Índice de Capítulo

    Não consigo entender. Por que três Estacas me atingiram, quando deveria ter sido apenas uma? O efeito na realidade é um pouco diferente do jogo?

    Swaaah!

    Bem, o efeito em que eles se espalham em partículas de luz logo após serem incorporados parece o mesmo do jogo…

    — Ah.

    Dessa vez, a dúvida também não durou muito. Não porque mais uma estaca tivesse sido disparada de algum lugar, mas simplesmente porque…

    Groooaar…!

    Kehgg! Kehgh!

    Ao verem meu corpo paralisado, os monstros que cercavam o local começaram a atacar-me todos ao mesmo tempo, não me deixando outra escolha a não ser contorcer-me de dor… Surpreendentemente, porém, graças a isso, minhas perguntas foram naturalmente respondidas.

    — Aaah…

    Não sei por que esse fenômeno acontece.

    Mas…

    — Arrgh…

    As três Estacas que agora se transformaram em luz e desapareceram. Essas Estacas não eram apenas falhas de efeito visual, elas eram todas autênticas. E como eu pude perceber isso foi…

    KWAaaang!

    Parecia que minha resistência mágica havia diminuído, pois os danos mágicos estavam ficando mais fortes. Provavelmente será difícil utilizar adequadamente a Escama da Ganância nesse estado.

    Whooong!

    Da mesma forma, meu Poder da Alma parece ter diminuído bastante, pois pude sentir uma sensação de vazio no meu coração.

    A sensação constante de desconforto estava me incomodando.

    Mas…

    “Bem, o retorno está mais do que garantido, né?”

    Mesmo com as presas de um monstro de terceiro nível fincadas fundo no meu globo ocular…

    Sluuup.

    Assim que as presas saem, minha visão volta imediatamente. Mesmo considerando que acima de vinte e cinco milhões1 de regeneração natural os efeitos colaterais de danos corporais desaparecem, essa velocidade é absurda.

    【A sua regeneração natural ultrapassa 5.000】

    Portanto, cheguei à conclusão do meu estado atual.

    【Bônus de Super Regeneração.】

    Jamais imaginei que isso pudesse ativar sem estar em uma contagem regressiva.

    — Ha…

    É ridículo.

    【A velocidade de regeneração das partes perdidas do corpo é drasticamente acelerada.】

    Percebi que preciso revisar todas as minhas conclusões anteriores.

    — Behel–LAAAH!!!

    A Essência das Lágrimas, a partir de agora, é parte de mim.


    Continuei avançando pelo interior do labirinto.

    Kuung, kuung!

    A cada passo, o som pesado do meu corpo absurdamente grande ecoava.

    Kweeeeeeek!

    Como se fossem atraídos por aquele som, todos os tipos de monstros me seguiram fazendo ruídos bizarros. A dor acumulada parecia que iria gravar rugas na minha testa como uma tatuagem permanente, mas…

    — Hehehehe…

    Por que continuava a rir? Na verdade, eu sabia a resposta. Era porque eu tinha acabado de testar meus novos atributos.

    — Kekekeke…

    Primeiro, o bônus de super-regeneração. Mesmo que meu braço fosse arrancado, bastava eu tensionar os músculos para que um novo braço crescesse imediatamente em um único segundo. Não havia absolutamente nenhum efeito colateral, nem mesmo uma leve sensação de rigidez, e eu podia movê-lo como se estivesse em sua condição original imediatamente após ter crescido novamente. É claro que isso tinha um custo.

    【Uma parte do corpo perdida foi regenerada.】

    【5% do seu HP foi consumido.】

    Sempre que a super-regeneração é usada, o HP é consumido proporcionalmente à gravidade da lesão. Mas não é realmente uma perda. Eu perderia mais ou menos essa quantidade de vida se tivesse um braço decepado. Mais importante ainda, havia outro ponto realmente crucial.

    — Uhit, uhihihi…

    Há pouco tempo, encontrei um monstro de segundo nível e aproveitei a oportunidade para entrar no meu estado de Negado e, nesse estado, usei Estaca para confirmar o que mais me intrigava.

    “Eu suspeitava… mas não imaginava que realmente funcionaria…”

    Ficar mole? A dor? Não poder mais comer a essência do andar que eu queria?

    — Kikik…

    Bom, talvez aquilo simplesmente não fosse destinado a mim. Para ser sincero, agora isso não importa mais. Não ligo a mínima. De agora em diante, existe apenas uma coisa que importa:

    Como montar a combinação final para que o (Novo) Bárbaro de Escudo atinja um patamar ainda mais alto.

    Isso é tudo o que importa. Mas isso pode esperar até eu voltar para a cidade, tomar um banho e poder pensar profundamente sobre o assunto.

    Thud, thud!

    Então continuei correndo. Atravessando monstros que jamais conseguiriam me matar mesmo se eu simplesmente me deitasse e tirasse uma soneca.

    Whooong!

    Eu nem sequer me assusto ao ver o terreno recém-aparecido após cruzar a parede dimensional. Afinal, o que você acha que eu sou?

    “(Novo) Bárbaro de Escudo.”

    Qualquer armadilha em qualquer mapa está bem. Estava absolutamente confiante de que não morreria. Desde que não sejam o chão minado do décimo andar, com o seu mecanismo de morte instantânea que mata sem sequer haver uma contagem decrescente.

    — Hã…?

    Pensando bem, isso existe mesmo, não é?

    — Hm…

    Não, com certeza eles não iriam aparecer. O Labirinto é enorme. E mesmo entre esses blocos, só há alguns que causam morte instantânea.

    Thud, thud!

    Certo, melhor ignorar essa possibilidade. Mesmo antes de virar o (Novo) Bárbaro de Escudo, meu plano já era simplesmente correr. E agora acho que nem preciso mais depender de grupos de sobreviventes.

    “Preciso encontrá-los.”

    Em algum lugar deste labirinto, meus companheiros estão espalhados.

    O Grupo de Aventureiros Armin, junto com Ainar e o Sr. Urso. O clã Anabada. E, por último, Missha…

    “Como é que ela conseguiu se separar sozinha no meio daquele caos…?”

    Nesse momento, senti algo se aproximando por trás.

    Tadat.

    Mas não me preocupei em olhar para trás. No momento, também estava treinando para receber golpes. Eu não iria me esquivar mesmo que me virasse para verificar, e depois de levar tantos golpes, percebi uma coisa. É melhor não saber o que está por vir. Quando sei o que está por vir, não consigo evitar recuar involuntariamente ao antecipar o quanto vai doer.

    — Bi, Bi, Bi…!

    — …Hã?

    Havia algum monstro que emitisse um som como esse? Não, mais do que isso, a voz me parece familiar…

    — Bjooorn…!

    Ao ouvir meu nome claramente, virei-me rapidamente e, naquele momento, a pessoa que vinha correndo por trás envolveu meus ombros com os braços, impedindo minha visão. Ah, claro que isso não era realmente um problema. Eu já sabia a quem pertencia aquela voz.

    — …Missha?

    Missha Karlstein. Companheira desde os tempos do time meio-lesado… Enfim.

    “Então o efeito do Hans acabou, é isso…?”

    Não esperava encontrá-la tão cedo.


    — Uaaaaaaah!

    Missha, que voou em minha direção como um peso de arremesso, começou a chorar como uma criança no momento em que me abraçou. Bem, não que ela estivesse realmente soluçando… Era mais como uma criança pequena desabafando suas mágoas choramingando e fazendo birra. Mas aquele não era um bom ambiente para uma conversa, então…

    Swish.

    Primeiro, para garantir minha visão, agarrei Missha pelo pescoço, sentei-a no meu ombro e continuei correndo. Mas parecia que ela ainda não tinha se acalmado.

    Uaaaah! Eu sabia que você estaria vivo! Eu sabia que você estaria vivo!

    — Isso é o que eu deveria dizer…

    — Graças a Deusa…! De verdade! Graças a Deusa!

    A Missha, tomada pela emoção, continuvaa socando a parte de trás da minha cabeça.

    Uaaaaaah! Seu bárbaro irresponsável!

    Puhk, puhk!

    Tudo bem, deu pra entender o quanto ela está feliz. E, sinceramente, eu também estava.

    — O que você estava fazendo até agora, nyah! Eu procurei tanto e nem o seu fio de cabelo aparecia!

    Puhk, puhk!

    Ok, eu já entendi, mas seria bom se ela se controlasse um pouco. Antes tudo bem, mas no meu estado atual isso dói de verdade.

    Então…

    — Hã… Missha? Se acalma um pou…

    — Eu quase morri várias vezes te procurando…!

    — Tá doendo, então para um pou…

    — Doendo? Meu rabo! Você merece levar mais, seu bárbaro irresponsável! Acha que eu ficaria feliz sobrevivendo sozinha enquanto deixava você pra trás? Nyah!

    Uh…

    — Tecnicamente, não foi só você que fugiu sozinha, todos nós fugimos juntos, certo? Enfim, eu estava planejando seguir vocês, mas as coisas deram errado. Ah, e não me bata. Agora eu tenho uma nova essência, então se você me bater como antes, vai doer muito.

    — …?

    Depois de deixar minha opinião bem clara, olhei para o lado e vi que Missha, sentada no meu ombro, tinha uma expressão estranha. Era como se ela estivesse pensando ‘O que há com esse cara?’ no início, e depois mudasse para algo como ‘Ah, certo, esse é o tipo de cara que ele era…’. É claro que, depois disso, ela voltou ao normal.

    — Ah! Ainar! A Ainar sumiu junto com você naquele momento! Você não encontrou ela?

    — A Ainar eu encontrei.

    — De verdade? Nyah… Eu achei que seria difícil juntar todo mundo de novo…!

    …Ela acha que eu encontrei Ainar logo de cara? Como é muito trabalhoso explicar, omiti a parte da história sobre usar o Portão Espiritual para encontrá-la.

    — De qualquer forma, as coisas voltaram a correr mal e acabámos por nos separar durante o último período de estabilidade.

    — O quê?!

    — Relaxa. Ela está com gente de confiança, então não precisa se preocupar.

    — Hmn… bom, se é assim, menos mal. Mas o que aconteceu exatamente…?

    Tsk, eu também tenho muitas perguntas. Mas acho que a Missha também tem. No entanto, é uma história muito longa para explicar em detalhes, então eu a encurtei desta vez também.

    — Foi algo que acabou acontecendo, só isso.

    — …Você tá brincando comigo? Nyah!

    Acho que isso não vai funcionar, afinal. No final, não tive escolha a não ser explicar com mais detalhes. Ah, é claro que se eu dissesse que encontrei o Lorde das Lágrimas e usasse a estratégia de ‘deixe-me para trás’ novamente, seria repreendido, então…

    — Não, é sério. Eu topei com um monstro forte e, sem querer, acabei caindo sozinho durante a luta.

    — …Sem querer, nada! Aposto que foi você sendo estabanado de novo…

    Senti que eu estava prestes a apanhar mais, então mudei o assunto imediatamente.

    — O importante é que você está bem, Missha.

    — …Hã?

    — Eu estava preocupado. Desde que ouvi que você tinha se separado e estava sozinha.

    — A, ahm… h-hã? Mas… como é que você sabia disso?

    — Ouvi de um sobrevivente que encontrei. Disseram que você estava vagando sozinha me procurando.

    — A-ah… é-é então… nyah! Que coisa, né…!

    — Obrigado por ter ficado bem até agora. De verdade.

    — …Ah… ahaha… n-não fala assim… eu não sou criança…

    — …

    — Eu… também tô feliz. Que você esteja bem…

    — É mesmo?

    — …Hã?

    Ok, acho que o desvio de assunto funcionou. Agora podemos voltar ao ponto.

    — Certo, agora me conta. O que aconteceu enquanto eu não estava?

    Foi aí que, pela primeira vez desde que nos reencontramos, a metralhadora de fala da Missha parou. Ela ficou em silêncio de repente. Quando olhei de lado, vi que ela estava com uma expressão completamente rígida. Bom… não é como se eu esperasse que tivesse sido fácil para ela.

    — Me conta, Missha. Sem esconder nada. Não tenta me poupar.

    — B-Bjorn… você tem que ouvir isso com calma, tá…? Quer dizer… nada disso é totalmente cerrrto ainda, mas…

    Ela, por acaso, sabe que frases assim só deixam a pessoa MAIS nervosas?

    — Eu sei, anda, fala logo.

    Só depois da minha insistência que ela finalmente começou.

    — Quando falaram que você tinha sido levado por um dragão, todo mundo pirou. A Erwen dizia que precisava sair correndo pra te procurar, mas os monstros não paravam de aparecer…

    As opiniões se dividiram. O grupo que queria me procurar versus o grupo que dizia que era impossível. E a pessoa que colocou ordem foi a Amelia.

    — Ela disse que achar você não era prioridade, que sobreviver vinha primeiro. Claro que teve gente que não gostou…

    — …Mas?

    — Ela perguntou pra Erwen se ela achava que você ia ficar feliz se alguém morresse tentando te procurar. Acho que a Erwen cedeu mais por pressão do que por lógica, mas… enfim.

    De qualquer forma, a lógica da Amelia era muito simples. Ela disse que, se fosse eu, ficaria bem mesmo se fosse mordido por um dragão, então vamos apenas esperar até que ele volte por conta própria, algo assim? Eu não fiquei nem um pouco chateado com esse julgamento. Não, na verdade, fiquei grato. Ela ficava dizendo que não queria o cargo de vice-líder e coisas do tipo, mas no final, ela se prontificou a assumir o comando em uma situação de crise.

    — E depois disso?

    — A gente continuou resistindo, nyah. Sempre que encontrávamos sobreviventes, juntávamos ao grupo sem hesitar, então nossa força foi aumentando. A situação não estava ruim. Ah, e o mestre de guilda sumiu do nada no meio disso…

    — Ele tá bem. Não precisa se preocupar.

    — Nem estava me preocupando, nyah…?

    — É mesmo?

    Nossa, que maneira de deixar um bárbaro envergonhado. De qualquer forma, a história sobre o Mestre da Guilda não era um detalhe particularmente importante para Missha ou para mim.

    — E aí, depois?

    — Ah… sim… depois… — Missha respirou fundo antes de continuar. — Encontramos um demônio com uma aparência horrível nyah…

    O clã Anabada havia encontrado um monstro do tipo demônio.

    O momento era no meio da terceira onda. O local era a Sala de Adoração ao Demônio da Cidadela Sangrenta.

    — …Como ele era?

    — Ah, bem…

    Depois de ouvir uma descrição extremamente detalhada de Missha, apertei os lábios.

    — Guiltygoss…

    O terceiro período de estabilidade. O monstro do tipo demônio de primeiro nível que encontrei na Cidadela Sangrenta.

    Ba-dum!

    Ao me lembrar disso, meu coração de alguma forma começou a bater mais rápido e um zumbido encheu meus ouvidos. Bem, isso era natural. Guiltygoss, o monstro do tipo demônio de primeiro nível que estava sentado na sala do chefe, mastigando os corpos dos monstros. Lembro-me claramente da cena quando vi aquela coisa.

    Riiing!

    Espalhados ao redor daquele monstro estavam equipamentos e ossos, provavelmente pertencentes a exploradores.

    1. O número no capítulo é 25 milhões, porém, não faz muito sentido né? Acho que era pra ser 25mil.[]
    Um pequeno gesto, um grande impacto!

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