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    Ele realmente esperava que não fosse o caso, mas a resposta que recebeu foi positiva.

    Maleus sentiu-se miserável e soltou tais palavras.

    [Mesmo assim, você ainda não está satisfeita…?]

    ‘Quantos pecados mais ela cometerá antes de ficar satisfeita, quando ela desistirá?’

    ‘Quando esse fantasma feio e lamentável do passado tentará enfrentar seus pecados?’

    Enquanto seus pensamentos continuavam, Alaysia abriu a boca novamente.

    “Hã? Escute aqui. Desta vez, podemos realmente voltar a ser como antes. Quando Aru voltar, todos nós voltaremos aos velhos tempos.”

    A mão branca e pura cobria sua boca amplamente rasgada. Por isso, o que estava visível era a bela mulher que ela havia sido apenas alguns momentos antes.

    Como uma jovem sonhando, a mulher continuou suas palavras.

    “Vai ser tão divertido sentar nas raízes de Aeah e conversar. Gor não vai gostar… Mas se Aru pedir, ele vai ouvir de má vontade, certo? Nar e Locrion vão discutir sobre ser a pessoa certa novamente. Hm, talvez Terdan desembarace os galhos emaranhados de Aeah. Orgus ainda estará sozinho? Também não tenho certeza sobre isso.”

    Ela continuou como se pudesse ver a cena vividamente diante de seus olhos.

    ”Vou me deitar no colo de Aru e fechar os olhos. Sabe, as mãos da Aru são tão quentinhas que eu costumava dormir facilmente. Maleus vai plantar sementes, né? Ah, mas não se esqueça de pedir permissão para a Aeah, tá? Aeah detesta quando alguém planta sementes no corpo dela sem pedir.”

    Maleus não conseguiu dar nenhuma resposta para o resto da história.

    Esse era o caso, pois a cena descrita por Alaysia era uma lembrança de um momento que ele conhecia muito bem.

    Ela estava falando sobre memórias do tempo agora chamado de Amanhecer da Criação, quando as nove almas eram tudo o que existia nesta terra.

    A luz fantasmagórica nos olhos de Maleus tremeu.

    Foi hesitação.

    “Certo? Só falta Aru. Tudo voltará a como era antes.”

    Seu sussurro seguiu.

    No momento em que seu punho cerrado relaxou sem que ele percebesse, o corpo de Maleus parou de repente quando ele percebeu esse fato.

    Então, ele começou a espalhar energia com tanta força que se tornou incomparável ao que era antes.

    [Que truque inútil…!]

    “Ah, não está funcionando.”

    Risada, risada.

    Alaysia deu uma risadinha.

    [Nem um pouco! Você realmente não mudou nem um pouquinho, sua vagabunda imunda!]

    Maleus levantou sua mão esquerda para o céu, banhando tudo em escuridão.

    Poderia ser dito que as sombras estavam se movendo, mas era uma energia fundamentalmente diferente.

    Era a passagem pela qual todas as almas retornavam ao Céu. Era um lugar onde a fronteira da vida após a morte se sobrepunha ao Palácio.

    Rancores uivavam na escuridão. Tomando a forma de uma tempestade imensa envolveram Alaysia.

    Quando Maleus acenou com a mão, os espíritos vingativos que formaram a tempestade foram todos atirados em Alaysia.

    Alaysia riu da cena.

    “Ah, já faz um tempo.”

    Ela abaixou a mão que cobria sua boca.

    O que se revelou foi uma boca rasgada. Quando Alaysia a abriu e inalou, os ressentimentos foram sugados para dentro de sua boca.

    — Kiaaaaak!!!

    Como se esperasse isso, Maleus xingou e continuou com seu próximo movimento.

    […Vadia podre.]

    Maleus levantou a mão direita.

    Ele estendeu a mão aberta e agarrou o ar, como se estivesse mirando no pescoço de Alaysia à distância.

    Craaack—

    O pescoço de Alaysia quebrou.

    Os espíritos vingativos que haviam sido sugados finalmente recuperaram a liberdade e se dispersaram novamente no ar.

    Maleus sentiu sua raiva aumentar.

    Ele teve que invocar os espíritos vingativos novamente, mas aqueles assustados por Alaysia apenas tentaram fugir.

    “Hm. Parece que você colecionou bastante coisa nesse meio tempo, não é?”

    Com o pescoço quebrado balançando, Alaysia acariciou a barriga com as duas mãos e falou.

    “Mas está pior do que da última vez. Não tem muita coisa para provar. Havia muitas saborosas quando a guerra estava a todo vapor. Não seria bom começar outra guerra afinal?”

    [Nojenta!]

    “Não. Estou sendo sincera. Aru disse que mentir é ruim, então não estou mentindo.”

    Crack. Crack.

    A cabeça de Alaysia lentamente começou a voltar ao lugar.

    “A Coroa. Você realmente não vai me dar?”

    [Não é um item feito para você, vadia!]

    “Então para quem é? Ah, para a filha dos nossos antepassados? O que essa criança pode fazer?”

    [Ela pode fazer mais do que você.]

    “Hehe… Mas aquela criança não conseguiu fazer nada da última vez? Não só da última vez, mas da anterior e da anterior a isso. Todas as vezes, ela simplesmente perdia para mim.”

    Crack—

    A cabeça de Alaysia retornou perfeitamente à sua posição original.

    Depois de virar a cabeça de um lado para o outro, Alaysia levantou o dedo indicador e disse com um sorriso brilhante.

    “E sabe de uma coisa? Aquela criança não conseguiu regredir desta vez. Para ela, este é o primeiro deslize.”

    Um vórtice negro surgiu da ponta do seu dedo indicador.

    “Eu sei de tudo, enquanto aquela criança não sabe de nada. Então, desta vez eu também vou vencer.”

    O vórtice começou a se condensar. Formou um só, depois se desintegrou, logo se tornando uma pequena esfera do tamanho de uma unha.

    A identidade do orbe era a cristalização dos espíritos vingativos que Alaysia havia engolido anteriormente.

    Maleus expressou sua profunda raiva ao ver Alaysia brincando com os espíritos vingativos como se eles não fossem nada demais.

    […Certo. Acho que devo parar de levar isso na brincadeira.]

    Maleus juntou as mãos. Ao separá-las, uma escuridão muito mais escura do que aquela que banhava o espaço ao redor surgiu entre suas palmas.

    A escuridão envolveu o corpo de Maleus.

    Enquanto Maleus se levantava, todo o espaço começou a vibrar.

    “Por que você está fazendo coisas inúteis?”

    [Inútil foi aquela coisa que você fez, vadia.]

    Com seu tamanho crescendo até o limite, Maleus olhou para Alaysia.

    Então, ele pensou.

    ‘…Então ela não sabe.’

    ‘Alaysia não sabe que Orgus interveio na jornada da Filha dos Antepassados e do Filho da Promessa.’

    Ela pensou que era a única que não havia sido afetada pela influência de Orgus.

    [Coisa tola.]

    As sombras de Maleus cobriam o Palácio.

    Quando Alaysia olhou ao redor, ela percebeu o que Maleus estava tentando fazer.

    “Você está tentando me prender?”

    Havia um sorriso muito profundo em seus lábios.

    “Por quê? Você está tentando ganhar tempo para essa criança fugir? Bem… Não importa. Eu só preciso tomar a Coroa.”

    Diante de suas palavras ainda relaxadas, Maleus respondeu com um tom de sorriso irônico.

    [Que pena. Não tenho mais a Coroa que você precisa.]

    “…Huh?”

    [Você acha que eu fiz isso sem pensar?]

    A Coroa já havia sido entregue.

    Diante dessas palavras carregadas de tanto significado, a expressão no rosto de Alaysia desapareceu.

    “…Ah.”

    A boca que até então estava rasgada voltou ao seu formato normal.

    “Você é tão irritante.”

    Ela apontou o orbe de espíritos vingativos na ponta do dedo indicador para Maleus e o atirou para longe.

    Foi uma bala disparada a uma velocidade irreconhecível, mas tanto Alaysia quanto Maleus sabiam que não causaria nenhum dano.

    Maleus estendeu a mão e agarrou o orbe disparado. Ele o absorveu e falou.

    [De fato, vamos brincar. A última vez que lutamos assim foi na Era dos Deuses, não foi?]

    Uma carranca se formou no rosto de Alaysia, e um suspiro escapou de sua boca.

    “…Ainda bem que eu estava preparada.”

    [O que você faz é óbvio, vadia. Não vai brincar com esse brinquedo de novo?]

    “Não é um brinquedo. É um presente de Aru.”

    [Não vai acabar como você quer. Como a Coroa já encontrou seu dono, não há como retomá-la.]

    “…Está tudo bem mesmo sem ela. Vai ser um pouco trabalhoso, mas tanto sofrimento já basta para que aconteça. Até agora, tenho me saído bem, mesmo sem a Coroa.”

    Pela primeira vez desde que entrou no Palácio, Alaysia deu um passo à frente.

    Ela cerrou os punhos.

    Cristais de energia pura, isentos de impurezas, surgiram de sua mão.

    “Eu vou te bater.”

    Alaysia correu em direção a Maleus.

    ***

    Os portões do Palácio estavam fechados.

    Todos os mortos-vivos do Berço, quer vivessem dentro ou fora do castelo, dirigiram-se ao portão do Palácio. Alinharam-se ali, todos armados.

    Sem saber o motivo da situação, o grupo foi até a frente do Palácio e perguntou a Hodrick.

    “O que está acontecendo?”

    […Há um intruso. Parece que Sua Majestade está lidando diretamente com ele.]

    As palavras de Hodrick foram ditas em tom firme.

    Ao ouvir essas palavras, as expressões do grupo endureceram.

    “Você quer dizer que o próprio Maleus está lutando?”

    Hodrick assentiu com a cabeça em resposta à pergunta de Vera.

    [Isso mesmo. Já que Sua Majestade selou o Palácio, ficaremos guardando a frente do portão por um bom tempo.]

    Hodrick virou a cabeça com um som metálico, olhou para o portão fechado do Palácio e continuou.

    […Também não sabemos quanto tempo essa situação vai durar. Quero me desculpar por essa reviravolta repentina.]

    Renee balançou a cabeça.

    “Não! Não precisa se desculpar…”

    Depois de dizer isso, Renee falou em tom preocupado enquanto segurava sua bengala com força.

    “Isso… Maleus vai ficar bem? Se for um oponente com o qual ele terá que lidar sozinho, então…”

    ‘Não seria uma Espécie Antiga?’

    Foi uma pergunta feita com esse pensamento em mente.

    Enquanto o grupo ficou sério ao pensar que o futuro que Orgus havia mostrado a eles poderia se desenrolar de forma diferente do que eles sabiam, Hodrick disse.

    […Eu sei muito bem com o que você está preocupada, mas não precisa se preocupar. Mesmo que seus pensamentos estejam corretos, não haverá derrota para Sua Majestade.]

    “Perdão?”

    [Este é o Berço dos Mortos. E o Berço é a terra de Sua Majestade. Mesmo que os intrusos tenham preparado um truque, nada de ruim acontecerá a Sua Majestade.]

    Dito isso, Hodrick acrescentou algumas palavras enquanto brincava com a espada presa à cintura.

    […Não é a primeira vez, portanto, não se preocupe muito. Ah, não é só isso. Você pode visitar a jovem senhora? Ela ficará muito surpresa com o fato de isso ter acontecido de repente].

    Um pedido para cuidar de Jenny.

    Só então Renee percebeu que Jenny não estava presente e assentiu.

    […Obrigado.]

    Deixando de lado as palavras de gratidão de Hodrick, Renee conduziu o grupo até Jenny.

    ***

    [Ela está aqui.]

    No meio de um quarto de menina, colorido como nenhum outro no antigo castelo, Annalise as cumprimentou.

    Vera franziu a testa enquanto olhava para Annalise e Jenny, que estava agachada na frente dela.

    Após uma breve pausa, Vera fixou o olhar em Annalise e fez uma pergunta, só por precaução.

    “…Você sabe qual é a situação?”

    Ele fez a pergunta porque a expressão de Annalise era diferente de tudo que eles já tinham visto antes.

    A resposta foi uma confirmação bastante chocante do palpite de Vera.

    [Qual vadia você acha que iria fazer um escândalo aqui? É aquela vadia, Alaysia.]

    O corpo de Renee estremeceu ao ouvir as palavras que sugeriam por que estavam perguntando o óbvio. Uma expressão de choque tomou conta de seu rosto.

    […Venha aqui e sente-se.]

    “Perdão?”

    [Estou pensando nisso há algum tempo.]

    Annalise virou sua cabeça de boneca em direção ao grupo e continuou falando.

    [Embora eu não goste de nenhum de vocês, eu não quero nunca ver as coisas acontecerem do jeito que aquela vadia quer, mesmo se eu morrer.]

    Mesmo enquanto ela continuava a falar, era possível sentir que Annalise ainda estava insegura e continuava a contemplar.

    ‘Será que essas coisas de aparência estúpida conseguirão fazer seu trabalho direito?’

    Essas eram as preocupações que pesavam em sua mente.

    O fato de Orgus os ter escolhido e de a chave para a salvação não estar nela. Mesmo depois de entender tudo isso, a autojustiça que ainda permanecia em seu coração a fez duvidar.

    [Uff…]

    Annalise suspirou profundamente.

    “Santa…”

    “…Vou sentar, então. Parece que ela finalmente decidiu dizer alguma coisa.”

    Tap—

    Renee deu um passo à frente com sua bengala e sentou-se ao lado de Jenny.

    Vera ficou atrás deles, e o resto do grupo sentou-se ao redor de Annalise.

    Renee disse.

    “Agora, você pode nos contar?”

    Ao ver Renee, Annalise pensou: ‘o que quer que aconteça, acontecerá’ e despejou suas palavras.

    [Por onde devo começar para ajudar você a entender…?]

    Ela continuou pensando e ponderando como transmitir a informação, mas era difícil fazer isso sem saber exatamente o quanto a outra pessoa sabia.

    Então, Annalise perguntou.

    [Então, vamos começar com isso. Você já pensou no por que os Apóstolos existem?]

    Era uma pergunta feita com um tom arrogante típico dela.

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