Capítulo 125: Mãos Dadas
Ponto de Vista de Shin
Depois de termos passado pela barraca que vendia bolinhos de arroz, que Yuki insistiu tanto para irmos, continuamos andando sem muita pressa. Andando sem um caminho específico, apenas se misturando com aquela multidão que parecia crescer cada vez mais.
O cheiro doce ainda continuava no ambiente, e claro, misturado com o cheiro de incenso vindo do templo. As barracas ainda continuavam bem iluminadas pelas lanternas penduradas, que também criavam várias e várias sombras que se moviam ao nosso redor.
Mas foi só depois de algum tempo caminhando com Yuki que algo pareceu… errado?
Olhei ao redor por um segundo.
— Hm…? — murmurei, diminuindo o passo. — Yuki, você viu o resto do pessoal?
Ela me olhou um pouco confusa, como se pensasse também que eles ainda estavam atrás de nós, e então virou a cabeça para trás.
— Agora que você falou… — respondeu, após girar o corpo levemente e o sorriso desvanecer lentamente. — Eu não vejo ninguém…
Ficamos ali alguns segundos, apenas olhando ao redor, tentando reconhecer algum rosto familiar no meio daquela multidão crescente.
Mas parecia que quanto mais eu olhava, mais percebia o óbvio…
Nós dois tínhamos se separado do grupo.
E então, estávamos perdidos.
— Acho que a gente acabou se separando do grupo… — disse, coçando a nuca e forçando um sorriso.
Deveria faltar pouco tempo para a virada, e então a gente acabou se separando do grupo principal.
— É… — ela soltou uma pequena risada nervosa também. — Acho que a gente se perdeu mesmo.
Mas como iríamos procurar eles no meio de toda aquela gente? Era muito difícil.
“…..”
Continuei olhando ao redor, colocando a mão no queixo, tentando pensar no que fazer naquele momento.
Mas antes que pudéssemos pensar em qualquer coisa, o ambiente mudou ao nosso redor subitamente.
As pessoas começaram a se mover com mais pressa. Os sons pareciam ter ficado mais altos, e os passos mais acelerados.
Aquilo era ruim.
Se antes já era difícil tentar voltar para o grupo, naquele instante tinha se tornado algo impossível.
Olhei para o relógio que estava pendurado em um dos postes próximos de nós. Faltavam pouco menos de dez minutos para a virada.
— Tá ficando cheio demais… e agora? — murmurei.
— Pois é — Ela concordou, segurando o cachecol com uma das mãos. — Talvez seja melhor a gente não tentar voltar agora.
Observei a multidão por mais alguns segundos.
É. Realmente.
Era totalmente impossível voltar atrás.
— Acha que a gente deve seguir o movimento? Depois a gente pode encontrar eles — falei, virando-me para o lado que as pessoas caminhavam.
Ela assentiu, e então começamos a caminhar junto das outras pessoas.
Claro, o nosso maior foco ali era não nos separarmos enquanto avançávamos… lentamente.
O frio da última noite do ano ainda continuava ali, mas quase não parecia importar naquele momento.
As conversas ainda continuavam. Luzes ainda brilhavam. Os cheiros ainda flutuavam.
E enquanto isso tudo acontecia ao meu redor, eu comecei a sentir algo estranho dentro do meu peito.
Levei a minha mão direita até ali, apertando de leve o casaco.
Será que… quando a virada chegasse, eu teria a coragem necessária?
Coragem de fazer alguma coisa. Qualquer coisa.
Ou de, pelo menos, não fugir?
“Quem sabe o que a Yuki espera de você?”
Eu tinha medo.
Medo de poder perder algo… que eu nunca sequer tive.
Eu queria poder dizer, de verdade, o que eu sentia. Mas o que eu mais queria, era que fosse algo correspondido.
“…..”
No meio desses pensamentos, eu acabei sentindo um forte impacto no meu ombro.
— Ei!
Meu corpo acabou sendo levemente empurrado para o lado por alguém que caminhava com mais pressa que os outros. Instintivamente, dei um passo para trás para não acabar empurrando a pessoa da minha frente.
Mas precisamente naquele movimento, eu percebi.
— Yuki…?
Meu coração acelerou no mesmo segundo.
Ah.
Ela também já não estava ao meu lado.
— Merda.
Olhei rapidamente ao redor, levemente em pânico, com meu olhar percorrendo cada rosto que eu podia ver.
Mas tudo que enxergava eram rostos desconhecidos, iluminados pelas lanternas e pelas barracas ao nosso redor.
Nada. Nenhum sinal dela. E logo um aperto, mais forte que antes, começou a subir no meu peito.
— Yuki! — comecei a chamar, na esperança de poder ver ela, enquanto olhava em todas as direções possíveis.
Caminhei mais rapidamente, por pouco esbarrando no ombro de algumas pessoas.
E foi então que a vi ali, e o aperto começou a se desfazer lentamente.
Ela estava alguns passos na minha frente, presa no meio da multidão. Yuki tentava olhar ao redor com uma expressão preocupada.
Quando nossos olhares finalmente se encontraram, os olhos dela se arregalaram levemente.
— Shin! — ela me chamou, tentando vir na minha direção.
Mas a multidão não facilitava, então comecei a caminhar também para ela.
Quando estávamos pertos o suficiente, separados apenas por algumas pessoas caminhando, eu não tive tempo para pensar muito.
Nem muito menos para hesitar.
Eu estendi o meu braço o máximo que consegui, na direção dela.
— Yuki!
Ela fez o mesmo, esticando a mão entre as várias pessoas que caminhavam. Nossos dedos… quase se tocavam.
Foi então que ela agarrou minha mão com força.
No mesmo instante que senti o toque quente na minha palma, puxei ela rapidamente para perto, abrindo espaço com o corpo até senti-la praticamente colada em mim.
— Conseguimos… — falei, soltando o ar que eu nem sequer tinha percebido que havia prendido, e com um pequeno sorriso aliviado.
Ela riu, recuperando um pouco do fôlego perdido.
— Ah, ainda bem! Achei que ia me perder de você também.
— Pensei o mesmo — murmurei, sentindo meu coração desacelerar um pouco. — …Vamos continuar andando?
Ela assentiu, e então retomamos a caminhada junto das pessoas. Mas mais atentos, naquele momento
As conversas ainda continuavam altas. O cheiro das barracas e do incenso ainda estavam no ambiente.
O frio da noite ainda era evidente.
No entanto…
…A mão dela na minha era quente.
Foi só depois de muitos passos que finalmente me dei conta.
Nós… ainda estávamos de mãos dadas.
“…..!”
Eu engoli mesmo com a garganta seca.
Minha palma estava quente demais. Talvez até um pouco suada?
Será que ela se incomodava com aquilo?
Eu deveria soltar logo?
Eu só deveria ter segurado a mão dela pra puxar-lá pra perto, então como eu ainda estava segurando ela?
Deveria largar e me desculpar?
Ou deveria continuar, como se nada estivesse acontecendo?
Mil perguntas passaram na minha mente em poucos segundos.
Eu desviei o olhar, tentando parecer normal. Mas então acabei olhando de canto para ela.
O cachecol ainda cobria uma pequena parte da sua boca, mas eu conseguia ver claramente aquilo.
A maneira como seu rosto estava levemente corado, o jeito que ela mantinha o olhar para frente, e o pequeno, mas grande, sorriso na ponta de seus lábios.
Por quê?
Meu coração bateu mais forte quando notei tudo aquilo.
E então, sem pensar em mais nada, eu apertei a mão dela, de leve, mas era firme.
Talvez alguma parte de mim esperava que ela notasse e soltasse, mas não.
Ela também apertou a minha mão de volta.
—- …Aqui é bonito, não é? — Ela comentou, ainda olhando para frente. — Acho que vai dar pra ver os fogos daqui!
—- Oh…! Parece um bom lugar mesmo — respondi, não evitando o sorriso que surgiu no meu rosto.
As lanternas iluminavam o caminho de pedra principal. As vozes ao nosso redor ainda se misturavam, constantemente. A multidão tinha finalmente desacelerado o passo quando chegamos naquele local.
Sentindo a mão dela na minha, eu comecei a pensar em algo.
Talvez.
Talvez eu devesse parar de pensar tanto assim, e apenas aproveitar aquele momento. Aquele momento da virada de ano com ela, e de mãos dadas.

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