Capítulo 698: Time Maligno (3/5)
Os Fragmentos da Pedra de Registros eram, como o nome sugeria, fragmentos da Pedra de Registros, que dizia-se conter registros de todos os tempos… passado, presente e futuro.
Eu conhecia o poder desses registros melhor do que qualquer outra pessoa.
Porque eu já os havia experimentado antes.
Ba-dum!
Na época em que fui enviado ao passado pela Pedra de Registros, lutei com todas as minhas forças e causei todo tipo de problema tentando mudar o futuro, na esperança de evitar a morte de uma pessoa. Mas, no final, falhei.
Todas as histórias escritas na Pedra de Registros se concretizavam. Claro, havia truques, como o jogo de ilusões da Amelia, que podiam ser usados…
“Mas isso não funcionaria desta vez.”
O que eu poderia fazer? Não era um assassino ingênuo e idealista, e também não podia pedir para eles fingirem estar mortos para me enganar. E, no momento, nem sabia quando essa profecia se realizaria.
Ba-dum!
Três pessoas.
“Três…”
Em um jogo como Dungeon and Stone, perder aliados era algo esperado. E, ainda assim, por que eu sentia tanto desespero diante de um número tão pequeno?
Ba-dum!
Enquanto sentia meu coração se apertar no peito, minha mente esfriava, tentando permanecer o mais racional possível.
Quem eram as três pessoas?
Não, sendo honesto comigo mesmo… quem eu desejaria que fossem?
Era um pensamento que jamais deveria passar pela mente de alguém que lidera uma organização. Mas, naquele momento…
— Saber como termina é o sofrimento mais verdadeiro.
Auril Gavis, que acabara de me dar a pergunta mais difícil de internalizar em toda minha vida, virou-se para mim e assentiu como se fingisse entender.
A visão dele fez meu sangue parecer fluir ao contrário. Após um momento de choque, eu murmurei:
— O quê?
Queria erguer o punho e socar a cara daquele velho ali mesmo.
Ele ainda usava aquele sorriso gentil.
Eu precisava manter a calma. Só sairia perdendo se o atacasse aqui.
— Quando… — tremi, rangendo os dentes contra a sensação, tentando com todas as forças me segurar, enquanto perguntava: — Você sabe… quando isso vai acontecer? Quando os eventos registrados ocorrerão?
— Não sei. Talvez pudesse saber, se a Pedra de Registros estivesse completa, mas é difícil estimar o tempo apenas com os fragmentos.
“O quê? Então ele está dizendo que não pode me ajudar em nada?”
Enquanto sentia algo quebrar dentro de mim, Auril Gavis continuou — No entanto, pela forma como está registrado aqui, deve ser um evento singular.
Em outras palavras, não seriam três pessoas ao longo da minha vida, mas um único incidente que tiraria três pessoas de mim.
Cerrei os dentes enquanto perguntava — Existe alguma forma de saber quem serão essas três pessoas?
Pensei em fazer essa pergunta centenas, milhares de vezes, e, no final, ela escapou. Mas não sabia se aquele velho entendia minhas angústias, já que só deu uma resposta simples.
— Não sei.
Sem desculpas ou explicações. Apenas um, ‘não sei’.
Mas, por algum motivo, embora essa resposta me irritasse, também senti um alívio. Se ele realmente tivesse me dado os nomes, eu poderia ter perdido a cabeça.
— Percebo que seu estado emocional está instável. Seus aliados são tão importantes assim para você?
Com um esforço quase sobre-humano, resisti ao impulso de explodir com ele. — Não me provoque. Estou no limite.
— Se você diz — respondeu Auril Gavis passivamente, sem me dar muito mais.
Seguiu-se um período de silêncio.
Ba-dum!
Mesmo depois de passar um bom tempo, meu coração não parava de acelerar, e meu corpo não relaxava.
“Informação.”
Minha mente voltou ao lugar, ao menos um pouco.
— Senhor.
— Parece que você se recompôs um pouco.
Quero dizer, enquanto estava registrado, não havia muito que eu pudesse fazer.
— Por que me mostrou isso?
Concluí que essa era a primeira coisa que precisava descobrir. Esse velho fazia esporte de brincar com os outros. Não havia como ele me mostrar isso sem razão alguma.
— Você quer um motivo… Para ser honesto, foi mais um impulso. Se você simplesmente tivesse ido embora naquela hora e não perguntado sobre este lugar, eu não teria mostrado isso a você… Mas parece que não acredita nessa explicação?
Obviamente não. Como poderia?
Mesmo que fosse verdade que fui eu quem ficou para trás e perguntou, não havia dúvida de que, para ele me mostrar isso, havia algo sendo tramado.
— Não importa como eu veja, você faz parte do primeiro grupo.
Hesitei, incerto sobre o que ele queria dizer.
— Você disse antes que fazia parte do segundo, mas isso é só porque deseja ser aquilo. Você faz parte do primeiro.
No início, me perguntei do que ele estava falando, mas logo entendi. Ele estava continuando o jogo que começamos antes.
Uma mentira que você desejava acreditar como verdade. E uma verdade que você desejava ser mentira.
— Você quer acreditar que meu agir por impulso é uma mentira, mas é inquestionavelmente a verdade.
Parecia que ele estava forçando o ponto apenas para sustentar seu argumento, mas não tinha nenhuma réplica afiada para fazer. Mesmo assim, tentei encontrar um ponto de apoio na conversa.
— Claro, isso não significa que estou desapontado com você. Mesmo que eu fizesse essa pergunta para outras cem pessoas, todas escolheriam a verdade, mas ao se depararem com uma situação assim, mudariam de ideia.
Não respondi.
— Não é mesmo, Bjorn Yandel… Não, Hansu Lee?
Merda, não havia nada que eu pudesse dizer a isso. Decidi abandonar qualquer tentativa de vencer esse velho no jogo de palavras.
— Entendi. Então está dizendo que as coisas só aconteceram assim porque fiz a pergunta, e que você não tinha nada planejado desde o início? — perguntei, resumindo a situação.
Auril Gavis olhou com olhos amargurados para os Fragmentos da Pedra de Registros flutuando no espaço galáctico.
— Não importa como me veja, não sou um monstro. E, como Baekho disse, também não sou onipotente… Sou apenas um humano comum que luta e se esforça o máximo que pode por uma coisa. Assim como você.
“Hmm, bem. Desculpe dizer isso justo quando as coisas estavam ficando sérias, mas, mesmo dizendo isso, você só parece um velho senil aos meus olhos.”
No entanto, claro, não havia razão para dizer isso em voz alta.
— Já que estou aqui mesmo, posso olhar mais algumas coisas antes de sair?
— Seus aliados devem estar esperando por você lá fora. Isso está bem para você?
— Que aliados? — perguntei, após uma pausa. Eles eram apenas companheiros neste caminho. — Está tudo bem, você não precisa se preocupar com isso.
— Hmm, se diz isso. Vou lhe mostrar mais uma coisa. Mas o que será melhor…? Ah, que tal você escolher desta vez?
Não me importei com a sugestão de Auril Gavis. Se pudesse escolher o que ver em vez de ser mostrado algo aleatório, poderia mitigar um pouco as suas jogadas.
No entanto, enquanto eu demorava para escolher, Auril Gavis pareceu ficar impaciente e acrescentou mais uma coisa.
— No que está pensando tanto? Será o destino que decidirá o que escolher.
— Se pensa assim, por que respira e pensa, então? — retruquei.
Ainda assim, concordei com o fato de que não havia realmente um motivo para pensar demais na escolha.
— Aquele ali — disse. — Me dê aquele triângulo robusto, de ponta-cabeça.
Escolhi o fragmento que parecia ser o maior. Minha ideia era que, sendo maior, provavelmente teria mais a ser lido.
No entanto, o velho parecia ter memorizado o conteúdo de todos os fragmentos ou algo do tipo.
— Hmm… Não esperava que escolhesse este em particular.
— Por quê? Tem algum problema?
— Não, nada disso… Bem, este também é seu destino. — Ele me perguntou uma última vez se eu queria ver, e, depois de pensar um pouco, confirmei minha escolha.
Quando o velho abriu a palma da mão, o fragmento desceu lentamente sobre ela. Logo estava perto o suficiente para que eu lesse o texto.
No entanto, parecia que eu havia feito a escolha errada.
“Por que há tantos espaços em branco?”
Embora parecesse o maior fragmento, ao me aproximar, percebi que havia muitas partes quebradas e danificadas, deixando-me com pouco para ler. Mesmo assim, li o que consegui.
⟅…dia do inc… …tal… …rnon… …O ali… …ligno ‘————’… …onfi… …á tra…⟆1
Primeiro, a marca que simbolizava um nome era a mesma que vi no fragmento anterior, o que significava que o texto estava falando de mim.
Ou seja, significa algo como ‘————’…
— No dia do incêndio da Capital Imperial Karnon… um aliado de confiança me trairá…? — murmurei, tentando montar as palavras fragmentadas com base no contexto. Essa foi a história que surgiu.
— Essa é a interpretação certa? — perguntei.
— Não importa as circunstâncias, suas interpretações são exclusivamente suas.
Cliquei a língua e suspirei.
Talvez fosse melhor não ter lido, pois minha mente, já caótica, mergulhou ainda mais na confusão.
Um certo incidente tiraria três dos meus aliados, e, mesmo sem saber se esse novo evento aconteceria antes ou depois, um dos meus aliados também me trairia.
Mais uma vez, aprender sobre um futuro imutável parecia mais uma maldição do que uma bênção.
— Interessante.
— Está se divertindo tanto com o meu sofrimento? — retruquei.
— Mais do que isso, é interessante que, entre os muitos fragmentos aqui, você tenha escolhido justamente este. Este é o poder do destino.
Parecia que ele genuinamente achava isso fascinante. Ele até perguntou se eu queria olhar mais um.
— Não, estou bem — recusei. — Não quero piorar ainda mais a dor de cabeça.
— Hmm, sua recusa significa que era para ser assim. Entendido. Não vou forçar.
E assim, depois de encerrar o ‘tour’ pela Pedra de Registros, desci os degraus de volta para a caverna. Não tivemos nenhuma conversa particularmente interessante enquanto descíamos.
— Então, vai agora? — perguntou ele.
— Sim. Só de estar tão atrasado, o Baekho provavelmente vai encher o meu saco por um tempo.
— Você é bastante parecido com aquele sujeito. Ambos querem saber de tudo.
— Quando foi mesmo que você disse para eu não me aproximar dele?
— Esse conselho ainda vale. Nada de bom virá de ser amigável com ele.
— Esse conselho… é para o meu bem? Ou para o seu?
— Ambos.
Embora já fizesse um tempo desde a última vez que passei por isso, conversas prolongadas com esse velho nunca me davam nada de substancial. Ainda mais porque eu nunca sabia se cada palavra que ele dizia era uma verdade ou uma mentira, o que significava que não podia confiar em nada que ele me dissesse, por mais que falássemos.
— Já que tocamos nesse assunto, vou te dizer uma última coisa.
Suspirei.
— Certo.
— Tenha cuidado com Baekho.
— Você já me disse isso antes, não? — perguntei, inclinando a cabeça.
Auril Gavis me ignorou, continuando como se estivesse me ordenando a ouvir seu aviso completo.
— Embora eu tenha dito que ele desempenha um papel secundário em tudo isso, Baekho ainda é uma figura e tanto. Você percebe isso? — Ele apontou para as centenas de fragmentos que giravam lentamente no ar. — Eu pessoalmente li não apenas os fragmentos aqui, mas incontáveis outros da Pedra de Registros, e não há um único registro sobre Baekho.
Franzi a testa.
— Isso é algo muito peculiar — insistiu ele. — O fato de que alguém com tanta influência… e, mais importante, alguém tão próximo de você… não tenha nenhum registro.
Se o que ele dizia fosse verdade, isso era absolutamente estranho. Será que havia algum segredo sobre Baekho que desconhecíamos?
Não havia como saber.
— Então, tome cuidado com Baekho. O fato de ele não aparecer nos registros também significa que ele está livre deles. Embora não completamente livre, ao menos mais do que nós.
— Já estou mantendo minha guarda alta contra ele, então não se preocupe.
— Que alívio ouvir isso.
— Mesmo que nos separemos aqui, vou vê-lo novamente algum dia, certo?
— Isso é o que chamam de inevitabilidade.
— Então, estou indo agora. E, se possível, vamos nos encontrar o mais distante no futuro possível.
— Também desejo isso.
Auril Gavis me olhou em silêncio, e eu também não disse muito. Apenas o observei por um momento, acenei levemente com a cabeça e atravessei o portal.
— Ah! Você chegou!
— Q-Que alívio! Eu estava tão preocupado!
— Que diabos! Por que demorou tanto? Barão! Você falou com aquele velho, certo? Hein? Hein?
Abri os olhos para ver várias faces tentando chamar minha atenção.
Baekho.
Lek Aures.
Jaina Flyer.
Belbev Ruingenes.
Yurven Havellion.
Ignorando o fato de que todos eram espíritos malignos, havia aqui um grupo completo de seis, contando comigo.
— O quê? Que olhar é esse? Acho que senti um calafrio.
Ignorei a inquietação de Baekho e me lembrei do registro que havia lido antes, de repente atingido por uma inspiração.
⟅Um espírito maligno de outro mundo… após perder três de seus aliados, perceberá o caminho que deve seguir…⟆
Os três aliados não foram mencionados em detalhes.
— Vocês, tornem-se meus aliados.
Talvez houvesse um jeito de contornar isso.
- Nota no fim do cap.[↩]
Os fragmentos estavam super fragmentados e a versão inglesa diferia da coreana, então, aqui estão tanto as versões dos fragmentos quanto a interpretação seguinte do Bjorn:
⟅………논이 불타오르던 날, 이……… … 악령 ‘————’가 믿…… 동료…게 배신……다.⟆
— 황도 카르논이 불타오르던 날… 믿었던동료에게 배신당했다……?
⟅…day of…tal…non’s burning, … evil spirit’s trusted… lly… betray… em.⟆
— On the day of Imperial Capital Karnon’s burning… a trusted ally will betray me…?

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