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    Atordoada.

    Por um único instante, Evangeline libera uma expressão de surpresa. Ela aparenta está confusa com o pedido recente. Então, ela olha fixamente para o semblante da garota de cabelos brancos em sua frente. 

    A sua aprendiz, Isabel, não aparenta estar brincando com estas palavras. O semblante da pequena está completamente firme e focada, algo que chama em muito a atenção de Evangeline. Uma criança da idade de Isabel, esboçar esse tipo de expressão é um mundo completamente novo. 

    Olhando para o seu antigo mundo, Shirogane não lembra de nenhum momento que visualizara isto nas crianças de lá. Ele sabe que este mundo de habilidade e magias é completamente diferente do seu, porém a sua surpresa a este fato ainda é verdadeira.

    Ainda encarando o rosto da jovem garota, — com uma expressão perplexa, observa nela uma expressão convicta. 

    Um pouco antes dela desferir este pedido para si, Evangeline enxergava esses honoríficos de mestre como apenas uma brincadeira, ela não havia notado que Isabel tinha realmente adotado sua pessoa como sua verdadeira mentora, pois por vê-la apenas como uma criança, com possível potencial, não aceitara a devoção dela verdadeiramente. Todavia, a partir deste exato ponto, ela muda de visão.

    Ao parar e enxergar uma vez mais sua aprendiz, Evangeline, mesmo reconhecendo os conhecimentos e as habilidades dela, ainda sente que isto não é uma boa ideia. Então, com o intuito de entendê-la, para não falar coisas inapropriadas neste momento sensível, a jovem a questiona para confirmar novamente as palavras dela.

    — Espera, o que você disse? Quer me acompanhar na masmorra?

    Um pouco surpresa com a questão abrupta de sua mestra, Isabel, ainda com suas mãos unidas e uma postura tímida, move-as para o peito, — intensificando sua resposta.

    — Sim, eu quero! Eu quero ajudá-la!

    — Mas… por quê? Eu não entendo…

    Apertando as palmas da mão, a jovem garota revela seus sentimentos para a meio-elfa.

    — Minha mestra… durante este tempo de sua ausência no vilarejo, decidi me aventurar ao seu lado na masmorra. Eu sabia que eu era muito mais fraca do que você ou mais fraca que os monstros que você enfrentou. Então, me esforcei ao máximo para lapidar minhas habilidade e aprender noções que não sabia antes. Treinei todo o tipo de técnica descrita nos livros da escolinha ao máximo, tudo para me ajudar e ajudá-la na masmorra. Estudei e pratiquei feitiços novos, além de me ater no conhecimento das bestas de mana.

    — Fiz tudo isto para não ser um fardo perto da minha mestra…

    Um forte apresso surge no interior de Evangeline, a garota na sua frente, — que antes via apenas como uma criança e sua brincadeira de mestra e aprendiz, tornara alguém completamente diferente do que ela lembrara. Não. Evangeline não conhecia realmente Isabel para poder compará-la.

    — Isabel…

    — Eu sei que ainda sou nova, minha mestra! Mas por favor, considere…!

    Espanto.

    No exato momento que ouve uma alteração na fala de sua aprendiz, Evangeline nota algo que até agora não percebera.

    Uma pequena camada composta por mana sobressai dela.

    ”Espera, isto foi uma elevação de aura?”

    Com o proposito de confirmar o que viu, a meio-elfa move parte de sua mana espiritual para os olhos. A ação foi em apenas em um instante, todavia o que ela ver a surpreende.

    Violento e forte.

    Tudo que vem em seu sentido são essas palavras enquanto vislumbra a grandiosa mana de Isabel.

    Comparando como era a sua mana, ela percebe que há um certo descontrole presente no interior do poder dela, algo muito familiar que ela possuía antes de ter o devido treinamento para controlá-lo precisamente.

    No entanto, não é só a grande quantidade de mana que chama a atenção da jovem, mas sim a coloração peculiar que ela observa se misturando no meio de tudo isto.

    Mesmo não sabendo a razão do seu dom de enxergar a cor das auras, Evangeline até o exato momento conseguiu observar diversas auras mágicas, e com esse conhecimento ela montou um certo padrão. 

    Para cada pessoa que possui um atributo primário, mesmo sendo fraco ou forte, uma coloração desse atributo se destaca em sua aura, isto fora o que ela concluíra antes de presenciar isto.

    Pessoas que controlam o atributo do elemento terra, possuem uma coloração amarronzada, similar o que vira em Balmor. Outros que tem domínio na água, semelhante a Lukas, possuem uma aura azulada. Magos que tem pericia no elemento fogo, como Karenn, Trevor e Ivan, possuem uma coloração alaranjada. Contudo, pessoas que contem mais de um atributo mágico, a aura se mistura uma sob a outra, que é no caso de Evangeline, com colorações que derivam de seus atributos, destacando-se com um azul, vermelho e cinza.

    No entanto, no caso de Isabel, isto a faz mudar completamente de visão, dada a coloração totalmente diferente que ela apresenta. Com o mesmo atributo de Balmor, Isabel deveria ter uma aura com uma coloração marrom, porém ela destaca algo que difere deste padrão, — um verde florescente metálico.

    ”Mas o que é isto? Como ela possui tanta mana assim? Será que ela teve suprimindo este tempo todo? Não… se ela tivesse conhecimento desse poder, ela teria me exposto para considerar ainda mais sua participação na masmorra, mas o que me chama atenção não é a quantidade de mana dela, mas sim esta cor incomum em sua aura… Um verde metálico? Pensei que magos do atributo terra possuíssem uma coloração marrom, igual ao que vi no senhor Balmor… Será que eu errei?”

    Ainda manifestando surpresa em seu semblante, com um pouco de dificuldade para unir tudo que sobressai em sua mente, Evangeline pondera em tentar levá-la consigo. A jovem lembra da habilidade dela de medir e sentir a mana e, como dito pela pequena, Isabel possui neste momento mais conhecido do que ela tem para adentrar naquele local.

    ”Pode ser uma boa ideia levá-la comigo. Ela disse que possui conhecimentos de bestas de mana, caso ela for comigo, poderei entender realmente como funciona os núcleos dropados dos monstros que eu havia derrotado antes, além é claro de talvez os monstros da masmorra terem o mesmo tipo de mecânica de drop…”

    No mesmo momento que Isabel a encara com seus olhos azuis trêmulos, Evangeline começa a ponderar na participação dela. 

    ”Ela realmente evoluiu bastante, ainda não sei o que significa esta cor em sua aura, mas deve ser algo que ela ganhou em treinar tanto quando estive fora. Não tenho nenhuma base neste vilarejo que dá para confirmar isto, e não conheci nenhum outro mago do mesmo atributo do que o dela para comparar a coloração de suas auras…’’ 

    ‘’Talvez eu posso usar o poder dela e… Espera, o que eu estou pensando? Ela ainda é uma garota…! Eu só estou pensando no que eu posso receber com isso. Isabel é uma criança, mesmo que ela tente agir como uma adulta nesse momento, ela ainda não tem um corpo adequado para se proteger em locais perigosos… Eu não conheço nenhum pouco aquela floresta e nem a masmorra. Expor ela a isto é covardia…”

    Movendo a mão para o rosto e balançando a cabeça em negação, — por ter que perder a chance de observar o crescimento da pequena ao seu lado na masmorra, Evangeline tenta explicar as peculiaridades perigosas que podem ter neste local desconhecido.

    — Isabel, entendo o que você está tentando me dizer, mas compreenda. Uma masmorra é um local perigoso e imprevisível. O lugar para onde eu estou indo não é de meu conhecimento, tudo pode acontecer comigo lá dentro…

    — Ma-mas… eu…

    Em um ato de fazer com que Evangeline entenda sua força, Isabel tenta se explicar para sua mestra, contudo é interrompida por ela que continua a declaração.

    — Isabel… me responda uma coisa. Você realmente me enxerga como sua mestra, não é mesmo?

    A jovem garota assente com a cabeça timidamente, complementando com suas palavras.

    — Sim, a senhora me ensinou a controlar meu poder e me tirou da solidão de perder um futuro, por isso eu quero ajudá-la e…

    — Então, como sua mestra, eu a proíbo de me seguir até a masmorra. Falo isso porque, mesmo que eu diga que não a levarei junto, você certamente me seguirá sem eu perceber, pois você é capaz disso. E, isso, pode acabar se tornando algo péssimo para todos.

    — Não sei se ainda existem monstros perigosos dentro da floresta, mas caso ainda tenha, eles podem acabar te matando e, como sua mestra e uma adulta, não quero que isto lhe ocorra.

    Completamente triste com a resposta que não esperava ouvir de sua mestra, Isabel começa a derramar pequenas lágrimas, enquanto abaixa vagarosamente a cabeça.

    Ao perceber que fizera algo que a entristeceu, Evangeline, para não se tornar odiada apenas por suas palavras repreendedoras, — a incentiva ainda mais.

    — Isabel Lingothar, minha primeira e única aprendiz! Levante o rosto!

    Enxugando as lagrimas com as mãos, Isabel, ainda com uma expressão chorona, levanta o semblante para escutá-la.

    Ajoelhando-se para próximo da garota, Evangeline, — pondo as duas mãos sob os ombros dela, continua a declaração com um tom mais motivador do que antes.

    — Não se deixe abalar por adiversidades como esta, menina! A vida é algo complicado e imprevisível. Mesmo que você se esforce o máximo para algo, ainda não será o suficiente para alcançar um futuro digno. Falo por experiência própria. Reconheço completamente seu esforço, percebo que o potencial latente em você está prestes a soltar-se, contudo, por ainda ser uma criança, não poderá me seguir.

    — Então, se ainda desejar vir junto a mim, treine. Treina muito e todo dia. Se torne alguém mais forte do que é agora, seja a maga que você almeja ser no futuro, hoje. Seja reconhecida por isso, não só por mim mas por todos! E quando acreditar que estar forte o suficiente para lutar ao meu lado, peça novamente, mas peça com um sorriso no rosto!

    Após terminar a declaração, Evangeline põe a mão na cabeça de Isabel, incluindo com mais uma frase.

    — Eu sei que você consegue, Isabel, minha aprendiz.

    Após estas palavras, — que perfuram o frágil e infantil coração da garota com bastante apresso, uma boa quantidade de lágrimas começa a jorrar de suas órbitas. Todavia, as lagrimas que ela derrama não são de tristeza após entender a realidade, mas sim, por ser reconhecida pela pessoa que ela mais admira.

    Durante todo o momento das falas da meio-elfa para com sua filha, Anastácia, após observar tudo, dirige-se para perto de ambas para também explicar a situação de Isabel.

    — Isabel treinou muito sua magia, ela almejava que a senhorita a levasse junto. Desde o começo fui contra essa ideia, por ela ser muito jovem e não ter experiencia de nada, tentei até impedi-la, dizendo que ela possivelmente iria atrapalhá-la. Porém a força dela me fez ponderar mais sobre isto e acabei deixando que a escolha do pedido dela fosse decidido pela senhorita, senhorita Evangeline.

    — Durante toda a semana, ela ficou em seu quarto estudando, e quando saia de lá, ia para próximo da floresta para praticar o que aprendeu. Foi assim até ontem, e isso me fez ver que ela estava realmente decidida em ser forte suficiente para acompanhá-la. Eu sei que ela possui um potencial, pois a senhorita mesmo disse isto. Mas fico completamente feliz por não deixá-la ir junto a você, e fico alegre por não pisar no orgulho de minha filha, e sim incentivá-la ainda mais. Então, por favor, aceite meus sinceros agradecimentos.

    Inclinando-se, Anastácia demonstra o seu mais profundo agradecimento com sua amiga meio-elfa, ao curvar-se junto de sua filha no processo.

    A cena se repete.

    A todo momento as pessoas se sentem complemente sinceras perto de Evangeline, — ao se prostrarem e curvarem, como se isso fosse algo normal,  fazendo ela estranhar estas ações das pessoas. Todavia, ignorando esta peculiaridade monótona por hora, ela aceita, — com as orelhas pontudas dobradas e bochechas rosadas de vergonha, o agradecimento das duas.


    A cena um pouco desconfortável, — por parte de Evangeline, pendura por alguns minutos.

    Ambas estão curvadas com extremo respeito, o respeito que sentem no fundo do coração dirigido por sua amiga e mestra. 

    Percebendo que esta situação embaraçosa já passou da conta, Evangeline, — a fim de livrar-se desse sentimento desconfortável, dirige-se para as duas, com o intuito de finalizar as suas poses submissas.

    — Ai, ai, ai… parem, por favor! Não precisam curvarem-se deste jeito por minha causa… Não sou alguém tão importante assim para receber esses elogios todos…

    Ainda com sua orelha inclinadas com estrema vergonha, Evangeline, chama a atenção da mãe e filha para retornarem como eram antes.

    Anastácia e Isabel levantam sua postura no momento seguinte de terem sido chamadas. 

    Olhando para a meio-elfa e, logo após, entreolhando-se, esboçam uma expressão parcialmente envergonhada, — enquanto Anastácia, move a mão para atrás da cabeça em sitônia com a situação.

    No período que observa aquilo, Evangeline lembra-se do que Isabel lhe disse antes de chegar na loja, — indo em direção a Anastácia para questioná-la sobre isto.

    — Então, Anastácia. Isabel me informou sobre o seu projeto secreto, que não é tão secreto assim, já que agora eu já sei… Eu queria saber, você realmente conseguiu terminá-lo?

    Com uma expressão de surpresa por lembrar disto logo agora, — pelo fato de ter se focado mais na situação de sua filha, Anastácia, com uma expressão alegre e um sorriso carismático, — convida sua amiga para avaliar o tal projeto secreto.

    — Ah! Sim! Sim, sim, sim… A senhorita está correta. Me desculpe, eu acabei esquecendo por um momento após observar a situação da minha filha. Por favor, me acompanhe até ali.

    Apontando para posição noroeste da oficina, a ferreira revela uma boa quantidade de equipamentos empilhados, resto de chapas e carvão, — algo que faz Evangeline demonstrar um semblante completamente depressivo ao observar tamanha bagunça que ela chama de projeto secreto.

    — Espera, então isso é o projeto secreto? Uma pilha de lixo…?

    Completamente confusa com o comentário de sua amiga, Anastácia encara a pilha de lixo, logo, encara sua amiga meio-elfa. Ela repete essas ações algumas vezes, até realmente entender o que ela quis dizer.

    Chacoalhando a cabeça em negação e, demonstrar uma expressão altamente envergonhada, a mulher tenta se consertar com a situação, — movendo-se para a pilha enquanto explica o que realmente é aquilo tudo.

    — Ai, ai, ai… Pelos deuses! Me desculpe por isso, senhorita Evangeline! Isto é só um mal-entendido. Espere um instante, sim?

    Removendo e jogando avulsamente os objetos por toda a oficina, a ferreira finalmente revela o que ela realmente queria mostrar anteriormente, — um baú. 

    Feito especialmente de ferro com alguns detalhes de cobre, o baú, — com aproximadamente 60 centímetros de diâmetro, é finalmente revelado para a meio-elfa.

    Ao parar por um momento para recuperar um pouco de folego, — devido ao seu desespero ao fato de ter se envergonhado com a massiva quantidade de entulho em sua oficina, Anastácia, — com as mãos na cintura, mostra para sua amiga o seu projeto que manteve em segredo dos outros.

    — Aqui… está… o…

    Observando aquela cena um tanto cômica por parte da sua amiga ferreira, Evangeline, manifesta-se ao perceber que ela aparenta está se esforçando muito além dos seus limites, apenas para impressioná-la.

    — Espere, Anastácia… se acalme um pouco, não precisa ter muita pressa. Não transforme essa apresentação em seu objetivo de vida. Você já está bem cansada de ter trabalhado aqui hoje neste calor. Deixe para me mostrar amanhã, pois está tarde e também estou um pouco cansada de vir até aqui a pé.

    — Mas… senhorita… Evangeline… em alguns… minutos… retornarei e…

    — Não, não! Eu a proíbo de me mostrar!

    Expressando um semblante emburrando, — intensificado com suas mãos na cintura, Evangeline adverte Anastácia de continuar se esforçando além dos limites.

    — Certo… obrigada pela consideração…

    Inclinando-se para apoiar as mãos sob os joelhos, a ferreira assente com o concelho de sua amiga.

    — Minha mestra, por favor, durma aqui hoje! Eu quero lhe mostrar os livros de magia.

    Após o pedido de Isabel para com sua mestra, Evangeline encara Anastácia em busca dela tentar concordar com isto, algo que ela assente ao levantar a mão em confirmação e reforçar com uma declaração.

    — Está tudo bem… senhorita Evangeline. Temos um quarto extra, a senhorita pode ficar lá hoje.

    Curvando-se em direção a sua amiga ferreira, a meio-elfa agradece a hospitalidade.

    — Obrigada pela moradia, mas ainda os meninos estão do lado de fora esperando. Não acha que devemos confirmar a eles que não terá nada por hoje?

    — Deixa que aviso a eles!

    Movendo-se em passos apressados para fora da oficina, Isabel, com uma ligeira força para abrir uma das portas de ferro, sai do local sem muitos rodeios com o intuito de informar sobre a situação.

    Ao por metade do corpo para fora, prestes a sair completamente, Isabel percebe que ambos os rapazes não estão mais na loja. 

    — Ué…? Eles foram embora? 

    Voltando em seguida para revelar isto para sua mãe e mestra.

    — Mãe Anastácia, mestra, parece que eles já partiram…

    Cruzando os braços, Evangeline propõe que Trevor tenha convidado Lukas para ajudá-lo no sua construção.

    — Entendo… Talvez Trevor tenha finalmente pedido para o Lukas ajudá-lo na chaminé, visto que ele estava fora do vilarejo quando ele começou.

    — Verdade, pode ser isto, ou eles simplesmente cansaram de esperar e foram preparar o jantar…

    Olhando para o teto devido à suposição que é provável de se pensar, dado a hora, Evangeline, — ainda com os braços cruzados, assente. Até que de repente, seu estomago começa a roncar e, para tentar desviar a atenção do som um pouco acima do normal, ela complementa com a suposição da ferreira, ao declarar e demonstrar uma expressão incrivelmente séria.

    — Mm… talvez…


    Durante este processo, em uma casa um pouco afastada e localizada no centro do vilarejo, uma aldeã adentra apressadamente em um lugar escurecido por cortinas brancas. 

    Ela encontra-se em um quarto, algumas mobílias antigas com uma situação um pouco desgastadas são aparentes. As janelas, — cobertas pelas cortinas brancas, são ligeiramente pequenas. O chão feito de pedra chama a sua atenção, porém o seu foco está localizado na cama em sua frente.

    Uma cama comum, com alguns lençóis acinzentados e travesseiros um pouco amarelados por conta da poeira que adentra pela janela. Para qualquer um que adentrasse neste local, algo viria em sua mente, — abandonado. Contudo, alguém está deitado na cama.

    Um senhor com uma aparência bem velha, que possui cabelos completamente brancos e uma longa barba em seu queixo. Sua pele bronzeada por conta da exposição solar, esbanja algumas cicatrizes e feridas de muitas décadas atrás. Com uma boca completamente enrugada, bem similar a uma tartaruga idosa, o senhor questiona a visita da moça em sua casa.

    — Di-diga… minha criança. O que te traz em meu quarto…?

    A moça curva-se com extremo respeito após as falas do senhor acamado, complementando com suas declarações que trazem noticias.

    — M-me desculpe por entrar sem bater…patriarca Bezel…

    O homem de idade elevada estende a mão parcialmente para acima do seu corpo deitado, aceitando as falas da mulher.

    — Está tudo bem… só diga o que o seu coração veio me entregar…

    — Si-sim…! Venho trazer notícias de Evangeline. Ela retornou sã e salva para o vilarejo. Além é claro de ter ajudado alguns viajantes na entrada do vilarejo com uma espécie de ladrão.

    Movendo sua mão trêmula para a longa barba branca, o senhor penteia os pelos com os dedos, respondendo em seguida.

    — Entendo… então, ela finalmente retornou…

    Antes de finalizar sua fala, uma forte tosse seca é ressoada por ele. A mulher em seu quarto, move-se apressadamente para socorrê-lo, no entanto ele eleva sua mão para impedi-la.

    — Não… não precisa, minha criança. Isto é inevitável de qualquer forma…

    Olhando para os lenções acinzentados na cama, a mulher observa pequenas gotas de sangue sob o pano. Algo que a faz pestanejar sob a decisão que o homem teve antes com ela.

    — Por favor, patriarca. Como eu disse antes, o senhor precisa de uma cura, se não…

    — Coff…! Como eu disse… isto é inevitável. Já estou bastante velho, me prender mais neste mundo não será benéfico para ninguém…

    Enquanto declara para a mulher, Bezel começa balançar e retirar os lenções de cima de si. Ao remover boa parte de cima do corpo, ele prepara-se para levantar da cama.

    — … Não me resta muito tempo neste mundo, então eu preciso…

    Surpresa com o levantar do homem da cama, a aldeã o questiona para aonde ele pretende ir.

    — Pa-patriarca… para aonde vai?

    — Para aonde eu vou? Celebrarei a chegada de minha neta e despejar minha bênção sob ela…

    O homem interrompe seu comentário abruptamente, ao ser cortado por outras de suas tosses, que despejam mais sangue, — agora sob o chão do quarto. Algo que faz a mulher ao lado entrar em completo pesar, dado a situação que ele apresenta. Porém, para desfaçar este sentimento, ela tenta o ajudar.

    — Não se esforce muito. Deixe que preparo isto com os outros, enquanto o senhor permanece aqui. E, quando chegar a hora, poderá despejar suas felicidades nela.

    — Obrigado… Kamila

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