Capítulo 863: Notícias Trágicas (6/8)
Rigorosamente falando, não era uma aliança. Desde o início, o próprio duque Kealunus deixou isso claro.
— Aceitação total…?
Que as áreas residenciais seriam diferentes. Que apenas iriam explorar o Labirinto juntos. Que suas identidades seriam verificadas com rigor e que impediriam qualquer atividade criminosa dentro do Labirinto.
Por mais medidas que acrescentassem, a verdade não mudava. Os pontos mencionados anteriormente eram apenas degraus para amenizar o impacto; o duque Kealunus tinha como objetivo uma fusão e aquisição completas.
— Você enlouqueceu? — Murmurei isso sem perceber, e o silêncio caiu por um breve instante antes de o ambiente ao redor explodir em murmúrios.
Começaram a gritar, perguntando como eu ousava falar desse jeito com o Primeiro Ministro, que mesmo sem exigir linguagem formal eu devia ao menos demonstrar respeito. Teve até quem xingasse toda a minha raça. E, quase cochichando, um desgraçado riu dizendo que eu devia estar sensível porque o meu clã tinha ido pro buraco.
Mas nada daquilo importava. O poder agora estava com o duque Kealunus, então é claro que estavam tentando puxar o saco. Em outro momento, eu teria aproveitado para mostrar a eles bem de perto o sabor de um golpe Bárbaro. Mas…
Bang!
Agora não era hora de perder tempo com insetos. Bati o punho na mesa com força justa para não quebrá-la, e o silêncio caiu de novo sobre a sala de conferências.
— …!
— …!
Todos apenas exibiam expressões surpresas diante da situação repentina; desta vez, ninguém me repreendeu ou me xingou. O motivo era simples e primitivo: acharam que, se abrissem a boca, poderiam realmente apanhar. De qualquer forma, como o silêncio voltou, alcancei meu objetivo.
— Repita isso, duque Kealunus. Está dizendo que vai deixar aqueles desgraçados de Noark entrarem na cidade?
Ao contrário dos nobres, que trocaram olhares nervosos, o duque Kealunus não demonstrou qualquer sinal de desconforto. Como se já tivesse previsto exatamente essa reação.
— Ainda não é algo decidido. Por ora, apenas apresentei uma proposta.
— Então não adianta nada. Aquelas pestes de Noark nunca vão obedecer ao que dissermos.
Ao ouvir isso, o duque apenas me olhou em silêncio, e naquele olhar eu percebi.
— As negociações… Elas já terminaram, não é?
À minha fala, ele respondeu como se tivesse esperado exatamente esse momento.
— Na verdade, foram eles que vieram fazer contato primeiro. Sabendo que, se perdessem essa chance, só restaria a destruição, aceitaram concessões enormes.
Essas concessões eram exatamente aquelas que ele mencionara antes: segregação de bairros residenciais, verificação rigorosa de identidade, endurecimento das punições por crimes, e assim por diante.
— Não é que eu não entenda como se sente, mas… em nome dos interesses nacionais, às vezes é preciso aprender a sufocar as emoções pessoais.
— …
— Além disso, eu, como Primeiro Ministro e como um nobre que deseja o bem da nação, estou apenas indicando um caminho. Se isso realmente não lhe agrada, basta exercer o seu direito.
Em outras palavras: use seu precioso voto. Mas, do meu ponto de vista, soou como pura provocação. Mesmo que eu votasse contra, nada mudaria. O simples fato de um assunto desses ser apresentado oficialmente numa reunião da família real significava que todo o acordo por trás das cortinas já estava fechado.
— Então posso prosseguir?
Sem esconder nenhum traço do meu desconforto, sentei-me de volta batendo a cadeira com força, sem sequer responder. E então…
— Aqueles que concordam com a proposta, por favor, virem sua moeda.
Os nobres presentes exerceram o seu precioso direito, e com isso ficou definido o rumo da política de Rafdonia.
Ting, ting, ting!
A proposta de estabelecer um acordo de paz total com Noark e aceitá-los por completo foi aprovada.
Houve mais alguns tópicos depois daquilo. Todos relacionados a Noark, e discussões bem acaloradas se seguiram, mais do que eu esperava. Afinal, mesmo indo na mesma direção, isso não significa que todos concordem sobre como chegar lá.
— Esse nível de apoio é exagerado! Como espera que confiemos em gente de Noark? Seria melhor investir mais no treinamento de novos aventureiros!
— Concordo. Se conseguirmos recuperar o número de aventureiros, não vamos precisar da ajuda de um bando de traidores, certo?
— Hm, eu discordo. Será que eles se tornaram rebeldes porque realmente desejavam isso? Só reduzindo ao máximo a discriminação e oferecendo apoio ativo é que eles poderão renascer como cidadãos completos de Rafdonia…
O duque Kealunus conduziu a reunião real até o fim, discutindo detalhes com os presentes, debatendo quando necessário e ajustando cada ponto até alcançar consenso.
Quanto tempo passou daquele jeito?
— Bem… Creio que está tudo resolvido. Vamos encerrar a reunião por aqui.
A longa e exaustiva reunião real finalmente terminou. Tentei solicitar uma conversa privada com o duque Kealunus depois, mas ele recusou alegando cansaço. Quando deixei o Palácio da Sabedoria, já era tarde da noite.
Toc, toc.
As carruagens que deixavam o palácio desapareceram, e as ruas noturnas ficaram vazias. Caminhei devagar, tentando colocar os pensamentos em ordem e sentir um pouco de ar fresco.
“O que vai acontecer daqui em diante…”
Depois que a proposta foi aprovada, fiquei todo o resto da reunião de braços cruzados, olhos fechados, fingindo indiferença. Mas mantive os ouvidos atentos, e absorvi tudo perfeitamente. E, resumindo apenas os pontos importantes…
1. Grande investimento em novatos.
Rafdonia decidiu despejar todo o restante de sua força nacional na formação de novos Aventureiros.
Isenção de impostos. Expansão do orçamento da Guilda dos Aventureiros. Para aqueles que demonstrarem potencial, parece que pretendem até liberar as essências acumuladas no tesouro da família real, e também enviar notificações oficiais para cada raça, praticamente um recrutamento obrigatório. Provavelmente chegará ao nosso povo bárbaro em breve.
“Acabei recebendo um spoiler sem querer.”
E isso nem é tudo. Ainda não foi totalmente aprovado, mas chegou a ser sugerido reduzir para dezessete anos a idade mínima para entrar no Labirinto, que antes exigia ser adulto… É improvável que passe. Mesmo as medidas mencionadas antes ainda devem sofrer mudanças conforme novas reuniões aconteçam. Enfim.
2. Bifron.
Para reduzir o impacto que a cidade vai sentir, a facção de Noark ficará confinada primeiro em Bifron. Vão até ativar a Praça Dimensional, e dizem que a entrada deles será feita por lá.
“Hm. Faz sentido, se misturassem as áreas de residência imediatamente, a reação seria ainda mais violenta.”
Surpreendentemente, os nobres não demonstraram muita preocupação. Diziam que bastava criar uma opinião pública favorável a Noark e bombardear a população com propaganda constante; no fim, todos acabariam aceitando.
“…Não tenho como refutar isso.”
O período de confinamento em Bifron ainda é indeterminado, podendo ser estendido ou reduzido dependendo de como a situação evoluir. As áreas de acesso também não serão liberadas de uma vez, mas aumentadas gradualmente, uma zona de cada vez.
“Enfim, isso não me importa muito.”
Já que não consegui impedir a integração de Noark, pouco importa o que aconteça com esses detalhes. Para mim, como aventureiro, o mais importante é isto.
3. Daqui a três meses.
Apoio aos novatos, integração de Noark. Três meses após concluir tudo isso, o Labirinto será reaberto. Em outras palavras, até lá eu também preciso terminar os preparativos e reforçar minha equipe para poder explorar…
— Sa-Saudações, Visconde Yandel…!
Caminhando sem rumo definido, perdido em pensamentos, parei automaticamente ao ouvir uma voz me chamar.
— Ah.
A Praça dos Heróis, em Karnon, a capital imperial. E também a primeira praça dimensional de Rafdonia. Mais precisamente, no centro dela, a Pedra da Honra.
Aproximei-me devagar e observei.
O grande guerreiro bárbaro Bjorn Yandel e seus companheiros derrotaram o Lorde do Terror, Dreadfear, e abriram uma área oculta.
Esse foi o primeiro texto em que meu nome apareceu naquela imensa pedra. Na época, foi um evento que não acontecia havia seiscentos anos, então causou um alvoroço absurdo. A praça estava lotada de nobres curiosos, gente tirando fotos comemorativas, e até na frente da minha casa havia uma multidão.
Mas…
“Não há ninguém aqui…”
Além dos dois soldados que guardavam a Pedra da Honra, não se via mais ninguém. Bem, é noite, então faz sentido. E já se passaram dois meses também. Acima de tudo…
“Já é a terceira vez.”
Não tem como o interesse ser o mesmo de antes.
Uma vez quando derrotamos Dreadfear.
O grande guerreiro bárbaro Bjorn Yandel e seus companheiros entraram no Primeiro Andar Subterrâneo, os Arquivos dos Registros.
Outra ao pisar no Primeiro Subsolo.
E então…
O grande guerreiro bárbaro Bjorn Yandel liberou o poder oculto de um Lorde uma nova ilha surgiu.
Mais uma vez, depois de beber a Essência das Lágrimas. Eu já sabia de antemão qual seria o texto, então não senti nada de especial. Se for dizer a verdade, parecia até surreal.
“Aquilo de falar, dar força e tudo mais deve ter sido a condição…”
Mas isso é algo digno de ser gravado até na Pedra da Honra? Se alguém perguntasse, eu só poderia inclinar a cabeça. Sinceramente, não acho que fiz nada tão grandioso.
“De qualquer forma, já que uma nova ilha apareceu, quando encontrarmos o caminho, vamos explorá-la pelo menos uma vez.”
Claro, não é meu objetivo principal. Se possível, farei uma visita no caminho — meu objetivo final ainda é o Primeiro Subsolo.
“Para isso, preciso montar a equipe direito…”
Ah, e ainda não recebi uma resposta concreta do Armin. Deve estar organizando os pensamentos com calma. Afinal, ninguém sabe quando o Labirinto abriria de novo. Por essa razão, eu não a pressionei nem saí recrutando mais pessoas.
Mas…
“Agora preciso acelerar.”
A reunião de hoje definiu a data de abertura do Labirinto. E quando chegar a hora, entraremos lado a lado com a variável chamada Noark. Companheiros confiáveis vão ser ainda mais essenciais.
— Já que pensei nisso, vou lá agora.
— S-Senhor?
— Ah, só estava falando sozinho. Bom trabalho.
— É uma honra, Senhor Visconde.
Depois de apenas cumprimentar os soldados que trabalhavam até tarde, usei o círculo de magia militar e parti para meu novo destino. Um lugar muito familiar para mim.
A Torre Mágica.
O lugar onde, graças a Raven, eu vinha todos os dias para experimentos com meu corpo e, mesmo depois disso, precisei voltar inúmeras vezes. Tão familiar que é impossível me perder.
— Pare! No momento, a entrada de externos está proibi…
Assim que me aproximei da entrada, o guarda, que recitava mecanicamente a frase de rotina, arregalou os olhos ao me reconhecer.
— …Está muito tarde. Se tiver algum assunto oficial, por favor volte quando amanhecer.
Então ele me reconheceu. Mudou o tom na mesma hora que viu meu rosto.
“Seria estranho se não me reconhecesse.”
Teve uma vez que eu invadi esse lugar liderando todos os bárbaros e destruí meio prédio. Provavelmente eu sou o indivíduo mais perigoso da lista de vigilância deles. Mas isso é aquilo, e agora é agora.
— Chega, abra o portão.
— Como já disse, no momento a entrada está proibida para externos…
Tch, que conversa. Ele acha que eu só vim aqui duas vezes na vida.
— Eu estava sob a impressão de que era permitido entrar à noite se você fosse convidado.
— …Antigamente sim, mas as regras foram alteradas recentemente.
— Hm?
Eu não sabia disso. Bem, foi uma mudança compreensível. Com a guerra, os refugiados, os motins… Em tempos caóticos como estes, deve começar por proteger adequadamente a sua porta da frente.
— Peço sinceras desculpas. Não há nada que eu possa fazer. Por favor, volte quando amanhecer…
Por alguma razão, o guarda que deveria estar demonstrando uma atitude autoritária estava, ao contrário, implorando sinceramente, quase como se estivesse suplicando, e eu não pude deixar de refletir por um momento.
“Voltar depois seria um saco…”
Mas se eu simplesmente o ignorasse e entrasse à força, sentiria pena desse guarda. É óbvio que ele teria problemas mais tarde, não é? Se ele perdesse o emprego numa recessão como esta, esse guarda não conseguiria cumprir suas obrigações como chefe de família.
“E ele ainda foi educado.”
Então, qual seria a melhor maneira de agir? Como um Bárbaro Coreano que conhece a cortesia e a etiqueta, refleti seriamente sobre esse problema e logo cheguei a uma resposta.
— Ah.
Se o problema é eu não poder entrar…
— Eu só preciso fazer com que a outra parte saia.
Depois de tomar uma decisão, não há motivo para hesitar. Assim como não há hesitação na espada de um mestre espadachim que alcançou o reino da união entre mente e espada. No momento em que tomei minha decisão, gritei.
— Saia——…!
O ser que me fez vir até esta Torre Mágica.
— Yurven Havellion———…!
O mestre dos Caça-Fantasmas, a comunidade dos espíritos malignos. Comumente conhecido como GM.
— Se você não sair, eu vou entrar arrombando———…!
Ficar trancado no seu quarto o tempo todo faz mal à saúde.

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