Capítulo 874: Ilha do Paraíso (1/7)
A Ilha do Paraíso.
Mesmo no Labirinto, um lugar repleto de mistérios e eventos bizarros, esta era uma fenda de entrada individual raríssima. No entanto, isso não significava que era obrigatório concluí-la sozinho. Apenas não era possível entrar acompanhado de aliados, já que a capacidade total da fenda era de trinta pessoas. Os participantes entravam na ilha através de trinta portais espalhados por todo o quinto andar. Em suma, era uma fenda que exigia cooperação com aventureiros desconhecidos, em vez de companheiros com quem já se tinha costume de lutar…
— …Bem, realmente parece que estou em um resort.
Talvez fosse porque o Desfiladeiro dos Fantasmas, onde eu estava até pouco tempo atrás, era um lugar úmido e sombrio, ecoando os gritos de fantasmas. A mudança repentina de atmosfera ao entrar na fenda era estranha. A escuridão do Labirinto, que limitava a visibilidade, já havia desaparecido sem deixar rastros há muito tempo.
O sol brilhava intensamente. A areia branca da praia cintilava, dançando sob o reflexo da luz. O mesmo valia para aquele mar de águas cristalinas em tons de esmeralda.
— Me pergunto que cara será que eles estão fazendo agora?
De repente, lembrei-me dos meus companheiros que deixei para trás no Grande Reino dos Demônios. Como o portal se fechou assim que entrei sozinho, eles devem ter ficado bastante confusos. Bem, essa confusão não deve ter durado muito. Como são todos veteranos experientes, logo teriam percebido o que aconteceu. A Ilha do Paraíso era bastante famosa. Ah, claro, famosa no mau sentido.
Pof.
Como não havia nada para fazer até que todas as vagas fossem preenchidas, simplesmente deitei na areia e aproveitei o sol. Quanto tempo teria passado?
— Ei… o senhor aí…?
Abri os olhos e olhei na direção do som. A uma pequena distância, vi um aventureiro me observando com um olhar cauteloso.
— Você é humano mesmo…?
— O que mais eu seria?
— Ufa! Que alívio! Por acaso o senhor sabe o que está acontecendo? Por algum motivo, os companheiros que deveriam ter entrado comigo não apareceram…
Pelo visto, ele não sabia que tipo de fenda era a Ilha do Paraíso. E também parecia não ter me reconhecido ainda.
— Não se preocupe. Seus companheiros devem estar esperando sãos e salvos por você.
— Hum… quer dizer que este é um lugar onde só se entra uma pessoa por vez…?
Felizmente, ele apenas carecia de conhecimento, não de inteligência.
— Se o senhor souber de algo, por favor, me informe. Eu o recompensarei devidamente.
— Esqueça a recompensa. Apenas sente-se em qualquer lugar e espere. Vai demorar um pouco para começar.
— …?
Após dizer isso, fechei os olhos novamente. Ele tentou falar mais alguma coisa, mas, cansado da minha atitude de total indiferença, acabou calando a boca e sentando-se por perto.
Mais tempo se passou.
— … Mas o que é isso! Acorde! De repente tudo ficou escuro!
Acordei com o som do susto dele e me espreguicei lentamente para relaxar o corpo. A ilha agora estava mergulhada na escuridão, como se fosse plena noite. Não era algo para se espantar.
— Parece que todos já chegaram.
— Chegaram…?
— Você verá quando chegarmos lá. Siga-me.
Dito isso, segui em direção ao centro da ilha, de onde emanava um brilho multicolorido. Ele, sem entender nada, seguiu-me em silêncio.
E então…
— São outros aventureiros…!
Chegamos a uma clareira onde repousava um cristal gigante que emitia luzes coloridas. Diante do cristal, cerca de quinze aventureiros já estavam reunidos.
“Só a metade já chegou.”
Bem, se esperássemos um pouco, todos acabariam se reunindo ali. Afinal, uma luz havia sido gentilmente acesa no centro.
— Olhem, chegaram mais dois!
As pessoas que chegaram primeiro estavam conversando, e uma delas nos avistou.
— Não fiquem na defensiva, venham aqui! Explicaremos a situação a todos de uma vez quando estiverem todos reunidos… Oh? Ah, Visconde Yandel…?
Uma maga arregalou os olhos ao me reconhecer. Com isso, o sujeito ao meu lado também arregalou os olhos.
— O senhor é o Visconde Yandel…? Eu desconfiei quando vi que era um bárbaro, mas…
— Isso importa agora?
— Ah… peço desculpas.
— Com o Visconde aqui, não há mais motivo para insegurança! Podemos apenas descansar tranquilamente e depois ir embora.
— Descansar e ir embora? O que quer dizer com isso?
— Ahaha… por favor, espere só um pouco. Pretendo explicar tudo sobre a Ilha do Paraíso assim que todos chegarem. Ah, eu sou Ivela Rianelin.
— Sou Alend Daren. Como pode ver, sou um arqueiro. Também posso lutar corpo a corpo e atuar como batedor…
— Haha, não precisa se apresentar assim. Não há necessidade de lutar nesta fenda.
— …?
Os dois trocaram breves apresentações. Como eu não sentia necessidade, apenas me acomodei em um lugar um pouco afastado do grupo. Alend, que me seguiu até ali, me lançou um olhar de soslaio antes de se juntar ao grupo. Fazia sentido; a companhia de uma maga gentil era muito mais atraente do que a de um bárbaro rude.
— Por favor, todos prestem atenção por um momento!
Mais algum tempo se passou e quase todos os aventureiros que viram a luz de diferentes partes da ilha se reuniram. Ah, o motivo de eu dizer ‘quase todos’ e não ‘todos’ é simples.
Havia 29 pessoas, e não 30.
— Por algum motivo, uma pessoa ainda não chegou, mas como não sabemos quando virá, vou começar a explicação. Este lugar se chama Ilha do Paraíso e é uma fenda de formato muito peculiar! Não há necessidade de combate.
— Sem necessidade de combate? Então como matamos o Guardião da Fenda? Como voltamos para o Labirinto?
— Vou explicar tudo, por favor, não me interrompa e ouça! Se tiverem dúvidas, responderei a todas depois!
Exibindo uma liderança muito suave, Ivela explicou sobre a ‘Ilha do Paraíso’ de forma tão clara que até uma criança entenderia. No entanto, após ouvir a explicação, parece que houve quem ficasse ainda mais confuso.
Um guerreiro de machado com aparência rústica franziu a testa.
— Então, o que a mocinha está dizendo é que, se aguentarmos por dez dias, o portal de saída se abre e recebemos a recompensa?
— Sim, exatamente.
— Mas isso não é um problema? Aquela pessoa que falta… ela pode já estar morta.
— Bem… não acredito que isso aconteça, mas, mesmo que tenha acontecido, não será um grande problema. Na verdade, falando friamente, é uma vantagem para nós.
— Vantagem…?
— Como alguns de vocês já devem saber sobre esta ilha, serei honesta. Quando os dez dias passarem, quanto menos pessoas restarem, maior será a recompensa individual de cada um.
— O quê?
Com a explicação de Ivela, o guerreiro de machado olhou em volta, atordoado. Ele deve ter percebido a lógica.
Todos os sobreviventes recebem recompensas. No entanto, quanto menor o número de sobreviventes, maior a recompensa.
O quão perigosa era essa regra de apenas duas linhas. Na verdade, quando eu era ativo em Stone Iven, costumava chamar a Ilha do Paraíso de Ilha do Battle Royale.
— Mas não se preocupem tanto. Apenas pensem em descansar confortavelmente…
— Rá, descansar? Com uma regra maluca dessas?
— Sim. É claro. Olhem para lá.
Ivela então apontou para mim, que estava afastado.
— O Visconde Yandel está bem ali, qual seria o problema? Ninguém cometeria o erro de ferir outra pessoa apenas para conseguir uma recompensa um pouco melhor.
Com as palavras de Ivela, os aventureiros que estavam internamente ansiosos mostraram expressões de alívio. O mesmo aconteceu com o guerreiro de machado. Bem, não é um sentimento difícil de entender. Comigo presente, era seguro presumir que uma chacina completa para queima de arquivo seria impossível. O que temiam jamais aconteceria. Pensar assim era perfeitamente racional.
No entanto…
“Sei não, será mesmo?”
Eu, por outro lado, estava cético. Afinal, em todas as minhas jogadas, só houve uma única vez…
Em que todos conseguiram sobreviver.
Talvez a explicação de Ivela não tenha sido o suficiente para tranquilizá-los por completo. Os aventureiros reunidos diante do cristal lançavam-me olhares furtivos e carregados de estranheza. Eu imaginava o que passava pela cabeça deles: até agora, tudo o que ouviram foram apenas as palavras de Ivela. Eles queriam que eu declarasse minha posição de forma mais clara. Bem, era um pedido simples de atender.
— O único saqueador bom é o saqueador morto.
— …
— E se alguém cometer um assassinato por causa de recompensas, não será diferente de um saqueador.
Minha declaração direta parece ter surtido efeito. Só então os aventureiros, que me vigiavam atentamente, assentiram com expressões de alívio.
— Que sorte. Depois de uma afirmação dessas, duvido que alguém tenha ideias idiotas.
— É verdade, ganharemos recompensas apenas ficando parados, quem faria uma atrocidade dessas? Não somos aqueles ratos imundos de Noark.
Mesmo de longe, dava para sentir a atmosfera relaxando. Naquele ambiente, os aventureiros começaram a conversar e a criar laços com os desconhecidos, e, com o passar do tempo, grupos se formaram naturalmente. O primeiro grupo era composto por cinco homens, todos com um aspecto beligerante e carrancudo.
— Aonde os senhores vão? — perguntou Ivela.
— Não podemos ficar parados assim por dez dias, não acha? Pretendemos explorar os arredores primeiro. Se é uma fenda, com certeza deve haver algo de valor escondido.
— Ah…
Era óbvio, mas Ivela não tinha meios de cercear o livre-arbítrio dos aventureiros. Assim, o grupo de cinco homens, que apelidei mentalmente de Grupo dos Homens, deixou o centro da ilha. E então…
— Senhorita Ivela, nós também faremos uma busca.
— Pelo que sei, não deve haver nada de tão valioso escondido…
— Nunca se sabe. Além disso, aquele que ainda não apareceu nos preocupa. Se o encontrarmos, explicaremos a situação e tentaremos trazê-lo para cá.
— Ah, sim… claro.
Assim, o segundo grupo seguiu o Grupo dos Homens para fora do centro. A característica desse grupo era o número: dez pessoas, com um equilíbrio razoável entre homens e mulheres.
“Chamarei esses de Grupo dos Descolados.”
Após a partida deles, restaram 14 pessoas. Entre elas, havia um terceiro grupo: o liderado por Ivela.
— Senhorita Ivela, está tudo bem deixá-los ir assim?
— O que quer dizer?
— Não sabemos que tipo de pessoa é aquele que ainda não foi encontrado.
— Mas eles estão em grupo, não acho que algo vá acontecer. Ah, por acaso os senhores também pretendem…?
— Não, pretendemos ficar aqui até que a fenda se feche. Como a senhorita disse, este é o lugar mais seguro. Não queremos levantar suspeitas desnecessárias.
— Suspeitas…?
— Preocupa-me que aqueles que saíram possam tentar algo. Se isso acontecer, teremos que puni-los. Se até as leis mínimas desaparecerem, estes dez dias se tornarão um inferno.
— Suas palavras são sensatas, Senhor Tehan.
Embora Ivela parecesse a líder, ao observar bem, um homem chamado John Tehan tinha uma presença e um poder de fala consideráveis.
“Eles serão os Vigilantes…”
Enfim. Se eles eram o terceiro grupo…
O quarto era eu.
Mais especificamente, o tipo que, como eu, não pertencia a nenhum grupo e mantinha seu individualismo. Éramos o menor número: apenas quatro.
“Ufa… e agora, o que vai acontecer?”
Sinceramente, acho que o melhor seria apenas passar os dez dias aqui e ir embora em segurança. Embora haja recompensas extras se o número de pessoas diminuir, não é algo tão atraente assim. Para começo de conversa, sujar as mãos de sangue por esse motivo não me tornaria diferente de um saqueador.
“…Talvez eu devesse ter prendido todos no centro para que nem pensassem em fazer outra coisa.”
O pensamento veio tardio, mas logo desisti dele. Sim, o estado atual é o ideal. Já dei o aviso mínimo, não dei? Se alguém ignorar isso e causar problemas, é provável que já faça coisas semelhantes habitualmente. Seria melhor cortar o mal pela raiz aqui mesmo.
“Além disso, faltava-me uma justificativa para exercer controle total.”
Se algo acontecer, passarei a ter legitimidade para intervir. Claro, o melhor cenário seria que nada ocorresse.
— Tiveram sucesso na exploração?
Com o tempo, os grupos que saíram para investigar começaram a retornar um a um. O primeiro a voltar foi o Grupo dos Homens. Eles não revelaram se encontraram algo, mas, pelo menos, todos estavam ilesos.
— Senhorita Ivela…!
O segundo retorno foi o do Grupo dos Descolados. Pouco depois da volta do primeiro grupo, eles retornaram ao centro. Eles também não tinham feridos ou mortos… bem, talvez dizer isso seja um erro de interpretação.
— Quem é esse homem carregado nas costas?
Diferente do Grupo dos Homens, eles traziam um resultado notável da exploração.
— Foi quem encontramos durante a busca. Provavelmente é o trigésimo aventureiro que procurávamos, mas…
— Ele já está morto…
— Sim. Por favor, reúnam todos. Precisamos encontrar o culpado.
Pelo visto, a sobrevivência de todos falhou novamente. Mas eu não esperava que fosse acontecer logo no primeiro dia.

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