Capítulo 166: Confronto (3/3)
Para concluir, o que Aisha e Renee queriam não aconteceu.
Afinal, o Vera de 25 anos era diferente do Vera que tinha acabado mais jovem. Ele não desistia tão facilmente.
– Me ensine a manejar a espada—
– Cai fora.
– Então pelo menos a mentalidade quando luta—
– Muito barulhento.
– Como você está se sentindo agora?
– Bem, eu quero arrancar sua boca nesse momento. Ou isso, ou arrancar seus olhos. Por quê? Você quer que eu te deixe cego como a pessoa ao seu lado?
Era algo digno de ser chamado de defesa perfeita.
Após procurar por uma saída por um longo tempo, Aisha não conseguiu encontrar um jeito e foi embora de mau humor, deixando Vera, Renee e Jenny, que estava paralisada e não sabia o que fazer, para trás.
Vera semicerrou os olhos para Jenny, que permaneceu sentada apesar de Aisha ter saído e perguntou.
“…Por que você não vai embora?”
Jenny soluçou e fez uma cara chorosa.
O rosto de Vera era assustador demais para que ela respondesse que havia perdido o momento de ir embora.
Ela inconscientemente moveu seu traseiro para mais perto de Renee, então sua mão se estendeu para envolver os braços de Renee com medo.
O rosto de Vera se enrugou ainda mais ameaçadoramente enquanto ele observava o processo se desenrolar.
‘O que…’
‘O que diabos Renee estava tentando fazer arrastando uma criança tão jovem para o Berço?’ Era algo que Vera jamais conseguiria entender.
Enquanto ele continuava pensando, Vera balançou a cabeça para apagar seus pensamentos.
‘…Não, isso não é da minha conta.’
O que quer que o Santa estivesse fazendo não era da conta dele, e não havia motivo para se preocupar com isso.
Com essa conclusão, Vera se levantou do assento e falou com Renee.
“Se não houver mais nada a fazer, voltarei.”
“O que?”
“…Estou voltando para o alojamento.”
Vera disse isso, porque ela não parecia querer soltá-lo imediatamente, Renee assentiu como se estivesse enfeitiçada.
Só depois que Vera saiu da sala é que Jenny relaxou. Diante dos seus movimentos inquietos, Renee riu e falou.
“Vera é tão assustador assim?”
As bochechas de Jenny ficaram vermelhas. Ela assentiu levemente.
“…Sim.”
“Por que?”
“…”
Jenny olhou para Renee e escolheu suas palavras.
Ela ponderou se seria correto contar sobre esse assunto para Renee, que parecia ter um bom relacionamento com Vera.
Suas preocupações duraram muito tempo.
Depois de pensar em quão grata estava a Renee por esperar em silêncio enquanto ela ainda pensava, Jenny abriu a boca.
“… Rancores o seguem.”
“Huh?”
“Muitos rancores o seguem por aí.”
Renee inclinou a cabeça.
Jenny percebeu que sua explicação não era suficiente e acrescentou mais detalhes.
“Meu poder… Eu consigo ver rancores… eles parecem nuvens negras. Mas, tem muitos deles atrás daquele tio.”
“Ah.”
A boca de Renee se abriu ligeiramente. Era uma reação que vinha da admiração pelo poder de Jenny.
‘Uma coisa dessas é possível?’
Era um poder muito versátil, como disse Vera.
“Uh. Irmã, tome cuidado também…”
Enquanto isso, Renee começou a se sentir incomodada com as palavras seguintes de Jenny.
Como posso dizer? Para Renee, que precisava convencer e trazer Jenny, era muito problemático que Jenny tivesse medo de Vera, com quem ela logo teria que viajar.
‘Parece que ela estava se referindo aos rancores que Vera acumulou antes que o tempo voltasse.’
Os profundos ressentimentos que Jenny viu devem estar relacionados a isso.
Em primeiro lugar, Vera não cometeu nada grave nesta vida que pudesse ser chamado de assassinato, e era um fato já comprovado por Vera e Vargo que seu poder não foi afetado pela regressão.
‘Sua Santidade também disse que viu através dos assasinatos de Vera antes da regressão.’
Lembrando-se do que Vera lhe disse no passado, Renee conectou os pontos e chegou a uma conclusão.
“Ele não é uma má pessoa.”
“…Huh?”
“Antigamente… É, ele era algo assim. No entanto, o Vera atual não é alguém que machuca os outros sem motivo.”
Renee acariciou a mão de Jenny, que se sobrepunha à sua, e falou em voz baixa.
“O Vera atual pensa inúmeras vezes cada vez que brande a espada. Qual o propósito de brandi-la agora? Por que estou empunhando esta espada? E há algo que eu possa proteger desembainhando esta espada?”
Ela deixou escapar algumas palavras sobre coisas que só ela, que era mais próxima dele, sabia.
“É por isso que ele pensa e pensa novamente. Só quando se decide é que ele ergue a espada.”
Suas palavras continuaram por mais um pouco.
Diante disso, Jenny respondeu balançando a cabeça.
“…Ainda assim, aqueles que foram mortos estão tristes.”
Para Jenny, que viveu com os mortos a vida toda como se fosse da família, as palavras de Renee eram do tipo com as quais ela não conseguia se identificar.
“Eles não se importam com o que a pessoa que os matou pensa.”
A voz de Jenny era surpreendentemente firme. Era uma voz que não era hesitante nem confusa, e Renee ficou um pouco surpresa com isso.
“…Matar é ruim.”
Foi uma declaração muito fundamental.
Naquele momento, Renee sentiu que entendia um pouco do motivo pelo qual Jenny havia recebido o Estigma da Morte.
Essa garota tinha tudo o que era preciso para se tornar dona da capacidade de se comunicar com os mortos.
Um pequeno sorriso apareceu nos lábios de Renee.
“Sim, você tem razão. Os sentimentos do assassino não são importantes para aqueles que foram mortos.”
“O tio é uma má pessoa…”
Contrai, contrai.
As pontas dos dedos de Jenny tremiam.
Renee agarrou-os e continuou seus pensamentos.
‘Isso não é bom…’
O que ela deveria dizer?
Ela gostaria de dizer que Vera não era uma pessoa má, mas não havia como Renee explicar isso para a garota.
E com razão. Explicar isso para a Jenny exigiria muitas evidências, né?
Seja sobre a razão necessária para o assassinato, o padrão para dividir o bem do mal, ou além disso, como por que as pessoas vivem indo contra as outras e coisas do tipo.
Nenhum dos numerosos sábios ao longo da história ofereceu uma resposta definitiva a essas perguntas. Para encontrar uma solução, seria necessário desvendar os mistérios que iludiram a todos eles.
A pergunta básica parecia simples, mas complexa, e não importava o quanto a desajeitada Renee pensasse sobre isso, ela não conseguia respondê-la.
Então, Renee apenas disse o que sabia.
“Há um ditado que eu realmente gosto.”
“Ditado?”
“Um ditado que diz ‘Nunca se sabe’. Nunca sabemos o que vai acontecer no futuro, então teremos que esperar para ver.”
Foram palavras que se tornaram um marco para ela seguir em frente.
Renee virou a cabeça na direção da voz de Jenny e continuou com um pequeno sorriso.
”Mesmo que Vera tenha sido uma pessoa má no passado, não sabemos o que ele se tornará no futuro. Não, quero acreditar que ele se tornará uma boa pessoa. É por isso que acho que devemos esperar para ver.”
“…E se ele acabar sendo uma pessoa má?”
“Isso não vai acontecer.”
“Por que?”
“Porque eu gosto muito de Vera e ele também gosta de mim.”
“Será que esse pode ser o motivo?”
“Com certeza.”
Quando ela estava prestes a abrir os lábios, o rosto de Renee de repente ficou vermelho vivo.
Ela automaticamente sentiu que as palavras que estava prestes a dizer eram realmente embaraçosas.
Mas não havia outra escolha a não ser dizer isso, então Renee engoliu a vergonha e continuou.
“…Quando você começa a amar alguém, você quer se tornar alguém que combine com essa pessoa. Inconscientemente, você se esforça para ser melhor. Você se esforça para se tornar uma pessoa melhor. É assim que nos tornamos as pessoas certas uma para outra.”
Não era o caso dela? Como queria ser alguém adequada para Vera, não queria ficar sozinha, então parou de ficar parada.
Ela se consolou dizendo que seu desespero não era nada. Isso a fez querer ver muito mais coisas.
Era isso que o amor significava para Renee.
“Pelo menos, é o meu caso. Então, acho que Vera vai mudar com certeza, porque ele é uma pessoa sincera.”
Jenny olhou fixamente para Renee.
‘Tão lindo…’
A maneira como Renee falava sobre amor, com o rosto levemente corado, era tão linda. Jenny pensou que Renee parecia radiante, e não conseguiu evitar encará-la, atordoada.
“Amor…”
Ela se perguntou se aquela palavra causava esse tipo de magia.
Que tipo de palavra era essa, para fazer alguém brilhar desse jeito?
Jenny perguntou, a curiosidade começando a invadir e tomar conta de seu coração.
“Mas e se ele se tornar uma pessoa má?”
“Não vou deixar. Não deveria impedi-lo?”
“E se ele pedir para vocês se tornarem pessoas más juntos?”
“Vou repreendê-lo.”
Renee deu uma resposta muito simples enquanto ria e Jenny continuou perguntando.
“E se ele gostar de outra pessoa?”
“Qual vadia ousa… Não, deixa pra lá.”
Uma sombra cruzou o rosto de Renee por um momento e depois desapareceu.
“…Hm, então eu deveria me tornar uma pessoa tão legal que ele não conseguiria tirar os olhos de mim.”
Renee não se preocupou em dizer que havia um meio físico de se livrar daquela pessoa.
Como este era um lugar para pregar a beleza do amor, ela pensou que não havia necessidade de mostrar o lado bélico do amor.
Felizmente, como se essa tentativa tivesse funcionado, Jenny olhou para Renee com olhos ansiosos e abriu a boca com um ‘eh’.
Ainda demorou muito para Jenny saber como era o amor de Renee.
***
Atordoado, Vera seguiu seu olhar errante e observou a cena se desenrolar.
Dentro de uma grande sala adornada com todos os tipos de decorações luxuosas, o cenário sombrio do lado de fora da janela contrastava fortemente.
Ele soube na hora.
‘…Um sonho, hein.’
Isso era dentro de um sonho, o palácio na favela onde ele morava antes de sua regressão.
Não havia dúvidas sobre o porquê de ele estar tendo esse sonho.
Ele já havia tido sonhos assim antes.
Esse era o processo de recordar a memória daquele momento enquanto o feitiço chegava ao fim.
Seu olhar fixo do lado de fora da janela mudou, sua boca se abriu involuntariamente.
“Então, o que te traz aqui?”
No fim de seu olhar havia duas figuras envoltas em mantos.
“…Santa.”
Entre os dois, a figura em pé atrás do sofá estremeceu.
A figura sentada no sofá riu levemente e tirou o capuz.
Seus cabelos brancos como a neve caíam em cascata, e seus olhos desfocados eram lindamente curvados, olhando para o ar.
“Ops. Tentei me esconder, mas parece que fui descoberta.”
Já era passado, Renee.
Mais uma vez, sua boca se abriu e disparou palavras duras contra ela.
“Eu perguntei qual é o seu propósito.”
“Ah, você quer ir direto ao ponto?”
“…Pare de me incomodar, a menos que queira morrer aqui sem deixar vestígios.”
“Você está dizendo coisas que nem sequer queria dizer.”
“Por que você acha isso?”
“Você tem medo de mim?”
Ele cerrou os punhos. Isso também era algo que seu corpo fazia por conta própria.
“Besteira…”
“Quem imaginaria que o Apóstolo do Juramento estaria em um lugar como este?”
“…”
Houve um silêncio, seguido de um suspiro e então uma voz.
Era uma voz familiar.
“…Santa.”
O rosto revelado quando a figura tirou o capuz era de alguém que Vera conhecia bem.
“Rohan?”
Era o Apóstolo da Orientação, Rohan.
O que flutuou em seu rosto foi uma expressão de irritação que não era característica dele.
“Deveria um sujeito assim ser chamado de Apóstolo? O título de ‘Ladrão do Estigma’ seria mais apropriado.”
Era um tom que revelava uma vigilância flagrante.
Enquanto isso, a boca de Vera se abriu novamente.
“…Então você veio mesmo sabendo disso.”
“Está surpreso? Ah, não fique tão nervoso. Eu ainda não contei a verdade ao Reino Sagrado.”
“Isso significa que o Reino Sagrado não saberá mesmo se eu matar vocês dois aqui?”
“Eu sei que você não fará isso. Acredito que você seja uma pessoa misericordiosa.”
“Bem, eu poderia considerar mostrar misericórdia quando cortar sua boca. Ah, seria inconveniente ter sua boca tão disfuncional quanto seus olhos. Cara lá atrás… Para minha tristeza. Não gosto da sua atitude, então tenho que matar vocês.”
No momento em que seu pé deu um passo à frente, Renee falou novamente.
“Estou aqui para fazer um acordo.”
Ele parou de andar.
Seus músculos faciais estavam tensos.
“Um acordo?”
“Não serão algo ruim.”
Renee sorriu calorosamente.
O que se seguiu foram palavras ditas calmamente, como se ela fosse a dona do lugar.
“Então, você gostaria de se sentar?”
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