Capítulo 365: Quando a noite chega (3)
Raon continuou inclinando a cabeça.
*Tum* *Tum* *Tum*
Seu coração batia descontroladamente.
Não foi doloroso.
Nervosismo? Medo? Alegria?
Raon não conseguia entender por que seu coração batia daquele jeito.
— O que você está fazendo?
Raon podia ver Cale, que agarrou sua pata dianteira que batia em seu peito.
— Caçula, quero saber por que você está fazendo isso!
Hong caminhou até embaixo do Raon flutuante e também estava olhando para cima.
Raon começou a sorrir.
— Não é nada! Meu coração está batendo muito rápido! Deve ser porque eu sou o grande e poderoso Raon Miru!
Raon pôde ver o olhar desconfiado de Cale naquele momento.
— É um resfriado de novo?
Essa pergunta fez Raon se lembrar de como ele havia pegado um resfriado quando foram visitar a aldeia da tribo das Baleias, muito tempo atrás. Ele era um dragão grande e poderoso, mas ainda assim pegou um resfriado.
Raon estufou o peito e respondeu.
— Não! Eu não estou doente! Não é um resfriado! Eu sou grande e poderoso, então nunca mais vou pegar um resfriado!
— Haaa.
Cale começou a balançar a cabeça. Raon usou magia de controle de temperatura em On, Hong, em si mesmo e nos outros.
— Ah! Não está nada frio!
— Eu sou grande e poderoso!
Raon e Hong corriam pelos seixos brancos ou pelo céu, mesmo com a neve caindo sobre eles. Cale então desviou o olhar.
— Humpf!
Ele então se encolheu.
— …Eruhaben-nim?
Eruhaben estava bem ao lado dele.
No entanto, Eruhaben não estava olhando para Cale. Ele fitava Raon com um olhar estranho antes de se virar para Cale e fazer um comentário casual.
— …Algo está estranho.
— Como é? Estranho?
Cale sabia que o olhar de Eruhaben estava em Raon naquele momento e rapidamente começou a falar.
— Você está falando de Raon?
— Não. Você.
— …Com licença?
O Dragão Ancestral respondeu severamente a Cale, que perguntou inexpressivamente, confuso.
— Essa coroa na sua mão.
O Rei Mercenário Bud Illis interveio naquele momento. Ele havia deixado seu amigo mago de nível superior, Glenn Poeff, para lidar com os problemas e acompanhou o grupo de Cale até lá.
— Eu acho… Até eu acho que tem algo estranho na coisa na sua mão, como Eruhaben-nim mencionou. O que é?
Os olhos de Bud brilhavam de curiosidade.
Cale respondeu inesperadamente da maneira que queria responder depois de ver a expressão no rosto de Bud.
— Eu não quero te contar.
Ver aqueles olhos brilhantes fez com que ele não quisesse responder.
Sorriso.
Bud deu um sorrisinho ao responder.
— Então não me conte!
“…Esse bastardo estranho.”
Cale não conseguia entender Bud. Bud não se importou e começou a falar novamente. Os outros se reuniram ao redor dele.
— Falando sério, viemos aqui porque você disse que a vila dos Matadores de Dragões poderia estar aqui, certo? Não é mesmo, Eruhaben-nim?
— Correto.
Bud pareceu mais animado depois de ouvir a resposta de Eruhaben e aumentou a tensão enquanto continuava a falar.
—:Este lugar!
Ele pegou algumas pedrinhas brancas com as duas mãos. As pedrinhas simplesmente caíram pelo espaço entre suas mãos.
— Não há nada aqui!
“…O que?”
O olhar de Cale se dirigiu aos olhos de Bud.
— Este é um lugar onde só existem estas pedras de areia branca, árvores brancas e neve branca.
Ron também se intrometeu.
— Este é um lugar onde a vida não pode crescer.
O pensamento da mana morta passou pela cabeça de Cale.
— Não é por causa da mana morta.
No entanto, a explicação de Ron o fez deixar isso de lado e questionar o motivo.
— Por que a vida não pode crescer aqui?
Ron e Bud responderam a essa pergunta.
— Eu não sei, jovem mestre-nim.
— Não faço ideia!
Bud deu de ombros enquanto a expressão de Cale se tornava estóica.
— É por isso que é uma das Três Áreas Restritas! Quem entrar aqui provavelmente morrerá de fome por se perder.
Bud apontou para a coroa de Cale.
— É por isso que acho este item que está lhe mostrando um caminho bastante interessante. Existe mesmo algo aqui nesta terra do nada? Hmm?
Um par de olhos curiosos observava atentamente a coroa. Cale se sentiu desconfiado daqueles olhos e se perguntou se deveria encontrar uma garrafa em algum lugar para dar a Bud.
— Há também outra coisa que não está aqui.
Cale olhou para o Dragão Ancestral e pôde ver para onde seu dedo estava apontando.
— Ah.
Cale entendeu imediatamente o que Eruhaben estava tentando dizer.
O dedo do Dragão Ancestral apontava para o céu. A expressão de Cale ficou estranha depois de olhar para cima.
Estava nevando.
Havia muitas nuvens e uma neblina espessa.
Ele não conseguia ver o sol por causa disso.
Ele ouviu a voz de Eruhaben mais uma vez.
— Aqui não há noites nem dias.
*Swooooooosh-*
Eles ouviram um swoosh quando o vento envolveu o grupo. A magia de vento do Dragão Ancestral foi espalhada pelo grupo.
Eruhaben levantou-se com um sopro branco-dourado na ponta dos pés. Ele avançou e começou a falar com Cale e os outros.
— Siga-me. Eu conheço o caminho daqui.
A direção para onde ele seguia era a mesma que a coroa branca apontava. Ele olhou ao redor e comentou casualmente:
— O caminho para o túmulo do último Lorde Dragão e o caminho que a coroa está mostrando são o mesmo.
O último Lorde Dragão.
Essas palavras fizeram Bud, Ron, Choi Han e Beacrox começarem a seguir o Dragão Ancestral.
— O Castelo da Luz. Vou lhe mostrar a verdade sobre esse lugar.
Eruhaben se virou e começou a se mover.
Cale deu um sinal para Raon e Hong os seguirem rapidamente. Os dois também começaram a se mover, animados. Ele então abaixou o corpo.
— On.
Ele pegou On, que tinha uma expressão complicada no rosto.
— O que está errado?
On estava quieta mais cedo, enquanto Raon e Hong brincavam alegremente. Ela apenas olhou para o céu.
— …Nada. Não é nada de mais.
On balançou a cabeça, pulou dos braços de Cale e começou a correr. Cale correu ao lado dela. Ele ouviu os resmungos de On enquanto corriam.
— …Algo está estranho.
Cale continuou em silêncio.
No entanto, ele se lembrava claramente disso.
Raon e On.
Ambas as crianças disseram que algo estava estranho assim que entraram nesta área.
Cale confiou bastante nas palavras das duas crianças. Seus olhos castanho-avermelhados rapidamente começaram a olhar ao redor.
Ele também olhou para outra coisa que era estranha.
*Ooooooong-*
A coroa branca estava tremendo desde antes.
A expressão de Cale ficou estranha quando ele olhou para a coroa.
Estava gritando.
{…Eu vou matá-lo.}
Cale ouviu o grito e os comentários em sua mente.
{Eu definitivamente… vou matar… o desgraçado que levou todas as minhas coisas preciosas. Eu definitivamente… vou matá-lo.}
A voz era familiar.
Por que?
A Aura Dominadora.
Era a mesma voz que disse a Cale que esse poder de blefar era ótimo para enganar as pessoas.
Cale seguiu o grupo e levou a coroa à boca. Então, sussurrou para ela.
— Cale a boca. Senão, eu vou te quebrar.
A coroa ficou quieta.
Cale então aumentou sua velocidade com uma expressão satisfeita.
Ele não se importava com o que a coroa tinha a dizer. Esta coroa tornou-se um item inútil que ele precisa destruir em algum momento, desde o momento em que mirou em Raon.
*Shaaaaaaaaaaaaaaaaa-*
Uma brisa fresca passou pelo seu rosto enquanto ele voava pelo ar.
Eles se moveram assim por uma hora inteira.
O grupo finalmente chegou ao local onde terminava o fio de luz da coroa.
Eruhaben parou quando chegou nesse local.
— Não tem nada aqui?
Bud olhou ao redor com uma expressão confusa. Choi Han e Beacrox também viraram a cabeça e olharam ao redor.
Tudo o que eles ainda conseguiam ver eram os seixos brancos, a neve e as árvores brancas.
Foi nesse momento.
— É o que parece.
Eruhaben estava rindo. Ele jogou o cabelo para trás e olhou ao redor.
— Os dragões retornam à natureza quando morrem. Eles se tornam parte dela e não deixam rastros.
Ele apontou para si mesmo.
— Provavelmente virarei pó e serei disperso neste mundo depois de morrer. Essa é a morte que desejo.
— Você ainda tem um longo caminho a percorrer antes de morrer! Você vai viver por muito tempo!
O gatinho vermelho Hong deu uma olhada ao redor antes de compartilhar sua opinião.
— Ahem.
Eruhaben soltou uma tosse falsa antes de continuar a falar.
— Os dragões consideram esse tipo de morte como a mais bela.
Essa foi a razão pela qual os dragões ficaram irritados e furiosos quando dragões eram assassinados, forçando seus cadáveres a permanecerem no mundo sem nem mesmo poderem apodrecer e retornar à natureza.
— No entanto…
Um canto dos lábios dele começou a se erguer. Era um sorriso frio.
— Diante dos nossos olhos está um dragão que morreu e não pôde retornar à natureza.
Choi Han fez uma pergunta.
— Esse Dragão é o último Lorde Dragão?
Bud, que estava ali com uma expressão estranha, também fez uma pergunta.
— …Diante dos nossos olhos?
Eruhaben assentiu com a cabeça e deu uma resposta curta.
— Sim, diante dos nossos olhos. Vocês não conseguem ver?
Eruhaben estendeu a mão. As pedras brancas voaram para sua palma. Eruhaben agarrou-se a elas.
Elas caíram pelos espaços entre seus dedos.
— O último Lorde Dragão.
Os olhos de Eruhaben se voltaram para o Dragão Negro. Os olhos redondos do garotinho estavam fixos nele.
— O atributo do Dragão Branco é algo que os Dragões conhecem há gerações.
O último Lorde Dragão foi um Dragão Branco.
— Era muito famoso.
Todos os dragões têm algum tipo de atributo natural.
O de Eruhaben era pó, enquanto o de Raon era o presente.
— O Dragão Branco criou este Castelo de Luz. Este chão branco e a neve branca. Tudo aqui são vestígios daquele Dragão.
Seu pé se moveu para cima antes de empurrar para baixo novamente.
*Bum!*
Uma forte vibração começou com Eruhaben no centro.
— Aaah!
O corpo de Bud começou a tremer.
Choi Han já estava recuperando o equilíbrio com On e Hong nos braços. Até Ron e Beacrox tropeçaram um pouco.
Eles conseguiam ver um grande redemoinho de ouro branco saindo de Eruhaben. As partículas de pó de ouro branco rugiam e criavam um redemoinho.
*Bum!*
Eruhaben bateu o pé mais uma vez.
— …Huh?
— Ah.
Tanto Bud quanto Beacrox ficaram boquiabertos.
*Swooooooosh-*
O redemoinho de ouro branco começou a desaparecer.
Mas o redemoinho bateu em algo antes de desaparecer.
E no lugar do redemoinho…
O grupo podia ver um grande escudo.
Não, era um portão de castelo.
Era um grande portão branco de castelo em forma de escudo.
Eles também podiam ver a paisagem além do portão do castelo.
— O atributo do último Lorde Dragão era proteção.
Eruhaben riu enquanto continuava a falar.
— Você consegue ver o escudo?
Sua mão apontou para o portão. Ele então apontou para além do portão.
— Você também pode ver aquele castelo alto e bonito, certo?
Um castelo branco e brilhante apareceu na frente do grupo.
— …O Castelo da Luz.
Bud murmurou o nome deste local.
Ele pensou que finalmente poderia entender por que o lugar era chamado de Castelo da Luz.
Um castelo branco lindo e sagrado.
Os rastros que o último Lorde Dragão deixou para trás.
Bud estava tão absorto em sua beleza que, inconscientemente, começou a caminhar em direção ao castelo branco. No entanto, não teve escolha a não ser parar.
O grande portão o impedia de ir mais longe.
— Você não pode entrar.
Bud virou a cabeça.
— Todos os Dragões vivos tentaram entrar nesse castelo depois que o Lorde Dragão morreu. Isso porque o Lorde Dragão da próxima geração ainda não havia sido escolhido.
Eruhaben pensou no Dragão Ancestral que lhe contou a situação naquela época. A informação sobre o ocorrido havia sido transmitida oralmente de Dragão para Dragão por gerações.
Não havia nada que pudesse ser feito.
— No entanto, aquele castelo não abriu seus portões para nenhum Dragão.
Os portões do castelo não abriram.
Nenhum dragão conseguiu destruir o portão do castelo.
A força do Lorde Dragão era grandiosa.
Os Dragões perceberam algo depois de terem todas essas informações.
Dentro daquele castelo…
— Ele está protegendo algo.
O Lorde Dragão definitivamente estava protegendo algo.
— O último Lorde Dragão criou este castelo para proteger algo. Ele criou um castelo onde ninguém podia entrar. E assim permaneceu mesmo após a morte do Lorde Dragão.
Vários dragões tentaram destruir este Castelo de Luz durante eras.
No entanto, ninguém conseguia entrar. Nem mesmo conseguiam passar por aquele escudo.
— O último Lorde Dragão morreu por isso. Ele então deixou este Castelo de Luz para trás.
Foi nesse momento.
— Cale-nim!
— Caçula!
As vozes de Choi Han, On e Hong ecoaram pelo grupo.
O resto do grupo rapidamente virou a cabeça em direção a Cale e Raon.
— Argh!
A mão esquerda de Cale tremia. Ele franzia a testa enquanto tentava se livrar do tremor. No entanto, não conseguia evitar a raiva.
— E-essa maldita coroa!
Ele agarrou a mão esquerda com a mão direita.
Entretanto, a mão esquerda de Cale com a coroa estava tentando se mover por conta própria, contra a vontade de Cale.
A coroa branca estava tentando controlar sua mão esquerda.
Foi nesse momento.
Cale ouviu duas vozes em sua mente.
Era a Aura Dominadora e a coroa branca.
{Abra o portão do castelo. Preciso cumprir o último pedido do meu amigo íntimo.}
A Aura Dominadora foi a primeira a falar.
Depois veio a coroa branca.
{Abra o portão do castelo.}
A voz continuou num tom triste.
{Não haverá nada lá dentro.}
A mão esquerda de Cale não pôde mais ser controlada e lentamente se dirigiu para sua cabeça. A coroa estava prestes a pousar em sua cabeça.
Foi nesse momento.
— Caçula!
— Raon!
Cale ouviu os gritos de Hong e On e rapidamente virou a cabeça.
Ele podia ver Raon.
— …Oo oo… oo……
Ele podia ver Raon se debatendo com a pata no peito.
— Raon!
*Pow*
Cale bateu na mão esquerda com a direita. Então, começou a caminhar em direção a Raon.
Todos pararam de se mover nesse momento.
*Scrun*
Um som inesperado pôde ser ouvido.
Era um som que ninguém aqui esperava.
O grupo virou a cabeça.
O portão estava se abrindo.
O Castelo da Luz.
O grande portão estava se abrindo.
Cale então pôde ver.
Havia alguém dentro do portão do castelo.
Essa existência era meio transparente.
Era um pequeno dragão branco, mais ou menos do tamanho de Raon.
O dragão de olhos azuis escuros começou a falar.
— Bem-vindo, meu filho. Bem-vindo, a pessoa que executou a vontade do meu amigo íntimo.
Os olhos da jovem Dragão Branco estavam voltados para Cale e Raon.

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