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    Ponto de Vista de Seiji

    Minha perna simplesmente não parava.

    Ela subia e descia debaixo da mesa, praticamente sozinha, enquanto continuava entrando e saindo gente daquela lanchonete.

    Eu olhava para o relógio na parede, enquanto sentia o forte cheiro de fritura, que quase me hipnotizava! 

    “…Tarde.”

    — Tsc… — resmunguei, cruzando os braços. — Que demora! O que ele tá fazendo!?

    Eu já começava a me estressar. Talvez eu devesse pedir um milkshake pra me acalmar?

    — Ele quem? — Akira perguntou, com a boca cheia de batata frita. — Tá falando do Shin? 

    — Hein!? — Virei pra ele, quase no mesmo segundo. — Não! Sem chance! Ele nem pode saber que a gente tá por aqui!

    Ele me olhou confuso.

    — Hm? Por que isso?

    Eu suspirei, sabendo que não adiantaria explicar. Peguei uma batata dele e mastiguei.

    Do outro lado da mesa, Aiko e Mina trocaram um olhar curioso também. Takeshi levantou uma sobrancelha, e Yumi apenas cruzou os braços.

    Eu olhei rapidamente para o pulso dela…

    Sem a pulseira…

    “Ah…”

    Ah, espera aí. Eu não devia tirar conclusões precipitadas. Se bem que eu nem deveria pensar naquilo naquele momento!

    Ainda assim, doía um pouquinho.

    Balancei a cabeça, afastando aqueles pensamentos.

    E então, finalmente, o sino da porta tocou.

    Ele havia chegado. Rintarou veio, com o cachecol enrolado até quase cobrir toda a cara. 

    Claro, com aquela expressão de sempre.

    Eu abri um sorriso, enquanto ele se aproximava da mesa e puxava uma cadeira.

    — Eu já tinha falado que estava a caminho — ele começou, tirando o cachecol. — Não precisava ter enviado tantas mensagens.

    Eu só ignorei completamente.

    Limpei a garganta, e entrelacei os dedos, aproximando a mão no rosto.

    — Certo… — comecei, mudando o tom para algo mais sério. — Imagino que vocês estejam se perguntando por que eu reuni todo mundo aqui.

    “Igualzinho ao filme!”

    — Óbvio? Você chama a gente do nada dizendo que era algo urgente… — Takeshi respondeu na mesma hora.

    Ahem.

    — Então… o Ano Novo tá chegando, né? — disse, tossindo de leve.

    Eles assentiram, Akira levou o copo na boca e Mina deu um gole do suco dela.

    — Isso significa… que veremos os fogos de artifício — completei, esperando que eles já entendessem.

    Mas parecia que eu ainda estava sendo um pouquinho vago…

    — Tá, e? O que tem os fogos? — Mina perguntou, já quase impaciente, como sempre.

    Abri um pequeno sorriso, quase soltando uma pequena risadinha.

    — É aí que eles entram! — inclinei-me um pouco pra frente e bati a mão na mesa. Eles seguiram o olhar. — Shin e Yuki!

    Hm… talvez eles já tivessem entendido o motivo da reunião. Certo, certo!

    — Hã? — Akira inclinou a cabeça. — O que eles têm a ver?

    — Eu realmente tenho que explicar tudo, Akira!? — respondi, encarando ele.

    Fala sério, que cabeça dura! Mas provavelmente o resto já tinha entendido.

    Não é?

    — Eu também não entendi, Seiji… — Aiko disse, o que me tirou do sério.

    Era impossível.

    Eu realmente tinha que desenhar num papel!?

    Se bem que a Aiko era meio burrinha mesmo, precisava dar um desconto pra garota que só tinha músculos na cabeça.

    “Certo, certo.”

     — Ah… Ah…! Faz sentido agora! — Akira interrompeu, como se algo tivesse ligado na cabeça dele.

    “Ainda bem, Akira!”

    — Eles gostam um do outro, Aiko — Eu falei, olhando diretamente pra ela. — Todo mundo já sabe disso!

    — Finalmente alguém falou em voz alta! — Yumi assentiu imediatamente, dizendo o que todo mundo queria dizer.

    Eu sabia que podia contar com ela!

    Diferentemente da Aiko…

    — H-hein!? O quê!? — Ela arregalou os olhos, ficando vermelha. — Como assim!? Desde quando eles se gostam!? 

    As coisas começavam a clicar na cabeça.

    Ela era o tipo que só tinha competições na cabeça, mas romance era seu fraco!

    Heh, talvez aquilo jogasse ao meu favor no plano… 

    Abri um sorriso no mesmo segundo.

    — Desde… sempre? — Mina respondeu, rindo de leve. — Provavelmente só eles dois que não sabem disso.

    — E a Aiko também, mas agora ela sabe — Akira brincou, rindo dela.

    Observei o grupo por um instante. Eles estavam todos na mesma página, ótimo!

    Eu até tinha começado a me imaginar mentalmente:

    Shin me agradecendo depois, dizendo que eu era um gênio e dizendo “Obrigado pelo seu plano, Seiji!”.

    Sim, sim!

    Talvez eu já devesse pensar no que cobrar dele.

    “Talvez o novo menu daquela loja…”

    Assenti pra mim mesmo, com um sorriso orgulhoso no rosto.

    — Tá, mas o que a gente tem que fazer então? — Mina disse, curiosa e se inclinando depois de tomar mais um gole do suco.

    Limpei a garganta.

    — É bem simples. Vamos juntar eles dois naquela noite. Eles vão ficar sozinhos e tudo vai se desenrolar! — respondi, com um sorriso orgulhoso.

    Akira ergueu o copo e bateu-o levemente na mesa.

    — Já tava na hora! — ele declarou, com os olhos fechados e um punho cerrado. — Apenas comecem a namorar logo!

    Eu assenti, balançando a cabeça.

    Já tinha passado da hora de isso acontecer.

    — E qual seria o plano? — Rintarou perguntou, enquanto olhava o menu. — Sem exageros, não devemos forçar nada.

    — Relaxa, Rin! — falei, dando um tapinha nas costas dele. — Só confia em mim.

    Ele me olhou, com aquele olhar que sabia que vinha algo por aí.

    Peguei uma batata do Akira e depois puxei um guardanapo.

    Me inclinei sobre a mesa, pegando uma caneta do bolso, que preparei especialmente para aquele exato momento.

    — Eu chamo isso de… — comecei, fazendo uma pequena pausa dramática enquanto escrevia. — Operação Contagem Regressiva!

    Mina me olhou com uma cara de decepção.

    “…..”

    — Não tinha um nome melhor? 

    — Isso não importa agora! Qual é o plano, capitão!? — Akira cortou ela, e se virou pra mim.

    Tracei rapidamente o mapa do santuário, marcando só os caminhos e a área principal.

    — Ainda bem que pergunta, sargento — comecei, e logo mudei o tom novamente. — A gente vai começar agindo normalmente. Andando pelas barracas, comendo e tal.

    — E depois…? — Yumi perguntou, curiosa e estreitando os olhos.

    Eu sorri.

    — Depois… o plano entra em ação — respondi, desenhando um círculo perto do templo. — Quando faltar 10 minutos para a meia-noite, começa a primeira fase: Dispersão!

    — Dispersão? O que é isso? — Aiko repetiu, confusa.

    Sério?

    Encostei as costas na cadeira, relaxando um pouco.

    — A gente… se dispersa — continuei, colocando uma batata do Akira, novamente, na boca. — Um por um… até sobrar só eles!

    O grupo parecia ter começado a entender o plano. 

    Bem, ele era bem simples, não tinha nada pra entender.

    Se bem que a Aiko devia estar confusa.

    — A Yuki não é boba assim, ela vai suspeitar disso — Yumi disse, com a mão no queixo.

    — Relaxa, Yumi! Eu vou dar um jeito! — Akira respondeu, confiante.

    Era disso que eu tava falando.

    Ele levantou a mão e eu bati nela em um high-five.

    — E aqui… — continuei, apontando para o círculo. — É uma colina do lado do templo. É o melhor lugar para ver os fogos!

    — Então a gente só precisa garantir que eles dois cheguem lá… — Mina comentou, olhando a mesa.

    — E esperar que eles se resolvam — completei, encostando novamente as costas na cadeira.

    — E que eles comecem a namorar! — Akira terminou, animado.

    Era isso!

    Era um plano simples… mas simplesmente perfeito.

    Não tinha como dar errado, eu tinha certeza absoluta.

    — Já tô cansada de ver aqueles dois daquele jeito! — Yumi reclamou, e com razão. — Todo mundo percebe menos eles! 

    — Calma, Yumi — Mina tentou acalmar ela, colocando a mão no ombro. — Vai dar tudo certo. Eu acho…

    — Hm… não sei… — Akira se intrometeu, com os braços cruzados e os olhos fechados. — O Shin é bem tapado mesmo… Será que isso funciona?

    Eu ia dizer algo, tentando animar eles, mas Rintarou suspirou e ajeitou os óculos.

    — Vai ficar tudo bem — ele disse, com aquele tom calmo mas com alguma certeza ali. — Eu vou ajudar.

    — É isso, Rin! — puxei ele pra um abraço rápido.

    E o grupo riu junto.

    Eu me afastei um pouco e olhei pra janela da lanchonete. 

    Do lado de fora, o céu começava a ficar levemente mais escuro. O vento batia na janela, fazendo barulho.

    Apoiei a cabeça nas mãos e suspirei.

    Depois de tudo que o Shin passou… ele merecia isso!

    Aquilo tinha que dar certo.

    Não! Ia dar certo!

    Ah, mas conhecendo o Shin…

    …Talvez fosse melhor já deixar um plano B pronto.

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