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    É claro que eu não cheguei a brandir o martelo de fato. Afinal, ninguém aceitaria isso pacificamente, não é?

    — Por que essas caras? Eu só vou quebrar os seus membros e deixá-los amarrados até a fenda fechar daqui a dez dias.

    — Não, mas mesmo assim…

    — Por acaso você é o culpado?

    — I-Isso é um absurdo! E depois que sairmos da fenda? Mesmo que curemos os ossos com poções, haverá sequelas…!

    — Hum.

    Ao ouvirem meu método de lidar com o assassino, os aventureiros fizeram expressões de quem fugiria para bem longe se as coisas realmente seguissem por aquele caminho. Foi um pouco amargo.

    “Eles acham mesmo que eu sou um selvagem?”

    Claro, foi uma situação induzida por mim. Negociação é isso, não é?

    — Este é o método mais seguro, mas já que a oposição é tão forte, não tenho escolha.

    Finalmente, como se não tivesse alternativa, apresentei uma proposta mais moderada.

    — Deixarei seus braços e pernas intactos. Também não os manterei amarrados por dez dias. Apenas três. Vivam amarrados por apenas três dias.

    Seria extremamente desconfortável e humilhante, mas era uma condição perfeitamente possível de cumprir se houvesse vontade. Com isso, os aventureiros sentiram-se aliviados por terem evitado o pior, mas ainda manifestaram dúvidas cautelosas.

    — Mas… se suportarmos esses três dias, o problema será resolvido?

    — Com certeza.

    — Poderia nos dizer… como será resolvido? Ah! Se for algo que o culpado não possa ouvir, eu entendo!

    Eles pareciam ansiosos, temendo que fosse outra solução bárbara e absurda como a anterior.

    — Não há nada que o culpado não possa ouvir, mas… ah, é meio chato explicar.

    — Por favor, nós lhe pedimos…!

    — Já que pedem assim, não tenho como recusar.

    Expliquei meu plano de forma breve. Que havia um espaço oculto na Ilha do Paraíso, acessível somente após o terceiro dia. Que, se conseguíssemos conquistar aquele lugar, a fenda seria concluída sem precisarmos esperar os dez dias.

    E mais…

    — Assim que abrir, posso entrar sozinho, matar tudo, inclusive o guardião, e sair em um dia.

    Foi uma declaração puramente arrogante, mas nenhum aventureiro duvidou de sua veracidade. Com minha fama e conquistas, eles deviam pensar que uma fenda de quinto andar não seria problema. E, de fato, não era. Com meus atributos potencializados após consumir a Essência das Lágrimas, solar uma fenda de quinto andar era moleza.

    — Se for assim…

    — Mas, nesse caso, não perderemos a chance de pegar o culpado?

    A maioria aceitou, mas alguém levantou essa dúvida, e eu não a contestei.

    — Exato. Mas não haverá mais vítimas.

    — Sim, é verdade! Uma vez que a fenda for conquistada, não haverá motivo para ferir mais ninguém.

    — Eu seguirei o plano do Visconde. Será difícil ficar amarrado por três dias, mas pelo menos não morreremos nem ficaremos feridos.

    — Para conquistar uma fenda de quinto andar, esse sacrifício não é nada.

    — Apoiado! A recompensa será menor, mas poderemos sair daqui muito mais cedo!

    Todos os aventureiros concordaram com o meu plano e, sob cooperação mútua, terminei de amarrar cada um deles.

    Vinte e seis aventureiros com mãos e pés firmemente atados.

    Fiquei tentado a erguer o martelo e dizer que agora começaria a busca pelo culpado só para ver a reação, mas decidi deixar a curiosidade de lado. Não havia motivo para criar pânico desnecessário dando margem à imaginação deles.

    — Certo, conto com você.

    Dei um tapinha no ombro do único homem que não foi amarrado. Foi a ele que atribuí a função de carcereiro.

    — Se alguém tentar se soltar ou fugir, mate-o na hora. Não precisa nem conversar. Entendido?

    — Ah, sim…

    — Respostas devem ser dadas com um ponto de exclamação. Entendido?

    — Ah, sim…!

    Ele parecia tímido e não passava muita confiança, mas eu não tinha outra opção. Saqueadores não são presas fáceis. Aqueles que entram no Labirinto para caçar pessoas em vez de monstros costumam preparar identidades falsas com perfeição. E…

    “Mikhail Lex.”

    Surpreendentemente, esse sujeito era quem tinha a identidade mais sólida ali. Afinal, eu já o tinha visto na cidade. Foi naquela época em que eu frequentava tavernas com o Senhor Urso para expandir minha rede de contatos. Naquele tempo, ele já era um aventureiro que atuava no quinto andar.

    — Fique bem atento. Se mais alguém morrer aqui, considerarei que você é o culpado.

    — Ah, sim…! Mas para onde o senhor vai?

    — Preciso descobrir exatamente onde fica a entrada oculta. Não se preocupe. Voltarei na hora das refeições, quando precisarem soltar as mãos, e ficarei de guarda com você.

    — Ah! Entendido. Cuidarei bem de tudo por aqui!

    Pois é, como uma frase soa muito mais confiável e positiva quando se coloca um ponto de exclamação no final. Dei mais uns tapinhas no ombro de Mikhail e me retirei. E então…

    SSrrr.

    Acomodei-me em um lugar que não podia ser visto do pátio central. Afinal, eu já sabia onde era a entrada da caverna. Não precisava procurar nada.

    “Isso aqui está parecendo uma tocaia policial.”

    Vejamos quando é que o ratinho vai morder a isca.


    Dia 1, Dia 2.

    O tempo passou voando e, num piscar de olhos, faltavam poucas horas para o início do terceiro dia. Durante esse período, saí periodicamente sob o pretexto de procurar a entrada da caverna, mas, infelizmente, o culpado não mordeu a isca com facilidade.

    “Será que ele está cauteloso porque estão todos reunidos? Ou será que desistiu?”

    Na verdade, embora eu os tivesse amarrado, para aventureiros que operam do quinto andar para cima, aquelas amarras não eram absolutas. Um tipo físico poderia rompê-las apenas com força bruta, e usuários de habilidades ou magia conseguiriam escapar sem grandes dificuldades. É claro que eu havia me precavido com a presença de um carcereiro, mas…

    “Fui eu quem o escolheu, mas ele não é exatamente o cara mais confiável.”

    Mikhail tem um lado meio avoado. No primeiro dia ele até que se saiu bem, mas no segundo, parece que relaxou e chegou até a dar umas cochiladas. Mesmo assim, o culpado ainda não havia agido.

    “Talvez ele ache que ainda não é o momento certo.”

    Por isso, hoje é o ponto de virada. De certa forma, é a última oportunidade para o culpado se manifestar.

    Terceiro dia na Ilha do Paraíso.

    O momento em que os arredores escurecem subitamente e o cristal no centro começa a emitir uma luz radiante.

    — Bom, eu já vou indo. Não vai demorar muito, então fiquem atentos e vigiem bem até eu voltar. Entendido?

    — Sim! Não se preocupe, Visconde!

    Saí apressado do pátio. No entanto, em vez de ir para a caverna, fui para o meu ponto de emboscada e me escondi, prendendo a respiração.

    — Vamos aguentar só mais um pouco, pessoal! O Visconde vai terminar tudo logo e voltará para nos buscar!

    Mikhail agora parecia mais acostumado com o papel de carcereiro e tentava consolar os aventureiros que sofriam com o desconforto das cordas.

    E então…

    Uma hora, duas horas, três horas…

    O tempo passava de forma entediante. Afastei o sono e observei com afinco, mas ninguém agia de forma estranha.

    “Será que acabou mesmo? Se for o caso, talvez fosse mais produtivo eu ir logo para a caverna e limpar a fenda em vez de perder tempo aqui.”

    Senti minha motivação diminuir gradualmente à medida que as horas passavam. De certa forma, era natural. Eu não tinha um motivo vital para capturar o culpado. Se houvesse uma motivação, seria apenas a minha convicção de que saqueadores devem ser mortos sempre que houver oportunidade…

    “Não, vamos observar mais um pouco.”

    Decidi continuar a tocaia por enquanto. Sinceramente, nem eu mesmo entendia por que estava me esforçando tanto para pegá-lo.

    Ba-dum!

    É que eu não parava de sentir aquele calafrio. Não sabia exatamente o porquê. Tinha a sensação de que, se ignorasse isso por negligência, me arrependeria amargamente. Minha intuição já havia me salvado vezes demais no passado para que eu considerasse só um palpite.

    Uma hora, duas horas, três horas…

    Mais tempo se passou enquanto eu ficava ali agachado. Faltavam apenas duas horas para o período noturno terminar e o dia começar.

    “No fim das contas, foi apenas preocupação excessiva…”

    Bem, antes assim. Agora eu poderia ir limpar a fenda com o coração tranquilo, não po…

    “…Hum?”

    De repente, vi uma silhueta se movendo na escuridão. Como eu estava focado em observar o pátio central onde os aventureiros estavam amarrados, demorei a perceber… mas, surpreendentemente, a figura estava se aproximando de fora para dentro. E era um rosto conhecido.

    “John Tehan…?”

    O quê? Esse desgraçado não tinha morrido? Diante da situação inesperada, minha mente começou a trabalhar a mil por hora, formulando hipóteses sobre o que estava acontecendo.

    “Ele não morreu, era uma habilidade de movimentação.”

    Pelo visto, ele não havia derretido em uma poça de sangue; nós apenas nos enganamos ao ver o efeito visual de um teletransporte.

    “…Sacrifício Humano?”

    Uma essência rara de segundo nível. Como eu nunca tinha visto a habilidade sendo conjurada pessoalmente, não reconheci de imediato. Enfim, o importante não era isso…

    Tapat.

    Assim que o avistei, corri em direção ao pátio. Mikhail, o carcereiro, despertou de um cochilo ao sentir a presença de alguém. E então…

    Puchi…!

    Uma adaga foi cravada no baixo ventre de Mikhail. Se ele estivesse dormindo profundamente, provavelmente teria sido atingido em um ponto vital.

    — Ah…!

    Ao som do gemido de dor de Mikhail, os aventureiros que descansavam amarrados abriram os olhos simultaneamente e testemunharam a cena.

    — John Tehan!

    — Ele não se suicidou!

    — Seu maldito desgraçado…!

    Os aventureiros, ao entenderem a situação, expressaram sua fúria, mas o fato de estarem amarrados causou um certo atraso. John Tehan, sem olhar para trás, optou pela fuga.

    — Ele… ele está fugindo…!

    — Droga! Por que fomos amarrados tão apertado…!

    Tsc, não sou muito bom em perseguições. De qualquer forma, ativei a Gigantificação e corri com todas as forças na direção em que John Tehan desapareceu. No entanto…

    — Mas que merda.

    Antes mesmo de correr por alguns minutos, encontrei vestígios de que ele já havia escapado por entre os arbustos. A mesma mancha de sangue espalhada pelo chão, igual àquela vez. Chegando a esse ponto, não fazia sentido continuar a perseguição.

    — Ah, cacete!

    Fiquei de tocaia por três dias só para este momento. Todo o esforço foi por água abaixo. Mas não adiantaria nada reclamar agora. Voltei às pressas para o pátio central. E então…

    Thud.

    Ao chegar no pátio, fiquei paralisado, em choque.

    — Não… o que é isso agora?

    Será que eu estava sendo enganado por algum espírito? Por alguma razão inexplicável, o pátio que até poucos instantes estava lotado de aventureiros agora estava completamente vazio.


    O que é isso? Algum tipo de pegadinha de mau gosto? Ou será que todos resolveram se levantar e sair correndo para pegar John Tehan?

    Fiquei esperando vagamente com esse pensamento, mas, por mais que o tempo passasse, os aventureiros desaparecidos não apareciam.

    “Não existe um evento assim na Ilha do Paraíso.”

    Será que havia algum evento que eu desconhecia? Por um momento, esse pensamento cruzou minha mente, mas balancei a cabeça negativamente. Em vez de atribuir a causa desse fenômeno a um evento oculto da ilha, esta outra explicação fazia muito mais sentido:

    “Pessoas.”

    A causa disso são pessoas. Ou melhor, eu deveria dizer ‘um grupo de pessoas’. Afinal, qualquer um veria que a situação atual foi algo planejado. John Tehan serviu de isca para atrair a atenção e, nesse intervalo, alguém sequestrou os demais.

    “Bom, agora é certeza que não é apenas uma pessoa.”

    Tsc, como esta é uma fenda onde só se pode entrar um por um, eu não esperava chegar a esse ponto.

    Ba-dum!

    Tem gente tramando alguma sujeira. Talvez não sejam apenas um ou dois. Não, vendo como vinte e seis aventureiros sumiram em questão de minutos, a probabilidade de ser algo em escala muito maior é alta. E, se essa suposição estiver correta…

    “Não é coincidência.”

    É quase impossível que um grupo inteiro consiga entrar ao mesmo tempo em portais gerados aleatoriamente por todo o quinto andar. Portanto…

    Se não for coincidência…

    Significa que é algo artificial.

    Slurp.

    De repente, senti o canto da boca úmido e limpei a saliva que escorria com as costas da mão. Enquanto isso, apenas um pensamento ocupava minha mente.

    O único item em Dungeon & Stone capaz de tornar algo artificial assim possível.

    “No. 18: Criador de Fendas.”

    Saquei, então vocês estão com isso, não é?

    Um pequeno gesto, um grande impacto!

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