Capítulo 132 - Libertação: O Vento da Liderança
Seis meses atrás…
Cidade de Shang Tu
Era um lindo dia na cidade oriental.
Pessoas iam e vinham, rumando pelas calçadas da metrópole aconchegante.
Porém, os eventos seguintes estavam no interior do Palácio de Shang Tu.
Lá dentro, após um longo dia de treinos no dojo da imponente construção real, Lilac deixava o vestiário — os cabelos ainda estavam úmidos — enxugando a cabeça com uma toalha.
Enquanto caminhava, ela quase foi ao encontro de uma panda vestindo um uniforme da guarda real.
— Lady Neera?! — freou antes do impacto. — Mil desculpas, eu estava pensando e…
— Hm… — a panda mostrou indiferença. — Terminou seu treinamento, dragão?
— Sim. E eu já estou indo… — disse ela, contornando a panda. — Preciso fazer coisas na casa e a Carol está me…
Porém, não seria tão fácil: Neera bloqueou seu caminho usando seu cajado criogênico, o que fez a dragão se assustar.
— Hã? Lady Neera, o que significa isso?
— Significa que eu irei falar e você irá ouvir, entendeu?

Lilac percebeu a seriedade — seu olhar cortante encontrou o de Neera no meio do trajeto.
Sabendo da intenção, não recorreu às mesmas armas que sua rival.
— E não seria mais fácil pedir com delicadeza?
— Estou sendo intrusiva? — falou, sarcasmo evidente.
— Está sim. Poderia parar com isso, por favor?
A panda assim o fez, afastando o cajado de seu busto.
Recobrando a postura, Neera disse:
— Acha que consegue lidar com essa missão? Rastrear resquícios por toda a Avalice é uma tarefa para poucos.
O ácido estava nas palavras de Neera, mas Lilac não caiu nessa.
— Então eu sou a melhor pessoa com quem Royal Magister poderia contar para essa missão.
O amargo ficou, mas foi contido com controle emocional.
Neera fechou seu semblante — era um hábito — e encarou Lilac.
Por longos dez segundos, as duas não se mexeram.
Mas alguém tomou a iniciativa: Neera.
— Royal Magister confia muito em você, mas eu não confio.
— E por que eu deveria me preocupar com isso?
Novamente o silêncio veio, puro propósito da panda.
Ela buscou seu “espólio”.
— Você e sua amiga tagarela podem ter ajudado a vencer Brevon. Era um mal maior, todos nós sabemos… Mas vocês duas não me inspiram confiança.
— E qual sua dúvida?
— Sua índole. Vocês já fizeram parte dos Red Scarves, Spade atuou às escondidas, Dail foi salvo… Vocês juntaram uma força paralela, reconheça.
Existiam rusgas entre as duas.
Contextualização: durante a invasão de Brevon, as ideologias de toda Avalice estavam retalhadas, com ramificações diversas.
Uma delas, a neutra — pertencente ao Reino de Shang Tu — lutava contra o tempo.
Essa era a parte residual de Neera.
Quanto a Lilac, ela explicou:
— Não respondia por vocês, e agi com meus amigos. Spade se aliar a gente é algo diferente de sermos parceiros. Ele queria salvar o irmão, eu e meus amigos o mundo!
— Ótima desculpa para alguém que “não tinha maiores intenções”.
As palavras de Neera atingiram o brio profundo da dragão.
Por isso, ela se aproximou do rosto da panda.
Íntimo e direto.
— Escuta: eu fui dada como mentirosa, presa por você, eu te venci tentando fugir de você, torturada pelo desgraçado do Brevon… e até briguei com minha melhor amiga!
— Escolhas e consequências, dragão — a ironia foi usada sem misericórdia.
Isso fez com que Lilac gritasse.
— DANE-SE!
Neera a golpeou com um soco, logo após a afronta — foi forte o suficiente para afastá-la três metros.
A dragão, irritada, executou seu Impulso de Dragão, voltando até ela tão rápido quanto.
Todavia, a panda possuía recursos: criou uma pilastra de gelo entre as duas, diminuindo a eficácia do movimento de Lilac.
Com ambas prontas para lutar, a dragão púrpura falou:
— Aguento sua fúria, mas não deboche de mim jamais!
— Acha mesmo que está em um local onde suas palavras me atingem? Dragão, os eventos pelos quais passou não te disseram nada?
— Quando você ignora por onde passei e por quem lutei, isso me ofende. Passei por muita coisa, até por você!
— É mesmo? E o que você passou envolve… Medo de fracassar? Medo de um lorde intergaláctico poderoso megalomaníaco? Discussão entre duas adolescentes para saber quem estava certo? Qual doeu mais?
A emoção de Lilac estava no maior ápice… e não se conteve.
— Eu lutava pelo certo! Por tudo que eu passei, não houve arrependimentos! Porém, eu nunca, jamais, em toda minha vida, lidaria comigo mesma se algo acontecesse com Milla!
O olhar de Neera, que antes era de escárnio, se tornou mais sério.
Não havia mais ares de superioridade ou qualquer provocação em seus traços.
Sua observação das palavras de Lilac fugiu da dureza que sempre utilizava.
Era algo próximo do… respeito.
Nesse cenário, Lilac finalizou:
— É por um inocente como ela que eu movo meu punho, meu chute, meu poder, minha velocidade… TUDO DE MIM! Vê-la sofrer por um mísero erro meu me machucou… e dói até hoje.
Sua aura, antes púrpura, aos poucos ficou mais esbranquiçada, ainda que sua textura se mantivesse inalterada.
Ao olhá-la, Neera caminhou em sua direção — seu cajado até estava baixo, deixando claro sua falta completa de cuidados.
Isso fez com que Lilac também desfizesse o Chi, sendo fitada por Neera.
A panda, com um tom de voz fraterna, disse:
— Você é testada o tempo inteiro. Sinta orgulho disso, porque eu não recuo por qualquer coisa.
— Do que está falando?
— Cada centímetro dessa construção em que estamos tem suor, sangue e palavras. A última ecoa eternamente.
— Por que está me falando isso após me golpear?
Neera pegou fôlego, escolhendo bem o que iria dizer:
— Você tem um passado com manchas e um presente em que atribuiu para si mesma muita responsabilidade. Quando disse que você e sua amiga tagarela não têm a minha confiança, é pensando no seu futuro.
Uma fonte bela, ao lado de onde estavam, fluía como a conversa.
O fluxo da água tinha ramificações, levando seu frescor para outros setores do palácio.
Essa era a deixa para Neera.
— Não perca a direção do que realmente vale a pena. Você sabe o que é mais importante, acabou de me mostrar. Isso é o suficiente para ver esperança em você e seus aliados.
Isso desarmou Lilac.
Um sorriso não veio, como esperado.
Em seu lugar, um olhar com ainda mais respeito, de alguém que aprendeu uma lição por instinto.
Não houve pesares, nem vergonha ou incômodo.
No fim, era uma ouvinte atenta e disposta a absorver tudo de bom nas mensagens.
— Como você mesmo disse, salvou o mundo… e isso é um fato que não posso refutar. Ser âncora não te faz sair do lugar, mas é um passo. Porém, é desnecessário.
Lilac viu ali a moral que a norteou no presente.
— Um barco a vela precisa de vento para velejar… — falava Neera. — Mesmo o maior e mais forte. Terá missões, terá aliados… e você terá liderança. “Ter e ser” não são a mesma coisa, não seja tola!
A mensagem foi recebida — e também guardada.
A confirmação: Lilac esboçou um semblante confiante, de quem acabara de receber uma dádiva valiosíssima.
Balançou sua cabeça positivamente, respondendo ao “chamado inesperado”.
Neera a olhou, observando os seus traços e, após isso, deu-lhe as costas.
Caminhou em direção ao interior do palácio, mas:
— Por que bateu tão forte? — perguntou Lilac, com uma das mãos sobre o local no rosto que foi acertado.
Sem se virar, a panda respondeu:
— No Riacho de Jade, eu te dei uma ordem para parar, mas você não parou. Uso métodos não letais para neutralizar insurgentes… e isso é exaustivo.
— E a minha resposta? — insistiu a dragão.
— Hm… — apoiou o cajado no ombro. — Você me venceu neste dia, o que “tentou fugir”. Tenho orgulho, odeio perder… O soco foi uma forra. Não vai deixar cicatrizes… Até.
Neera deixou o local, mas arrancou de Lilac uma gargalhada amistosa.
A dragão estava se divertindo.
— Haha… Boba! — ela continuou a rir, indo para casa.
Reflexos do passado, que reagiram no presente.
Lilac adquiriu o voto de confiança de uma autoridade — uma rival que, até então, não se assumia como tal.
E isso realçou ainda mais seu crescimento.
O tempo passou, com seu futuro reagindo a esse “chamado”.
Voltando ao presente…
Cidade de Shang Mu
Arena Shang Mu
Área administrativa do Monastério Omna
Sem cerimônias, a última cena de Lilac ainda permeiava o momento.
— Chega… de colapsos!
Noah não desviou o olhar.

Os demais os encaravam, aguardando ansiosos por uma discussão — não era o que queriam, mas era esperado.
O albino tomou a iniciativa.
— Está insinuando que o time está em colapso, Lilac? É isso?
— O caminho que você está tomando não vai evitar que isso aconteça.
— O que?! — ele se surpreendeu, franziu a testa.
Lilac ficou a média distância — parecia uma pré luta — deixando o mestiço surpreso.
Ele, sem que deixasse o sangue esfriar, continuou:
— Onde fazer pesquisa de campo é danoso, Lilac?
— E até onde você acha que não?
Uma pergunta retórica.
Noah fechou o punho, um desafio não assumido.
Ele retrucou:
— Quanto maior a atitude, mais graduado se torna. A diferença de Nirvana entre o Tier B até o A++ mínima. O que muda: Karma e Chi. Essa didática me faz ser incoerente?
— Você ainda está falando sobre isso. O ranking é mesmo sua maior preocupação?
Noah tinha uma racionalidade maior mas, diante de forças concretas, o caminho que estava usando não validaria sua tese.
Sabido disso, ele olhou para Viktor.
Ele sabia que o conteúdo da noite passada ainda estava na mente do jovem.
— Viktor… — apontou o dedo. — Se lembra do Estudo de Nirvana? A última fase, a que eu ou qualquer um almejamos como lutadores.
O humano pensou bem, a aula proveitosa lhe trouxe mais que respostas.
Enfim, a lembrança:
— Espera! Um Tier S é alguém que… possui a Mão de Lutador Lendário?! — ele surtou, não acreditando.
Santino cruzou os braços, sua experiência carimbou a confirmação.
Milla, ao saber do fato, olhou para a própria mão, refletindo.
— “Aquele moço bonito… está nesse nível?!”
E Carol… ela também sentiu.
— Caracolis, mano! O gigantão é essa lenda toda aí?!
O tal caminho que Noah percorria trouxe reações em todo o time, o mesmo que sentiram durante a tempestade de mais cedo pelos corredores.
Noah não parou — suas palavras fincaram o golpe final.
— Baron Hornberg, como alguém de seu tier, com a simples presença dele na arena já altera o ambiente… E isso é um fato.
Ele falou isso com arder na carne.
Contudo, foi impedido — alguém lhe tirou o “fato”.
— Por que você ainda fala dele?
Lilac fitou Noah, mais uma vez.
Com um tom inquisitivo diferente.
— Aquele indivíduo mudou o cenário… ou ignora a influência dele?
Todos, sem exceção, olharam para a dragão.
Mas ela, com uma voz mais áspera, jogou no seguro.
— Você é inteligente, Noah. Pare de pensar nele.
— Tenho respeito por você, mas ainda não respondeu minha pergunta.
O mestiço indagou.
Lilac, cortante, o acertou.
— A minha resposta: e daí?
Como uma espada Vorpal, a dragão desarmou Noah — com um só passar, a lâmina cortou a questão.
Os dois se encaravam; ele não só observou o interior dos olhos de Lilac, como pareceu olhar para si.
— Porque essa pergunta? — deu um passo para frente. — Lilac, raciocine! Nós dois sabemos melhor do que ninguém que o…
Ela o interrompeu.
— Por que eu sei quem é cada um aqui. Já cansei de ficarmos olhando para os demais times e esquecermos quem nós somos!
Não haviam metáforas nem analogias rebuscadas para ilustrar o sentimento do time.
Mas:
— Noah, você me salvou de lá naquele lugar estranho, mas preciso te dizer coisas…
Santino era a voz.
O veterano — o canino era um adulto jovem — impôs sua palavra.
— Já enfrentei muitos lutadores, é até piegas falar isso. Mas acho que você não pensou em um detalhe: um lutador precisa se testar. A crítica por seu Karma é diferente do seu valor em combate.
O canino marrom não parou.
— Cada luta é única, cada oponente é diferente. São novas histórias, seja na derrota ou na vitória, que unem os corações. Cada golpe é uma troca de responsabilidades, um trato.
E concluiu, com o punho fechado à frente do peito:
— Dentro dessa sua tese, não há nada mais que números. Você não perdeu, você não venceu… porque você não lutou. Lutar é difícil, mas necessário. Um lutador não escolhe o adversário…e sim para onde ir.
As palavras sábias, de quem tem calos de lutador, tocaram Lilac em seu ímpeto.
— “Tudo o que ele disse… é verdade!”
Uma força veio de dentro.
Ela fechou os dois punhos e trincou os dentes.
Olhou para frente, seu foco era a zona administrativa.
E ela, com a honestidade como norte, falou:
— Não sou perfeita… Eu estava sentindo o mesmo que vocês… e não vou esconder que minutos atrás eu estava assim.
Lilac olhou em volta, viu monges e lutadores.
Eles a encaravam cada vez que a troca ocorria.
A jovem deixou claro sua posição:
— Estou farta de ficar pra trás! Vocês sempre me apoiaram, mas eu tenho falhado em retribuir isso. Mas isso acaba agora, com muitos juros!
A dragão caminhou para frente do prédio da zona administrativa do Monastério Omna.
Todos os monges observaram sua aproximação.
Carol, assustada, foi até sua amiga.
Até isso era estranho para ela — a sua cauda arrepiou.
— Opa, peraí! Por que essa mudança?
— Você confia em mim?
— Pô, óbvio, né? — sorriu a gata, com confiança. — Te chamo de diva linda por isso, nyah!
— Então… está disposta a fazer algo diferente e… revolucionário?
Carol franziu sua testa, em sinal de estranheza.
A ideia era boa demais.
— Qual foi? Que tu tá pensando em fazer, Lilac?
A púrpura começou a se alongar, como um ritual antes da luta — era um prelúdio.
— Vocês já perceberam: estou esgotada. Eu estou disposta a mostrar porque estamos aqui.
— Tá, mas o que tu vai fazer? Fala logo!
— Preciso desenhar, tagarela?
Nem abstrato estava.
Carol coçou o nariz, sorriso brilhante, mas seu comportamento estava mais em uma suposição do que ato concreto.
— Hehe, gosto dessa sua ironia. Tem coisa boa vindo, não tem?
Contra a normalidade, a dragão esboçou o mesmo sorriso e semblante provocador da amiga.
E, contra a correnteza, Noah deu um passo para frente — visava continuar com a conversa.
Mas, surpreendendo, uma pequena mão apertou a sua.
Música sugerida abaixo:
Seu corpo travou, o passo recuou e, se virando, olhou para a mão — para quem a segurou
Era Milla.
— Hehe… A Lilac está com um sorriso bem diferente agora, não é? Eu percebi, eu percebi!
— Ah, M-milla…? — as palavras tropeçaram na pronúncia.
— Vai dar tudo certo!
Noah até formou um argumento interno — o ato de “quase pensar” — mas retrocedeu instantaneamente.
Ele puxou ar, tentou reconciliar as informações, agendar seu próprio propósito — a “qual razão” martelou e quebrou a rocha.
No fim, o ato meigo da pequena canina coloriu seu rosto: ele sorriu, reacendendo uma vela apagada.
A mesma que estava sobre uma concha em uma praia, onde três ondas vieram pagar tributo — um cenário repleto de nostalgia.
— “Eu agora entendi…” — respirou aliviado. — “Ingrid… Íris… eu estou aqui por vocês…”
O simples ato de Lilac em ignorar os outros lutadores pôs um novo contexto em tudo.
Isso atingiu a todos.
— “Isso foi um chamado!” — pensava Viktor, sorriso no canto do rosto, — “É como naquele dia, em Sagatora…”
Seus punhos fecharam com muita força — outras pessoas estalaram, um a um.
Não só ele tinha lembranças como gatilhos.
Santino reagiu às recordações de um dia de verão em seu lar em Parusa.
Uma floresta densa, perto do litoral.
E uma voz, neste cenário paradisíaco, foi até ele:
— Vá ao encontro do mais forte… Kaze Fuiteru!
Uma lágrima surgiu de um de seus olhos, com a nostalgia o movendo.
Ele olhou para Viktor — estava logo ao lado do jovem.
— É isso aí, estrang… — ele se interrompeu. — O seu nome é Viktor, não posso me esquecer.
— É sim! Hehe… — o jovem estava confiante. — “Eu não sei o que a senhorita Lilac está pensando em fazer, mas… eu estou com ela! Não vou recuar… nunca!”
O time se moveu — havia algo diferente.
Algo mágico ocorreu, nascendo de uma vontade coletiva em comum.
A dragão não estava só com o grupo — eles a representavam.
E ela não só aceitou… mas também sentiu.
Seu caminhar ocorreu, rumando para próximo do prédio da zona administrativa do Monastério Omna.
O olhar tinha pressão, de quem ascendeu depois de várias quedas.
Ela estava atrás de conflito, mas não do jeito tradicional — seu passado disse isso.
— MONASTÉRIO OMNA! — Lilac gritou, com muito mais intensidade. — Vocês estão me ouvindo?
Carol correu até sua amiga.
Ela estranhou — outra vez.
— Aí, o que tu tá fazendo?! Tá locona?
— É, eu estou… e com vontade de deixar todo mundo assim!
— Como é?! Tu quer treta, é isso?
— Isso mesmo! Uma treta… Não! Várias delas dentro desse prédio milenar!
— Oh…? — Carol abriu a boca, o queixo quase bateu no chão. — Tá… tu tá me deixando sonhar, isso é bom… Mas diz logo!
Algo estava acontecendo.
O movimento dentro do prédio ocorreu.
Chegou até todo o time Omna.
Joshy, com seu escudo, se aproximou de uma janela, observando a dragão oculto, assim como Tats.
— O que está acontecendo lá fora? — falou a felina acinzentada.
— Hehe… eu sei quem é a dona dessa voz.
O grito ecoou por todos os lugares.
Dentro de sua sala cativa, Pawa ouviu o brado.
— Grr… essa gritaria… quem está fazendo esse barulho? Estamos em solo milenar!
O brado soou, como um alarme.
Waaifu, que estava no segundo andar, só observou, do alto, a algazarra — sua segurança no olhar era abismal.
— Hum… curioso… — ela arranhava com uma das unhas o balaústre da sala que estava.
E Sheng…
— Hã? O que foi isso?
Ele estava deitado, descansando após meditar.
Correu até o corredor — terceiro andar — e chegou até a janela, a área mais central, e ele estava exposto.
Era o cenário que Lilac queria.
— Vocês e tantos outros desta arena nos entregaram uma carga que não queremos! Todos do time estamos aqui… PARA DEVOLVER!
O seu time inteiro recebeu a mensagem.
Viktor foi o primeiro a dar o primeiro passo, ficando ao lado de Lilac.
— Viktor…?
— Senhorita Lilac… Eu entendi. E estou aqui a seu dispor.
Do outro lado, Carol surgiu.
— Tá, diva lindona… Qual o plano?
A dragão respondeu:
— Uma missão nova.
— Sério? Então… diz aí.
— Sermos todos expulsos da zona administrativa deles.
Carol arregalou os olhos, seguido por um “sorriso maroto”.
— Brabo demais!
O movimento foi seguido por Viktor, Santino, logo atrás, e Noah e Milla, nos flancos.
Os seis se alinharam, um ao lado do outro, esperando pela ordem.
— Time, aflore seu Nirvana como nunca antes!
Uma aura cobriu o corpo de todos.
Verde, Milla.
Escura, Noah.
Amarela, Santino.
Âmbar, Carol.
E violeta, Lilac — com uma esfera de energia nas mãos.
— Gritem com força! Vamos mostrar o que todos nós somos para eles! Não somos menores ou maiores, nem melhores… Só somos nós, nem acima nem abaixo!
Todos começaram a gritar.
Fúria plena, como uma orquestra afinada.
Era óbvio a quebra de decoro, eles seriam expulsos.
Esse era o objetivo.
Lilac engrandeceu seu time.
Ela cresceu por causa deles.

E teve alguém que expandiu essa magnitude: Viktor estava junto com eles.
— Não importa que eu não tenha Nirvana! — os braços juntos ao corpo, todos os músculos contraídos com força. — Eu estou aqui… com o meu time! KIAI!
Sheng observou a garra que o humano demonstrou.
Era diferente.
— O que?! — o felino alaranjado teve um suor no rosto. — “Eles estão com pressão de Chi… e ele está suportando?!”
Era isso.
Viktor conseguiu suportar a imensa gama de energia que seu grupo emanava com força.
O esforço era vivo em seu rosto, quase beirando ao absurdo.
O humano estava vermelho tamanho a contenção muscular que impunhava.
Ele não tinha Nirvana… mas tinha motivação.
Noah, contagiado pelo espírito de lutador, percebeu que a área onde Huli havia atingido Viktor emanava Chi, mas:
— “Diminuiu…” — pensou, fechando os olhos, os abrindo em seguida. — “Algo curou aquela ferida…”
Noah ouviu o grito dele se somar ao de seus companheiros.
E eles, juntos, proporcionaram uma das cenas mais catárticas da Arena Shang Mu.
Eles eram íntegros e plenos.
O poder mostrado extrapolou fronteiras.
Os corredores, lar da discórdia mais cedo, também receberam o recado.
Todos sentiram o calor e o resíduo aromático da soma do Chi do time de Lilac.
— “Obrigado, Neera…” — pensava, enquanto emanava seu Chi.
A textura causou fricção nos lutadores.
A trilha sonora pomposa e simbólica — a gama de energia — percorreu todos os cantos da arena.
Uma explosão de emoções, que ditou o futuro do time de Lilac.
— Depois de hoje… — ela falava. — Acho que precisamos mudar o nome do time…
Foco no futuro.
Eles admitiram o colapso.
E renasceram.
O time de Lilac, com isso, disse:
“Nós estamos aqui… queiram vocês ou não!”
Enfim, o time, até então destruído, renasceu como uma fênix.
Lilac finalmente entendeu na prática o que Neera a ensinou no passado.
Você concorda com os métodos “nada ortodoxos” da panda?
E o que achou do que viu no capítulo?
Seu personagem favorito agiu como você queria?
E o que achou da música?
Relaxe e aproveite o momento.

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