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    Após a luta contra Ryruka, pouca coisa aconteceu. Inclusive, neste meio tempo, Kamito e Ryruka passaram a se entender melhor. Poucos Carniceiros haviam aparecido pela cidade, o que era um bom sinal, e os poucos que aparecia, serviam de treinamento.

    Cerca de dois meses e meio se passaram desde que Akane e Kamito descobriram seus poderes, mas já haviam progredido bastante. Em uma comum manhã de terça, devido uma reunião de professoras, os alunos estavam de folga. Akane aproveitou sua folga para levar sua irmã Luise para a sua escola.

    — Ei, Luise! Você não devia correr assim, é perigoso. — Advertiu Akane, preocupada com o movimento da rua. — Você não está me ouvindo? Luise, é perigoso correr perto da rua. — Questionou Akane segurando Luise pelo braço.

    — Como você é chata! Eu estava tendo cuidado. Não sei o porquê de você vir comigo, sendo que eu mesma posso muito bem ir sozinha para a escola. — Resmungou Luise.

    Apesar da pouca idade, Luise gostava de sentir-se como uma adulta, zelava por sua liberdade. Inconformada, puxou seu braço, livrando-se das mãos de sua irmã, e voltou a caminhar. Apesar da raiva passageira, Luise sabia que Akane estava certa.

    — Por que você não está com o Kamito? Vocês são namorados, deviam aproveitar esse tempo.

    — Quê?! Kamito e eu… Nós não somos namorados. Você não devia falar uma coisa dessas assim! — Apesar de se envergonhar quando o assunto vinha a tona, Akane se perdia em seus pensamentos, imaginando algum dia estar namorando com Kamito.

    — Mesmo que fôssemos, isso não tem nada a ver com você. Então não fale de algo que você não sabe.

    — Certo, certo, mana. “O Kamito veio ao meu quarto hoje. Não pude conter a emoção. Achei que ele me tomaria em seus braços. Aqueles olhos vermelhos me encarando tiram meu fôlego”. — Sorriu Luise com perversão.

    Akane ficou vermelha rapidamente, Luise citou uma frase que ela havia escrito em seu diário.

    — Quer que eu continue? Se você realmente gosta dele, por que não conta logo? Se não for rápida, aquela Ryruka vai tomá-lo de você.

    — Eu?! Não… Não é tão simples assim… Eu não sei se ele… — Akane parou de caminhar, baixou a cabeça, com um olhar triste encarou seus pés. Em seus pensamentos, ela sabia que realmente gostava de Kamito, e que sempre estaria ao seu lado, não importava como, e mesmo com insegurança, ergueu a cabeça e sorriu.

    — Ainda não é o momento certo. E quem tem que expressar seus sentimentos primeiro tem que ser ele!

    Luise, ao escutar as palavras de Akane, sorriu, e estendeu discretamente sua mão. Embora envergonhada por estar sendo tratada como uma criança, ela não poderia perder aquele momento com Akane. Durante o restante do trajeto, Akane aconselhava sua irmã sobre se empenhar nos estudos, já Luise, seguia com piadas relacionadas ao namoro de Kamito e Akane.

    Próximo a escola, Akane recebeu uma ligação, notou que era Suzumi, sua irmã mais velha. Suzumi dizia que era um assunto de extrema importância. Preocupada, Akane orientou Luise para ir diretamente para a escola, beijou sua bochecha e saiu com pressa. Luise viu sua irmã se distanciando, sorriu envergonhada, e voltou a caminhar na direção da escola, quando esbarrou em um homem estranho.

    Ele se desculpou e sorriu, inocentemente, Luise retribuiu o sorriso, aceitou as desculpas e seguiu seu caminho, sem notar que ele continuou observando-a com um sorriso estranho.

    Enquanto isso, em outro lugar, Kamito e Raishi estavam conversando sobre os Carniceiros que apareceram na cidade e o trabalho de Kamito com eles. Raishi, ainda era misterioso, seguia sem revelar suas razões. Tantos segredos deixavam Kamito frustrado ao pensar que Raishi não confiava nele.

    — Você não está me ouvindo, Raishi! Por que você não me conta o verdadeiro motivo de ter nos treinado? Eu sei que tem algo além da nossa proteção!

    — Kamito, tudo tem seu tempo. Você está adiantado demais, ainda não é o momento certo para lhes contar tudo. Seu treinamento ainda não acabou e você já quer algo maior. Salvar vidas não é o suficiente para você?

    Raishi olhava para as nuvens, sua tranquilidade contrastava com o pedido de encontrar Kamito em uma praça. Sem reações, sem troca de olhares, Raishi observava as nuvens.

    — Você deveria aproveitar bastante o tempo e a oportunidade que estou dando para que você e a Akane vivam. Esse mundo é muito perigoso, especialmente para vocês. Por isso que a Ryruka não os aceitava. Vocês entraram nisso há pouco tempo. Suas vidas e escolhas são deste mundo. Vocês não são como eu, nem como ela, por isso que precisam aproveitar.

    — Aproveitar a vida? Nunca vi você assim antes. Será que está começando a se abrir mais? — Sorriu Kamito.

    O garoto caminhou e se sentou em um banco, levantou sua cabeça e também passou a observar o céu que Raishi tanto admirava.

    — Falando nisso, onde a Ryruka está? Eu não a vejo há alguns dias. Nem dá para acreditar que vocês são irmãos. Tirando a aparência, vocês têm o temperamento totalmente diferente.

    — Ela anda muito ocupada. Ser a aluna número um não é tão simples, sem falar a sua rotina de treinamentos. Ryruka pode ser mais forte que você atualmente, mas logo você a passará se continuar seguindo o que lhe digo.

    Raishi observava o movimento pacato com admiração e tranquilidade, gostava daquilo, seu olhar neutro brilhava com paisagem.

    — Ah, então é aí que você está! Te procurei por todo lugar, Raishi. Por que você não avisou que sairia? Você disse que me ajudaria com o treinamento! — Apareceu Ryruka confrontando Raishi. — Por que vocês estão me olhando assim?! Por acaso eu atrapalhei alguma coisa? Vocês estão sentados como se não tivessem vidas. Deveriam parar com isso e serem mais responsáveis.

    — Acho que você está pegando um pouco pesado. Não somos tão desleixados. Estávamos discutindo algo importante até você nos interromper. — Kamito olhou para Ryruka. A garota parecia estar chateada com Raishi, olhar transpassava isto. Pensando em chamar a garota para a conversa entre os dois, Kamito é interrompido por uma ligação, era Suzumi, a irmã mais velha de Akane.

    — Alô? Suzumi? O quê?! Como isso aconteceu?! Não se preocupe, eu vou para lá agora mesmo! — Luise não havia comparecido a escola, e a coordenadora ligou para saber o motivo da ausência. Sabendo que Akane levou Luise para a escola, Suzumi desesperou-se. Kamito se levantou o mais rápido que pôde, deixando Raishi e Ryruka sem entenderem o que estava acontecendo.

    — Desculpa, aconteceu algo com a Luise! Eu preciso ir até a escola dela agora!

    — Aconteceu algo com a irmã da Akane? Eu irei com você, quero ajudá-los. — Ryruka se ofereceu para ajudar, e Kamito topou sua ajuda, afinal, quanto mais pessoas estivessem em busca da jovem, melhor seria.

    — Há pouco tempo senti uma movimentação de energia pela cidade. Não sei se isso tem relação com o que houve com a garota, então tomem cuidado. — Alertou Raishi. No entanto, algo estava diferente, o olhar neutro e misterioso desapareceu, Raishi estava com raiva, um olhar que assustou até mesmo Ryruka, sua irmã.

    — Se isso for uma estratégia do inimigo, ele provavelmente estava procurando alguma forma de atraí-los e parece que finalmente conseguiu. Vão depressa para a escola. Eu tentarei descobrir mais sobre essa energia suspeita. — Concluiu Raishi.

    Kamito correu o mais rápido que podia, Ryruka o acompanhava. Por ligação, Akane estava perdida, abalada, sem saber o que fazer, sua voz trêmula e quase sem som transpassavam seu desespero.

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