Índice de Capítulo

    É frio… 

    O piso quando estou descalça é frio. 

    Estou cansada. 

    Estou sem forças.

    Kizimu acordou de repente e me ajudou a escapar da morte eminente… mesmo sem me conhecer, ele me ajudou.

    E o que ele ganhou…?

    Um tiro em seu peito. É impossível que ele tenha sobrevivido…

    “Faremos assim. Coloque tudo em minha responsabilidade. Confie em mim agora, quero que deixe seu controle sobre minha responsabilidade. Se eu falhar e alguém se machucar. Eu mesmo permito você se matar.”

    Se ele morreu… então eu posso…

    Por que eu não paro de chorar? Não importa quantas vezes eu limpe meu rosto, as lágrimas não param…

    Droga.

    Meu corpo começou a ficar translúcido. Isso quer dizer que posso fluir para o local onde meu maior desejo me puxa, quer dizer…

    Eu pisco e em minha mão, tem um objeto perfeito para realizar meu desejo.

    É rígida, longa e felpuda.

    Tenho que amarrar em algum lugar.

    Eu consigo fazer um nó nisso? Tenho que ser rápida, antes que Althea volte.

    Consegui! Um nó perfeito.

    Agora como eu vou amarrar? Meu corpo novamente está ficando translúcido, meus cabelos devem estar loiros também, queria me ver no espelho agora…

    Na verdade, não queria ver esse rosto patético. Eu estou aceitando bem meus defeitos agora, deve ser por que, nós duas queremos o mesmo…

    Minha morte.

    A corda está amarrada no teto, está bem amarrada, só que está bem alto, né? Acho que assim é o certo. Eu só preciso de… essa cadeira vai servir.

    Eu subo na cadeira e respiro fundo, depois disso, vai estar acabado.

    Droga, não consigo olhar… meu corpo está ficando translúcido novamente, se eu deixar, ela vai fazer todo o trabalho, eu quero fazer isso com minhas mãos.

    Eu não consigo me acalmar. Estou ficando translúcida.

    Controla, se controla.

    Minha mente está vibrando.

    Tenho que ficar no controle.

    Eu vou fazer isso. A corda está em minha frente, eu só preciso envolver em meu pescoço, eu só preciso finalizar tudo isso e toda essa dor vai acabar.

    Meus olhos estão tremendo, dói tudo, cabeça, alma e corpo.

    Eu olho para porta, me despedindo de todos, Aisha, minha melhor amiga. Obrigado por tudo que fez, esteve ao meu lado e me impediu de fazer tantas loucuras, me ensinou tanto.

    Eu travo, não consigo colocar a corda no pescoço, pensar em minha melhor amiga é tão triste, ela não conseguia me ajudar, ela não entendia minha dor, mas… ela me ajudou tanto.

    Para de chorar sua fraca, isso tudo vai acabar, droga!

    Adeus. 

    Adeus minha amiga Esme, vou ir embora. Adeus Kim, Masha, Althea, Lins. Todos vocês fiquem bem. Adeus Amelaaniwa, Senhor Chefe e bom mecânico, espero que todos preencham os vazios em seus corações…

    Adeus Minne, muito obrigada por tudo. Obrigada por me fornecer moradia e um emprego… mesmo que o fim do contrato seja agora.

    Adeus Kizimu… você no pouco tempo que conheci, percebi que era uma pessoa boa, que mesmo que um pouco louco, é alguém que se importa com uma garota como eu, que acabou de conhecer.

    Eu nem consigo imaginar alguém com tanta determinação. E mesmo agora, você partiu antes de mim… a pessoa que Minne disse que me salvaria, morreu antes de mim.

    Talvez essa fosse a resposta certa desde o começo.

    Minhas mãos finalmente se moveram e agora a corda está em volta do meu pescoço, será o definitivo do meu fim… Só preciso pul-

    A porta está abrindo… como… como eu vou explicar isso?

    Não vou, é só eu pular, não importa quem esteja abrindo a porta.

    Eu envolvo a corda em meus pescoço e…

    ………

    …..

    Ki-kizimu? Ele está vivo?

    — P-pan-PANDORA! — Kizimu gritou, em choque, tentando-a impedir de continuar a ação insana.

    Eu fui rápida o bastante, eu pulei, a corda agora, está sufocando a minha vida.

    ✡︎———————✡︎———————✡︎

    — P-pan-PANDORA!

    Kizimu corre na direção da garota Pandora, que estava com a corda envolta em seu pescoço, fechando a porta atrás de si bruscamente.

    A garota que pulou no instante que o garoto entrou começou a sufocar, lutando aterrorizantemente com a falta de ar.

    O garoto com um pulo veloz, na cadeira caída, elevou o corpo da garota, tirando ela da corda, em um movimento muito bem feito.

    A habilidade apresentada pelo garoto não poderia ser dita diferente de ilógico, mesmo alguém treinado teria dificuldade de uma ação tão veloz e qualitativa.

    Eles caíram no chão com Kizimu segurando o corpo feminino dela com facilidade. Ela era leve, seu corpo estava frio, fraco, tremulo.

    — SUA! Por q- Não! Você não. Eu. Você. Argh.

    Kizimu não conseguia formular uma frase. Ele estava sem palavras, sem reação, sem acreditar, não conseguia acreditar no que vira agora.

    Mais incontrolável ainda estava Pandora que não conseguia nem se justificar. Como explica quando dá errado?

    — Pandora, eu disse… eu disse que poderia se matar se alguém se machucasse por sua causa, não foi?

    De forma tremula, a garota respondeu. — Foi-

    — Então, por que estava cometendo tal atrocidade sem eu permitir? Não foi sua culpa, eu me machucar.

    — Você não… — Lágrimas enchem seus olhos.

    Kizimu se enfurece, ela não tinha o direito de abandonar sua vida assim. Ele está fora de si, completamente.

    — Eu não o quê?? Eu não tenho direito? Eu não sei pelo que está passando? Eu não conheço você para dizer algo? Não quero saber. Você faz parte da minha residência, então faz parte de minha família, não permito que ninguém de minha família morra. E eu dei uma ordem! Você não machucou ninguém, então-

    — EU PENSEI QUE TIVESSE MORRIDO.

    Seus pensamentos travaram, e antes que pudesse responder, escutou um Toc, Toc, Toc.

    A porta ecoa toques e Kizimu sabe quem é.

    Não é um bom momento.

    — NÃO! Agora não Aisha.  

    — Ce-certo – respondeu, Aisha, do outro lado da porta.

    Os olhos de Pandora vibraram de medo e terror. Uma vergonha ainda maior sobressaiu sua mente.

    — Desculp- — Sua fala é interrompida por um abraço. Um abraço firme e muito forte, do fundo do desespero de Kizimu.

    Kizimu se sentia culpado, provavelmente ela apenas quis se matar, porque Kizimu deu a ela essa permissão. Se ele tivesse demorado mais um pouco, o que teria acontecido? Sua mente doía só de pensar.

    O abraço quente provava a vida dela. O corpo macio dava a sensação de conforto, a respiração deixava Kizimu em paz, e enfim, a garota, com seu coração pulsante, sentiu-se um pouco mais calma. 

    — Desculpa? Eu não quero ouvir desculpas, eu quero que me conte suas dores. Droga, eu não posso te ajudar se não me contar. Eu quero que me diga o que posso fazer para te ajudar. Eu não te conhecia antes, mas agora como seu senhor, eu quero te ajudar.

    — Você não…

    — Pare de tentar se esconder na sua casca impenetrável, eu não te conheço? Sim, se você não me contar, eu nunca vou conhecer. Mas eu estou aqui agora, não estou? Você não está sozinha, eu não vou te julgar. Pode soltar tudo.

    Pandora não se controlou, seu choro e sua voz saiu com tudo, ela berrou de dor, desespero e tristeza.

    Quanta dor ela esteve segurando de todos, de sua melhor amiga, de tudo a sua volta? Ele escutou suas dores até o final. E quando ela aos poucos começou a soluçar, ele começou a falar.

    — Pandora, eu nem imagino pelo que você está passando, mas eu odeio sua ideia de querer se matar. Não quero isso, ninguém aqui quer. Então-

    — Eu não ligo o que vocês querem, eu só quero que minha maldição pare. Eu odeio ela. Todos os dias eu tenho que me controlar, é cansativo, é irritante. É como se demônios estivessem em minha mente e apenas eu tenho que impedir eles de saírem…

    Ela tornou-se finalmente a falar, interrompendo o garoto e surpreendendo o mesmo, com a parada fraquejante da garota, ele percebeu que deveria motivá-la a continuar a desabafar.

    — Pode falar. Eu quero te escutar.

    Seus lábios tremeram, mas mesmo com dificuldade, ela continuou.

    — Minha maldição aparece de repente, eu não controlo eles, eu não consigo… eu nem sei dizer o que eu penso na hora. Tem vezes que nem sei dizer se eu sou eu. É assustador.

    O que ele deveria falar? Deveria apenas ouvir? Ficar calado? Responder, assentir? Mesmo assim, Pandora continuou, e o garoto escutou até o fim, assim como disse que faria.

    Pandora desabafava e sua mente não parava de a maltratar. Logicas bem infundadas que faziam ela se odiar, mesmo assim, ela não parou. Ela escutava seus pensamentos dizendo que ela deveria parar, desistir, tentar se matar de novo, tentar falhar, que tudo era culpa dela, que no fim Kizimu iria abandonar ela. Que se nem Aisha a salvou, porque ele salvaria. Mesmo assim, deu um pouco de confiança no garoto. 

    As palavras poderiam até ter sentido, ou até ser tão certas que queria desistir, porém, sempre foi assim, ela já estava acostumada. 

    Ela não falou apenas porque por um pouco, confiou nele, mas porque Minne, aquela que parecia saber de tudo, disse que ele salvaria ela, e isso, deu-lhe esperança.

    — Já se imaginou acordar sem saber qual personalidade está no controle? Posso estar bem ou mal, e nem sempre eu sei quem estou sendo, apenas tenho que agir como se estivesse bem, porque odeio preocupar as pessoas. Apenas é horrível, querer descansar, mas tem tanta coisa para fazer na grande casa, enquanto eu tenho que lidar com meus demônios internos de forma que nem consigo respirar. É horrível. É uma merda. Eu quero morrer. Eu não quero pensar mais, tentar mais, errar mais, falhar, existir.

    — E se aprendermos a controlar sua maldição?

    — Não tem como! — vociferou. — O que acha que tentei fazer toda minha vida? Acha que simplesmente fiquei parada esperando alguém resolver meus problemas? — seus gritos desesperados eram de partir o coração, sua voz arranhada fazia Kizimu se odiar por estar em coma e não poder ajudar antes, as lágrimas eram espinhos que torturavam sua carne. Tudo o fazia se odiar.

    Não tem nada que ele possa fazer? É como se ela tivesse uma barreira entre ela e ele e não pudesse entrar, uma barreira impenetrável chamado desconfiança. Palavras não deveriam ser o suficiente? Ou… nada é tão simples assim.

    É a vida real.

    Então, suas palavras tem que ter o peso certo. Nada de palavras magicas. Não é apenas dizer, vai ficar tudo bem, vamos conseguir, vamos fazer, vamos mudar juntos. Ele deveria provar, não com palavras, mas com atitudes.

    — Você precisa de alguém que faça e não que diga, certo?

    — Que faça?

    — Eu irei controlar sua maldição. Eu não quero te ajudar, eu não vou dizer que vou estar do seu lado. Eu vou dar um jeito de controlar sua maldição por você. Dessa forma, até eu resolver por completo…

    Kizimu lembrou de algo.

    — Coloque isso.

    Kizimu pega o anel que recebeu para controlar sua maldição. Desde que sua maldição enfrentou Bento, parece que não tem forças para entrar no controle.

    O garoto pega a mão esquerda de Pandora e coloca em seu dado anelar.

    — Não entenda errado. É apenas uma forma de resolver.

    — Nós vamos nos casar? O que isso resolve meu…

    O anel no dedo anelar deu um mal-entendido, mas a garota sentiu de forma imediata. Ela não estava mais sentido a maldição. A garota respirou fundo como nunca tinha respirado antes. Sem dor na mente, sem precisar se controlar. Era como um remédio magico que parou sua existência. Até o desejo de morrer desapareceu.

    — Meu desejo de morte… era também fruto de minha maldição?

    — O quê?

    — Nada. Eu… — Pandora não sabe o que dizer e cerrou os dentes, então sem palavras, ela apenas abraça Kizimu fortemente. O garoto se surpreendeu, mas gostou do abraço e devolveu ele.

    — Isso não resolve seu problema, apenas impede ele de aparecer, vou aprender a controlar sua maldição. O anel é uma solução temporária.

    — Eu não quero tirar esse anel, mas, você disse que vai carregar meu fardo, então…

    Pandora ainda em volta dos braços do garoto olhando em seus olhos azuis-escuros, não poderia estar mais feliz, mas em êxtase, seu maior problema estava na sua primeira resolução.

    — Eu acredito em você, eu quero que tome minha maldição. Eu confio em você.

    Eles estavam próximos a ponto de sentirem suas respirações. Ela estava ofegante e ele estava com seus braços ainda em volta de seu corpo. Kizimu em tão pouco tempo fez mais a ela do que qualquer um poderia ter tentado fazer, e isso era impressionante, a confiança que tinha no garoto era algo fora do comum. 

    Poderia dizer que, no fundo, bem, no fundo, ainda não confiava totalmente, mas, queria devolver a gratidão.

    Kizimu estava feliz e satisfeito e ela estava pronta e fechou os olhos.

    Só que… Kizimu era uma criança mentalmente, ele não pensou em beijar ela. E ela aos poucos, meio decepcionada, soltou ele.

    — Mu-muito obrigada.

    Aba imagem:
    Duas imagens em uma pagina;
    Pandora abraçada com Kizimu,
    Eles olhando um para o outro.
    1

    Sorrindo, Kizimu respondeu — Pode contar comigo. Eu vou ouvir suas dores, tudo que quiser falar eu vou ouvir. Apenas quero que nunca mais pense em se matar. Ou melhor, nunca mais tente se matar. Pedir para nunca mais pensar pode ser impossível.

    Ela ainda estava processando o momento, estava bem visível que ela queria beijá-lo no momento, mas, não foi lerdeza, foi inocência, ele nem pensou nisso. Estando feliz apenas por ela estar viva.

    A garota lembrou que Kizimu estava em coma, e teve de confirmar algo.

    — Quantos anos você tem agora?

    — Quantos anos? Não sei dizer. Mentalmente tenho 10 anos, eu acho? Mas fisicamente tenho 16, eu diria.

    Ela parou incrédula.

    — 10 anos?!

    — Mas eu sou mais inteligente do que pareço – Triunfou.

    — Não é sobre isso… Hihihi, entendi, eu apenas pensei demais.

    Pandora deu um beijo na bochecha de Kizimu. Ele travou, sentindo coisas que nem imaginou que sentiria.

    — Vamos finalizar nossa conversa aqui, eu… eu estou cansada.

    — Tem alguém que merece saber o que aconteceu aqui.

    A garota com seus longos cabelos pretos e pontas azuis tremeu, ela sabe que é verdade, mas ela não quer.

    — Temos mesmo?

    — Sim, temos. AISHA! Entre!

    — Sim, muito obrigado.

    Aisha entra no quarto de forma apressada e ansiosa, a garota só podeira imaginar tudo que aconteceu, e a mesma ouviu os gritos incessantes que ocorrerá há pouco tempo.

    Dentro do quarto, ela olha a corda pendurada e paralisa, colocando sua mão na boca, sua visão segue uma linha reta até Pandora com o rosto inchado devido as lágrimas. Aisha entendeu completamente o que aconteceu lá e correu para abraçar sua amiga.

    Pandora não conseguiu reagir muito, apenas devolvendo o abraço.

    — Kizimu… eu quero, um momento a sós com ela. Por favor.

    O pedido de Aisha foi cheio de ímpeto, ele não iria recusar um pedido de sua amiga querida. Ele aceita.

    — Cuida dela, Aisha, por favor.

    — Deixa comigo.

    Sem muita piada, Aisha assentiu. Kizimu saiu do quarto que Pandora se encontrava, com três pessoas no quarto onde ele estava antes. Masha, Althea e um jovem homem diferente de todos que conhecia.

    1. Abas imagens serão imagens futuras que irei adicionar para vocês. ↩︎

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    Hora do chá

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    Yahalloi

    CaiqueDLF aqui!

    Jesuuuus. Que “Cap” amigos, meu top 3 eterno, vai ser difícil destronar.
    Aqui eu não vou enrolar muito, apenas, quero situar que ainda teremos mais “Cap’s hoje, então, pega a pipoca que ainda tem mais coisa para acontecer. Personagens novos e conversas muito importantes.
    É isso, amigos, fiquem bem, e aguardo vocês nos próximos capítulos.

    Bye bye.
    Ass: CaiqueDLF

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