Índice de Capítulo

    O Time Monsenhor Sesto estava reunido pela primeira vez, a poucos minutos do início do torneio Tormenta.

    Theo, Elyra, Amu Amu, Baron…

    E Ciel.

    — Oh, era o que eu esperrava! Quel homme imposant! — ele estava encantado com a imponência do recém chegado.

    O bode caminhava pelo salão enquanto Ciel observava cada passo que dava.

    Largado sobre a poltrona, ele achava tudo aquilo um deleite.

    Sem vergonha alguma, o felino azul o seguiu, com a vermelhidão de seu rosto aumentando sem pudor.

    Hornberg se sentou, cruzando a perna com elegância.

    Imediatamente após isso, Ciel se sentou ao lado dele, apoiando seu corpo no dele.

    Baron não lhe deu atenção, olhando para frente.

    Theo falou:

    — Você demorou um pouco, cavaleiro. Diga-me o motivo, por favor.

    — Deveres de translado, Monsignore.

    — Os Três Reinos exigem muito de nós, do norte. Eu entendo perfeitamente.

    Amu, caminhando até Baron, se sentou ao seu lado, se ajeitando — os pés nem tocavam o solo.

    — Ah, esse sofá é alto! — falava, brincando ao balançar as perninhas. — Mesmo para um lugar cheio de coisas orientais, tudo é muito grande e belo, não é Baron?

    — Certamente, Meine Dame.

    O fascínio da pequena só não era maior que a insistência de Ciel.

    Ele ficava cutucando o abdômen do bode, insistente e inconveniente.

    Sua audácia tomou uma proporção maior (em chatice): ele levou seu rosto até a poucos centímetros de Baron — na lateral, buscando contato visual a todo custo.

    Sem virar o rosto, Baron desviou o olhar para ele.

    Ambos estavam se encarando, para o encanto perfeito de Ciel — e ainda teve um “agravante”.

    — Charlemagne Du Ciel. Diga o que deseja… e comporte-se.

    Ciel quase explodiu de alegria: ele passou a abraçar o próprio corpo, com sua cauda serpenteando junto — o Ciel virou “Rouge”.

    C’est merveilleux! Você se lembrou do meu nome! Magnifique!

    Contudo, tratava-se de alguém que tinha prazer na batalha. E, por causa disso, o rubor diminuiu — mas não sumiu — e Ciel começou a emanar sua aura âmbar.

    Um sorriso manhoso surgiu no seu rosto, ao mesmo tempo que sua base de luta se estabeleceu.

    O seu desejo transpareceu, tão visível quanto o de um mímico.

    — Me dê uma derrota, Baron Hornberg! — sua voz estava aveludada. — Me golpeie com força, tente me destruir… complètement!

    Ao ouvir isso, Baron se levantou, seguindo em sua direção.

    Ciel arregalou seus olhos, não acreditando no que aconteceria — seu desejo estava prestes a ser realizado.

    Porém, sua “ilusão real” foi frustrada: o bode elegante passou por ele, indo até a copa.

    Lá, calmamente, pegou uma xícara de porcelana oriental, tornou a levantar o bule de chá, despejando o líquido no recipiente fino. Após isso, colocou mel para adoçar — era chá verde — levando até sua boca.

    Sorveu um pouco, apreciando o sabor.

    Ciel ficou travado e frustrado.

    — Eu fui trocado por uma xícara de chá?! — o rosto estava deformado, com a boca torta e as duas mãos em cada lado da cabeça.

    Com a boca torta e as mãos na cabeça, a carranca de Ciel mais parecia uma obra de arte plástica.

    Mas não se resumiu só a isso: Elyra surgiu e o puxou pela orelha.

    — Pare com isso — falou, o repreendendo.

    — Ai, não puxe minha adorável orelhinha! — ele acompanhou a mangusto magenta. — Tá doendo, ma dame!

    O colocando de volta em sua poltrona, Elyra foi direto ao assunto.

    — Ciel, todos estão aqui. Você foi o único que tinha permissão de perambular pelos corredores. Essa era sua missão… e esperamos por informações. Acalme seu coração, Arauto da Dor.

    Como um chamado, aquele nome entrou nos ouvidos de Ciel e ocasionou uma mudança brusca em sua feição delicada.

    Ele abaixou seu fronte, lento, quase ritualístico.

    Os cabelos, sempre desgrenhados, foram para frente, sedosos e com textura.

    O corpo inclinou-se, estável por alguns segundos, antes de voltar ao eixo com uma respiração profunda.

    O rosto ruborizado sumiu.

    E os traços afeminados anulados.

    No lugar, seriedade plena, acima do normal, e maturidade marcial.

    Olhos em fenda focados, queixo levantado e postura corporal rígida.

    Sua identidade visual era outra.

    — Como o Arauto, trago notícias dos corredores desta arena — a voz era cortante, com peso em cada palavra.

    Theo, até então calado, acompanhava Baron no chá.

    E esse foi o momento que tomou a palavra.

    — Diga, Ciel… — bebeu do chá, enxugando a boca com uma pequena toalha de papel arroz. — Quais times possuem potencial de Nirvana considerável?

    A resposta veio direta.

    — Poucos, mas, sendo sincero, alguns merecem atenção.

    — Bom saber… Mas não os cite. Você sabe o que queremos, de verdade.

    Absolument — o sussurro aqueceu o ar.

    Pela segunda vez desde que chegou na arena, Baron levantou sua sobrancelha esquerda — reflexo de curiosidade.

    Ele caminhou até Ciel, que não se mexeu ou fez qualquer outro ritual. O felino se limitou a olhá-lo, só que agora como igual.

    — Diga-me porquê, edel Charlemagne Du Ciel. (nobre Ciel). Unsere Gegner. (Nossos adversários)

    O clima se tornou mais carregado, principalmente pelo tratamento entre os membros.

    Ciel era outro alguém, quase uma entidade mandada aos corredores como um emissário. Sua postura atual era aterrorizante — olhar entreaberto, tensão no rosto e os dois braços rígidos paralelos ao corpo… e sua cauda entortava para dentro e se abria.

    Sem perder tempo, falou:

    — Joshy Sapphire Omna, soldado do Reino de Shang Mu. Ele é um monge, o melhor de sua família. Un loup magnifique… (Um lobo magnífico)

    O felino falava teatral, marca de sua índole aristocrática, onde o ar que entrava saía com calor.

    — Seu título: Escudo Impenetrável. Possui Nirvana e Karma espetaculares. Todos o temem em combate… um ode a sua espécie.

    Baron ainda o encarava.

    Ele olhava para baixo, Ciel para cima.

    A estatura dos dois era desigual, mas a postura marcial de ambos os igualavam na mesma proporção.

    Eram dois monstros conversando com cordialidade e, principalmente, respeito hierárquico.

    Ao lado, e com o mesmo respeito, Theo perguntou:

    — Quem mais, Ciel?

    As palavras vieram com mais pimenta.

    Em cada letra.

    — Waaifu Soul Omna… La femme fatale.

    Hornberg fechou o olhar, o abrindo em seguida — foram milissegundos de reação, invisíveis.

    O assunto tinha sua total atenção.

    Ciel continuou:

    — Ela perambulou pelos corredores, só visualizou a situação alarmante de mais cedo e se resumiu a isso… Hum, ela possui um exotismo hipnótico. Souhaitable… (Desejável)

    Esse comentário final chamou a atenção de Theo.

    — E por que tem essa ideia, nobre Ciel?

    — Todos que a encararam ficaram de joelhos. Alguém com esse Karma soberbo merece minha imensa attention. Un danger que j’aimerais ressentir. (Um perigo que gostaria de sentir)

    Depois do relato, Theo, sorridente, e com sua espada de madeira em mãos, foi até o centro da sala.

    Ele parecia dançar ao som da voz do felino azul.

    — Ah, vejam só. Isso não é fantástico? Temos duas lendas de Shang Mu nesse time… Esse é o porquê de estarmos aqui: lutar contra os melhores, além de mostrarmos nossa moda. Must Have!

    Ele executou movimentos circulares, suaves a olhos ignorantes. Mas, por trás da “dança”, havia intenção.

    No fim, ele falou:

    — Não sei sobre vocês, mas queria lutar agora mesmo contra eles. Claro, devemos respeitar as regras do torneio.

    Ele foi até a copa, pegou um dos muffins servidos e o consumiu — era um ato simbólico do quanto estava saboreando o momento.

    Com um sorriso no rosto, falou:

    — Etiqueta marcial é fashion, acima de tudo. E a beleza do espetáculo é a iminência do choque de realidade. Com moulage, vocês sabem.

    Contudo, enquanto os adultos traçavam estratégias, Elyra, até então quieta, pressentiu algo do outro extremo da sala.

    Sob instinto, se limitou a levantar seu indicador na direção.

    Todos, calados, olharam, e testemunharam uma visão aterradora: a princesa Amu Amu, sentada na poltrona confortável desde que chegou, estava emanando uma aura rosada.

    Ao mesmo tempo, seu rosto estava escurecido, como algo oculto; os olhos brilhavam, mas sob luz escura, onde traços de monstruosidade eram vistos em seu sorriso bizarro que ia de orelha a orelha.

    — Gente poderosa… Gente que pode me aguentar… Gente que a princesa Amu Amu precisa conhecer… — a voz estava de sintonia disruptiva, com chiado como se fosse interferência de rádio.

    Um pulsar energético ocorreu.

    A aura de Amu Amu brilhava como neon, com faíscas cintilantes.

    Ela, ao colocar um dos pezinhos no chão ao sair da poltrona, sumiu, aparecendo na frente de Ciel, que não esboçou reação.

    A pequena o observou, como se estivesse medindo seu corpo.

    Saltou para trás, sumindo novamente. Reapareceu sobre a mesa.

    Caminhando como se flutuasse na plataforma, saltou.

    A princesa surgiu na frente de Elyra, dizendo:

    — Força… poder… Nirvana aflorado… Eu quero lutar contra alguém que suporte… cem por cento!

    Num piscar, Baron já estava a sua frente, abaixado até seu nível.

    Ele pôs uma das mãos sobre a cabeça da garotinha, dizendo:

    Meine Dame… Ich bin hier. — a voz era baixa mesmo grave, dizendo para a pequena que ele estava lá.

    Em frações de segundos, o rosto de Amu voltou ao normal, como se nada tivesse acontecido — um sorriso franco veio.

    — Eu sei que você está aqui, Baron! — ela até fechou os olhos, tamanho sua felicidade. — Porque acha que eu não iria perceber, bobinho?

    O que deveria ser motivo de preocupação, do se passou como um momento — embora voltassem com o assunto, um certo desconforto surgiu em seus rostos.

    Como resposta, ninguém comentou.

    E isso foi pior.

    Contudo, Ciel olhou fixo para ela, sem que ninguém visse — foi pelo canto, de quem tinha marcado algo valioso.

    Enquanto Baron retornava a princesa Amu Amu para a poltrona de mãos dadas, ele voltou as atenções ao que importava em seguida.

    — Continuando… Os corredores ecoaram o nome Kaura Shiran.

    Todos, atenciosos, prestaram atenção.

    Até mesmo Hornberg, que estava próximo a Amu, a olhando, só tinha ouvidos.

    — As vozes disseram que ela dissipou uma guerra ideológica dentro de um distrito restrito desta arena. Seu clã: Kirameku Kitakaze.

    Elyra reagiu: franziu sua testa, leve, se virando para Ciel.

    — Eu conheço esse templo.

    — Mestra? — falava Theo. — Esteve por lá, não?

    — Uma vez. Era uma criança na época. Nunca mais senti ventos tão frescos e puros como daquele lugar. Estar lá é como se sentir abençoado pela vida para ter essa sensação.

    A voz doce de Elyra foi ouvida novamente, direcionada dessa vez.

    — O que ouviu mais dessa dama que citou, nobre Ciel?

    — Reptiliana rosada. Quimono escuro florido, sempre com leque em mãos. Poderosa.

    Elyra fechou seu punho.

    A reação teve motivo.

    — Quimono escuro, leque… Ela é a sacerdotisa do Templo Kirameku Kitakaze.

    Ciel respirou fundo, como se sentisse o floral citado. O felino sentiu que outra força foi confirmada.

    Mas havia mais um pouco.

    — Pawa Geiza. Esse nome estava na boca de cada monge desse monastério que ancora parte deste distrito milenar.

    — A Família Geiza… é temida — falava a mangusto. — Pawa Geiza é o atual líder. E eu já tive o desprazer de conhecê-lo.

    Theo tomou a palavra.

    — Foi naquela vez em Big Sea, mestra?

    — Sim. Faz dois meses.

    Ciel completou o esperado:

    — Provavelmente ele faz parte do Time Omna.

    Isso foi um ponto crítico.

    Mais um poderoso.

    Theo sorriu, olhando para Elyra.

    Mas:

    — O teu propósito aqui está se esvaindo, Monsenhor.

    — Uh? — sua surpresa foi grande. — Mestra, já conversamos sobre isso. E eu não me esqueci dos Quatro Caminhos.

    Ela inclinou sua cabeça para baixo, pressionando sua boca em sinal de hesitação. O punho fechado abriu, e apontou seu rosto para o de Theo.

    — Monsenhor, sei que não os esqueceu. Mas, meu principal temor é… se tais ensinamentos fugirem de você.

    Um golpe contra seu ego, direto e público.

    Theo iria falar, porém Elyra não deixou.

    — A espada… — apontou para o instrumento. — Só é retirada da bainha se tiver interesse na guerra. Uma vez empunhada, alguém precisará cair para que você permaneça de pé.

    Theo fez algo completamente diferente: ele se abaixou, ficando de joelhos na frente de Elyra.

    A mangusto magenta se aproximou, um movimento natural.

    Vê-la perto fez com que o leonino levasse em sua direção o punho da espada de madeira — Elyra a recebeu, guardando-a em sua caixa própria para transporte da arma.

    Sem se levantar, Theo falou:

    — Essa falta é digna de punição, mestra. Estava cego pela emoção do torneio e quase desvirtuei a divina arte da Lâmina Cega. Faça seu julgamento… e irei aceitá-lo.

    O ato deu fim ao conflito entre mestra e aprendiz.

    Porém:

    Zeitverschwendung… — cada letra possuía peso, onde a perda de tempo era a tradução de seu estado.

    Baron se levantou, lentamente, e caminhou até próximo do time.

    Seu olhar centrado impactaria pessoas normais, mas ele teria de ir um pouco mais além dessa vez.

    — Theo Monsenhor Sesto, levante-se.

    O estilista assim o fez. Não por ordem.

    Sem pestanejar, e agindo fora do tradicional, Hornberg levou sua mão até a de Theo.

    O leonino não demorou: apertou sua mão.

    O bode disse:

    — Vós Mantivestes o posto de liderança, mesmo na falha. Nem Lâmina Cega possui autoridade do contrário.

    Ela virou seu rosto ao do bode.

    O encarou.

    — Eu sigo ao Monsenhor. Sua conduta foi pura etiqueta marcial. Seu aprendizado como espadachim oriental o moveu para isso. Não o atrapalhe.

    — Madame, minhas palavras não chegaram a ti. Ofensas não estão nelas, Hast du das verstanden? — Baron perguntou se se fez entendido.

    Cinco segundos foram o período em que ambos os monstros se chocaram.

    Um tinha brilho no laranja dos olhos, o outro, mesmo com o vazio do branco, continha sua própria luz interna — os dois pesos tinham a mesma medida.

    Porém, Elyra Cealestine, por não ter mais o brilho nos olhos, visualizava todo o ambiente de uma forma mais espiritual. Isso também se aplica às pessoas.

    A mangusto usava seu Nirvana para enxergar. Seus olhos brancos continham aura o tempo todo, mesmo que invisível.

    Ela era a única pessoa que conseguia ver a verdadeira essência de um Tier S — o que todo o restante dos participantes do torneio sentiram com a presença dele.

    Uma aura avermelhada emanava do bode no plano onde a mangusto dominava, com seus olhos mostrando traços alaranjados de seu Nirvana.

    Era pesado, e ainda mais aterrorizante ao ver — só Elyra tinha essa visão.

    — “O Demônio dos Quatro Chifres… é implacável.” — Pensava ela, sem recuar.

    Como estancamento, Baron se abaixou, reverenciando a mangusto. Ela, como resposta, estendeu sua mão.

    Gentilmente, o bode apanhou sua mão e aproximou seu rosto; beijou-a, com formalidade extrema.

    Não houve sorrisos.

    Pelo contrário: soou frio.

    Ao fim, Baron se levantou, retornando para próximo de Amu.

    Elyra Cealestine pegou a bainha de madeira, onde estava a espada de Theo, mantendo em mãos.

    O leonino, já restabelecido o controle emocional, mostrou contentamento com a situação — o clima estava neutro.

    Mas antes que tomasse o posto principal, Ciel veio com mais informações.

    — Os demais times foram inteligentes e separaram seus membros. Embora tenham nomes individuais, suas equipes estão protegidas por inteiro. Un problème mineur.

    Theo foi até ele.

    Tinha mais.

    — Quais nomes merecem nossa atenção?

    — Ametista Superior… que esteve pelos corredores junto com um javali truculento. Seu nome: Gil Son. Boxeadores com talento… et rien de plus.

    — Nada mais? — insistiu Theo, aproximando seu rosto ao do felino. — Arauto da Dor, impossível não ter espólios. Quero os nomes.

    Ciel fechou os olhos, como se estivesse protegendo algo importante.

    Sua natureza lasciva o moveu.

    — Sheng Daiyamondo Omna… e Viktor.

    — Hã? Quem é esse último?

    — Um estrangeiro atrevido… que conquistou minha atenção.

    Elyra deu um passo para frente, indo até Ciel.

    Ela se lembrou.

    — Ele estava com aquela dragão púrpura. Ela e seu time, Monsenhor, estavam no corredor enquanto aquele panda desordeiro a incomodava.

    — Oh, ótima memória, mestra! — falou, olhando para a mangusto. — Lembro de ter visto o estrangeiro, que não tem pêlos nem cauda.

    Isso atiçou ainda mais a curiosidade de Theo.

    — Porque a fixação nele? Seu histórico é de procurar por oponentes poderosos, Arauto da Dor.

    O felino azul ficou em silêncio.

    Foram dez segundos, quase eternos.

    Ciel não tinha filtros.

    Nunca teve.

    — São MEUS espólios… e de mais ninguém. Vous avez entendu?

    Theo só observou, em silêncio.

    Elyra tinha pensamentos.

    — “Conheço-o suficiente para saber que essa fixação tem fundamento. A Família Daiyamondo é um clã respeitado… mas o estrangeiro guarda mais estranheza. Se Ciel o colocou como alvo, então aquele jovem tem potencial.”

    A conversa parou por ali, com Ciel mantendo-se calado.

    Theo, pelo contrário, chamou para si a responsabilidade.

    Ele pôs as cartas na mesa.

    — Damas, cavaleiros… Cada um aqui tem um motivo de estar nesse torneio. Eu tenho certeza que todos nós conseguiremos obter o que procuramos, mas, até lá, precisamos agir com união e, principalmente, companheirismo.

    Isso trouxe um leve sorriso no rosto de Elyra — coisa rara de se ver — e foi especial para Theo.

    Ciel o reverenciou, já com seu semblante mais leve e animado — íris âmbar brilhantes, de quem está entusiasmado.

    A princesa Amu Amu, amparada até então por Baron, se levantou, entendendo a mensagem.

    — Isso é um torneio! Então nós precisamos fazer de tudo para vencer! Eu estou com você, tio Theo! O meu gerente é o melhor!

    O bode ficou quieto, só olhando para o leonino. O respeito que tinha em ambos disse por si só a relação dos dois.

    Sabendo que seu time estava unido, guardado as devidas proporções, o animado estilista gritou:

    Slow fashion… e preview!

    Seu estilo visionário e movido pela onda da moda, embora emocionante, foi interrompido.

    Um bater na porta quebrou o clima de chamado para a luta.

    A porta se abriu, fazendo surgir da passagem a cerva de olhos cereja.

    — Senhorita Leda, que agradável surpresa! — disse Theo, com um sorriso.

    Ela, sempre elegante, caminhou com graça para próximo do grupo, dizendo:

    — Estou aqui em nome da senhorita Ana Andirá, tenho dito. E tenho a nobre missão… de levá-los até a arena. E, claro, capturar fotos para o book de outono.

    Os preparativos foram rápidos.

    O time Monsenhor Sesto seria o último a seguir para a Arena Shang Mu.

    Minutos depois, já com os corredores vazios, Leda levava o grupo de combatentes estilosos em direção ao centro.

    Os portões abertos, logo ao fundo, era um convite irrecusável.

    Mesmo longe, era sentido a algazarra das arquibancadas, assim como o clima festivo que se aproximava.

    Como último componente, Elyra Cealestine estava concentrada, levando consigo a bainha que guardava a espada de Theo.

    Porém, ela parou de andar; uma pontada foi sentida no coração, a fazendo sentir desconforto — usou sua aura roxa no local atingido para atenuar a pressão.

    A respiração ficou tardia, e uma gota de suor escorreu pelo rosto.

    Ciel percebeu o atraso.

    — Senhorita, o que houve?

    — Nada, Ciel. Mas…

    Ela olhou para trás, chamando a atenção de seu pupilo.

    — Mestra, o que aconteceu?

    — Theo, eu acho que… eu senti aquela mesma sensação de antes…

    — O que?!

    Ele voltou o caminho, olhou ao redor.

    Baron ficou o tempo todo perto de Amu, que disse:

    — O que aconteceu com ela, Baron?

    — Não se preocupe, Meine Dame… — disse, de mãos dadas a garotinha. — A Noble Dame Elyra Cealestine é forte.

    Até Ciel averiguou pelos arredores.

    Não havia ninguém.

    Sabido disso, a própria mangusto puxou o time, para estranheza de Theo.

    — Vai ignorar o que sentiu?

    — Não, e isso será o que me manterá em vigília permanente.

    Leda foi até ela.

    Tinha dúvidas.

    — Senhorita, porque esse comportamento?

    — Forças escuras pairam neste lugar. Eu tenho certeza.

    Com o time continuando o caminho, a cerva só tinha um pensamento:

    — “A senhorita Ana Andirá e o senhor Bryan me avisaram de coisa parecida. Será que a senhorita Elyra se refere… ao Samsara?!”

    Eles seguiram.

    A arena era o destino.

    Entretanto, no mesmo corredor que tomaram como acesso, lá no fundo, onde uma brisa fria passava sem cerimônias, uma figura vestida de preto permanecia ao fundo

    Apenas sua respiração era ouvida.

    O rosto, oculto por um manto negro.

    As mãos, nos bolsos.

    Não era um mero espectador.

    Apenas… esperava.

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