Capítulo 1300: Uma Vontade Viva de Fortuna, Olho da Percepção
“Usar a vida de uma criança inocente… que detestável”, disse Hyrell.
“Você tem razão. Existem limites que nunca devem ser cruzados. Parece que a Associação do Dragão Dourado tem um conjunto de raízes podres que precisam ser arrancadas e cortadas”, afirmou Izroth.
Vexpela permaneceu em silêncio. Ela cresceu vendo os seus outros irmãos sendo tratados com muito cuidado por suas mães. Sempre que ela testemunhava tal cena, era sempre dominada por uma onda de inveja e tristeza.
Mas, agora que Vexpela sabia a verdade por trás da morte de sua mãe, conforme aquelas memórias ressurgiam da sua infância, ela sentiu como se o seu estômago estivesse embrulhado enquanto ficava visivelmente enojada.
Como eles podiam sorrir e rir tão felizes depois do que lhe roubaram? Como eles todos podiam menosprezá-la por não ter apoio de uma família materna quando eles eram o motivo por trás disso? Quanto mais esses pensamentos fluíam para a mente de Vexpela, mais ela sentia que todo o seu mundo tinha sido uma fachada.
“A sua mãe não era tola. Ela sabia que havia aqueles conspirando contra a sua vida. Vir a mim era apenas um plano reserva, mas ela não era o tipo de mulher para cair num estratagema tão simples. A princípio, eu não tinha como provar. Mas, após investigar por alguns anos, finalmente encontrei algumas respostas. Eu sei que é tarde demais para consertar as coisas. O meu único desejo é não deixar outros arrependimentos para trás neste mundo antes de partir dele”, disse Dagraen enquanto estendia a palma da sua mão.
No momento seguinte, o anel em seu dedo emitiu uma fraca luz branca antes que um pequeno cristal roxo aparecesse em sua palma.
“…Eu me arrependo da maneira como tudo se desenrolou naquela época. Mesmo que seja da menor das maneiras, desejo compensar a minha passividade do passado. A minha vida está chegando ao fim em breve… uma doença incurável que está na minha família há gerações. Eu sempre me considerei uma pessoa afortunada por ter vivido uma vida tão longa, mas parece que não se pode escapar do próprio carma. Antes que essa hora chegue, junto com esta última informação que posso lhe oferecer, pretendo transferir toda a minha fortuna para você”, declarou Dagraen.
Dagraen era alguém que vinha acumulando riquezas por mais de um século em uma das melhores companhias mercantis de todo o Reino Mortal. A sua quantidade atual de riqueza era algo que uma pessoa comum seria incapaz de compreender!
“Claro, tudo, exceto o Abraço do Renascimento Transformador. Esse é o meu último presente para Sir Balthaazar, que zelou pelo meu bem-estar e atuou como meu protetor nas últimas três décadas”, esclareceu Dagraen.
“Mestre…”, proferiu Balthaazar com uma expressão entristecida.
Não muito depois de Dagraen terminar de falar, a sala ficou assustadoramente silenciosa. Não foi até Vexpela abrir a boca para falar que esse silêncio foi quebrado.
“O senhor manteve a promessa que fez à minha mãe depois de todos esses anos. Por isso, estou grata. Como alguém que entende de negócios, sei o quão importante é deixar de lado a aversão por outro quando nos deparamos com uma oportunidade lucrativa. Mas, permita-me ser clara. Não tenho intenção de perdoá-lo, independentemente das reparações que tente fazer. Também não planejo fazer algo tolo como rejeitar a informação ou a fortuna que está me dando. No entanto, o arrependimento das suas escolhas… da sua inação… o senhor terá que conviver com ele por qualquer que seja o tempo que lhe resta de vida”, declarou Vexpela enquanto continha a sua raiva e recuperava alguma compostura.
Vexpela pegou o cristal da mão de Dagraen. Ela o encarou por alguns segundos antes de apertá-lo com força em sua palma.
“Este velho não é desavergonhado o suficiente para pedir o seu perdão… nem esperá-lo. Pense nisso como nada mais do que a própria vontade egoísta de um velho. Será difícil para nós nos encontrarmos cara a cara novamente depois de hoje. Espero que chegue o dia em que você suba ao topo da Associação do Dragão Dourado e corrija o caminho errado que ela tem trilhado”, disse Dagraen antes de se esforçar para ficar de pé com a ajuda da sua bengala.
Ele então olhou para Hyrell e perguntou: “Posso pedir à Chefe da Guilda de Mestres de Formação, Hyrell, que solte Sir Balthaazar? Garanto que ele não causará problemas.”
“Chefe do Pavilhão?” Hyrell chamou.
‘Oh? Pedi a ela para entrar na brincadeira, mas não achei que ela iria tão longe.’
As ações e palavras de Hyrell fizeram com que Vexpela mantivesse o mais alto nível de autoridade na sala. Isso fez com que Dagraen visse que Vexpela não era alguém simplesmente sendo controlada por outros.
Apesar da sua idade, Dagraen ainda era uma velha raposa astuta que não podia ser subestimada. Portanto, até que ele saísse da sala, mesmo o menor detalhe não deveria ser esquecido.
“…Você pode soltá-lo, Senhorita Hyrell”, disse Vexpela calmamente.
Depois que Vexpela deu a ordem, Hyrell soltou Balthaazar da formação mágica que ela usou para restringir as suas ações.
Balthaazar se endireitou antes de se curvar para Dagraen.
“Mestre, eu falhei em protegê-lo. Perdoe a minha incompetência”, proferiu Balthaazar lamentavelmente.
“Aye… Você não fez nada de errado, Sir Balthaazar. Até mesmo aquele teimoso Sábio dos Mil Labirintos deu um passo para trás diante da Chefe da Guilda de Mestres de Formação, Hyrell, e abaixou a cabeça. Peço desculpas por fazer você sofrer por todos esses anos”, respondeu Dagraen com leveza.
Ele então se virou para encarar Vexpela, Hyrell e Izroth.
“Ancião Supremo do Quarto Pavilhão, Chefe da Guilda de Mestres de Formação, Hyrell… por favor, cuidem bem da Chefe do Quarto Pavilhão, Vexpela. Que a sua jornada seja boa”, disse Dagraen respeitosamente.
Em seguida, Dagraen e Balthaazar saíram da sala privada. Faltava menos de um minuto para que o leilão fosse retomado. No entanto, Izroth já havia se decidido a aceitar o lance de Dagraen pelo Abraço do Renascimento Transformador.
Por um lado, era muito melhor do que acabar nas mãos da Família Duvelle. Sem mencionar que o lance em si valia a pena.
De repente, Vexpela esmagou o cristal na sua mão enquanto ele se transformava em pó antes de fluir para a sua cabeça.
“Vejo que o Olho da Percepção ainda está por aí. Suponho que nem tudo mudou depois de 150 anos. Embora o propósito do seu uso pareça ser diferente do que me lembro”, disse Hyrell enquanto observava o “pó” do cristal fluir para Vexpela.
O Olho da Percepção era um produto da profissão de Alquimia. Ele permitia armazenar informações nele. Então, a pessoa que o quebrasse faria com que as informações fluíssem diretamente para a sua mente.
Naquela época, era usado principalmente para transmitir técnicas secretas ou entregar mensagens secretas. Mas, como alternativas melhores surgiram desde o tempo de Hyrell, o seu uso foi gradualmente descontinuado. Embora tivesse mais de 130 anos, fazia sentido que alguém como Dagraen usasse um método de estilo tão antigo. Além disso, como não havia muitas pessoas vivas que ainda conheciam o Olho da Percepção, tornava o transporte deles muito mais seguro, já que coisas como magia de detecção nunca estavam à procura dele.

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