Índice de Capítulo

    Embora eu tenha conseguido dar aquele aceno, seria mentira dizer que eu não estava surpreso. Amelia Rainwales. Ela era minha verdadeira aliada e alguém que deveria estar dentro dos muros da cidade.

    Sem nenhuma forma de entrar em contato com ela nesses últimos meses fora da cidade, eu estava começando a ficar bem preocupado, então foi um alívio vê-la. E ainda assim, eu estava bastante confuso.

    “Como ela chegou aqui? Será que saiu para me procurar porque não voltei por tanto tempo…?”

    Hmm, tenho a sensação de que foi exatamente isso que Amelia fez. Provavelmente procurou em todos os lugares possíveis uma forma de sair, preocupada que eu tivesse me metido em problemas.

    Por essa razão, ela era mais confiável do que qualquer outra pessoa.

    — Matar…? Sozinha?

    Embora surpreso com a aparição repentina de Amelia, Baekho rapidamente recuperou a compostura e zombou dela.

    — Aures! — ele gritou. — Apenas foque em proteger o velho! Eu cuido dela!

    — Ah, entendido! — Aures correu na direção do Erudito Caído.

    No entanto, Amelia apenas deu um sorriso de canto ao ver isso.

    — Eu não acho que em momento algum disse que estou sozinha.

    Todos os olhares se voltaram para a entrada da caverna que levava ao círculo mágico.

    Flash!

    De dentro da escuridão da caverna, um curto e intenso clarão irrompeu.

    Não era uma flecha comum de metal. Era luz. Mais precisamente, uma flecha espiritual disparada pelo poder de um espírito.

    Vwoong!

    Eu nem precisava ver quem a disparou.

    【Erwen Fornacci di Tersia lançou Ruptura.】

    A flecha voou em direção ao Erudito Caído, que estava paralisado, numa velocidade difícil de acompanhar a olho nu. Aures rapidamente jogou o corpo no caminho para bloquear a flecha antes que atingisse o alvo.

    Boom!

    A flecha perfurou o braço esquerdo dele antes de explodir.

    Drip, ploft, ploft.

    Como foi uma explosão interna, pedaços de carne e sangue foram lançados para todos os lados.

    — Parece que a elfinha também está aqui?

    Todos congelaram, como se o tempo tivesse parado.

    De dentro da caverna de onde a flecha foi disparada, meus aliados começaram a se revelar lentamente.

    — Belbev Ruingenes…

    Os olhos de Erwen estavam cheios de intenção assassina.

    — Bjooorn! Então só precisamos arrebentar todos eles!

    Ainar parecia animado.

    — Por favor, acalme-se. Eles não vão cair tão facilmente.

    Versyl parecia bem nervosa com tudo isso.

    — Sozinho, d-de novo…

    E Missha me olhou com preocupação nos olhos.

    Auyen também está aqui.

    E os membros não pararam por aí.

    — Parece que ele não está aqui. Ouvi dizer que era um arqueiro excelente.

    — Então é isso que tem fora dos muros da cidade…

    — Ainda bem que conseguimos encontrar nosso capitão desaparecido assim que saímos.

    — Sim, e parece que ele está em perigo.

    Não eram apenas os membros originais do Clã Anabada, mas também James Calla, Sven Parav, Melend Kaislan e Lilith Marrone. Os membros de elite que se juntaram recentemente, após nossa conexão na Expedição do Rochedo Gelado, também estavam presentes.

    “Agora que os vejo assim, o clã cresceu bastante…”

    Havia o suficiente para virar completamente o rumo da batalha.

    Enquanto eu sentia um certo orgulho crescendo em meu peito, pude ver a raiva e a frustração se acumulando nos olhos de Baekho.

    — Está todo o bando aqui?

    A expressão dele me fez perceber que ele estava sentindo exatamente o que havia comentado antes. Aquilo que todos os aventureiros experientes podiam sentir tão facilmente quanto respirar.

    — Yurven Havellion.

    Para sentir ‘isso’ de forma mais clara, chamei o nome do cara que até então só havia assistido a tudo.

    — S-Sim?

    Será que era porque ele era mago? Por que ele congelou tanto? A situação já havia virado completamente.

    — Quanto tempo vai ficar aí parado? Se não se mexer, vai acabar morto por um golpe perdido.

    — Oh! Sim!

    Enquanto repetia exatamente as palavras que Baekho havia dito antes, o GM rapidamente se recompôs e correu na minha direção.

    “Esse cara também é engraçado.”

    O jeito como ele agia com o Auril Gavis e com o Baekho. Ele fingia ser inocente, mas era o maior estrategista de todos.

    “…Bem, talvez seja o esperado de alguém na posição dele?”

    Pensando bem, nem eu nem Baekho éramos aliados do GM. Simplificando, nenhum de nós tinha o direito de se sentir traído, não importa qual lado ele escolhesse.

    — D-Desculpe.

    — Tá tudo bem, só sai daqui.

    — Certo…

    Baekho não o impediu. Ele não tinha capacidade mental para tentar.

    — Uau, que alinhamento é esse… Com gente assim, vocês poderiam enfrentar até a Orcules sem problema.

    Embora agisse calmo, eu podia dizer melhor do que qualquer outro ali que ele estava sentindo um nível de pânico sem precedentes.

    “Quero dizer, é compreensível.”

    Depois de levar o chute da Amelia, o Erudito Caído nem conseguiu se levantar.

    E o tanque deles, Lek Aures, estava atualmente sem um braço.

    Além disso, a curandeira Jaina estava ficando sem MP.

    — Preciso te curar…

    — Estou bem, então não os provoque.

    Ela nem ousava curá-lo, sobrecarregada como estava.

    — Ahaha, isso é um problema… Barão, que tal chamarmos isso de empate…?

    Do que esse desgraçado estava falando?

    Dei uma risada seca e olhei para uma parte específica do corpo de Baekho.

    — Você falou de castração, não foi?

    — Uh… Barão?

    — Bem, acho que vai funcionar, já que tenho um martelo.

    — Quero dizer… Não podemos resolver isso com palavras primeiro…?

    Ignorei tudo o que ele disse e dei mais um passo à frente.

    Baekho estalou a língua antes de soltar um suspiro profundo.

    — Por que diabos isso acontece comigo? Como esses caras apareceram exatamente na hora certa?

    Para ser honesto, eu podia entender a frustração dele. Estávamos fora dos muros da cidade, e admito que tive sorte.

    “Mas, pelo que vejo, não acho que seja só por sorte.”

    Tendo observado como o time de Baekho operava por bastante tempo até agora, uma pergunta não saía da minha cabeça. Se o Baekho fosse jogado no meu lugar de repente, será que ele teria aliados que tentariam encontrá-lo, indo até mesmo para fora dos muros da cidade para isso?

    “Não acho que ele tenha nenhum.”

    Sabendo disso, não parecia que o que aconteceu hoje foi puramente por sorte.

    Era algo que eu já havia enfatizado várias vezes a essa altura.

    — Bjooorn! Quando vamos começar a lutar?!

    Havia uma diferença clara entre zero e um.


    Agora era o time do Baekho que estava em uma posição ruim. Claro, mesmo assim, nunca pensei que seria capaz de matá-lo nessa situação.

    “Se esse cara decidir fugir, não terei chance de pegá-lo.”

    No entanto, essa ainda era uma oportunidade para nós.

    Lek Aures e Jaina Flyer.

    Usando o fato de que podíamos derrotar os membros que Baekho reuniu para seus próprios propósitos…

    — O inimigo da minha irmã…

    Talvez hoje fosse o dia em que poderíamos vingá-la.

    Dei mais um passo à frente. Baekho parecia rir de si mesmo enquanto falava.

    — Haha, Barão? Pode parar de se aproximar? Vamos conversar, ok?

    Tromp!

    — Não, não preciso mais ouvir. Não estou curioso sobre o que você falou com aquele velho, certo?

    Tromp!

    — Ah, tá bom… Certo! Vou te dar dinheiro! Normalmente se resolve as coisas assim, né? Quanto você quer? Dou o quanto puder!

    Tromp!

    — …Realmente precisamos derramar sangue aqui? Nós dois? Hmm?

    Tromp!

    A expressão de Baekho endureceu.

    Tromp!

    Ele não disse mais nada a cada passo que eu dava.

    Tromp!

    Somente quando eu estava bem na frente dele, ele murmurou algo. Era como se tudo que ele tivesse feito até agora fosse apenas um ato.

    — Barão… Você realmente quer levar isso até o fim?

    Baekho falou naquele tom ameaçador que eu conhecia bem.

    — Mesmo que você consiga sair, todos os outros vão morrer.

    Mesmo sem uma explicação detalhada, não tive problemas para entender onde ele queria chegar.

    【Dissolução das Estrelas】. A carta mais poderosa na manga de Baekho.

    Ele estava ameaçando usar isso como uma espécie de bomba nuclear moderna.

    De certa forma, era um jogo de coragem, ou de ‘quem pisca primeiro’. Se ele realmente usasse tudo em uma tática suicida, eu também não conseguiria lidar com ele. Ainda mais agora, com tantas pessoas ao meu lado.

    Fiquei sem palavras por um momento, incapaz de reagir. Baekho abriu um sorriso zombeteiro.

    — Eu sabia que você ia fazer isso. É, você é um cara bem mole. Diferente de como parece.

    Como Baekho já tinha dito várias vezes, essa era de fato minha fraqueza. Minha falha fatal.

    Tromp!

    Baekho deu um passo em minha direção.

    — Barão, vou te dar um conselho.

    Não sei por que todo mundo insistia tanto em me dar conselhos.

    — Alguém que tem tanto a perder nunca poderá me derrotar — disse Baekho, olhando direto nos meus olhos. — Porque eu posso desistir de tudo se for pelo que desejo desesperadamente.

    Talvez, se outra pessoa tivesse dito isso, pudesse ser diferente. Mas, vindo de Baekho, eu não tinha como discordar.

    Para ele, provavelmente era verdade. O Erudito Caído, Jaina, Lek Aures… Se fosse por seus objetivos, ele não hesitaria em sacrificar qualquer um deles.

    Rapidamente, estendi minha mão e agarrei Baekho pela gola, enquanto ele avançava sem medo. E ainda assim, mesmo com minha mão em seu pescoço, a expressão de Baekho permaneceu calma. Seus olhos me diziam que ele acreditava que eu não poderia machucá-lo.

    — Tente. — Ordenei. — Tente o que você ia fazer.

    Baekho franziu as sobrancelhas, parecendo confuso.

    O que era tão difícil de entender nisso?

    Baekho… Esse desgraçado… Estava subestimando algo sobre mim.

    Perder algo precioso para mim. Claro, eu tinha medo disso, odiava essa ideia, e só pensar nisso esmagava meu coração ao ponto de me deixar louco. No entanto, por causa disso…

    Crack!

    Puxei Baekho pela gola e o atingi com minha testa. Um som assustador ecoou ao longe, mas Baekho sequer soltou um gemido enquanto perguntava:

    — O que é isso?

    Hah, ele realmente não sabia? Quão ingênuo eu parecia para ele?

    Crunch!

    Fiquei irritado, então o atingi de novo com a cabeça.

    — Você realmente quer fazer isso?

    Eu já não tinha dito a ele?

    Crunch!

    Um som ainda mais aterrorizante ressoou, e sangue começou a escorrer da testa de Baekho.

    — Você realmente não se importa se todos os seus preciosos aliados morrerem?

    Bem, não era que eu não me importasse. Era que eu sabia.

    Eu sabia o destino de quem se submetia às exigências de sequestradores. Esses desgraçados nunca sabiam quando parar. Se você cedia um pouco, eles exigiam mais. E depois, mais ainda.

    — Behelaaah!

    Só havia um método para lidar com lixo como ele.

    Crunch!

    Dei uma cabeçada com toda minha força e o encarei sem me mover. — Alguém que tem tanto a perder nunca poderá te derrotar?

    De jeito nenhum. Esse cara estava preso em uma ilusão muito profunda.

    — Eu nunca venci uma única vez… nem uma única vez… sem perder algo.

    Eu era Hansu Lee, e também Bjorn Yandel. Um jogador e um guerreiro que passou a vida inteira lutando.

    Meu papel no labirinto era levantar meu escudo e proteger meus aliados. E eu nunca fugi de nenhuma situação. O caminho que percorri me dizia que fugir não permitia proteger nada.

    Depois de jogar Baekho para trás, que me olhava com nojo, continuei.

    — Baekho, se eu perder algo, você também vai perder.

    Era hora de dizer isso.

    — Não diga que você não tem nada a perder. Porque aquela única coisa que você quer desesperadamente, eu vou tirar de você. Não importa o que aconteça.

    Baekho não disse nada. Em vez disso, ele me observava, tentando entender se eu estava falando sério ou não.

    E eu fazia o mesmo com ele.

    “Por quê? Acha que não posso?” era o olhar que eu lançava para ele.

    Era também um jogo de coragem. Quando ambos os lados podiam destruir um ao outro, era uma questão de quem tinha mais coragem.

    No entanto, não demorou muito para o resultado aparecer. Afinal, Baekho era mais racional do que eu.

    — O que você quer?

    Como a situação não estava indo como ele queria, Baekho falou com um tom abatido e deu um passo para trás.

    — Quer dinheiro? Ou sangue? Se for isso, posso entregar a curandeira ou o tanque. Mas não aquele velho. Se você disser que quer ele, não vou ter escolha senão levar isso até o fim.

    Ah, então ele não podia abrir mão do Erudito Caído de jeito nenhum.

    — Ah! Castração também está fora, então nem pense nisso!

    Esse cara. A boca dele nunca parava, nem agora.

    Tirei um momento para pensar enquanto o observava, e a resposta veio logo.

    — Não sou eu quem faz a oferta — declarei. Ele me lançou um olhar confuso. — Quem faz o pedido é quem deve. E de joelhos no chão.

    Baekho rangeu os dentes. Eu parecia ter ferido o orgulho dele. No entanto, no fim, ele provavelmente concluiu que fazer o que eu disse era melhor para ele.

    — Eu… peço ‘desculpas’ por ameaçá-lo, Barão…

    Baekho rangeu os dentes enquanto forçava aquelas palavras vazias para fora.

    — Se você… ‘perdoar’ meu erro de hoje… eu o compensarei de forma adequada…

    Ele parecia um garoto que nunca tinha se desculpado na vida, tão desajeitado em suas palavras.

    Quase deixei escapar uma risada seca de quão ridículo era aquilo, mas segurei e bati com a palma nas costas dele.

    — Argh! Eu até me desculpei, por que você está me batendo?! Está dizendo que não vai aceitar as desculpas?

    “Heh, nem começa.”

    — Não é isso — disse. — Eu só…

    — O quê?

    — Só queria fazer isso.

    Ah, isso foi bom.

    Um pequeno gesto, um grande impacto!

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (12 votos)

    Nota