dentes, com ressignificação.

    — “Aquele indivíduo… Ele não sai da minha cabeça!” — A vista buscou descanso, a respiração se tornou irregular. — “E aquela criança… Droga!”

    Ele fechou uma das mãos, abrindo-a em seguida — um tique involuntário — assim como o arrastar do pé no assoalho milenar do espaço.

    Próximo, Santino continuou com a conversa — ele olhava para Lilac.

    — Se estou no seu time, faço parte também dos motivos do grupo, mocinha.

    — Você está certo disso? Não quero te pressionar, já que você não tem obrigação nenhuma de estar conosco.

    O vislumbre do canino encontrou a íris violeta da dragão, mas não era negatividade.

    Era certeza — a dele.

    — Eu estou dentro, mocinha. Conte comigo. Meu caminho como lutador exige que eu nunca saia da trilha de altruísmo e justiça. Não sou perfeito, mas me coloco à disposição.

    Ela recebeu aquilo com um peso maior do que imaginava — respirou com fluência, longe de ser um alívio.

    Ouvir a frase fez com que Lilac sentisse o ar paralisar o tempo.

    Ruídos do seu coração ditaram uma epifania, que veio por instinto — delineou sua mente por segundos, trazendo consigo uma frase aos ouvidos:

    — Seu time é a extensão do que você almeja. Cada um tem sua história e seus valores. Realce e expanda esses alicerces.

    A mensagem prosseguiu:

    — Dê importância ao mínimo dos sentimentos e culturas. Vibre com quem tem algo importante para se ancorar.

    Ao voltar ao presente, a mensagem fez Lilac sorrir.

    Um caminho foi ao encontro do outro, sina que todo lutador almejava.

    Era seu âmago. O encontro de visões de mundo se igualavam frente a um desafio em comum.

    Ela deu um passo em direção ao canino, o abraçando.

    Isso o pegou de surpresa.

    — Hã?! Mocinha… o que… — ele ficou envergonhado, fugindo com o rosto para um dos lados.

    Ele piscava sem parar, confuso com a explosão de afeto e consideração que recebeu.

    A dragão, amorosa, respondeu mesmo sem uma pergunta:

    — Você é um amor, sabia? Já era uma honra tê-lo conosco. Agora é um privilégio.

    — Ah, b-bem… o-obrigado, de verdade!

    A gagueira em Santino trouxe risadas ao time. A leveza, aos poucos, voltava.

    Fora do momento afável, a contenção de informações funcionou: os monges em volta desconfiaram do movimento, mas isso em nada os ajudou — o bloqueio de visão foi efetivo

    Lilac estava à vontade, mais do que antes.

    Mas a agência da dragão não havia terminado.

    — Agora não é só lutar, mas também organizar uma estratégia.

    — Muito bem, mocinha — falava o canino marrom. — Você deve estar se referindo aos lutadores deste torneio, não é?

    Ela balançou sua cabeça, assentindo.

    O canino continuou:

    — Muitos dos que conheço são lutadores fortes e poderosos. Todos são honrados e vão prestar o devido respeito. Mas, como vimos, há novidades…

    Carol, tomando a palavra, falou:

    — Tá, tu já vai falar do gigantão chifrudo “vezes dois”, né?

    — Exatamente. Está na cara que ele é diferenciado, nível lenda. Isso é preocupante, mas dá para lidar.

    Isso chamou a atenção de Noah; o jovem albino, com a testa franzida, tinha a marca da preocupação.

    Ele deixou evidente o seu tom de voz mais áspero.

    — Aquele indivíduo destoa de todos, inclusive de nós.

    Só uma frase foi o suficiente para trazer dúvidas a Viktor.

    — Porque está dizendo isso? — perguntou o humano.

    — Já conversamos sobre isso. Você sabe muito bem sobre o Estudo do Nirvana.

    — Sim, eu sei. Mas quero saber o porquê de você falar nesse tom.

    Viktor, por um breve momento, também pensou:

    — “Aquele senhor é assustador no ponto de vista marcial, mas eu não vejo nele o que o Ciel ou o Sheng são. Mas o Noah parece ter percebido algo…”

    O albino abaixou a cabeça — um ato incomum vindo dele — onde o chão parecia um espelho.

    Como analítico preciso, levantou uma tese:

    — Em Avalice, há quatro níveis, que vão do B ao A++. Por mais que isso soe estranho para você, Viktor, os níveis desse ranking não estão relacionados ao nível de poder, ou Chi.

    Esse comentário de Noah trouxe surpresa a Lilac — ela não perdeu tempo.

    Não se enganem. O contexto era outro.

    — Aula? Noah, estou enganada ou ouvi você dizer que ensinou o Estudo do Nirvana ao Viktor?

    O humano coçou a cabeça na nuca, com um sorriso sem graça; o albino só a observou, neutro.

    A dragão púrpura não deixou para lá: ela se aproximou dele e bagunçou seu cabelo.

    Esse gesto doce e fofo veio de forma inesperada — até Carol achou graça.

    A dragão não parou, contente.

    — Hehe. Você sempre me surpreende, sabia? — disse Lilac. — Obrigada por ter feito isso.

    — Ah… eu… — um leve rubor surgiu em seu rosto pálido. — Porque está fazendo isso?

    — Porque você fez o favor de explicar ao Viktor o que eu não pude fazer. E, pelo visto, ele aprendeu.

    — Eu realmente não esperava por isso.

    Noah levou seu rosto para um dos lados, como se estivesse evitando a troca de olhares.

    Não era vergonha… e sim fuga.

    Por medo? Não.

    Contudo, “alguém” interveio — alguém = Carol.

    — Opa, peraí… um momento!

    — O que foi? — perguntou Lilac.

    — Oxe, o Noah tava falando mó tenso e tu, do nada, vem e bagunça o topete do trevoso? Qual o nexo? Explica aí, serião!

    — Carol, duas coisas. Primeira: eu preciso da equipe leve, está bem? Segunda: para de chamar ele de trevoso, senão eu vou “fazer cafuné” em você!

    — Opa, tá tá… tendi. Mas isso aí faz perder pontos de coesão e ritmo, tá?

    Voltando ao assunto… (porque… né?)

    A seriedade que estava fugindo — Noah raciocinava demais — era evidente, mas com o bom agrado de Lilac, mais próxima do que um líder faria, isso foi recuperado.

    — Hehehe… Relaxa, está bem? — ela voltou a ajeitar o cabelo do jovem. — Pronto. E desculpa o carinho!

    O cabelo estava arrumado como antes, mas isso não foi o que impactou Noah.

    Ele sentiu uma emoção tenra, ligado a lembranças ricas, de quando era criança.

    — “Meu coração… está batendo diferente, mas porquê?” — sua voz interna tinha timbre infantil.

    Ele se recompôs, pigarreando com o punho na frente da boca e fechando os olhos.

    Mesmo cercado de mistérios, seu lado terno ainda está lá.

    A equipe notou a mudança de Lilac.

    O astral parecia renovado, mas não no âmbito amistoso.

    Tinha um quê de acessibilidade sistêmica, mas não tão burocrático.

    O ar tinha cor, o cheiro possuía textura e a sensação de integração tinha sinergia.

    A soma não guardava uma explicação lógica. Por mais que adjetivos ou verbos tentassem definir, falharam.

    Nesse ambiente abstrato, Noah só tinha algo em mente — e seu grande erro:

    — Um lutador Tier S… é uma anomalia.

    Um silêncio veio em seguida.

    Todos lhe deram atenção, mas só um deles teve uma interpretação diferente.

    Lilac fechou seu rosto — semblante penetrante.

    Viktor, curioso, perguntou:

    — Você não me disse da existência de ranking. Mas, mesmo assim, porque é importante? Se esse tip… — ele foi interrompido.

    — Poupe suas palavras! — Noah lhe apontou o indicador. — A importância? Viktor, você não ter Nirvana não o desqualifica para saber do teor da existência daquele indivíduo.

    O albino, de braços cruzados, continuou:

    — Aqui em Avalice, se baseando nos Tiers B ao A++, o que muda é a proficiência do indivíduo — pausou, olhava para os demais. — Mas um Tier S não está nessa escala. Ele possui uma própria… e não podemos ignorar esse fato.

    Foi nesse instante que Lilac prestou atenção, cerrando os punhos em comunhão com seu íntimo.

    Ela abriu a boca, puxou o ar, denotou as expectativas… sem fraquejar.

    Em sua mente, não havia lapsos de lembranças ou outros mecanismos de reflexão.

    Tudo estava na superfície.

    Ela se segurou, pois viu um potencial, seja qual for — Noah estava falando, o mais inteligente.

    Ela não estava sozinha.

    — Porque está dizendo isso, garoto? — perguntou Santino.

    O albino se virou para ele, e deixou claro o seu foco.

    — O adversário pode ser um inimigo, e além. Aquele indivíduo passou por mim e você, ele ignorou nossas habilidades especiais e sequer recuou quando emanamos nosso Chi.

    — Noah, já estive em combate contra alguém do nível dele. Porém, isso que você está tentando dizer… — foi interrompido.

    Alguém mais queria tomar as rédeas da situação.

    O papel de liderança era reclamado, mas implicitamente.

    — Não vá por esse caminho, Santino! — lhe apontou o punho. — Maniqueísmos e divagações só nos farão ser diminuídos ainda mais!

    — Noah…

    Um sintoma maldito.

    Lilac observava, controlando sua gana.

    Carol, que estava ao lado de Milla, tomou para si um senso maior.

    — Tá… isso aí tá me irritando.

    — Mas Carol, o Noah só está tentando ir devagar com o que estamos lidando, não é?

    — É… e não é! Isso aí tá com cheiro de covardia reprimida de trevoso sequelado! Na moral, esse papo torto não tá ajudando em nada!

    O grupo discutia.

    Antes era deslumbre de confiança, e agora um passo para trás.

    Contudo, não era como antes: atenta, Lilac identificou a “anomalia”.

    Um pensamento literal veio, e com força:

    — Só construa sua liderança se você precisar, mas imponha-se ao seu time no momento certo. Quando? No momento certo… Sash Lilac.

    Era a voz de Royal Magister, seu guia.

    Ao ouvi-lo, seu semblante maduro tomou forma — relaxada, revigorada… e reconciliada consigo mesma.

    Ela foi até Noah, agora decidida por um ideal lógico — o fitou, lhe tirando da zona de conforto que protegia com seus lampejos.

    O albino, sem timidez, fez o mesmo, como em um duelo.

    O time ficou quieto, observando indivíduo versus indivíduo.

    Sem palavras, nem mesmo movimentos.

    Enfim, a quebra do silêncio.

    — Quer me dizer algo, Lilac?

    A resposta veio, mas não com palavras: a dragão púrpura emanou sua aura lilás, causando surpresa a todos.

    Seu olhar brilhou, típico de quem encontrou um agente causador de desordem.

    Não estava em Noah… e sim na atitude.

    — Porque está fazendo isso?

    — Vou te dizer o porquê! — exclamou, com o ambiente reagindo, ar em movimento ao redor.

    Com o cintilar de seus poderes, a jovem respondeu:

    — Chega… de colapsos!

    Curta e grossa, a dragão púrpura ousou.

    A zona administrativa do monastério era o cenário de uma mudança de postura.

    Mas em qual nível?

    A exemplo dos capítulos anteriores, a presença de Baron Hornberg — mesmo quando não estava em cena — expandiu o colapso que vinha sendo nutrido ao longo do arco.

    Você concorda que existam pessoas capazes de mudar o ambiente dessa forma?

    A reação do time foi humana? (A reação, hehe)

    E Lilac: o que você espera que ela fará no próximo capítulo?

    Relaxe e aproveite o momento.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota