Índice de Capítulo

    Vera balançou a Espada Sagrada para desviar de uma bola de fogo que voava em sua direção. A ideia de usar uma espada para desviar de fogo pode ter parecido ridícula, mas não nessa situação.

    Ele estava usando sua divindade para repelir aquele aglomerado de mana, a bola de fogo que foi lançada pela Mestra da Torre.

    Vera dispersou a bola de fogo ardente que estava espalhada sobre sua armadura usando divindade, então voltou seu olhar para o céu.

    Uma mulher ruiva estava tecendo magia enquanto flutuava no ar. Era Annalise, a Mestra da Torre.

    Depois de algum tempo massacrando os cadáveres, ele viu os guardas e cavaleiros saírem para as ruas. Uma vez que ele teve certeza de que o príncipe herdeiro estava seguro, ele começou a procurar pela Mestra da Torre, mas saiu pela culatra, e ele foi atacado.

    O confronto continuou.

    “Não consigo chegar perto.”

    E não era só porque ela estava flutuando no céu. Ele podia usar [Passo Celeste] em uma batalha aérea, mas ele estava preso ao chão porque a Mestra da Torre dispararia magia em direção aos civis se ele tentasse voar.

    Mais uma vez, a Mestra da Torre disparou magia.

    Enquanto um calor escaldante caía do céu sobre o chão, Vera teceu sua divindade e lançou uma bênção dourada sobre a terra.

    Artes Divinas [Bênção do Guardião].

    A onda de calor e a bênção dourada colidiram.

    Kwaaang—!

    Uma explosão alta soou. O corpo de Vera tremeu com o impacto enquanto ele absorvia o choque.

    Ele cerrou o maxilar e começou a tecer mais divindade.

    No entanto, apesar de seus esforços, a bênção dourada estava começando a rachar. Era porque ele não tinha divindade suficiente. Vera, que já havia colocado [Bênção do Guardião] nas outras ruas, não tinha divindade suficiente para parar todas as bolas de fogo.

    Crack-.

    As rachaduras ficaram maiores e sua divindade foi esgotada. Cerca de três bolas de fogo voaram e as ruas ainda estavam cheias de trabalhadores da mansão.

    Vera reuniu a bênção e saltou para bloquear as três bolas de fogo usando seu corpo.

    Kuuung—

    Seu corpo tremeu com o impacto, e sangue jorrou da boca de Vera enquanto ele gemia.

    ***

    De alguma forma, Renee conseguiu sair cambaleando da favela, apoiando-se em Rohan e Marie.

    Ela ainda não conseguia controlar suas emoções adequadamente.

    Junto com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto, seu queixo trêmulo e seu rosto avermelhado evocavam uma sensação de pena.

    Ela não conseguia entender o que tinha acabado de testemunhar. No entanto, essas emoções estavam gravadas em seu coração, e a cena repulsiva que ela teve que enfrentar estava gravada em sua memória.

    Renee, que não conseguia se acalmar mesmo pensando ‘Eu não deveria estar assim’, tremeu com o que estava sendo ouvido na rua para onde tinham acabado de escapar.

    Gritos, calor e cheiro de sangue.

    Essas foram as três primeiras sensações que ela sentiu. O que se seguiu foi o cheiro pungente de algo queimando e as vibrações que sacudiram o chão.

    As ruas estavam um caos.

    “O que aconteceu?”

    Ela perguntou com a voz trêmula e Rohan respondeu.

    “Parece que houve um ataque. Há cadáveres de cabelos rosa ​​rolando nas ruas, e pessoas feridas por todo lugar.”

    A expressão de Rohan era sombria. A situação aqui já estava sendo limpa, mas os ferimentos eram muito graves.

    Havia uma divindade dourada no chão. Foi o Feitiço de Recuperação de Larga Escala [Berço]. Parecia que Vera o havia lançado, mas não era o suficiente.

    “Marie! Trate-os rapidamente!”

    “Estou indo!”

    Marie não perdeu tempo em liberar sua divindade assim que entrou na rua. Uma luz verde que lembrava uma floresta verdejante, o Poder da Abundância inundou a rua. Era muito maior e mais grosso que o [Berço] de Vera.

    Os ferimentos dos feridos estavam cicatrizando rapidamente, mas a expressão de Marie era sombria.

    Além da próxima rua que ela conseguia ver, não havia muita divindade restante do [Berço] que estava espalhado.

    Mesmo sendo uma apóstola, ainda havia um limite para o que ela poderia suportar.

    A divindade de Marie era limitada demais para abranger toda a Capital Imperial, que era do tamanho de algumas capitais de vários reinos juntas.

    Observando a vitalidade da luz verde enfraquecer, Rohan cerrou os dentes e liberou divindade. Era uma divindade índigo.

    “Marie, eu abrirei um caminho. Direcione sua divindade para lá.”

    Eles não podiam espalhar [Berço] de uma forma tão ignorante. Eles tinham que fazer diretrizes para garantir que o nível certo de tratamento fosse dado a cada pessoa ferida.

    A divindade índigo se materializou em uma esfera, então uma faixa a envolveu. Rohan esculpiu uma habilidade sobre a esfera.

    Feitiço de Rastreamento [Crepúsculo].

    Quando Rohan lançou o Crepúsculo finalizado no céu, ele brilhou e criou um caminho índigo em todas as direções. Marie adicionou [Berço] no Crepúsculo enquanto um tom de verde percorreu o caminho feito por Crepúsculo.

    A divindade se espalhou um pouco mais, e a situação estava melhorando, mas…

    “Merda.”

    Rohan cuspiu um palavrão.

    ‘Quão ruim é esse caos?’

    A tensão em seu corpo era enorme. A razão era porque o número ramos que estavam se formando conforme Crepúsculo se estendia continuavam a crescer. Crepúsculo era uma magia que dobrava a carga sempre que a magia era dividida. Naturalmente, nessa situação, quando havia dezenas e centenas de ramos, a carga se tornava incontrolável.

    O corpo de Rohan cambaleou.

    ‘Isso não pode estar acontecendo.’

    Essa quantidade de ramificações não seria o suficiente para cobrir toda a Capital.

    Rohan exalou profundamente, seu rosto contorcido em uma careta enquanto falava com Marie.

    “Marie, se eu desmaiar, você tem que cuidar de mim.”

    “Huh? O quê? O que você vai fazer?”

    “Você deve fazer isso. Ahh, vou ficar doente por um tempo.”

    Rohan caiu de joelhos enquanto murmurava e fechava os olhos. Armazenando sua divindade índigo dentro de seu corpo, ele continuou a rezar.

    Suas divindades não eram o bastante. Era demais para Marie e Renee cuidarem dos feridos pela Capital.

    ‘Então, terei que impulsioná-las.’

    Rohan puxou sua manga direita para cima e revelou seu estigma. Toda sua divindade foi levada para o estigma.

    “O que você está tentando fazer?”

    A voz de Renee soou. Rohan respondeu com uma cara severa para Renee, que já estava parecendo pálida.

    “Vou extrair poder divino do Reino Celestial.”

    “O que?”

    “É esse tipo de poder.”

    Rohan continuou a se concentrar em infundir divindade em seu estigma.

    O Poder da Orientação era comunicar-se com o Reino Celestial. Claro, tal uso também era possível.

    A desvantagem era que o poder divino do Reino Celestial era forte demais para um corpo humano receber e, uma vez usado, ele ficava doente por dias.

    ‘…Não é hora de ser exigente.’

    Rohan respirou fundo. Marie imbuiu o corpo de Rohan com sua luz verde para cuidar dele enquanto sua divindade estava sendo dividida.

    Nessa situação, Renee sentiu um aperto no estômago.

    ‘Eu…’

    Sua expressão se contraiu terrivelmente.

    O que estou fazendo? Por que estou hesitando? Por que não estou sendo útil?

    Esses pensamentos vieram à sua mente e foram seguidos por uma intensa auto aversão.

    Ela rangeu os dentes com um som de ‘crack’. Suas mãos trêmulas apertaram sua bengala.

    Renee então impregnou sua bengala com divindade e bateu no chão.

    Bum—!

    Esta foi a terceira e última onda de hoje.

    A onda que havia sido gerada pela infusão de ainda mais divindade do que nas duas vezes anteriores se estendeu até seu limite e entregou informações diretamente à mente de Renee.

    A Capital Imperial que havia sido envolta nas chamas do caos foi agora revelada a Renee.

    Houve tragédia.

    Havia alguém segurando uma criança nos braços entre uma pilha de escombros. Outro estava chorando enquanto envolvia os braços em volta de alguém que havia caído. Soldados estavam por todo lado, correndo e gritando. E à distância, havia alguém brandindo uma adaga para proteger as pessoas amontoadas atrás.

    Muitas tragédias estavam sendo tecidas em um único desespero.

    …E ainda assim, houve pessoas que continuaram fortes em meio ao caos.

    A onda que se espalhava atingiu sua extensão máxima e no final estava…

    ‘…Vera.’

    Lá estava Vera. Ele estava lá, correndo, tecendo seu caminho através da multidão como se para se defender de algo. Ele estava balançando sua espada enquanto protegia no caminho.

    O que estou fazendo nessa situação?

    Ela não conseguia respirar com esse pensamento.

    A única que estava fugindo naquele momento era ela.

    Uma idiota estúpida que só tinha sido mimada todo esse tempo.

    Todos estavam se levantando e lutando contra essa tragédia, mas ela era a única que permanecia parada.

    ‘Isso…’

    Não é?

    Renee deu um soco na perna trêmula e, depois de ouvir um ‘baque’, ela deu um passo à frente com sua bengala e falou.

    “Rohan.”

    “Sim, o quê?”

    “Espere um momento.”

    Ela não conseguia ficar parada.

    “Deixe-me tentar.”

    Renee disse, e deu mais um passo à frente com sua bengala, evocando uma divindade branca e pura.

    Seu rosto ainda estava manchado de lágrimas. Suas entranhas estavam queimando. O tremor não parava, não importava o quanto ela tentasse.

    Não importava o quanto ela pensasse sobre isso… ela não conseguia entender o que Orgus lhe mostrou.

    No entanto, ela sentiu algo.

    Enquanto Vera falava da perda, certamente havia desespero em seus gritos.

    Era o mesmo desespero nos gritos vindos do caos agora.

    Mas eles ainda se levantaram. Vera se levantou. Eles não tinham desistido ainda, mesmo quando enfrentavam o desespero.

    No meio de tudo isso, eles estavam perseguindo sua própria luz.

    Eles não resistiram porque não era trágico, mas sim porque ainda não desistiram.

    Renee se repreendeu.

    Ela repreendeu a garota estúpida que achava que ela era a mais infeliz.

    Sua expressão se tornou feroz. A raiva surgiu em seu rosto avermelhado.

    O passado passou pela sua mente.

    Ela disse que não conhecia a fé. Que ela se ressentia dos Deuses.

    ‘Porque é mais fácil odiar.’

    Ela disse que não sabia o que fazer.

    ‘Porque eu não queria descobrir.’

    Ela disse que precisava ajudar porque era seu dever natural.

    ‘Porque eu estava presa a mim mesma.’

    Clack—

    Renee deu mais um passo com sua bengala.

    Ela ainda não conseguia enxergar. Seu mundo ainda estava escuro.

    Mas não era motivo para desistir. Não era motivo para se esconder.

    Mesmo que ela não tivesse enfrentado isso, ela já tinha forças para navegar pela escuridão.

    Uma divindade branca e pura irradiava um brilho intenso e se enrolou ao redor do corpo de Renee.

    Os pensamentos de Renee começaram a se expandir.

    ‘Por que?’

    Essa pergunta veio à mente dela.

    Ela se deparou novamente com a questão da qual estava se afastando.

    Por que esse poder veio até mim? Por que minha própria luz desapareceu?

    O que os Deuses querem de mim?

    Renee não sabia a resposta. Mas ela sabia como encontrar a resposta.

    Vargo disse…

    ‘…Procure a resposta sozinha.’

    Tenho que encontrar a resposta por mim mesma. Meus próprios objetivos e meu próprio caminho.

    Só eu posso decidir o que fazer com esse poder.

    Renee já sabia o que queria desesperadamente.

    ‘Vera.’

    O amor que se tornou sua luz já estava gravado em seu coração, e seu objetivo estava lá.

    Renee girou o cabo da bengala.

    O ‘estalo’ foi seguido por uma ‘torção’.

    Vera disse que ele estava perseguindo a luz. Ela disse que era a luz dele, então Renee queria ser a luz que Vera estava perseguindo.

    Não havia grandes ideais ou objetivos. Havia apenas amor. Ela queria persegui-lo.

    Renee agarrou a espada com ambas as mãos e levantou-a bem alto.

    A luz que girava em torno do corpo de Renee foi absorvida pela espada. Acima da espada branca pura forjada de Froden, brilhava uma luz que era ainda mais brilhante.

    Ela desenvolveu sua determinação e olhou para seus ideais.

    Naturalmente, ela sabia o que tinha que fazer.

    Foi tão natural quanto no dia em que ela recebeu o estigma, como se ela soubesse disso o tempo todo.

    Renee cerrou os dentes com força e brandiu a espada para baixo.

    Ela cortou o ar vazio, mas isso não importou.

    Apenas o pensamento de um único corte.

    Era tudo o que ela precisava.

    O objetivo dela era o amor. Foi a força motriz que a fez se levantar dessa tragédia.

    Renee cortou a hesitação. Ela cortou seu eu feio. Ela cortou sua própria tragédia.

    …E assim, ela cortou o céu.

    Whoosh—!

    Um ponto branco se moveu pelo céu azul, deixando para trás uma linha branca. A linha brilhou e se estendeu. Um céu branco puro surgiu.

    Imediatamente depois, um milagre branco puro desceu.

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