Índice de Capítulo

    A câmara de Macairo era uma área oculta que se abria se você subisse as escadas aparentemente infinitas, e foi lá que encontramos a caixa misteriosa que me deu a nova armadura.

    Da última vez que viemos, fomos pegos de surpresa. Encontramos o subchefe Macairo já morto, reduzido a uma pilha insignificante de ossos.

    Mais uma vez, nos vimos surpresos, mas por um motivo diferente.

    — Onde diabos ele foi? Não é como se ele pudesse simplesmente levantar e sair andando.

    Quando abrimos o caixão, o corpo dele havia desaparecido.

    — Ei, Aures — Baekho disparou com olhos perfurantes. — Você foi o último a vir investigar este lugar sozinho, certo?

    — S-sim…?

    — Ele estava aqui então? Dentro do caixão?

    Aures desviou o olhar, incapaz de formular uma resposta completa. — Eu…

    — ‘Eu’ o quê? Fale direito. O corpo estava ali ou não?

    — …não sei.

    — Não sabe? Como assim, está brincando? Você veio até a câmara e nem olhou dentro do caixão…? Ou ficou só enrolando por aí?

    — Eu não fiz isso! — Aures implorou freneticamente, agitando as mãos para afastar o interrogatório de Baekho. — Eu vim aqui para verificar! Só que minhas pernas estavam doendo um pouco, então subi os degraus devagar…!

    — Não pegue tão pesado com ele. Foi um só erro.

    As palavras de apoio de Jaina ao lado dele pareciam dar confiança a Aures, que levantou um pouco a voz para dizer: — E-E além disso! Acha que não percebi como você está me dando as tarefas mais tediosas? Mesmo assim, não reclamei e fiz meu trabalho diligentemente, mas se agora você vai mesmo me acusar…!

    Embora Baekho não fosse completamente inocente, como alguém que escutava de fora, eu não pude deixar de me impressionar com a audácia de Aures. “Mesmo sendo um trabalho longo, ele recebeu essa tarefa porque era a mais simples, mas nem isso conseguiu fazer direito.”

    — Hah! Você acha que estou pegando pesado? Que tal eu te mostrar o que é ‘pesado’ de verdade, hein?

    — Chega — ordenou o Vovô Caído. — Fomos nós que mandamos Aures sozinho. Devíamos saber que ele não seria capaz de cumprir algo tão simples, então a culpa é nossa por não prever isso.

    Aures parecia confuso sobre se o Vovô Caído estava do lado dele ou contra ele, mas logo começou a concordar com um aceno.

    — É-É exatamente como o senhor Ruingenes diz!

    Ele decidiu interpretar aquilo como apoio.

    Tudo aquilo me trouxe uma onda de exaustão. Como o Vovô Caído disse, honestamente começava a parecer que a culpa era nossa mesmo.

    Baekho parecia ter pensado o mesmo que eu, pois soltou um suspiro profundo e parou com as reprimendas. — Certo… Isso não é o mais importante.

    — Para onde foi o corpo, afinal…?

    O assunto desviado voltou ao foco enquanto todos começaram a apresentar suas próprias teorias.

    — Isso é interpretativo, mas acredito que há a possibilidade de alguém estar escondido nestas ruínas neste exato momento.

    — E não há garantia de que seja apenas uma pessoa.

    — Sim. Além disso, se for o caso, essa pessoa provavelmente é muito talentosa em furtividade. Mesmo procurando em todos os cantos, não encontramos nem um fio de cabelo.

    — Oh…! Pelo jeito que você falou, esse cara pode ser careca!

    Baekho assentiu diante da teoria do GM. — Definitivamente pode haver alguém escondido aqui.

    — Sim. Não podemos ignorar essa possibilidade…

    — Bem, também acho que alguém entre nós pode ter outros motivos ocultos.

    Esse cara era o mesmo de sempre. Desconfiar dos aliados era só um hábito para ele?

    “Honestamente, isso já é uma doença a esse ponto…”

    Claro, eu sabia um pouco sobre o passado doloroso de Baekho, então não era algo totalmente inexplicável.

    — Não desconfie dos seus aliados — avisei mesmo assim. – Isso é algo que você deve guardar como último recurso absoluto.

    Ele demorou a responder, mas rebateu: — Eu disse que era algo definitivo? É só uma possibilidade, como eu falei. Você deve estar aberto a todas as possibilidades, não acha?

    Suspirei internamente e mudei de assunto. Já estava na hora de ouvir uma resposta dele.

    — Deixe disso e me responda de verdade. E nem pense em mudar de assunto desta vez.

    — Quando eu fiz isso?

    “Como assim, ‘quando’? Sempre seria a resposta.”

    — Qual foi o motivo de você ter saído dos muros?

    Por que Baekho arrastou os aliados para fora das muralhas da cidade?

    Embora já tivesse perguntado isso de forma indireta algumas vezes, nunca consegui uma resposta concreta dele.

    — Por que essa pergunta é relevante para nossa situação?

    — Claro que é relevante. Pelo que percebo, tudo que enfrentamos não parece ter como alvo nem a mim, nem Havellion.

    O fato de alguém ter destruído o círculo mágico que levava de volta à cidade antes de se matar.

    O fato de um homem desconhecido nos ter atraído para uma lápide dimensional enquanto estávamos recolhendo materiais para consertar o círculo mágico.

    E agora estávamos presos na Ruína Dourada.

    — Não importa quem seja esse ator misterioso que está mexendo com a gente, acredito que ele está mirando você. — Quando ele não respondeu, pressionei com um tom mortalmente sério: — Então, chega de segredos, me conte. Preciso saber qual é o seu objetivo para também tentar adivinhar o objetivo do seu inimigo.

    Baekho me olhou de canto por um momento antes de admitir, derrotado: — Não é nada grandioso. Eu só queria investigar o ‘mundo cinza’ de que você falou, Barão.

    — Investigar? Continue falando.

    — Só queria verificar se aquele mundo cinza realmente estava se expandindo ou não.

    — Isso não é algo que dá para verificar ficando perto e observando?

    — Não. Não exatamente. Mesmo parecendo que está chegando mais perto, ele está mais longe se você voltar outro dia. É como as marés.

    — E qual foi a sua conclusão?

    — Ainda não cheguei a nenhuma. Queria fazer uma investigação precisa, então marquei alguns lugares e estava prestes a voltar.

    Ele estava prestes a voltar…

    Algo de repente me ocorreu.

    Talvez essa pessoa misteriosa não estivesse tentando impedir Baekho de cumprir seus objetivos fora das muralhas da cidade. Não, havia uma boa chance de que os objetivos dessa pessoa fossem…

    — Ah, isso está uma bagunça. Pelo que ouvi do Vovô, isso vai levar pelo menos um ano para consertar.

    Impedir Baekho de voltar para a cidade… foi por isso que destruíram o círculo mágico de retorno e apagaram todas as evidências.

    “Mas aconteceu do GM e eu também estarmos fora, então acabamos juntos nessa.”

    O GM poderia consertar o círculo mágico antes do tempo estimado, então, porque ele apareceu e atrapalhou os planos dessa pessoa, fomos atraídos para a lápide dimensional para sermos presos aqui.

    “…Talvez eu esteja tirando conclusões precipitadas?”

    Hmm, bem… Não achei que fosse totalmente absurdo, mas faltava evidência para ter certeza absoluta de que era assim que as coisas estavam acontecendo.

    Decidi fazer mais algumas perguntas.

    — Aquilo que vai acontecer daqui a um ano, sobre o qual você me contou.

    Talvez isso fosse o mais importante para me ajudar a entender a situação.

    — O que exatamente vai acontecer?

    Ele não respondeu.

    — Fale — ordenei. — Preciso saber disso ao menos para tentar adivinhar quem destruiu o círculo mágico.

    — Hah… Vou morrer com essa dor de cabeça. — Baekho esfregou a testa antes de balançar a cabeça. Contudo, parecia ter concluído que esconder a informação de mim não ajudaria ninguém. — Vou dizer só uma vez, então escute bem.

    Com isso, Baekho começou a falar lentamente.

    — É guerra.

    — …Guerra?

    — Quando os Noarkianos terminarem os preparativos, eles irão direto para a capital imperial de Karnon e matarão o rei de Rafdonia.

    Por algum motivo, já dava para sentir cheiro de sangue no ar.


    Noark planejava matar o rei.

    E Baekho provavelmente estava muito envolvido nesse plano.

    “Não, ele pode até ter um papel central nisso. Com uma habilidade desse desgraçado, metade do palácio seria destruída.”

    No entanto, o problema agora era que havia muitas pessoas que poderiam querer impedir Baekho. Identificar exatamente quem seria difícil.

    “Se formos por esse caminho, o mais provável é que o palácio tenha obtido essa informação e decidido agir primeiro…”

    Lidar com pessoas de maneira sorrateira e traiçoeira também era uma das técnicas centrais do palácio.

    — Mas, Barão. Se eles realmente estão mirando em nós, como você disse, então sabe que a história fica ainda mais fodida, certo?

    Eu pausei. — O que quer dizer?

    — Não foi como se tivéssemos avisado a todos que sairíamos. Nem mesmo contamos ao castelão de Noark que estávamos partindo.

    — E daí?

    — Isso significa que há realmente um traidor entre nós. Ou ele é um pau-mandado completo do palácio e está brincando com a gente, ou vazou a informação de que sairíamos.

    Baekho usou seus olhos de tigre para examinar os aliados, como de costume, e Aures foi, mais uma vez, quem reagiu instintivamente.

    “Por que ele não tem colhões, apesar de ser um guerreiro?”

    — Ele é assim porque quase foi morto a socos no passado — Jaina sussurrou para mim.

    — Pelo Baekho?

    — Quem mais?

    Ah, eu já imaginava por que ele reagia mais aos olhares de Baekho do que o resto.

    Baekho escolheu aquele momento para dar um passo à frente e ficar no meio de todos.

    — De qualquer forma, é por isso que acho que precisarei interrogar todos vocês. Alguém tem objeções?

    — Não me importo.

    — Nem eu! Também não me importo!

    — Resolver isso agora, de fato, pode ser o melhor.

    Todos concordaram com a sugestão de Baekho sem questionar, algo que seria difícil de obter se houvesse realmente um traidor presente. No entanto, ele ainda parecia querer confirmar tudo nos mínimos detalhes.

    — Certo, já que tenho o consentimento de todos…

    Baekho então tirou algo de seu subespaço.

    Era o No. 7234: Confiança Equivocada, um item que eu mesmo já havia usado algumas vezes.

    Ainda assim, esse cara fazia questão de carregar um por perto, mesmo sendo capaz de dizer quando alguém estava mentindo?

    — Isso é melhor para confirmação do que minha habilidade. Vou usá-lo, e todos estão de acordo, certo?

    Mesmo depois de Baekho sacar a Confiança Equivocada, seus aliados permaneceram calmos.

    Vwoong!

    Ele apertou o botão de ativação, e a bússola no topo do disco começou a girar.

    — Jaina Flyer, você já contou a alguém que sairíamos dos muros da cidade?

    — Não, não contei.

    Baekho fez a pergunta a cada pessoa, uma de cada vez. Embora eu já esperasse por isso, todos foram capazes de responder quando chegou sua vez. No entanto, ele não parecia totalmente satisfeito só com isso.

    — Lek Aures. Tem certeza de que você não tem relação com o motivo ou o modo como estamos presos aqui?

    Para não deixar espaço para brechas, Baekho mudou as perguntas enquanto repetia o processo. Contudo, mesmo após várias rodadas, o resultado foi o mesmo.

    — Não, nunca fiz isso.

    — Baekho, pare. A esta altura, já provamos que todos aqui são inocentes.

    — Acho que sim? Parece que realmente não temos um traidor aqui.

    O tom de suspeita de Baekho parecia ter diminuído, julgando pela redução da intensidade em sua voz. No entanto, ele era mais teimoso do que eu.

    — B-Baekho? Se isso aliviou sua mente, podemos parar…

    — Não, ainda temos algum tempo. Seria um desperdício parar.

    — Um desperdício? O que você…

    — Exatamente o que eu disse. Já que isso está ativado… Vamos aproveitar para nos conhecer um pouco mais. Estamos juntos há um tempo, mas não sabemos muito uns sobre os outros, certo?

    Baekho sorriu, quebrando sua postura séria, e então se virou para Jaina Flyer.

    — Certo, nesse caso, a primeira pergunta: Jaina Flyer ainda quer me matar, Baekho.

    Eu não sabia por que uma pergunta dessas surgiu de repente.

    — Responda ‘sim’ se quiser, ‘não’ se não quiser.

    O humor desapareceu de seus olhos e palavras em algum momento.

    Diante disso, Jaina também adotou uma postura mais séria e respondeu com uma voz fria.

    — Sim.

    …Como esses caras ainda trabalhavam como aliados?

    Um pequeno gesto, um grande impacto!

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