Capítulo 117: Palavras que aquecem o coração
25 de abril de 2024, quinta-feira.
Um breve silêncio se instaurou, enquanto o casal aguardava a resposta completa. O chefe Akashi fez, propositalmente, um tipo de drama, deixando o ar pairar carregado de expectativa, até que finalmente se justificou:
— Antes disso, me permitam me desculpar com vocês por colocar duas viagens na mesma semana. Mas, de última hora, os envolvidos na reunião da França tiveram que adiantar a data.
Victor e Aki trocaram um olhar rápido. Não havia frustração no gesto, mas sim a sensação de que a agenda deles, de novo, iria mudar bruscamente. Era algo comum no ramo em que estavam, mas ainda assim sempre exigia ajustes. Akashi, percebendo o silêncio, continuou:
— E como compensação, a diferença de dias entre os eventos será de folga, desde que mantenham a organização, como sempre fazemos. — Um sorriso simpático e confiante surgia em seus lábios, como quem reafirmava a confiança que tinha neles.
Naquele instante, tanto Victor quanto Aki sentiram um calor de orgulho preencher seus corações. Não era apenas o prestígio de representarem a Elegance Affairs em eventos tão distintos e importantes, mas também o reconhecimento explícito de seu chefe. O quão gratificante era saber que seus esforços estavam sendo vistos e valorizados?
— A viagem da França será feita no dia dezesseis de maio, com o evento marcado para o dia dezoito, um sábado. — explicou Akashi, consultando rapidamente algumas anotações à sua frente. — E o evento de Nagano será na sexta-feira seguinte. Porém, o voo da França de volta ao Japão, que foi patrocinado entre os envolvidos, será somente na segunda-feira à noite. Por isso, terão esse tempo para descansarem, e quero que realmente aproveitem.
Victor assentiu com a cabeça, um leve sorriso aparecendo em seus lábios.
— Entendido, senhor. Faremos o possível para manter o padrão de sempre.
— Eu sei que farão. — respondeu Akashi, em tom quase paternal. — Vocês dois já mostraram inúmeras vezes que são capazes de lidar com pressões e ainda entregar resultados impecáveis. Por isso, não me preocupo.
As palavras fizeram Aki baixar discretamente o olhar, mas não para esconder vergonha, e sim para controlar a emoção. Saber que alguém no alto escalão reconhecia tanto sua dedicação era algo que tocava profundamente em seu coração. Victor, atento, percebeu o leve rubor no rosto dela e sentiu um orgulho silencioso pela parceira que tinha ao lado.
Depois de alguns minutos de alinhamento, trataram de acertar questões burocráticas: passagens, hospedagens, transporte e horários de reuniões preparatórias. Akashi, meticuloso como sempre, já havia organizado boa parte, mas fez questão de enviar um e-mail completo para que nenhum detalhe passasse despercebido.
— Confiem no que está no e-mail, mas, se precisarem de ajustes ou tiverem dúvidas, falem diretamente comigo. Não deixem nada para cima da hora. — reforçou ele, com seriedade.
— Sim, senhor. — responderam em uníssono, quase como se fossem um só.
Akashi sorriu com a sincronia dos dois.
— Vocês formam uma dupla realmente interessante. — comentou, meio de improviso, mas com sinceridade. — Profissionalmente, claro.
Ele concluiu, com um tom raro de se ver.
Aki sorriu, tímida, e Victor respondeu com um aceno respeitoso e um sorriso discreto.
— Bom, não vou tomar mais o tempo de vocês. — concluiu Akashi, ajeitando alguns papéis sobre a mesa. — Podem retornar às atividades. Sei que têm muito a organizar.
O casal se levantou, agradecendo, e deixou a sala. No corredor, enquanto caminhavam lado a lado, Victor comentou baixinho, apenas para ela ouvir:
— Sabe… já tem um tempo que venho pensando… acho que sou o cara mais sortudo do mundo.
— Por quê? — perguntou Aki, sentindo seu coração mais acelerado.
Victor olhou de canto para ela, com um sorriso quase travesso.
— Estou tendo uma grande chance de representar a Elegance Affairs como Victor Pacca… e ainda vou estar com você ao meu lado.
As palavras ditas fizeram o coração de Aki quase explodir. Ela sorriu, sem conseguir disfarçar, e respirou fundo, sentindo que estava totalmente corada, mas não recuou:
— Agora que você disse… eu acho que posso dizer o mesmo…
Aquele momento foi o suficiente para deixar os dois com sorrisos de orelha a orelha e o coração aquecido.
…
Não demorou muito para que a tranquilidade da sala fosse quebrada pelo barulho alegre de Yumi e Sayuri entrando quase aos tropeços, trazendo consigo a energia característica das duas.
— Olha só quem está aqui, a senhorita Aki! — disse Yumi em tom provocador, batendo palmas de leve. — Ou deveria dizer, quase senhora Aki…
Sayuri riu alto, entrando no embalo:
— É mesmo, quando vai ser o casamento? — O tom delas não deixava Aki com raiva, embora ficasse envergonhada.
Ela suspirou fundo, mas não conseguiu esconder o rubor que subia às bochechas.
— Vocês não têm o que fazer não? — retrucou, tentando parecer séria.
— Claro que temos! — disse Sayuri, piscando. — Justamente falar de vocês!
A conversa foi fluindo, trocando risadas, provocações e fofocas. Sayuri, com o seu jeito despreocupado, largou a pergunta de supetão:
— Mas me fala uma coisa, Aki… vocês já fizeram aquilo?
— Aquilo o quê? — Aki piscou, fingindo não entender, já sentindo o estômago revirar imaginando o que seria.
Sayuri inclinou o corpo para frente, um sorriso maroto no rosto, abaixando o tom de voz.
— Você sabe… sexo. — A última palavra foi dita de forma arrastada.
Aki arregalou os olhos na mesma hora, cobrindo o rosto com as mãos coradas.
— Sayuri! Como você consegue perguntar uma coisa dessas aqui, desse jeito?! — disse, quase se encolhendo de vergonha.
Yumi gargalhava, batendo na mesa para se controlar.
— A reação dela já entregou tudo! — comentou, entre risos.
— Não entreguei nada! — protestou Aki, mas sua voz embargada só fez as duas amigas rirem ainda mais.
— Conta pra gente, quando foi?
Victor, por sorte, não estava ali. Tinha saído para outro departamento, resolvendo pendências sobre um evento paralelo.
Depois que as risadas diminuíram, Sayuri mudou o tom, agora mais animada:
— Aliás… eu conheci um cara muito gente boa num fórum que entrei esses dias. Ele usa o nome Yatsu. A gente começou a conversar, e ele parece ser bacana de verdade.
— E qual o nome real dele? — perguntou Aki, curiosa.
Sayuri desviou o olhar, envergonhada.
— Então… eu fiquei com vergonha de falar meu nome verdadeiro, sabe? Acabei não perguntando o dele também.
Aki e Yumi se entreolharam, meio incrédulas, meio divertidas.
— Sayuri… Você tem cada uma… — Aki comentou com um tom de falso desdém.
— Ei, não me julguem! — disse Sayuri, rindo. — O motivo da nossa vinda aqui foi para falar que ele sugeriu a gente se encontrar num bar. E vai levar o irmão dele também, que usa o nick Skarth no fórum. Que tal? Vocês topam ir comigo?
Yumi não hesitou:
— Eu topo, claro! Vai ser divertido.
Sayuri então voltou-se para Aki, com uma leve tosse seca e forçada.
— E você, Aki? Vem também, né?
Ela pensou por alguns segundos, depois assentiu.
— Tá bom… mas eu vou chamar o Victor também.
— Óbvio que sim! — disse Yumi, batendo palmas. — Já quero ver a cara dele nessa história toda.
…
Enquanto isso, em outro setor da Elegance Affairs, Victor conversava com Koda e Helsing sobre os preparativos de futuros eventos.
Koda, como sempre, parecia trazer informações demais na manga.
— Ah, e falando em eventos… — começou ele. — Eu vi algo sobre aquele que aconteceu no Rio de Janeiro. Pesquisando, acabei caindo numa matéria que falava de você e da Aki. Estavam até com foto lá.
Victor arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.
— Espera aí… você estava stalkeando a gente?
O tom brincalhão fez Helsing soltar uma risada contida. Koda ficou levemente sem graça, levantando as mãos em defesa.
— Não, não! Foi só… coincidência de pesquisa! — justificou, mas o jeito atrapalhado apenas fez todos caírem na risada.
— Relaxa, Koda. — disse Victor, ainda rindo. — Mas cuidado, daqui a pouco você sabe mais da minha vida do que eu mesmo.
Koda não se intimidou dessa vez:
— Mas, deixando os meios de lado, o que importa é que tinham muitas informações sobre você, e muitas especulações sobre a Aki. Vou te encaminhar um link aí.
Victor recebeu a mensagem, e enquanto abria o link, o celular vibrou novamente. A notificação mostrava que era uma mensagem de Aki:
[Sayuri quer ir a um bar com a Yumi para encontrar uns amigos de fórum. Ela me chamou para ir junto… pode vir também?”]
Victor leu a mensagem duas vezes, sentindo uma leve curiosidade. Em seguida, digitou uma resposta curta:
[Claro. Se elas não se importarem, eu topo. Quando será?]
Alguns instantes depois, a resposta veio:
[Ela não me falou ainda. Depois de me convidar, teve que se retirar, pois o chefe Akashi a chamou. Creio que será já nesta próxima semana.]
[Ok. Estou ansioso!]
Ele guardou o celular no bolso e olhou para os colegas, que notaram a mudança sutil em sua expressão.
— E aí, novidade? — perguntou Helsing.
— Nada demais. Mas me conta aí, Helsing, como anda o planejamento daquele evento de tecnologia?
Helsing bateu no peito, orgulhoso:
— Você não vai acreditar…

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