Capítulo 84 — O Grupo da caverna
Após dois dias, Raishi e os companheiros escolhidos partiram ao encontro da Emota enquanto os outros cumpriam suas respectivas missões. Os sobretudos os protegiam da chuva forte. Enquanto Raishi guiava o grupo, os jovens logo atrás pensavam no motivo para o grupo rebelde não querer se encontrar com toda a Ordem.
— Maldita chuva! Parece que está atravessando minha carne e acertando meus ossos. — Kamito se queixava da chuva gélida e dos pingos que se assemelhavam à picada de agulha. — Sinto meus ossos congelarem… Essa chuva é normal?! Como vocês aguentam? Estão bem? Se machucaram?
— Essa é a chuva dos mortos, é comum pelas florestas e pântanos. Eu também estou sentindo o mesmo que você, meu amigo. Acho que o único entre nós que consegue resistir à chuva é o Raishi, que viveu no Extra-Mundo por muito mais tempo que eu e que a Ryruka. — comentou Yujiro, também incomodado, enquanto lançava um olhar analítico sobre o rapaz e Akane. — Vocês estão indo bem, estão até de mãos dadas. Ryruka não deve se importar muito com o frio, já que sua Manifestação é o Gelo.
— Eu estou sentindo muita dor… mas segurar a mão do Kamito me faz ter forças para ignorá-la e caminhar ao lado dele! Não será uma chuva que me vencerá. Não posso me dar por vencida e nem depender sempre de ajuda. — Akane apertava a mão do namorado; nem o corpo nem a voz tremiam. — Ryruka, por que não se aproxima? Seria nostálgico, assim como quando enfrentamos o Manipulador, os Carniceiros e até mesmo a Ordem. Nosso grupo cresceu bastante, mas ainda somos um time.
— Um time?! Era assim que você nos via, Akane? — Ryruka a encarou com enorme surpresa. — Eu sempre lutei pelo meu orgulho e fui contra o Raishi envolver vocês dois em assuntos nossos. Ainda assim, você me via como amiga?
Eram raras as vezes que ela demonstrava se importar, e isso logo mudava. Um pouco sem graça, ela lentamente se aproximou da Akane e desviou o olhar.
— Talvez seja um pouco nostálgico… Eu não te agradeci quando você me curou após minha luta contra o Kamito e nem quando derrotamos a Ordem.
— Não precisa. Somos amigas, Ryruka. Eu sei que, lá no fundo, você se preocupa com todos nós. — Akane ostentava um belo sorriso. Tentava se aproximar da amiga, que, mesmo os conhecendo há um ano, se mantinha distante. — Espero que nada de ruim aconteça conosco aqui no Extra-Mundo. Não quero que nosso grupo diminua.
— Enfim estão se entendendo. Quem diria que você os aceitaria, Ryruka? Um grande avanço, não? Estou orgulhoso, minha irmã. — Raishi a fitou com um sorriso sincero.
— Cale-se! Não preciso dos seus elogios! — exclamou, com as bochechas levemente coradas. — Precisamos nos concentrar na nossa missão. Não estamos aqui pra ficar de papinho furado.
— Parece que ele conseguiu te irritar. — disse Yujiro rindo da reação da garota. — Acho que é a primeira vez que te vejo sem jeito.
Após mais um tempo de caminhada, o grupo chegou nas proximidades de um rio, onde havia uma passagem de pedras que os levava até uma região rochosa. Por ali, escondida atrás de uma cachoeira solitária, estava a entrada de uma caverna.
— Parece que chegamos. Alegrem-se, vocês se livraram da chuva. Agora, tenham extrema cautela. Não podemos demonstrar nenhuma ameaça a eles, entenderam?
— Por que eles se esconderiam aqui? Não vi quase nenhum animal pelo percurso. Uma fonte de água próxima até que foi uma boa ideia. Peixes, talvez? — Kamito se agachou perto da água, observando calmamente o cenário local.
Seu olhar logo foi atraído pelos paredões rochosos, onde havia buracos e frestas grandes o bastante para pessoas passarem. Era ideal para despistar perseguidores.
— Uma galeria de túneis interligados! Agora eu entendi, esse é um labirinto natural. Eles foram espertos em terem escolhido esse lugar.
— Você observou bem, Kamito. Não só é uma galeria de túneis interligados, como também é um local fechado para lutas em grupo. Você pode encurralar seu inimigo com mais facilidade e atacá-lo de qualquer direção por essas saídas.
Yujiro também analisava o local, usando sua Manifestação para tentar sentir a presença da Emota. Por estar em um local rochoso, ele tinha certa vantagem.
— Consigo saber para onde vão a maioria desses túneis, mas não sinto a presença de nenhum Manifestador. Eles sabem mesmo como se ocultarem. Nem mesmo em vantagem eu consigo rastreá-los. Como será que a Pombo conseguiu?
— Quando se tem um império na sua cola, o mínimo que você deve fazer é se manter imperceptível. É fácil quando você passa boa parte da sua vida fazendo isso, ainda mais para inimigos declarados do império.
As atenções se voltaram para um homem encapuzado que surgiu repentinamente diante do quinteto. Segurava uma espada negra enquanto os observava com cautela.
— Vocês são da Ordem dos Cavaleiros Brancos? Estávamos à sua espera.
— Capuz, não precisa soar tão ameaçador. Eles não são nossos inimigos. Nós nem ouvimos a proposta deles ainda, então relaxa um pouco. — advertiu uma garota alta, de olhos e cabelos verdes.
Após convencer o companheiro a guardar a espada, ela se aproximou das novas figuras com um sorriso carregado de nervosismo.
— Me desculpem pelo meu amigo, mas todo cuidado é pouco. É um prazer conhecê-los, Ordem dos Cavaleiros Brancos. Venham, o Tenebris e os outros estão por aqui. — ela indicou com a mão direita, entrando na caverna com naturalidade.
Raishi seguiu a garota sem receio, o que convenceu os demais a irem atrás sem muitas preocupações. O homem encapuzado os escoltava pela retaguarda.
Nas profundezas da caverna, uma área espaçosa. Estacas de pedra decoravam o chão e o teto. No centro, uma fogueira com três pessoas sentadas ao redor dela. Aquele era o grupo que eles estavam procurando. O objetivo de Raishi estava próximo de ser completado, agora viria a parte mais difícil. Convencê-los a se unirem a Ordem.

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