Capítulo 61: Frenesi
Nossos punhos se chocaram, causando uma grande onda de ar ao redor. Uma força imensa! Ter revestido meu punho em metal foi a melhor coisa que poderia ter feito, afinal, aguentou todo o impacto.
— Garanto pra você que não vai vencer essa luta de força, garota! — bradou o velho, aumentando ainda mais a potência de seu ataque.
Antes que pudesse ser levado para ainda mais longe, transformei meus punhos em lâminas, quebrando uma das virtudes do duelo. Era como uma lâmina circular movida a alta velocidade, algo que poderia me garantir a vitória momentânea.
Assim que percebeu a mudança de meus punhos, o general parou de tentar forçar seu soco para cima de mim, recuando para trás.
Sua velocidade de reação era assustadora. Como poderia rebater isso? Não conseguia pensar em nada que pudesse me ajudar naquele momento.
Olhei para Karolina, esperando que seu ataque estivesse pronto, mas só acabei me decepcionando. De alguma forma, ela estava só sentada no chão consertando uma de suas criações.
— O que é isso!? — gritei, desesperada. — Por que você não tá fazendo aquilo?
Tentei chamar sua atenção enquanto desviava dos ataques inimigos. Eram fortes, mas lentos. Não havia nenhum indício de ele estar lutando sério, o que significava muito para o final da luta.
Do contrário, eu já estava…
Olhei para o meu braço, que estava tremendo muito. Desde então, essa minha situação havia piorado. Não esperava que fosse chegar nesse nível tão rápido.
Merda, merda!
Não posso me deixar abalar com essas coisas! Se for pra isso acontecer, então eu vou fazer o que eu quiser!
Cheguei mais perto de Karolina. Fui conduzida até o local por meio dos ataques dele e sabia que esse era seu objetivo final.
Chutei-a pela bunda, que voou muito mais do que deveria.
— Que? — murmurou, como se não percebesse o que havia acabado de acontecer. — Cacete! Por que cê fez isso!?
— Para de prestar atenção nisso!
Karolina me ajudava a esquivar usando seus portais. Os teleportes aconteciam do ponto de impacto para o ponto cego dele.
— Tá bom, tá bom — disse. — O que você quer, irmãzinha?
— Sua burra! Estamos no meio de uma batalha. Por que está agindo assim? Lute! — respondi, mas, no mesmo instante, algo apitou em minha mente. — Ah… Quero dizer, vá encontrar a mamãe! Ela deve estar perto.
— Ei… isso é perigoso, não? Você tem certeza de que vai conseguir lidar com isso sozinha?
Assim que ela disse essa frase, um soco dividiu nossos caminhos, e o impacto nos afastou muito.
— Só vá! — vociferei. — Você deve reconhecer na hora quem é ela, não vai ter nenhum problema se você for sozinha!
Apenas vi Karolina se despedindo em minha visão, enquanto entrava em portais e mais portais como uma coelha. Seu jeito brincalhão não demonstrava nenhuma preocupação, mesmo diante dessa situação tão ruim.
Queria que ela pelo menos tivesse insistido mais em ficar.
— Presta atenção na nossa luta! — Mais um golpe caiu sobre mim, pegando em cheio o meu corpo.
O impacto, mais uma vez, levou-me para muito longe, derrubando algumas tendas atrás de mim. Estava aos trapos.
Minhas roupas haviam rasgado, e estava enxergando o que prometi nunca ver. Meu sangue escorria.
Por muito pouco uma estaca não havia me perfurado! Imagina se algo tivesse acontecido? Nem quero pensar muito nisso…
— Isso doeu… — murmurei, levantando-me do chão. — Você tem alguns truques bons na manga, velhote. Mas eu tenho melhores.
Estava pronta para ativar isso mais uma vez?
Não, não estava. Aquilo só destruía meu corpo.
Mas esse é o destino daqueles que compartilham esse sangue. Nem mesmo o receptáculo está livre da maldição.
Mordi a ponta de meu dedo, o suficiente para fazê-lo sangrar. Com todo o líquido, fiz linhas em minha cara, buscando ligá-las a um único ponto.
— O que é isso? Você é uma palhaça por acaso? — disse o general, coçando a cabeça. — E eu pensando que isso seria divertido.
Corria em minhas veias.
Como uma bala, um vulto ou até mesmo um tsunami. A alegria me preenchia, e só pensava em uma única coisa naquele momento.
O sangue que era passado em minha face logo se transformava em linhas cravadas na pele. Mais e mais.
Sentia o formigamento correndo por meu corpo, e meu sorriso se estampou sem qualquer consentimento da minha mente.
Involuntário, mas não indesejado.
— Hm? O que é isso? Vai mudar de cabelo no meio da batalha agora? Hahaha! Isso é interessante, muito interessante.
Prateado.
As cores foram trocadas.
Mas de que adiantava?
Em segundos, corri muito mais do que poderia há alguns tempos.
Respirando fundo, analisava meu corpo em minha mente.
Mas… não podia deixar de notar em tudo ao meu redor. Era como se meus sentidos estivessem mil vezes mais aguçados, o que poderia ser um grande problema.
Antes mesmo que começasse a dar o seu golpe, usei meu braço para jogá-lo para trás.
— Então, vamos lutar a sério? — disse, com o sorriso ainda em minha cara.
Em resposta, recebi um olhar desesperado. Talvez fosse a primeira vez que o seu oponente era muito mais forte.
— Você é uma deles. — Ajeitava sua mandíbula, mesmo que meu ataque não tivesse acertado ela. Estalou seus dedos, e os soldados abriram mais espaço.
E, do batalhão, puxou um grande arco.
Que?
Sim!
Ele puxou um arco!
…
Isso não fazia sentido algum. Mas quem ligava pra isso? Que se dane esse arco!
E como diabos essa arma gigante estava escondida naquele batalhão? Aaah! Nada faz sentido!
Mas estava na vantagem.
Já mostrei que projéteis eram ineficazes contra esse corp–
Uma flecha me acertou.
Antes mesmo que pudesse fazer alguma coisa, ela me acertou. Ele foi… mais rápido, muito rápido.
Se não fosse uma pequena reação involuntária… eu teria perdido minha cabeça. Por sorte, foi apenas de raspão.
— Desviou?
Mesmo com um arco imenso, sua velocidade era assustadora.
Estava assustada. Abismada com tudo aquilo.
Mas esse medo não me trouxe fraqueza, apenas me fortaleceu. O quão bom seria matar uma pessoa mais forte que eu?
Seria… incrível.
Ele preparou mais uma flecha, desta vez, com minha atenção voltada a ela.
Nesse estado já gastava muita energia… mas eu precisava ser mais forte. Coloquei a mão em meu peito, apertando-o com força até sentir os bombeamentos do coração.
Algo pior do que esse estado? Isso existe. Algo cansativo, mortal.
Não esperei usar em nem um momento.
Mas… ele é interessante. Então, que seja o primeiro e o último a ver minha técnica proibida.
Queria sentir algo, mas não conseguia. Não podia.
Então, apenas abri minha boca.
— “Frenesi”.
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