Índice de Capítulo

    — O quê? Ele ainda está lá, sentado no mesmo lugar…?

    — Para ser mais exato, ele está deitado. Já faz horas que ele até ronca; parece que pegou no sono de verdade.

    — Argh…!

    O homem soltou um suspiro de descrença, como se não pudesse acreditar no que ouvia.

    — Aquele sujeito quer mesmo medir forças conosco até o fim?!

    A voz do homem, que mantinha os punhos cerrados, transbordava uma fúria densa, e o mesmo se aplicava aos seus companheiros. A única diferença era que o alvo da raiva não era apenas aquele homem que arruinara todos os seus planos.

    — Que diabos é isso? Você disse que, se seguíssemos o seu plano, poderíamos sair no décimo dia, não disse?

    — …Normalmente, sim. Se apenas ficássemos escondidos, ele não teria como nos pegar.

    — Mas as coisas não saíram como você previu.

    — Como eu ia saber! Que ele simplesmente destruiria o cristal do nada!

    Culpada pelos companheiros, a mulher protestou com um ar de injustiça, mas os olhares gélidos direcionados a ela não se desviaram facilmente.

    — Você não nos avisou que, se o cristal fosse destruído, o portal de retorno não seria gerado.

    — Ora, nem vocês, que estudaram tanto sobre as fendas do quinto andar, sabiam disso! Não é muito mais absurdo que aquele selvagem soubesse?

    — Maldição, deveríamos ter previsto! Aquele bárbaro também sabia sobre a caverna!

    — Desde o início, minha posição era não fazer isso. Por isso tentei conduzir a situação daquela forma no começo. E você, por que diabos estava com aquela placa de identificação? E ainda por cima na mochila, em vez de no subespaço!

    — …Eu já disse que foi um erro! Eu tinha certeza de que a havia colocado no subespaço.

    — De novo! Pare de dizer esse absurdo para fugir da responsabilidade… Acha que não percebemos que você fez isso de propósito para nos obrigar a seguir sua vontade? Você insistiu desde o começo em seguir o plano, independentemente do Visconde estar presente ou não!

    — Tivemos várias oportunidades de fazer escolhas diferentes depois disso. Todos concordaram, não concordaram?

    — Sim, e quem está dizendo o contrário? Mas ficar me culpando sozinha…!

    — Calma, calma, parem com isso. Se brigarmos entre nós, vamos arruinar até o que ainda pode dar certo. O que aconteceu, aconteceu; vamos conversar sobre o futuro.

    — Ha, tudo bem. Eu também perdi a cabeça porque estavam me culpando. Em vez de brigarmos apontando o dedo, vamos discutir o que faremos daqui para frente.

    — Sim. A situação não é tão ruim assim. Felizmente, podemos monitorá-lo através da Linhagem. E parece que ele ainda não percebeu que está sendo vigiado.

    — Não percebeu? Você não o ouviu falando sozinho? Ele disse que ia caçar e matar todos nós!

    — Ele pode ter desconfiado, mas não conseguiu remover a Linhagem nem nos ver diretamente. O fato de podermos continuar vigiando permanece. E… ele não disse que mataria todos. Apenas disse que não poderíamos fugir.

    — Dá no mesmo.

    O homem falou com sarcasmo, mas não cruzou a linha.

    — Então, o que sugere? Aquele bárbaro não parece ter intenção de sair desta ilha até pegar todos nós, e, conforme o tempo passa, nosso espaço nesta ilha está desaparecendo!

    Já era o 8º dia desde que entraram na Ilha do Paraíso. O número de monstros que rastejavam para fora do mar explodiu gradualmente e, agora, cobria toda a ilha a ponto de ser impossível não cruzar com um em qualquer lugar.

    — Você tem razão. Por enquanto, estamos resistindo com a magia dela, mas não podemos continuar assim para sempre. Uma hora a mana vai acabar.

    — …Concordo que precisamos preparar alguma jogada.

    — Não podemos simplesmente aguentar mais um pouco? Aquele bárbaro não vai ficar lá para sempre. Ele deve ter companheiros lá fora esperando.

    Diante da sugestão de um deles, todos silenciaram por um instante.

    — Desperdiçar tempo apenas por nossa causa também é um prejuízo para ele.

    Era uma suposição racional. No entanto, por algum motivo, era difícil concordar plenamente. Parecia que, se fosse aquele bárbaro, ele aguentaria até o fim, mesmo arcando com tal prejuízo.

    — Seria bom se fosse assim, mas será que ele vai facilitar para nós…?

    — O dia do fechamento. E se aguentarmos até o Labirinto fechar? Ele não vai sacrificar a própria vida para nos perseguir até o fim. A menos que queira ficar preso nesta fenda para sempre, ele terá que abrir o portal e sair antes disso.

    — Pode ser, mas será que conseguiremos aguentar até lá? Com a ilha infestada de monstros como está agora?

    — E um acordo? Se oferecermos uma recompensa adequada… tsc, falei bobagem. Não vai funcionar.

    — …

    Um silêncio pesado se instalou. Foi então que o homem mais velho entre eles abriu a boca.

    — No fim das contas, a única opção é matá-lo.

    — Mesmo que apenas metade dos boatos sobre ele seja verdade, em um confronto direto a derrota é certa.

    — Então não precisamos enfrentá-lo diretamente. Vamos pensar juntos. Em um método para derrotar Bjorn Yandel.

    E assim, mais tempo se passou.


    11º dia na Ilha do Paraíso. Já se passou mais de um dia desde o momento em que deveríamos ter saído pelo portal de retorno, caso tivéssemos seguido pelo “Caminho do Traidor”.

    Nhec, nhec, nhec.

    Mastigava a carne seca de forma um tanto irritada. Graças a isso, minha boca estava menos entediada, mas é só isso. No começo, eu quis fazer uma cena e esperei sentado em posição de lótus para criar um clima, mas isso só durou um ou dois dias.

    “Quando diabos eles vêm?”

    “Estou morrendo de tédio, sério. Será que planejam aguentar até o dia do fechamento?”

    “Vendo como os monstros estão rastejando um a um até a sala do chefe, a ilha já deve estar infestada a essa altura, não?”

    Será que eles eram habilidosos o suficiente para aguentar esse tanto de monstros com facilidade? Não, se fosse esse o caso, faria menos sentido ainda. Se fossem tão bons, deveriam ter tentado me desafiar logo de cara.

    (Novo) Guardião da Ilha do Paraíso, Bjorn Yandel.

    Infelizmente, não dropo essência. Mas, em compensação, se a raid for bem-sucedida, dropo cem por cento de vários itens numerados de nível altíssimo. Além disso, como elemento de hidden piece, há um evento de drop de itens numerados secretos.

    “Onde mais você encontraria um Guardião tão generoso?”

    Pois é, nem o Guardião da fenda do 10º andar distribui tanta coisa assim. O problema é que ninguém vem caçar esse boss maravilhoso…

    Thud, thud.

    Senti uma presença vindo das escadas, levantei-me apressado e sentei em posição de lótus. Ajustei tudo, ficando de costas para a entrada e fechando os olhos. Logo, calculando a distância pelo som dos passos, confirmei que o invasor pisou no último degrau e…

    — Você veio, mortal…

    Eu ia dizer a fala que preparei conforme o planejado, mas o desafiante, que parecia não ter educação, roubou minha oportunidade.

    — Kyaaah!

    Ah, eu esperei dias para fazer isso. Mas, por via das dúvidas, tentarei mais uma vez…

    — Você veio, mortal…

    — V-Visconde? É o senhor, não é?

    — Argh…

    Estalei a língua e simplesmente me levantei e me virei de forma comum. Como não éramos íntimos o suficiente para eu reconhecê-la apenas pela voz, só então pude identificar quem me procurava. Como previ pelos passos, ela estava mesmo sozinha.

    — Ivela Rianelin.

    A mulher que, desde o primeiro dia na Ilha do Paraíso, vinha demonstrando o conhecimento típico de um mago e assumindo a liderança de forma sutil. Ela me olhava como se tivesse encontrado um raio de esperança.

    — P-Por favor, me ajude! Aquelas pessoas estão me perseguindo!

    …O que ela pensa que está fazendo? No início, fiquei atordoado com uma situação que nunca imaginei, mas eu, que consumi tanta mídia na Coreia, entendi a situação rapidamente.

    “Ah, então esse é o papel dela.”

    Eles ainda acham que um bárbaro é idiota, mesmo depois de chegarmos a esse ponto?

    Fiquei mais indignado do que nunca.

    — Ora! Isso é verdade?! Eles te perseguiram até aqui depois que você escapou das mãos dos culpados? Onde eles estão?! Vou estourar a cabeça deles agora mesmo!

    — …O quê?

    Hum, será que exagerei? Ao ver sua expressão confusa, ela pareceu perceber que algo estava errado, mas Ivela logo recuperou a postura e continuou seu papel.

    — Lá em cima! Eles devem estar lá em cima…!

    — Oh, entendi! Ótimo, vamos juntos! Não se preocupe! Eu vou te proteger!

    Dito isso, agarrei Ivela e a puxei como se fosse colocá-la atrás de mim. E então…

    Crack…!

    Usando o impulso, desferi um soco bem no centro do rosto de Ivela.

    Plaft.

    Ivela desabou no chão como uma boneca com os fios cortados após o soco. No entanto, ela ainda parecia consciente, me olhando com olhos turvos.

    Um olhar que parecia ter muito a dizer. Eu me desculpei rapidamente.

    — Ah, desculpe! Tinha um inseto!

    — …?

    — De novo! Outro inseto! Kyeeek!

    Crack…!

    Com mais um soco desferido, o inseto morreu. Bem, seria estranho dizer que morreu?

    Shoooooooo…!

    O corpo desapareceu em partículas de luz, exatamente como quando um monstro é derrotado.

    “…Era magia.”

    Pois é, eles não seriam tão idiotas assim. Pelo visto, tentaram uma cartada do tipo ‘se colar, colou’… mas, pela última expressão dela, acho que não esperavam que eu fosse estourar a cabeça de alguém sem dizer uma única palavra.

    Lembrei da informação que Ivela me passou antes de partir:

    — Lá em cima! Eles devem estar lá em cima…!

    Traduzindo: aqueles desgraçados estão esperando com uma armadilha armada no topo das escadas. Eu refleti seriamente.

    Subo ou não subo?

    Não fica bem para um boss ir atrás dos jogadores… mas, bem, não posso deixar meus companheiros esperando para sempre lá fora.

    Thoom…

    Subi as escadas lentamente. De forma bem clara, para que os sujeitos lá em cima soubessem que eu estava chegando. Colocando força em cada passo.

    Thoom, thoom…

    Sim, um boss que se preze tem que fazer o chão tremer quando aparece.

    Thump!

    Ao terminar de subir, vi três homens e mulheres. Eles me observavam com cautela, mantendo uma distância considerável.

    “Achei que seriam cinco.”

    Apenas três. Ah, os outros dois estão escondidos? Como não era importante, decidi usar uma versão adaptada da fala que eu tinha preparado.

    — Então vocês estão aqui, mortais…

    Antes mesmo de terminar a frase, uma espada cortou meu pescoço.

    Slic…!

    É, como esperado, tinha um escondido.

    Minha cabeça girou no ar e minha visão deu voltas. Ao mesmo tempo, senti a dor. Não, por que dói se o pescoço foi cortado? Não sei o motivo, mas a dor, amplificada várias vezes pelo efeito da Essência das Lágrimas, era excruciante. E enquanto me olhavam…

    — ——— —, ——— ——— …!

    O homem que segurava a espada dizia algo, mas o som não chegava até mim. Só então percebi o motivo.

    【Efeito de Campo – Caverna Suspeita (3) é aplicado.】

    【Todas as formas de comunicação são restritas.】

    【O dano causado a alvos não-monstros aumenta em 1.500%.】

    【Ao derrotar alvos não-monstros, todos os atributos aumentam drasticamente.】

    Ao subir para a seção do Capítulo 3, o efeito de campo foi ativado novamente.

    “De qualquer forma, nenhuma fala que eu dissesse teria sido transmitida.”

    Claro, a interrupção da comunicação é um efeito bem pequeno. Eles devem ter me atraído para cá por causa desse bônus de aumento de dano.

    Afinal, é ‘senso comum’ que Bjorn Yandel é resistente.

    Thud.

    Minha cabeça atingiu o chão e a rotação da minha visão parou.

    Sorriso.

    Reuni minhas últimas forças e curvei os cantos da boca para cima.

    Pelo olhar deles, que dizia algo como ‘Conseguimos!’, parece que expressões faciais não são contadas como ‘comunicação’.

    Que lamentável para eles.

    Pop.

    No momento em que fiz força, minha visão, que estava rente ao chão, voltou à altura original.

    【Uma parte do corpo perdida foi regenerada.】

    【5% do seu HP foi consumido.】

    O Guardião da Ilha do Paraíso não morre apenas por ter a cabeça cortada!

    Um pequeno gesto, um grande impacto!

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